Miracle
11 Capítulo 11- Execution
Notas iniciais
Já vou avisar, não tem romance nesse capítulo. Eu o usei para terminar com o assunto do Lobo.
Mudei a capa!~~
Me digam o que acharam??
Miracle
Capitulo 11- Execution
Ela tinha absoluta certeza de que Izaya planejava algo. Algo muito ruim. E Mai não tinha tempo a perder, precisava fazer alguma coisa e rápido. Mas o que poderia fazer? Izaya era extremamente esperto e, provavelmente, já estava com isso planejado há tempos. Como Mai, uma simples garota, poderia acabar com um plano desses em apenas um dia?
Parou para refletir. Não, havia, sim, alguma forma de acabar com aquilo. Lembrou-se do tabuleiro de Izaya; não precisava criar um grande plano como o dele, era só derrubar uma das peças, que o jogo inteiro mudaria. E ela sabia qual das peças. O informante poderia ser esperto, perspicaz e estrategista, no entanto, ela tinha algo que ele nunca poderia se igualar.
Voltou a olhar para cima; o lobo continuava lá. Tomou uma respiração mais longa e começou a caminhar na direção do prédio.
A tarde já estava virando noite no momento em que Mai caminhava pesadamente pela rua do escritório de Izaya. Não que seu dia tivesse sido ruim, foi apenas cansativo. Teve que planejar bem as coisas e argumentar bastante com o lobo para que desistisse da vingança. Tinha sido difícil, só conseguiu isso graças à sua habilidade, que parecia exercer alguma influencia sobre os Durahans.
–Olá, Mai-chan! ~~ — A garota ouviu, levantando os olhos do chão. Á poucos metros em sua frente estava Izaya, encostado a um poste, com as mãos no bolso do casado. –Que surpresa agradável. ~
Mai suspirou, podia sentir a ironia na voz do outro.
–Como foi o trabalho? – Perguntou, se aproximando.
–Muito proveitoso. ~ — Desencostou do poste e começou a andar junto da garota.
–Hm... – Murmurou pensativa.
–Vou te avisar novamente, amanhã à noite temos algo muito importante para fazer.
–Certo. – Respondeu, apreensiva.
Logo, a grande noite chegou. Izaya tinha arrastado Mai, novamente, para uma caminhada noturna. Só que, dessa vez, andaram para um lugar desconhecido a ela. O informante levou-a para uma zona de Ikebukuro totalmente desprovida de prédios, casas ou lojas. Não havia nem, sequer, postes, o que deixava o local realmente escuro. A única coisa que Mai conseguiu ver com clareza eram as luzes que saiam de um grande galpão, cercado por pilhas de madeira e caixotes gigantes.
–Que lugar é esse, Izaya? – Perguntou com certo receio. Olhou para o informante e percebeu que mantinha um sorriso estranho nos lábios.
–Aquele galpão que está vendo, é o esconderijo dos Cachecóis Amarelos, a gangue da qual seu amigo Kyosuke-kun participa.
–O que?! – Kyosuke nunca havia lhe falado sobre isso. Mai sabia muito bem que qualquer envolvimento com gangues era algo perigoso e arriscado.
–Se acalme, Mai-chan. – Disse, passando a mão por cima da cabeça da garota. –Por isso estamos aqui, para ajuda-lo.
–Mas como?
–Chamando o Lobo das Montanhas, é claro. Lembra-se do que te pedi mais cedo? – Sim, ela se lembrava. Mais cedo naquele dia, Izaya pediu á Mai que fosse até o lobo e o convencesse de ir para a zona norte de Ikebukuro e às dez da noite. Não tinha sido uma tarefa muito difícil convencer o lobo, difícil foi tentar adaptar seu plano aquela ordem. –Assim que o Lobo aparecer no galpão, vai assustar todos os membros da gangue, inclusive o Kyosuke-kun. Ele vai ficar assustado e perceber que é perigoso se envolver com esse tipo de coisa, por isso chamei Celty, que vai salva-lo dessa confusão e tira-lo daqui.
Mai parou por alguns segundos e olhou para Izaya, que não tirava seus olhos do galpão; em nenhum momento acreditou no que lhe foi dito, sabia que o outro não tinha a menor intenção de ajudar os outros, aquilo era só uma desculpa para encobrir seu verdadeiro plano. E foi com essa simplória desculpa, que Mai entendeu a situação.
Já tinha ouvido Izaya comentar algo sobre despertar a cabeça de Celty, e era isso que estava tentando fazer naquele momento. Ele não queria o Lobo para assustar só Kyosuke, queria para assustar a gangue inteira. E, enquanto estivessem fugindo, iam dar de cara com Celty. Rapidamente fariam a ligação: um lobo gigante negro veio para ataca-los e perto do local estaria a motoqueira negra; o lobo foi mandado pela motoqueira, era isso que iam concluir. E como aquele era um grupo de baderneiros perigosos, iam ataca-la por vingança.
Izaya queria colocar a própria Celty em grave perigo para despertar sua cabeça.
Mai respirou fundo. O plano era muito mais complicado do que imaginava. Teria que agir bem rápido se quisesse ajudar a Durahan.
Voltou a olhar para Izaya, continuava a olhar para frente. Lentamente deu alguns passos para trás e, de repente, pôs-se a correr. Não o ouviu chama-la de volta, talvez nem tivesse percebido ou, simplesmente, estava muito seguro de seu plano.
Correu por entre as pilhas de caixotes de madeira à procura de Celty, usando seus olhos, que agora estavam de um azul brilhante. Precisava acha-la logo, tinha tomado precauções antes, mas só para metade do plano de Izaya, o ataque à Durahan teria que resolver naquele momento.
–Celty! – Gritou, ao ver a moto da mulher parada metros à sua frente. A motoqueira se surpreendeu ao ver a garota naquele local. Pegou seu aparelho para começar a digitar, mas Mai a parou, colocando suas mãos sobre as enluvadas. –Você tem que sair daqui!
“O que faz aqui, Mai-chan?” – Começou a digitar, mas a outra respondeu antes que terminasse:
–Não posso explicar todos os detalhes agora, mas saiba que está em perigo. – Disse, no mesmo momento em que as duas ouviram um longo uivado. –Rápido! – Saiu de perto de Celty e andou para perto das caixas, tentando ver por entre as frestas.
“Então venha comigo, não posso te deixar num lugar como esses” – Digitou, mostrando o aparelho, porém Mai não se virou para ler. Aquela situação estava realmente anormal. Celty se perguntava o que a jovem fazia num lugar daqueles e o porquê de todos aqueles pedidos para fugir dali.
–Eu não posso sair daqui, ainda tenho outra coisa pra fazer. – Respondeu, olhando por uma fresta que mostrava o galpão; pode ver várias pessoas saindo de lá apressadamente, fugindo de uma sombra negra. –Isso é tudo armação do Izaya. – Voltou-se para a outra. –Prometo te explicar tudo o que aconteceu amanhã. Mas, por favor, por enquanto, apenas fuja daqui. – Pediu suplicante.
A Durahan refletiu. Agora que Mai falou sobre Izaya, as coisas pareciam fazer mais sentido. O informante estava sempre a colocando em problemas, aquela situação devia ser mais um de seus planos para causar confusão entre as pessoas. No entanto, ainda não entendia o envolvimento de Mai naquilo tudo. Não teve outra escolha, a garota estava muito séria para não saber o que estava fazendo.
“Certo” – Respondeu, para o alivio de Mai. “Eu vou sair daqui, mas tem que prometer que vai me explicar tudo isso, ok?”
–Prometo.
Celty empinou sua moto e foi embora, deixando Mai sozinha. A garota voltou a olhar para o galpão, podia ver o Lobo correndo entre os Cachecóis Amarelos, que tentavam inutilmente acerta-lo com canos e outras coisas e, até, conseguia ver Izaya apreciando a cena de um ponto mais afastado.
Agora era o momento de terminar com aquilo tudo. Saiu de onde estava e começou a andar para mais fundo daquele labirinto de caixotes. Achando que tinha tomado uma boa distância, assobiou. Um assobio baixo, que provavelmente ninguém ouviria, com exceção do Lobo das Montanhas. Em poucos minutos, Mai pode ver o Lobo se aproximando e, em cima do dorso do grande animal, estava Kyosuke, que tentava desajeitadamente se equilibrar ali em cima.
–O que está acontecendo, Mai? – Perguntou desesperado. Estava no esconderijo dos Cachecóis Amarelos, quando, de repente, aquele animal louco entrou lá e começou a perseguir as pessoas. Tentou fugir, mas o lobo começou a persegui-lo, até que o derrubou, fazendo-o cair em cima de seu dorso, e começou a arrasta-lo para longe do local. E, agora, o lobo o levou de encontro com sua amiga de escola.
–Está tudo bem, Kyosuke. – Mai tentou acalma-lo, ajudando-o a descer do animal. –Estou aqui para te ajudar. – Tentou sorrir, tudo dependia de sua atuação.
–Me ajudar? Quer dizer que toda aquela confusão foi ideia do Izaya? – No dia em que foi pela primeira vez ao escritório do informante buscando ajuda contra os Dollars, Izaya lhe propôs que entrasse para os Cachecóis Amarelos, pois no meio daquele grupo, poderia se proteger melhor de outras gangues. Porém, estranhamente, no inicio do final de semana, o mesmo pediu que tentasse reunir vários membros da gangue no esconderijo, com a justificativa de que a polícia estava perseguindo-os, e que deveriam manter-se escondidos lá até o inicio da semana, quando as buscas tivessem cessado. Só que, aquele animal maluco apareceu no local e começou a persegui-los. Sabia que Izaya não era de confiança, provavelmente ele mesmo tinha mandado o lobo. Mas, então, o que ele fazia com Mai?
–Realmente, Izaya te enganou. – Disse. –Mas não foi com o lobo, eu o mandei para te ajudar, pois o Izaya queria fazer com que a gangue inteira se virasse contra você, não havia perseguição alguma de polícia, ele só disse isso para a gangue se revoltar contra você. Então pedi ao meu lobo para causar aquela confusão e te tirar de lá. Assim, você vai poder sair da gangue com a justificativa que foi atacado.
Kyosuke olhou para o chão, apartando os punhos.
–Então, ele estava me enganado o tempo todo... – Falou com amargura.
–Esqueça isso. Assim que o Izaya perceber que não deu certo, vai largar isso de lado e arrumar confusão para outra pessoa. Ele sempre faz isso. – Argumentou. –Vamos, suba no lobo que ele vai te levar para sua casa. – Pediu, trazendo o animal para perto do garoto.
–Mas se ele vai fazer isso com outras pessoas, alguém tem que para-lo!
–Eu sei. Por isso eu estou aqui. – Piscou para Kyosuke, que no inicio pareceu surpreso, mas depois sorriu.
–Certo, vou confiar em você. – Subiu um pouco sem jeito no dorso negro. –Esse lobo é muito grande...
–E rápido. – Avisou, em seguida o animal tomou impulso e levou Kyosuke para longe daquele local.
Ficou olhando o bicho se afastar, e só quando não podia mais vê-lo, soltou um longo suspiro de alivio.
–Que bom... – Disse para si mesma. –Consegui resolver a situação. Agora só falta falar com a Celty e... – Parou de falar, assim que ouviu um barulho de palmas.
–Muito bem, Mai-chan. – Ouviu a voz de Izaya. A garota olhou para o lado e viu o informante sentado em cima de duais caixonas empilhadas. Quando ele tinha subido ali?
–I-Izaya... – Gaguejou.
–Tenho que admitir, fiquei impressionado. – Deu um impulso, saltando de cima das caixas. –No momento em que você saiu de perto de mim, já desconfiava que fosse fazer algo. Só não achei que ia ser tanto! Conseguiu tirar Celty do local, fez o lobo desistir da vingança e inventou uma historia para que o Kyosuke não descobrisse nada sobre o lobo e saísse da gangue. Realmente, suas habilidades são impressionantes. – Enquanto dizia aquilo tudo, foi se aproximando de Mai, até ficar cara-a-cara com a garota. –Mas só tem um pequeno problema. – Seu sorriso se alargou.
–O-o que? – Aquilo estava deixando-a nervosa.
–Não acha que, ao estragar meu plano, eu não ficaria irritado e te expulsasse de casa?
Os olhos de Mai se alargaram. Realmente, não havia parado para pensar nisso. Izaya estava planejando isso há tempos e ela estragou tudo, provavelmente o outro devia estar muito irritado com ela. Iria acabar sendo expulsa, mas havia outra coisa que a afligia muito mais. Tinha medo, sim, de perder sua moradia, mas pior que isso era a possibilidade de Izaya odiá-la. Não se arrependia do seu feito, mas sentiu uma grande vontade de chorar com essa possibilidade.
–Não... Izaya, eu não... – Não conseguia formar as palavras, não havia o que dizer.
O rapaz se afastou um pouco e virou de costas pra Mai. As lágrimas estavam começando a brotar nos olhos da garota, quando ouviu a estridente risada do outro.
–Eu nunca me canso de testar suas reações! – Disse entre as gargalhadas. –Não se preocupe, não tenho muito apego aos meus planos. Você não vai perder sua moradia. – Confirmou, começando a andar para fora do local.
–Mas...! – Mesmo com a afirmação, Izaya tinha tocado num assunto importante. Agora que o plano tinha se encerrado, ele não precisava mais de Mai para conversar com o Durahan. Não havia motivos para ele deixa-la viver em sua casa. –Mas não tem mais que lidar com o lobo, não precisa mais de mim. – Não sabia ao certo porque estava dando-o motivos para expulsa-la, talvez quisesse ter absoluta certeza de que não seria mandada embora.
–Ah, quanto a isso. – Parou abruptamente de andar e rir. –Resolvi adotar um animalzinho de estimação.
–O que? – Indagou ainda mais confusa, parando ao lado de Izaya.
–Andei pesando em algumas coisas esses dias, e resolvi que gosto de sua companhia.
–Sério? – Sentiu uma explosão de alegria em seu coração.
–Claro. – Sorriu. –Sabe, passo muito tempo sozinho, e uma companhia viria a calhar.
–Mas o que adotar um animal tem haver com isso?
–Essa é a forma como te vejo, Mai-chan. ~ — Respondeu, começando a caminhar. –Você me lembra um cãozinho, que sempre segue o dono e faz de tudo para agrada-lo. Não consigo ver você como um ser humano, meus sentimentos por você não são iguais ao amor que tenho pela humanidade. Isso, porque eu não te vejo como uma pessoa, te vejo como meu animalzinho de estimação. Gosto de você como meu bichinho, cuido de você lhe dando teto e comida e, ocasionalmente, algum carinho. Entende?
No momento em que Izaya terminou sua explicação, Mai parou de andar. Era como se um vento gelado tivesse passado por ela e cortado seu coração. Não sabia explicar o porquê, mas ser comparada daquele jeito a feriu gravemente, não por ser comparada ao animal de estimação, mas por descobrir que eram aqueles os sentimentos que o outro tinha por ela.
–Não fique ofendida por ser comparada com um animal, Mai-chan. ~ Foi só uma figura de linguagem.
–Não fiquei... – Abaixou a cabeça, voltando a andar. O clima parecia ainda mais gelado agora.
Os dois voltaram a caminhar, Izaya praticamente saltitando, como se a confusão de agora a pouco não tivesse acontecido, enquanto Mai caminhava cabisbaixa, preferindo que o moreno tivesse a odiado, à ser comparada daquele jeito.
Fim do capitulo 11.
Notas finais
Mas prometo tentar melhorar no próximo, ok? No 12 já vai ter mais romance, não se preocupem.
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