Minha vida não é um conto de fadas
4 Capítulo 3
13/04
Lory:
Já eram 6:40 quando acordei, o que significava que eu estava atrasada, então tomei um banho super rápido coloquei o uniforme que era uma camisa cinza, e minha calça jeans. Minha mãe ja estava acordada então saí correndo de casa.
Cheguei na escola na segunda aula, e era de Geografia, o que foi bom e ruim ao mesmo tempo, foi bom porque perdi uma aula com aquela professora que não sabe explicar nada e porque não gosto dessa matéria, e ruim porque devo estar com nota vermelha e preciso recuperar logo, pois o final do bimestre é semana que vem.
— Atrasada dona Lorena — disse a professora com sarcasmo.
— Pois é né dona — falei e sentei no meu lugar. Enquanto ela dava continuidade com sua matéria.
Estava tão distraída prestando atenção na aula que nem vi quando a Jack me mandou um bilhete.
Lory, eu sei que você não quer saber sobre aquela pessoa... más eu vi ele hoje quando estava vindo para a escola, e ele parecia meio triste. O que será que aconteceu? Estou curiosa.
Eu sabia exatamente de quem ela estava falando e sinceramente fiquei meio sentida quando ela disse que ele estava meio triste. Mas mesmo assim quando escrevi um bilhete de volta mantive minha pose de durona:
Desculpa Jack, más sinceramente não quero saber mesmo dele, pra mim ele é passado, e o passado a gente deve deixar no passado e não ficar remoendo o que aconteceu, o que me interessa agora é o presente, vou curtir o máximo que eu puder, antes de me apaixonar de novo.
Depois do que eu mandei, ela não mandou mais nada de volta, e boa parte do que eu disse ali era verdade, a única coisa que não é verdade é o fato de eu ter mostrado que não fiquei preocupada, o que era mentira, porque sim eu fiquei preocupada, por mais que eu não goste dele como antes eu ainda o considero muito.
A primeira aula de português ja havia acabado assim como a de geografia tinha passado rápido. Fomos para o intervalo, mas hoje eu fiquei com a Nara na escada da quadra.
— Amiga?
— Oi — falei.
— O Beto ficou com a Taís — disse ela triste, e uma pequena lágrima rolou de seus olhos.
— Como você sabe amiga?
— A Susy me contou que viu os dois juntos se beijando na ferinha — outra lágrima rolou de seus olhos, e mais outra, e outra, agora era quase impossível conter as lágrimas. Eu abracei ela, e deixei que ela chorasse, pois eu sabia que era difícil, e em um momento como esse, eu sabia que o que ela mais precisava era de um abraço bem apertado e de um amigo do seu lado.
— Não fica assim amiga, vai passar. — Más a verdade era que não ia passar, nunca iria passar, porque por mais que essa dor seja amenizada, sempre vai haver outro motivo para a ferida doer de novo, mesmo que ele não ficasse mais com a Taís, haveria outras meninas, que iria fazer com que a ferida doesse de novo.
Em meio a uma abraço e outro o João apareceu todo soado e sem camisa.
— O que aconteceu? — Ele perguntou.
— Pode falar? — Perguntei olhando para a Nara. Que assentiu com a cabeça. — É que o Beto, o menino que ela gosta ficou com a Taís — disse.
— E quem seria essa Taís?
— A Taís é a ex/atual do Henrique. Olha ela alí — apontei para perto da quadra com suas amigas olhando os meninos. Nem parecia que ela era mãe, primeiro porque era uma irresponsável, e segundo que era uma vadia.
— Nossa, tenho que falar que ele tem bom gosto.
— Ei! — falei e dei um soco em seu ombro.
— Que foi loirinha? Ta com ciúmes? — perguntou ele e deu um sorriso de lado.
— Não, é só que... você bem que poderia respeitar a dor dos outros né?
— ok. Mas fica tranquila Nara, você é bem mais bonita que ela. E com certeza ele não sabe o que ta perdendo.
O sinal bateu, e fui com ela no banheiro para lavar o rosto e depois fomos para a sala. A aula de português passou rápido, então foi a vez de história que passou uma lição para nós fazer e depois deixou nós conversando.
Em vez de conversar fiquei com a Nara ouvindo música. Enquanto os outros conversavam, corriam, jogava bolinhas de papel ou borracha nos alunos que estavam quietos, mexiam nos celulares, outros faziam fofocas, outros falavam mau, outros apenas dormiam ou ouviam músicas como eu e a Nara. Depois de uma aula inteira fazendo bagunça o sinal bate para irmos embora.
— Amiga será que sua mãe deixa você dormir em casa? — perguntei para a Nara.
— Não sei, mas pergunta para a sua primeiro.
E então foi o que eu fiz, liguei para a minha mãe que atendeu no segundo toque:
— Oi.
— Oi mãe, a senhora deixa a Nara dormir em casa?
— Se ela quiser e a mãe dela deixar pode.
— Ok. Obrigada mãe, beijo tchau te amo.
— também, tchau.
Depois que desliguei a Nara perguntou:
— E então?
— Ela falo que pode, agora liga para sua mãe.
Enquanto ela ligava nós ía saindo da escola até ficar em frente ao portão. As meninas já tinham ido embora, pois não às vi lá fora.
— É acho que vou subir com você — me virei e vi que era o João.
— Oi?
— Vou subir com você, os meninos me deixaram sabe.
— Onde eles foram?
— Não sei, talvez para a casa deles, mas por outro caminho cujo eu não sei qual.
— Ata.
— Amiga, minha mãe deixou — a Nara disse toda animada.
— Então você vai para a sua casa se arruma, pega suas coisas e vem rápido pra minha porque nós vai ir no mercadinho.
— O que você vai comprar?
— Uns negócios lá.
— Ok. Tchau beijo, tchau João. — Ela falou e deu um beijo em meu rosto e no do João.
— E então, vamos? — perguntei para ele.
— Vamos.
Fomos o caminho todo conversando sobre coisas idiotas, e ele perguntou o que eu iria comprar no mercadinho.
— Vou comprar os ingredientes para fazer brigadeiro e torta de limão.
— Então você cozinha?
— Um pouco.
— Meu Deus!
— O que foi? — perguntei assustada.
— Além de linda, carismática, simpática, super amiga você ainda cozinha? Meu Deus quer casar comigo? Porque, tipo, você deve ser a mulher perfeita, deve que tem vários te querendo.
Eu dei risada do que ele disse.
— Porque está rindo?
— Você é muito bobo.
— Mas então, o bobo aqui quer experimentar seu brigadeiro e a torta.
— Hum, vou pensar se vou te dar um pedaço.
— Vai pensar nada, vou até ficar de vigia para ver quando você vai voltar do mercadinho, só para eu ir na sua casa.
— Besta.
A gente já havia chegado na frente das nossas casas. Então dei um beijo no rosto dele e entrei. Fiz o que eu sempre fazia quando chegava em casa. E depois fiquei esperando a Nara.
Quando era 14:30 a Nara havia chegado. deixei as coisas dela no meu quarto e fui com ela no mercadinho da esquina.
Comprei leite condensado, achocolatado, doritos e coca-cola. Acabei desistindo de comprar os ingredientes para fazer a torta de limão, pois demora muito para fazer o passo a passo, são exatamente quatro horas para fazer a torta. Depois de pagar com o dinheiro da minha pensão. Fui embora com a Nara.
Ela tinha dado a ideia de ver um filme, então, enquanto ela ia escolhendo eu ia fazendo o brigadeiro e estourando a pipoca. Quando estava tudo pronto a campainha toca.
— Nara atende aí por favor?!
— Ta.
— Quem era amiga?!
— Quem era não! Quem é!
— Ok, então quem é?
— É o João.
— Eae loira, achou que eu estava brincando né? — Ele perguntou.
— An? Como assim? Ele vai dormir aqui também? — A Nara havia feito duas perguntas de uma vez.
— Não ele não vai dormir aqui e...
— Mas bem que eu queria — falou ele com uma cara de safado.
— Para de ser pervertido João, é que ele falou que queria comer brigadeiro também — falei olhando pra Nara.
— queria não, quero. — Ele disse me corrigindo.
Resolvi deixar ele ficar, então levei a pipoca e os dois trouxeram o refrigerante.
— Qual filme você escolheu Nara? — perguntei.
— Premonição 5 — disse e colocou o filme para rodar.
Eu estava sentada no meio do sofá com a bacia, e a Nara estava a minha esquerda e o João a minha direita.
Esse filme é considerado de terror, mas sinceramente, para mim, de terror aquilo não tem nada, só é meio feio o jeito que as pessoas morrem. Quando o filme acabou a Nara deu a louca de que queria ir ao banheiro, logo quando eu à chamei para ir buscar o brigadeiro comigo.
— O loira, coloca a senha do wi-fi pra mim? — disse ele passando pela porta da cozinha.
— Nem um pouco folgado né?
— Não, nem um pouco — falou.
Peguei o celular dele e coloquei a senha. E fui com o brigadeiro e ele para a sala.
— E então, o que vamos fazer agora — perguntou a Nara, depois de nós ter comido o brigadeiro.
— Que tal piscina na minha casa? — Sugeriu o João.
— Será — a Nara perguntou e olhou para mim.
— Vai gente, eu chamo os meninos, e as outras meninas.
— Ta, só vou falar com minha mãe — falei.
— Mas Lory eu não tenho biquíni — ela disse quando o João saiu.
— Eu te empresto um.
Então eu liguei para a minha mãe:
— Mãe?
— Oi?
— O mãe o João, sabe aquele meu amigo que é nosso vizinho? Então ele perguntou se eu e as meninas não queria ir na piscina da casa dele.
— E?
— E a senhora deixa?
— Ta Lorena, mas juízo viu?
— Ok, mãe obrigada. — falei e desliguei a chamada.
***
Eu e a Nara já estávamos na casa dele, eu com meu biquíni branco e minha saída rosa, e a Nara com o preto e um shorts jeans curto. A primeira coisa que eu fiz quando entrei na casa do João foi pedir a senha do wi-fi, e ele me deu sem reclamar. Fomos para os fundo da casa dele, onde ficava a piscina. Enquanto esperávamos o pessoal chegar, ficámos os três sentados naquelas cadeira de tomar sol.
E aproveitei para postar no face a foto que eu tinha tirado antes de sair de casa.
E coloquei como legenda essa frase:
" Agora eu sou de outro nível, só quero viver sorrindo, se você virou a página eu queimei o livro.”
As meninas e os meninos chegaram tudo junto, e por mais que a maioria de nós tem 16 à 17 anos, o pai do João tem uma geladeira cheia de Skol beats da azul. O que nem preciso falar que abrimos uma latinha atrás da outra. Ficamos na piscina, ouvindo música alta. E não sei porque mais eu olhei para o João que tava na piscina conversando com o Matheus, e tive a sensação que eu poderia confiar nele, e que ele é um bom amigo que nunca me deixaria na mão.
— Loira! — O João gritou para mim, que estava sentada naquela cadeira de tomar sol. Eu olhei para ele, — Vem aqui rapidinho — ele continuo. Fui até ele e o Matheus enquanto as meninas ficavam nas outras cadeiras conversando.
— Oi — falei.
— Fica aqui com nós — ele falou.
— Oxii, porque? Tá tão carente assim que quer a minha companhia porque não tem ninguém mais interessante que eu? — falei, e ele deu risada.
— Caramba em loira! senti uma ponta de ciúmes ai em.
— Af, nada a ver João.
— hum, vocês dois em, sei não — falou o Matheus com uma cara de safado.
— Af Matheus, não viaja — falei e ele foi pegar outra Skol beats. Me sentei do lado do João na borda da piscina com os pés dentro da água. Ficamos em silêncio por um longo tempo.
— João?
— Oi.
— Você ainda quer saber sobre meu lance com o Henrique?
— Sim, quero poder entender o que ele te fez de tão ruim assim — falou ele e deu um sorriso de lado. — por que, já confia em mim? — perguntou ele.
— Sim, confio e muito — falei.
— Quer me contar depois? Quando a turma for embora? — ele sugeriu.
— Quero — falei.
Depois da nossa conversa fui com as meninas e tiramos varias fotos. Mais elas não postaram nenhuma. Quando deu umas 17:30 todos já tinham ido embora, inclusive eu e a Nara. Acabei nem falando com o João. A Nara e eu tomamos banho e ficamos assistindo até minha mãe chegar e fazer a janta. Depois da janta estar pronta e depois de termos comidos. Fomos para o meu quarto e ela preferiu dormir comigo, já que eu tinha uma cama de casal que cabia umas quatro ou cinco pessoas. Depois de muita conversa até de madrugada resolvemos ir dormir.
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