Miracle

15 Capítulo 15- Something Called Pain


Notas iniciais
Olá!
Ai, ai, estou tão feliz com os reviews ~~ Muito obrigada leitores.
Só queria falar uma coisinha antes de ler... Em um dado momento da fic a Mai vai fazer uma pequena reflexão do que passou. E, bom, vamos dizer que foi uma tentativa de escrever algo profundo, mas que falhou miseravelmente. Então, relevem, por favor.
Espero que tenham uma boa leitura.
Ah, e peço que leiam as notas finais, tenho um pequeno aviso para dar.

Miracle


Capitulo 15- Something Called Pain


Mai olhava estática para o celular. Leu a mensagem várias e várias vezes, para ter certeza que não estava enganada. Só tirou os olhos daquelas palavras quando Celty pousou a mão em seu ombro, perguntando se estava tudo bem.


–Eu... Eu acho que não vou poder dormir aqui. – Disse, ainda meio perdida.


“Por quê?”


A menina não respondeu, apenas estendeu o celular, mostrando a mensagem para Celty, que pareceu ficar tão surpresa quanto ela.


–A-acho melhor eu descer e esperar por ele...


Mai sentia seus sentimentos entrando em conflito; estava muito feliz pelo fato do outro, mesmo já de madrugada, ter decidido vir até Ikebukuro busca-la, no entanto, não tinha a menor coragem de encarar Izaya. Como iria explicar ao informante como tinha feito aqueles ferimentos? Fora que as palavras de Celty sobre seus sentimentos em relação ao rapaz ainda pairavam por sua mente, fazendo-a extremamente desconsertada. A verdade era que não tinha a menor ideia do que fazer quando se encontrasse com Izaya.


Mai foi até Shinra, avisou que não iria ficar e agradeceu aos dois do fundo do coração pelos cuidados e pela gentil hospitalidade. Depois desceu as escadas junto de Celty – pretendia descer sozinha, mas ao tentar se locomover, percebeu que o ferimento em sua perna era mais grave do que imaginava. As duas desceram até o térreo e ficaram esperando na portaria dentro do prédio, visto que estava muito frio para ficar nos portões.

A garota estava parada olhando para os portões de ferro, quando viu a silhueta do informante aparecendo por entre as barras. Porém, no momento em que pôs os olhos no rapaz, sentiu algo estranho; era como se seu coração tivesse dado uma batida grave e profunda, que ressoou por todo seu corpo. Colocou a mão no peito e tentou acalmar a respiração.


O que foi isso? – Pensou.


“Vamos, Mai-chan?” – Celty chamou, estendendo a mão para ajudar a outra a caminhar.


–Vamos...


As duas começaram a caminhar na direção do portão que dava para rua, e, a cada passo que davam em direção ao informante, mais a menina sentia vontade de dar as costas e sair correndo de volta para o prédio e se esconder. Aquela era uma situação extremamente desconfortável. Desde que sairá de dentro do prédio, percebeu que Izaya olhava fixamente em sua direção, e que esse olhar parecia um tanto irritado. Entretanto, assim que chegaram ao portão, o rapaz desviou o olhar da garota.


–Antes que diga qualquer coisa, ela mora comigo por livre e espontânea vontade. – Izaya começou, com um leve toque de humor, mas Mai percebeu que era forçado. –Não quero que saia por ai dizendo que sou um pervertido que sequestra garotinhas inocentes.


Celty deixou os ombros caírem, como em um suspiro e digitou para Izaya:


“Ela não pode andar direito, então tome cuidado com ela” – Depois digitou algo só para Mai: “Depois quero conversar melhor com você”.


A garota de olhos azuis acenou, dizendo um último ‘obrigada’ e se despediu da Durahan, que voltou para dentro do prédio, deixando os dois sozinhos. O rapaz à sua frente continuava a não encara-la, devia estar muito irritado; sem saber o que fazer, Mai apenas abaixou o olhar para seus próprios pés. Ouviu os passos do outro passando ao seu lado e, de repente, sentiu algo pousando em seus ombros e lhe caindo pelas costas. Levantou a cabeça surpresa e percebeu que Izaya havia tirado seu casaco felpudo e colocado em suas costas.


–Izaya...? – Perguntou surpresa, virando-se para o outro, que agora estava de costas.


–Como você me dá trabalho, ein, Mai-chan... – Suspirou. –Mas, infelizmente, estou disposto à isso... – Falou, em seguida se agachando. –Vamos, vou te carregar nas costas.


Mai arregalou os olhos, sentindo seu rosto corar. O que era aquilo tudo que ele estava lhe fazendo? E o que isso significava? Porém não quis pensar nisso, balançou a cabeça e apenas se aproximou um pouco sem jeito e se abaixou.


–Eu estou um pouco perdida. – Mai confessou, sem saber o que fazer.


–É só colocar seus braços em volta do meu pescoço e jogar o peso nas minhas costas, o resto eu faço.


Vestiu os braços do casaco de Izaya e fez o que lhe foi pedido. E, assim que jogou seu peso nas costas do outro, sentiu o mesmo dar um impulso e se levantar abruptamente, começando a andar e fazendo-a soltar um curto grito de susto. Aquela posição era realmente constrangedora, mas estava tão cansada que resolveu não pensar muito a respeito. Pois, agora que estava com ele, tão próxima do informante, sentiu-se extremamente relaxada. Realmente queria descansar, seu corpo gritava por isso, mas sua mente não deixava. Uma onda de melancolia atingiu Mai, fazendo-a se lembrar do porque de tudo aquilo. Todos os acontecimentos do dia anterior – afinal, já era de madrugada — estavam voltando a sua mente. Sentia-se péssima diante de tudo aquilo, realmente triste. Apertou um pouco mais os braços em volta do pescoço do informante e deixou sua cabeça pender sobre o ombro do outro, sentindo seu cabelo curto roçar em sua bochecha.


–Sabe, Izaya... – Começou, seu tom era baixo e cansado. –Hoje eu aprendi uma coisa nova. – Porém não continuou, esperando que o outro fizesse algum comentário sarcástico ou irônico, como sempre fazia. Entretanto, não ouviu nada; olhou para Izaya e viu o mesmo a encarava com o canto dos olhos, esperando que continuasse, e foi o que fez: -Eu aprendi que existem dois tipos de dor; a primeira é uma dor física, de quando alguém nos machuca com um objeto e fere o nosso corpo. Essa dor qualquer um pode causar, e qualquer remédio pode curar, é bem simples, até. E tem a segunda dor, que é um pouco mais especial. Nenhum objeto, por mais afiado e letal que seja, pode causa-la. E não é qualquer um que pode fazer isso. Ironicamente, apenas as pessoas que nos são mais especiais é que podem nos causar tamanha dor, que chega a superar o pior dos ferimentos. Dela não sai sangue, mas é como se nosso coração fosse esmagado, chegando a deixar a pessoa sem ar... E essa ferida só pede ser curada pela própria pessoa que a causou ou pelo tempo. E, infelizmente, eu aprendi isso na prática.



Durante uns bons minutos do trajeto, Mai não disse nada, até que Izaya começou a sentir algo molhando sua blusa na região do ombro e pescoço. Preparou-se para dizer algo, mas ela o interrompeu:


–Me desculpe, Izaya... – Disse com a voz embargada. –Me desculpe por ter gritado com você, por ter me envolvido com o Retalhador e ter feito você vi até aqui me buscar. Eu sinto muito...


O moreno suspirou.


–Eu já disse, está tudo bem. – Respondeu. –Afinal, você é meu animalzinho de estimação e eu...


–Não. – Mai o interrompeu, ainda com lagrimas nos olhos. –Não me chame assim, dói ouvir isso.


Izaya ajeitou melhor a garota em suas costas, que estranhamente parecia leve como uma pena, e olhou para o céu, que já dava indícios do amanhecer.

Ah, sim, agora era tudo tão óbvio. Sempre fora muito inteligente, sempre soube interpretar bem as coisas, com Mai não seria diferente. Já entendia muito bem a situação; sabia o porquê de ela ter se envolvido naquela situação perigosa, sabia o que ela tinha visto e sabia sobre o tipo de dor que ela falava. Sim, ele sabia dos sentimentos da garota. Porém não poderia fazer nada a respeito. Na verdade, Izaya iria fazer algo pior do que nada. Infelizmente, ele não tinha a capacidade de retribuir qualquer tipo de sentimento e, ainda por cima, era egoísta a ponto de usar os sentimentos da garota apenas para se divertir.


Apesar de no fundo saber que apenas a mantinha por perto para suprir a solidão.



–Ei, Mai. – Izaya chamou, quando chegaram ao escritório. –Mai? – Repetiu, mas logo percebeu que a garota dormia em suas costas. Continuou a andar, até chegar ao segundo andar, quando sentiu Mai se mexendo.


–Izaya... – Chamou, ainda sonolenta. –Posso dormir no seu quarto?


O outro nada respondeu, apenas abriu a porta e caminhou para dentro do quarto. Foi para o lado esquerdo da cama e deixou Mai ali sentada, que rapidamente se acomodou debaixo das cobertas sem se incomodar em tirar o casaco. Afastou-se da cama e olhou as horas; no máximo ia conseguir dar um cochilo de uma hora ou duas horas, antes de começar seu trabalho. Suspirou. Não importava, estava realmente cansado, qualquer tempo que tirasse para dormir ia ser bem vindo. Talvez se conseguisse adiantar seu serviço, poderia dormir à tarde. Foi para perto de seu armário e começou a trocar de roupa, julgando que Mai já estivesse dormindo, não se importou de entrar no banheiro da suíte para tal. Porém, ao começar a tirar as calças, notou um movimento das cobertas, e ao olhar para a cama, viu que a colegial cobria a cabeça com o lençol.


–O que foi, Mai-chan? Não me acha atraente? – Brincou, achando realmente divertida a inocente reação da garota.


Depois de trocado, deitou-se na cama, aliviado por finalmente ter um descanso.



Abriu os olhos lentamente e virou-se um pouco na cama, ainda sentindo suas feridas latejarem. Com muito custo, Mai pôs-se sentada na cama; olhou em volta, demorando a reconhecer que estava no quarto de Izaya, apesar de não haver a presença do mesmo no cômodo. Olhou as horas no relógio digital da cômoda, já passava da hora do almoço, mas não estava com fome. Na verdade, ainda sentia-se cansada. Afinal, mesmo dormindo muito, isso não iria subjugar seu cansaço psicológico, que contribuía para aumentar o físico.

Realmente, aquela noite e madrugada tinham sido bem turbulentas. Seus sentimentos haviam lhe sido jogados para que os enfrentasse duramente. Pensou em tudo que viu e ouviu; pensou no que sentiu quando viu Izaya e Atsuki juntos, pensou no que Celty lhe dissera e pensou na pequena caminhada que fez nas costas do informante. Teria que enfrentar tudo aquilo e a verdade por trás. Infelizmente, estava estressada demais para isso. Talvez pudesse até ser protelação de sua parte, mas Mai decidiu que só pensaria realmente a respeito daquilo no dia seguinte, agora queria apenas descansar seu corpo, mente e, principalmente, seu coração, que já estava bem ferido. Pensou se poderia existir dor maior do que sentiu quando viu Izaya saindo com outra pessoa.


Infelizmente os seres humanos estão sempre se superando... – Pensou amargamente.


Levantou-se da cama lentamente e foi para a porta, sem se importar em tirar o pijama. Caminhou até as escadas, mas antes de descer o primeiro degrau, olhou por cima do corrimão, apenas para ver Izaya e Atsuki sentados juntos no sofá conversando. Apertou os punhos, cravando as unhas na palma de sua mão, fazendo a dor do machucando se intensificar, e voltou para o quarto antes que os dois ali em baixo notassem sua presença. Sentou-se na cama e tirou o casaco de Izaya, sentindo uma imensa vontade de joga-lo longe, mas a única coisa que fez foi abraça-lo fortemente e afundar seu rosto na parte felpuda do capuz, sentindo o cheiro do outro. Não queria sair daquele quarto, não enquanto aquela mulher ainda estivesse no escritório.



O brilho da tela do computador parecia cega-lo. Izaya cerrou os olhos, tentando se concentrar no trabalho. Tinha que continuar, mesmo o cansaço o consumindo, estava quase acabado e logo poderia ter seu merecido descanso.

Já estava finalizando suas pesquisas, quando Namie foi até ele e avisou que havia uma visita esperando-o do lado de fora. Estreitou os olhos, curioso, pois não esperava receber nenhum cliente naquele dia. Preguiçosamente levantou-se de sua cadeira e foi até a porta, já desconfiado de quem poderia ser.


–Como vai, Tsuki-chan? – Disse, ao abrir a porta de seu escritório para deixar a mulher passar.


–Bem, mas você nem tanto, parece casado. – Comentou. –Não vai me dizer que depois de se despedir de mim ontem, foi se encontrar com outra mulher? – Perguntou sarcasticamente.


–Apenas um contratempo. Vamos, sente-se. – Convidou.


A visita de Mizawa Atsuki não durou mais do que uma hora e meia, mas Izaya contou cada segundo, até aquela mulher ir embora e deixa-lo finalmente descansar. Não que tivesse deixado isso transparecer, afinal, cansado ou não, ainda estava jogando com Atsuki. A conversa entre os dois correu agradavelmente, como se nenhum tivesse segundas intenções. A única coisa que o rapaz achou estranha foi o fato da mulher o ter instigado uma ou duas vezes à falar sobre o relacionamento dele com Mai. A resposta de sua parte era sempre a mesma: ela vivia com ele, em troca, ajudava-o com seus serviços, mesmo não sendo realmente a verdade. Porém a doutora da Nébula não parecia satisfeita com essa resposta.

O informante suspirou aliviado no momento em que ela recebeu uma ligação sobre seu trabalho, fazendo com que tivesse de voltar para sua empresa. Assim que Mizawa pisou fora de seu escritório, Izaya apressou-se a seguir para seu quarto, em busca de um descanso. Entrou no quarto e surpreendeu-se ao ver que Mai ainda estava lá; estava deitada no meio da cama de forma largada, cobrindo-se apenas com seu casaco.


–Gostou tanto assim dele? – Perguntou rindo, mas não obteve uma resposta. Mai apenas se mexeu na cama, dando as costas para Izaya e deitando-se do seu lado da cama.


O informante deu de ombros e fechou a porta. Em seguida sentou-se na cama, tirando a blusa preta e afrouxando a fivela de seu cinto. Mai, ao ouvir o barulho estranho, levantou um pouco a cabeça e olhou para o informante.


–O-o que está fazendo? – Seu rosto adquiria um tom avermelhado.


–Se acalme, Mai-chan. ~ — O outro riu. –Estou muito cansado para lhe fazer alguma coisa.


–Pelo menos, coloque um pijama. – Pediu com a voz falha. Izaya não só estava sem blusa, que revelava seu tronco magro, como também, com o zíper da calça aberto.


–Estou com muita preguiça. – Falou, espreguiçando. Porém logo notou o olhar de Mai sobre si. –Então, aprecia a visão?


Com a pergunta de Izaya, a garota sentiu suas orelhas esquentarem. Voltou a dar as costas para o que estava ao seu lado, acreditando que assim aquele momento constrangedor terminasse. Por alguns segundos nada aconteceu, Izaya manteve-se em silencio e Mai continuava na mesma posição de costas para o outro, porém o machucado em seu braço estava ficando dolorido de ficar pressionado contra a cama; virou-se para mudar de lado, dando de cara com o informante, que a observava.


–Nã-não ia dormir? – Perguntou.


–Daqui a pouco. – Respondeu, passando os olhos pelo corpo da garota, mais especificamente, pelos ferimentos enfaixados. O pijama era relativamente curto, expondo a maioria dos machucados; vários espalhados pelos braços e pernas, um pequeno corte no rosto e... Izaya não teve tempo de pensar, quando, de repente, um travesseiro veio em direção ao seu rosto, impedindo sua visão. –O que está fazendo? – Perguntou, com a voz abafada pelo travesseiro.


–Por que você não pode agir com uma pessoa normal?! – Irritou-se, pressionando de leve seu travesseiro contra o rosto do informante.


–Logo você vem me falar isso. – Riu, tirando o travesseiro do rosto. –A única que está agindo estranho aqui é você, Mai-chan. – Provocou de forma maliciosa, enquanto acariciava um lado da face da garota.


Mai abaixou o olhar, evitando o de Izaya e mirando-o no peitoral do outro. Ainda era constrangedor, entretanto, melhor do que encarar o olhar do outro. Com a mão trêmula, tirou a do rapaz de seu rosto. Porém, ao fazer isso, Izaya segurou seu pulso.


–O que é isso? – Ele perguntou, fazendo a menina levantar a cabeça; Izaya estava se referindo a ferida de sua mão, que parecia ter reaberto, pois as faixas estavam manchadas de sangue.


–Não é nada... – Puxou seu pulso de volta, fazendo Izaya soltar um suspiro.


O rapaz sentou-se na cama, com as pernas para fora do colchão e se abaixou, tirando de debaixo da cama uma pequena maleta branca.


–Me dê sua mão. – Pediu, mas Mai não se moveu. Irritado, agarrou o pulso da garota um tanto bruscamente e puxou.


–Ai, Izaya! – Reclamou, mantendo o punho enfaixado fechado. –Eu já disse que não é nada.


–Vamos, não me dê trabalho! – Irritou-se mais ainda, fazendo-a encolher-se no lugar e relaxar o pulso.


Enquanto o moreno trocava as faixas, nada foi dito por parte dos dois. Izaya concentrava-se na mão da garota, e nem uma única vez levantou o olhar. Porém, Mai passou todo o tempo observando-o. Estranho, mas aquela era a primeira vez que observava o informante realmente de perto; sua pele era clara, tinha ombros largos e não era nem muito magro e nem muito forte. Levantou um pouco o olhar e mirou no rosto concentrado do informante; cabelos negros como a noite e olhos carmesim, uma peculiar combinação, mas tinha que admitir, Izaya era um homem atraente. Corou com o pensamento; ele estava tomando muito espaço em sua mente. O pior é que não era de agora. Não... Há um bom tempo vinha notando que maior parte de seus pensamentos tinham alguma relação com o homem que a recebia em sua casa. E, junto com isso, a vontade de sempre estar perto dessa pessoa. Droga, não devia pensar nessas coisas.


–Acabei. – O outro avisou, fazendo Mai rapidamente recolher a mão e se afastar do outro.


–Obrigada... – Deu as costas pro outro na cama, tentando esconder o rubor.


–Bom, se me der licença, vou dormir. – Também deu as costas para a garota e se enfiou debaixo das cobertas. –Tente não abrir novamente seus ferimentos. – Recomendou, antes de fechar os olhos.



O sol da estava se pondo, quando Izaya voltou a abrir os olhos. O cochilo realmente veio a calhar, sentia-se bem melhor. Sentou-se na cama, se espreguiçando, e virou-se para o outro lado procurando Mai, porém a garota não estava na cama. Levantou-se e voltou a vestir sua blusa e ajustar a calça. Ainda tinha muito serviço, mas precisava comer. Saiu do quarto, mas antes de ir para a escada, foi até a porta do quarto de Mai. Olhando lá dentro, viu a menina deitada em sua cama, de costas para a porta, ainda com seu casaco felpudo e olhando algo no celular.

Com passos lentou e silencioso, aproximou-se da garota sem que percebesse, o suficiente para se abaixar até o pescoço da mesma e assoprar naquela região, fazendo Mai dar um pulo no lugar e virar-se abruptamente para Izaya, segurando o pescoço na região que assoprara.


–O-o qu-que pensa que está fazendo?! – Exclamou, com o rosto completamente corado e olhos arregalados, fazendo o informante soltar uma gargalhada alta.


–Que reação mais inocente! Nem consigo imaginar como seria se, por acaso, eu tentasse roubar um beijo seu.


–Be-be-beijo?! – Corou ainda mais.


–Quer dizer que você nunca beijou? – Comentou, sorrindo maliciosamente. –Devo dizer que não estou muito surpreso. Isso significa que o Kyosuke-kun é um garoto bem lento, não acha?


–Não fale assim dele. – Xingou, levantando-se da cama, ficando de pé de frente para Izaya. –E... – Abaixou a cabeça, evitando contato visual com o rapaz. -... E mesmo que ele tentasse, eu não iria deixar... Não tenho vontade de fazer isso com ele.


Por alguns instantes o informante permaneceu com uma expressão surpresa em seu rosto ao ouvir a declaração da garota. Claro, sabia dos sentimentos da mesma, mas era algo totalmente diferente a própria pessoa falar sobre isso.


–Então... – Começou. -... Será que você tem vontade de fazer isso comigo? – Perguntou, fazendo a garota encolher no lugar. Porém, surpreendendo-o, Mai levantou a cabeça e o olhou de forma obstinada.


–E-e quanto a você? Tem vontade de me beijar? – Perguntou, ainda com a voz tremula.


Izaya segurou-se para não rir. Era hilário ver Mai tentando jogar a timidez de lado e tentar ter mais ousadia. Pena que para ela parecia ser algo impossível, era perceptível seu rubor e voz trêmula. Mas aquela era uma chance única, teria que usa-la para provocar a colegial; delicadamente, colocou a mão no queixo da garota, erguendo-o e aproximou seu rosto.


–Quem sabe...~– Falou em um tom aveludado.


–Não chegue perto de mim! – Mai não aguentou, aquilo já era demais para seu coração, que parecia que ia fazer um buraco em seu peito, de forte e rápido que batia. Empurrou levemente Izaya, para que saísse de seu caminho, e saiu correndo do quarto, apenas ouvindo a alta risada do outro.


O moreno ria alto, aproveitando todas aquelas reações que vira há pouco. Realmente, mesmo que ela quisesse, nunca conseguiria torna-se uma pessoa ousada. Apesar de que, particularmente, apreciava o jeito inocente e desajeitado da garota. Devia tê-la beijado, simplesmente para ver como ela reagiria diante de algo tão novo. Porém, ao pensar nisso, sua risada foi morrendo aos poucos. Não, foi melhor ter apenas insinuado, caso contrário, poderia acabar com uma barreira difícil de reestabelecer.


Izaya saiu do quarto e foi para o corredor, perto da grade que mostrava o primeiro andar, e olhou para baixo, vendo Mai sentada no sofá.


Sim, mesmo provocando-a, mesmo usando-a para encobrir sua solidão e mesmo sabendo dos sentimentos da garota, devia haver uma barreira entre os dois. Uma que para o seu próprio bem, deveria se esforçar para mantê-la.


Fim do capitulo 15.



Notas finais
O que acharam? huhu
Bom, alguns podem até achar estranho o fato de eu colocar o Izaya já sabendo dos sentimentos dela, mas eu achei que seria uma coisa bem obvia, já que ele é tão bom em interpretar as pessoas.
Eu tentei interpretar nesse capitulo a forma como o Izaya vai lidar e ver os sentimentos da Mai. Espero que consigam captar isso.
Agora vou ao aviso: Bom, Fevereiro já começou e eu vou ficar bem ocupada. Resumindo, meu tempo no computador vai diminuir consideravelmente. No entanto, acredito que vou continuar a postar toda semana, pois escrevo Miracle no papel e digitar é algo relativamente rápido. O que eu quero dizer é que talvez eu demore um pouco para responder os reviews, ok? Vou aos poucos.
Mas prometo responder todos antes de postar o capitulo seguinte. Please, não parem de comentar! ç-ç
HAHA! O próximo capitulo promete!