Era um novo dia em Midgar, o sol tocava a ponta do deserto levantando-se para espalhar seu calor sob a cidade. Os olhos lilases abriam devagar devido a luminosidade que entrava pela janela, quando conseguiu focar, viu que Cloud descansava calmamente ao seu lado, pode sentir seus braços em sua cintura, dormiram abraçados.

Para ela era como ver um anjo dormindo e aposto que para você também, sua respiração calma e sua expressão confortável trazia as lembranças para Marry, os lábios dele lhe tocando, os dedos firmes e suas mãos quentes. O rapaz acordava dando um riso baixo ao perceber que estava sendo observado.

– Bom dia – dizia ele.

– Bom dia Chocobo – ela corava por ter sido descoberta.

– Vou fazer o café da manhã, algo em especial? – Cloud beijava a testa dela e sentava se espreguiçando.

– Café com pão torrado? – ela sentava na cama observando os movimentos sutis dele.

– Vou fazer então. Sem pesadelos?

– Sem pesadelos – sorria para ele – Deixa o pão comigo.

Ambos levantaram e desceram, mas não um atrás do outro. Cloud havia pegado ela no colo e ela se debatia rindo e socando de leve o peito dele o que arrancava risadas do nosso Chocobo. O café da manhã foi em completo silêncio, só aproveitavam a companhia um do outro.

– Cloud quero ir no orfanato hoje, prometi que voltaria.

– Hum... Não é uma boa ideia andar nas ruas de dia.

– Por favor! As crianças estão me esperando – pedia ela segurando as mãos dele.

É claro que ele não resistiria a um pedido dela, não foi a toa que na mesma hora ele se levantou e disse para ela trocar de roupa, pegou os capacetes de deixou perto da porta. Marry correu como uma louca para o quarto e se trocou e em questão de cinco minutos estava parada com o capacete na mão. Desceram para Baixa Midgar, as crianças esperavam por ela, sempre esperam.

– Venho te pegar as seis da tarde ta? – Cloud parava a moto em frente ao orfanato.

– Não quer ficar com as crianças?

– Não... Isso me lembra Marlene e Denzel, vou ficar na igreja.

Não ia insistir, um beijo foi depositado na sua testa e a moto cantarolava pneu pela rua seguinte. O fato é que a igreja fica próximo dali, dava para ver seu pináculo destruído de onde estava. O dia foi agradável para ela e para as crianças, dessa vez a história foi outra, uma inventada onde o experimento se apaixonada pelo acidente.

Era quase seis da tarde e ela esperava no portão do orfanato, tinha saído um pouco antes já que as crianças precisavam jantar, o céu já estava escuro a rua pouco iluminada estava deserta, não queria ficar ali. Então por que não ir correndo? Foi o que ela fez, correu para a igreja, apesar de nunca ter chegado.

No meio do caminho alguém, que estava em um beco, tampou seu rosto com um pano que continha algo que a fez desmaiar e a última coisa que ouviu foi a voz de Cloud gritando seu nome.