Miríade

22 21. Fofocas


Notas iniciais
O lado ruim de postar histórias não concluídas é que você não lembra dos detalhes da história. Mas irei dar continuidade as postagens.

Acordei como se tivesse corrido uma maratona, enquanto simplesmente dormia. Cansada e indisposta. Sem querer sair da cama, eu lutei contra mim mesma e estava ganhando até ver todo o acontecido do dia anterior se arrastar até mim.

Argh. Puxei a coberta revoltada comigo mesma, eu não queria ir à escola, não queria ver ninguém.

Mas eu não era covarde, não fugia e nem me escondia, principalmente por não ter feito nada ilegal. Com muito custo me pus de pé e entrei no banho sem paciência para cabelo molhado o deixei de fora. Vesti o uniforme e as meias e por fim os sapatos. O meu rosto não estava dos melhores devido à noite mal dormida, numa tentativa de disfarçar a cara feia eu passei um pouco de base, pó compacto e um batom levemente rosado para dar cor a minha palidez de morte.

Pronta para enfrentar mais um dia e decida a não pensar mais sobre os acontecimentos do dia anterior. Peguei a minha mochila pela alça e rumei para as escadas.

Sem brilho, sem o meu ótimo bom humor matinal.

Não encontrei Sarah na cozinha e não encontrei nem o café da manhã.

Talvez já tenha saído ou então estava ocupada.

Mas onde estava a Audrey?

Para a minha surpresa, Ethan entrou pela porta da cozinha.

Eu fiquei encarando-o.

— Que foi nunca me viu não?

Revirei os olhos.

— Bom dia pra você também.

Ele me observava com os olhos pequenos.

— Caiu da cama ou algo assim?

— Algo assim, onde está a mamãe?

Ethan posicionou os antebraços na ilha.

— Caiu da cama, ligaram para ela muito cedo hoje parece que deu B.O numa situação com um famoso que compraria uma mansão.

Que fofoqueiro.

Eu gostei disso, poderia me aproveitar.

— Ela estava nervosa?

— Não. Só um pouco preocupada, na verdade, tão preocupada que ela nem fez o nosso café.

Controlei a vontade de fazer cara feia e com toda a paciência eu disse.

— A nossa geladeira é mais recheada que biscoito, toma um suco, com pão ou bolo.

Ethan era tão folgado.

— O suco vai, mas eu quero um sanduíche.

Abri a geladeira e apontei.

— Têm pães integrais, queijo, presunto, ovos, bacon, alfaces… Faça você.

Ele me encarou ultrajado.

— Claro que não, você pode fazer para nós, por favor? Bateu cílios.

Argh.

Como eu também estava com fome iria fazer sim, eu iria fazer, eu estava errada quando pensava que só os meus pais mimaram o Ethan, eu também colaborei para a criação desse monstrinho folgado.

Como primogênita eu sempre suavizava o lado dele. É o que os irmãos mais velhos fazem, não? Cuidavam dos irmãos mais novos. Por sermos da mesma mãe, o meu contato era maior com Ethan e mesmo ele sendo uma criança chata na maior parte do tempo. Eu o amava.

Tirei os ingredientes da geladeira e iniciei os trabalhos.

Meu irmão veio para o meu lado ao ver que eu iria preparar dois de carne.

— Quero o meu de Bacon e ovos.

Voltei à geladeira para devolver um sachê de carne e pegar o que ele queria.

— O que você mais sabe sobre a história no trabalho da mamãe? Perguntei, enquanto virava e apertava a carne com a espátula. Como quem não quisesse nada.

— Pelo que eu entendi, estava tudo pronto para a assinatura do imóvel, mas parece que o dono da casa deu um perdido em todo mundo. Hm... Que cheiro bom era pra ter feito dois para mim.

Nem começa.

— Não vai dar tempo de fazer outro, Ethan, preciso ir para a escola.

— Ah, eu sei.

Olhei para ele como se dissesse "por que você é tão inconveniente".

Virei os bacons de aspecto delicioso, do lado deles quebrei o ovo, lavei a alface e o tomate, tirei os pães da sacola e os cortei.

O meu irmão levemente impaciente jogou os cabelos da franja para o lado.

Tão loiro que parecia um alemão até os cílios eram loiros se a pessoa não prestasse atenção poderia ter a impressão que ele não os tinha.

— Ethan, pegue a jarra de suco e dois copos, por favor.

Ele se virou para o armário.

Finalizei o preparo da refeição ao pôr os sanduíches no mesmo prato.

E os levei para a ilha onde Ethan tinha posto a bebida.

Puxei um banquinho e sentei ao lado dele.

— Bom apetite monstrinho.

Ele me mostrou a língua.

— Bom apetite, cara de biscoito.

Após um "estava ótimo, Dês" com o pé na porta para ir à escola me ocorreu perguntar sobre a Audrey.

— Teve um problema familiar.

Travei.

— Você vai ficar sozinho?

— Qual é Destinee eu já tenho quase 12 anos sei me cuidar.

Falou o adulto.

Não me mexi.

Sim. Eu estava preocupada com ele.

— A mamãe vai chegar daqui a pouco para me buscar e eu não vou ficar sozinho por muito tempo. Ele bufou. — Vocês me tratam como se eu fosse um bebê.

Ele pediu por isso sem conter o sorriso eu disse. — Mas você é o bebê da Sarah Stoltz. Gargalhei na cara dura.

É claro que ele não gostou.

— Corta essa Destinee se manda daqui. Eu fui rindo vendo-o ficar cada vez mais vermelho.

Crianças! E sua autoconfiança em se acharem adultos.

Em menos de uma quadra de caminhada, eu cismei que estavam me olhando de um jeito suspeito e o pior de tudo em sintonia, que estranho poderia parecer pessoas desconhecidas com o mesmo olhar?

Para fugir peguei um ônibus.

O lado bom que eu cheguei mais rápido, a parte ruim foi perceber que a sensação de antes insistia em me perseguir.

Será que de ontem para hoje eu desenvolvi mania de perseguição?

Puxei os cabelos para frente como se tal ação fizesse algum efeito protetivo.

Patético, eu sei.

Olhei em volta numa tentativa de localizar Aprile, pouco movimento, onde estava o comum fluxo de estudantes que perambulava por ali naquele horário?

Com o pé em frente à escola eu fui puxada por alguém.

Não! Por favor, de novo não!

Prestes a puxar o braço fui de encontro ao peitoral masculino e fiquei presa entre seus membros superiores.

Eu deveria procurar uma igreja para ser ungida, pois ultimamente estava com uma urucubaca da braba.

— Quer, por favor… Comecei usando um tom educado, numa tentativa de mascarar o início da minha irritação.

Beijos vieram ao meu cabelo. — Ficar quieta.

Essa voz!

— Eu estou com muita saudades.

Levantei a cabeça e finalmente encarei o rosto de quem me prendia em seus braços. Os olhos preocupados estavam sombreados pelo uso do boné que escondia a cabeleira de quem eu sentia muita raiva.

Eu realmente vi preocupação neles? Ou foi apenas uma impressão criada pela minha cabeça?

Um quase sorriso...

Eu tinha cara de idiota por acaso?

Deveria ter.

Ele não tinha o direito de me dizer essas coisas de me olhar de uma maneira tão íntima ou de tocar! Quando tudo o que eu desejava era dar na cara dele. Bufo de ódio.

Michael poderia voltar para o seu mundo de pop Star e me esquecer, mas não, ele queria me enlouquecer.

— Oi. Espalmou uma das mãos nas minhas costas.

Sustentei seu olhar de uma maneira feroz eu estava irritada, assim como ele era um bom cantor também se revelou um perseguidor de garotas indefesas, ao analisar o meu rosto os olhos dele endureceram. Pus as mãos em seu tórax, ignorando a aproximação e o contato de pele. Dei um passo para trás, atordoada por ter um reencontro tão cedo com a sua beleza intimidante.

— O que foi? Perguntou-me de testa franzida.

Tentei sair da prisão que era mantida mas sem sucesso.

— Solte-me.

O contato visual que nós trocamos se arrastava de maneira lenta à medida que eu via o seu olhar satisfeito se transformar num início de tempestade. Os braços dele me libertaram da sua captura.

O conflito emocional me bombardeou em simultâneo com o desejo de me soltar estava o prazer de querer permanecer em seus braços fortes. Sem pestanejar mais com menos impetuosidade do que eu gostaria de demonstrar na frente dele. Eu retomei a minha caminhada até a escola, ainda sem ter conseguido ganhar distância. Outra vez as mãos de Michael me pegavam, ele rapidamente se moveu para ficar na minha frente.

— Você pode, por favor, falar comigo? O que eu fiz pra receber toda essa frieza?

Eu sei que eu deveria me manter quieta e simplesmente ignorá-lo, no entanto, eu não conseguia. — Deixa-me em paz. Procurei novamente me afastar do seu toque. As esferas azuis ficaram decididamente frias.

— Não. Ele apertou o meu braço.

Desviei os olhos numa clara intenção de demonstrar indiferença que não deu certo já que fui puxada de novo. Qual era o problema dele? Eu tinha pernas e adivinha? Elas funcionavam.

Não sou um objeto para ficar sendo rebocada de um lugar a outro, lutei contra suas passadas de pernas. Entretanto não surtiu muita coisa, nós estávamos mais perto do seu carro do que da escola.

— Nós não podemos ficar aqui.

Tentei me impor mais uma vez.

— Não dificulte.

Bati o pé.

— O que quer de mim? Você não teve o suficiente?

Ele paralisou ofendido numa expressão que parecia querer dizer que teria sido melhor eu bater nele do que ter dito aquelas palavras.

— Como pode pensar isso?

Por que ele tinha que ser tão bonito?

— Como eu não pensaria?

Michael olhou por sobre meu ombro, sério demais e até sem paciência.

— Venha comigo que eu te explicarei o que você quiser saber.

Fiquei em silêncio. Deixar-me levar pela conversa dele só me fez passar por situações ridículas. Pensei que o nosso momento havia sido especial para ele tanto como foi para mim, porém suas ações diziam o contrário.

Como eu gostaria de poder acreditar nele, mas eu já não conseguia.

Estava claro que ele gostava de desafios e eu já não era mais um.

Levei a mão para a têmpora ao fechar os olhos como forma de bloqueio daqueles olhos que encantam.

Com um aceno de cabeça eu neguei.

Decidida a enfrentá-lo pela última vez ousei sustentar seu olhar, fitei o pescoço alvo uma veia parecia prestes a saltar, fui subindo pelo maxilar que estava trincado numa fúria incontrolável, por fim, o belo rosto se transformou numa onda de impetuosidade. O cantor estaria num iminente estado explosivo por não aceitar uma não como resposta? Cheguei à conclusão que era a única palavra que eu deveria ter dito desde o momento em que ele entrou no meu caminho.

Michael Campion me atravessou com sua mirada gélida. Como eu era distraída quando se tratava da descrição exata dos olhos que me olhavam tão tempestuosos, não eram totalmente azul. A sua íris tinha duas cores, além do azul predominante a cor amarela tinha o formato de um arco dourado que circulavam as pupilas.

Olhos como os de um gato pertenciam ao garoto de vitrine lindo para se admirar, e, é sobre isso apenas admirar pelo talento e óbvia beleza. Logo ele iria superar, assim que encontrasse outra garota. Numa estranha sintonia a expressão que ele acabava de fazer parecia ser uma resposta rude ao meu pensamento.

Outra mirada fatal, um suspiro pesado e o chão deixou de sustentar os meus pés. Em um movimento inesperado um braço dele contornava as minhas costas. E o outro ficou em torno das dobras dos joelhos. O lado bom foi que a posição não levantou a minha saia. Mas a aproximação causada pelo seu abraço nas minhas costas e pernas acelerava a minha respiração

— Você não me deixou alternativa.

Michael estava louco!

Qual a necessidade disso?

Começou a andar até o carro.

Debate-me.

A respiração dele estava pesada, no entanto, ele me segurou mais forte, o balançar dos passos me enroscava para perto.

Virei à cabeça buscando ajuda.

Aquilo era sequestro!

— Pode gritar se quiser, eu vou te levar até o carro de qualquer maneira.

Engoli em seco diante da sua declaração.

Manter a calma sempre gerava bons resultados e naquela posição a minha saia não me permitia movimentos bruscos. Ele estava louco! Um louco extremamente sedutor que mexia com os meus hormônios adolescentes.

— Você não está facilitando, e nós já temos tantos problemas. Michael me segurou com firmeza ao dar o primeiro passo de volta até o carro.

Sua vida e seus problemas.

Através da minha visão periférica o vi tirar o boné, olhar em minha direção por longos minutos e se voltar para o painel e apertar alguns botões.

— Como você é geniosa, será que eu não mereço nem ao menos a chance de me explicar?

Ignorei.

Custava me deixar em paz?

Notas finais
Não pretendo desistir.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.