Notas iniciais
OLÁ OLÁ, mais um capítulo da Amy pra vocês

Amelia estava tão aliviada por ter encontrado pessoas que nem se importou com o fato de que, após vinte segundos abraçados, aquele garoto dos olhos tempestuosos ainda não havia a soltado.

Leia pigarreou.

– Senhorita Bourbon, o que sua mãe diz sobre falar com estranhos?

– Engraçada. — Amy finalmente conseguiu se soltar do abraço dos garotos. — É que é muito bom saber que tem gente viva aqui.

Evan engoliu em seco.

– Nem todo mundo está vivo.

– Como assim? — Jack franziu o cenho.

– Então parece que o senhor ouvidos de águia não consegue perceber tudo. — Evan chegou perto de abrir um sorriso vitorioso.

– São olhos de águia, não ouvidos. — O cego bufou. — Não percebi nada que pudesse indicar a morte de alguém.

– Sexto sentido. — Evan deu dois tapinhas no ombro de Jack e virou-se para as meninas. — Então, senhoritas, o que as traz aqui?

– O mesmo que você. — Leia respondeu, áspera. — Um psicopata e a aberração mimada que ele chama de filho.

Evan encarou Jack, depois olhou para baixo, brincou um pouco com os polegares, mordeu o lábio inferior e disse:

– Sobre o Minotauro... Bem, nós o encontramos.

Amelia arregalou os olhos.

– E então? Como ele é? — Parecia mais curiosa do que assustada.

– Eu não quero aterrorizá-las, mas aquilo não é uma criancinha, muito menos um ser humano. Enforcou a número nove e espremeu seus ossos.

Amy sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Olhou para o lado e até Leia parecia assustada.

– Então, o que faremos? — Jean-Jacques indagou.

– Trocar informação. — Leia respondeu, autoritária. Sentou-se no chão junto aos rapazes e Amelia fez o mesmo logo em seguida. — Encontraram alguma coisa em algum canto desse lugar que diferenciasse um corredor dos outros?

– Bom, já sabemos que um deles tem grandes chances de estar sujo de sangue. — Jack estava desconfortável.

– É um início. — Amelia tentava, inutilmente, ser positiva. — Muito prazer, gente, meu nome é Amelia e essa é a Leia.

– Evan.

– Sou Jean-Jacques.

– Que nome másculo. — Leia cruzou os braços e riu baixinho.

– Perdão? — Jack pareceu ofendido.

– Perdoado. — Leia enrolou uma mecha de fios curtos e dourados de seu cabelo em seu indicador. — Agora, voltando à sobrevivência...

– Eu acho que devemos formar um grupo. A união faz a força, certo? — Amy sugeriu.

– Isso aqui não é a sua escola, Amelia. — Leia olhava para o teto, pensativa. — Claro que trabalhar juntos é uma ideia atraente, mas não podemos virar amiguinhos, criar laços. Quando se está no limite entre a vida e a morte, todos são inimigos.

– O que você quer dizer com isso? — Amelia ergueu a fina sobrancelha esquerda.

– Juntos, porém sem sentimentos, sem laços, sem perdão. Assunto encerrado. Temos outras preocupações maiores no momento.

– De fato. — Jack disse. — Como seres humanos, temos necessidades. Não tenho a menor ideia de quanto tempo passaremos aqui e água e comida são indispensáveis.

Leia piscou repetidas vezes, encarando o menino cego.

– Comida? Hm, onde vocês viram a garota morta mesmo?

O nojo foi geral.

– Eu nunca recorreria ao canibalismo. — Jack estava pasmo.

– É nojento e cruel. — Evan completou.

– Jamais comeria carne humana. — Amy revoltou-se.

Então, os quatro ouviram uma voz desconhecida e suave dizendo:

– Jamais comeria carne alguma. Já pensaram no vegetarianismo?

Assustados, perceberam duas garotas atrás deles. As duas loiras, bronzeadas e de olhos castanhos como chocolate meio-amargo. Uma delas, a que tinha um "11" na camisa, usava longos dreads que desciam até a cintura, tinha um colar de conchas pendurado em seu pescoço e parecia estar mergulhada numa paz interior absoluta. Já a outra seria uma perfeita Barbie se não fossem as roupas que vestia: a calça camuflada e a camisa "12". Seus cabelos brilhantes, lisos e hidratados caíam suavemente até o meio de suas costas, seus cílios eram enormes e curvados e seu rosto estava cheio de maquiagem. Eram os perfeitos estereótipos da hippie e da patricinha.

– Q-Quem são vocês? — Evan ainda se recuperava do susto.

– Eu sou Laura. — Disse a Barbie em tamanho real. — Essa é a Marie. Somos gêmeas, mas eu sou a mais bonita.

– Que a paz de Gandhi esteja com vocês. — Marie, a esquisita, abriu um sorriso calmo e, de certa forma, tranquilizante enquanto fazia o sinal da paz com a mão esquerda.

"Ótimo" Amy pensou "Já temos a garota que vai tentar abraçar o Minotauro enquanto fala da Mãe Natureza e a fresca que todos precisaremos carregar nas costas."

– Ok, acho que já conseguimos um grupo bem grande. — Leia levantou-se, visivelmente irritada com a chegada das gêmeas. — Vamos procurar por comida, água, talvez uma saída desse inferno.

– Quanta energia negativa... — Marie disse. — Vamos reanimar esses chacras.

Leia bufou.

– Vamos. — Ela saiu andando pelo corredor e todos a seguiram.

Enquanto isso, Amelia repetia em seus pensamentos as palavras de Leia: sem sentimentos, sem laços, sem perdão.

Eram seis ao todo. Amelia, a magricela, Leia, a valentona, Evan, o estudante de música clássica, Jean-Jacques, o cego que tudo ouvia, Laura, a versão mais jovem da Paris Hilton e Marie, a hippie esquisita. Seis pessoas completamente diferentes juntas dentro de uma grande armadilha branca. Todos destinados a sofrer da mesma maneira. Todos iguais aos olhos do Rei Minos, todos inimigos aos olhos do Minotauro.

A vida é uma grande ironia.

Notas finais
Eu não sei exatamente o que foi esse capítulo, não gostei muito. De qualquer forma POR FAVOR mandem reviews ou recomendem a fic, seria maravilhoso e eu amaria vocês pra sempre
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.