Miopia (Ou Um Estado de Espírito)
25 Sem Título
Notas iniciais
Sem Título (Ou "Ultrarromantismo")
Insônia.
Isso faz parte do que eu sou.
Isso faz parte do que eu sou?
Isso sou eu? Isso é um pedaço de mim?
Isso é um subproduto de mim?
Isso sou eu, isso é mim.
O que é eu?
O que faz parte de mim.
O que faz parte de mim?
O que me faz ser o que sou?
De onde vem esse eu?
De dentro. De fora?
De dentro? De fora.
Cada bocado de mim é visto de fora pelas circunstâncias, pelos acontecimentos, pelas probabilidades, pela implacável matemática da roda da vida, somando e subtraindo coisas.
Cada estilhaço de mim é entendido como a menor fração de um todo maior que me coloca como o centro do cosmo, no interior de um inextrincável e famigerado infinito universo particular de causas simples e dimensões rasas.
Cada minúsculo fragmento do meu superficial ser é composto pelo destino previamente predito, previsto, preconcebido e preparado pelo inominável fado que nos enreda na sina deliciosa e dolorida de ser quem somos.
Cada miúdo caquinho de eu é nada mais que um invento de ambiciosos animais que arquitetaram este execrado conceito individualista pra segregar-nos ao nosso mais egoísta instinto, à nossa mais carnal condição.
Cada dúvida, e até a própria pergunta é carregada de misantropia e egotismo. Que me importa o rumo da humanidade, as catástrofes, as misérias, as fomes?
Há em mim uma catástrofe, no fundo de minha alma há uma miséria, nas entranhas do meu espírito agride-se e agita-se uma fome...
Amai ao próximo... Quem mais próximo de mim que eu mesma?
De onde veio eu? Pra onde eu irá?
Perguntas sem respostas, texto sem fim.
(Que nojo de mim)
Notas finais
òsculos da Frau.
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