Minha vida na mochila!
3 Planos e mais planos
Notas iniciais
Quando papai foi embora, minha mãe veio me acordar. Não sei o que eles conversaram tanto mas com certeza ela esgotou o estoque de palavrões e xingamentos com ele dessa vez por que ele ficou bastante tempo lá e ela parecia bem abalada, mas eles não destruíram a casa e isso é bom.
Ela sentou na minha cama e começou a fazer carinho em mim, achei que ela ia chorar de novo. Mas não dessa vez:
–O que você quer fazer é loucura filha, eu sei que você é jovem e inconsequente, que o mundo parece lindo, perfeito e encantador aos seus olhos. Sei que você quer sua independência e quer viver a sua vida, mas como sua mãe é minha obrigação te dizer que não é bem assim, e te impedir de cometer um grande erro. Não posso deixar que jogue a sua vida pro alto assim. Você tem muita sorte filha, sabe quantos jovens gostariam de ter as oportunidades que você tem? Por favor, não arruíne a sua vida. — Eu simplesmente não podia discutir com ela. Virei de lado e voltei a dormir.
As três semanas seguintes foram de certa form, normais. Mamãe e eu não estávamos em um clima bom, mas também não discutimos mais. Papai veio me ver quase todo dia e me levava até a auto escola pra fazer minhas aulas e meus teste. Ainda me lembro da agonia e do desespero que senti na hora de fazer o teste. Mas eu só pensava em pegar a Judy e sair loucamente por ai.
No dia que eu passei a festa foi enorme. Todo mundo ficou feliz, muitos amigos e parentes até me ligaram, mas na cara de mamãe estava estampado o medo e o desespero. Eu sabia que não ia ter como adiar mais. Eu tinha que tomar uma decisão e tinha que falar com ela. E tinha que ser rápido. Minha carteira demoraria 5 dias pra chegar. Decidi que o dia que ela chegasse eu já estaria com tudo pronto e seria naquela mesma noite que eu ia falar com mamãe e papai.
Durante os dias seguintes eu fui arrumando minhas coisas aos poucos, de leve para que mamãe não percebesse o que eu estava fazendo, recolhi e contei tudo o que tinha economizado e chamei meu pai pra uma conversa. Contei pra ele todos os detalhes da viajem, como eu planejava viver e me sustentar, até mostrei pra ele algumas mudanças que fiz em Judy pra ela ficar mais confortável. Ele ficou impressionado e é claro muito feliz. Disse que iria me apoiar e que se eu precisasse dele, onde fosse ele pegaria o Travis, fusca verde dele mais velho do que eu, e iria ao meu encontro. Eu em momento algum tive medo de papai não me apoiar, o problema mesmo era mamãe. Aproveitei e pedi pra ele me acompanhar durante aquela noite, afinal a carteira tinha chego naquela sexta de manhã, não queria estar sozinha pra enfrentar ela.
Eu sabia tudo o que tinha e que queria falar pra ela, estava tudo na ponta da língua. Mas a hora que cheguei em casa, só de olhar pra ela, soube que não ia ser tão fácil quanto eu queria acreditar que seria.
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