Minha vida com você
9 Temos uma cachorra e, não, ela não é a Annabeth
Notas iniciais
Eu acordei sozinho no quarto de Annabeth, tomara que ninguém tenha ouvido nada ou tenha por acaso me visto aqui dentro. Acho que se tivessem me visto já estaria castrado a mãe da Annabeth não é de só ameaçar, ela faz mesmo, ela é cirurgiã então acho que tem alguns utensílios que podem ser usados contra mim e meu Percynho. (- Senhor Percy, ninguém nos viu.) (- Ótimo.) (- Senhor Percy… porque você está abraçando o travesseiro da Annabeth?). Abri os olhos e percebi que o senhor Percy estava certo, eu estava jogado sobre a cama ficando na diagonal abraçado ao travesseiro de Annabeth, de bruços na cama, com a cara enfiada nele.
– Tão cheiroso. – murmurei rouco meio bobamente.
Depois que percebi o que disse e que estava sorrindo enquanto dizia, levantei-me num pulo. Chacoalhei meu corpo todo como se estivesse espantando algum espírito e fui lentamente até a porta. Primeiro coloquei a cabeça para fora e como não tinha ninguém saí rapidamente. Corri pelas escadas e fui para a mesa do café, Annabeth estava lá, tranquila comendo enquanto falava com meu pai que tomava seu café como sempre fazia aos domingos. Annabeth me olhou e deu um sorrisinho bem sutil para mim, eu acho que sorri como um besta porque ela quase enfiou a cara no cereal para rir.
Sentei-me ao lado dela, meio obrigado, porque eu não queria ter uma recaída na frente do meu pai. Aproveitei o semissilêncio, meu pai e Annabeth conversavam baixo então não incomodava, para poder ter mais uma das minhas conversas internas porque aparentemente o senhor Percy estava com fogo na tarraqueta. (- Senhor Percy, olha aquela coxa… você tem que ser muito forte para conseguir seguir em frente.) (- Com você me lembrando dos atributos dela, não ajuda em nada, senhor Percy!) (- Perdão, mas é que é tão macia. Você se lembra de como eram macias? Como vai conseguir outra garota com pernas assim?) (- Com você colocando esses pensamentos negativos, não vou conseguir nada.) (- Desculpa, eu vou te apoiar agora.) (- Muito obrigado, eu preciso do seu apoio, senhor Percy, preciso muito.) (- Ainda bem que eu só sou seu subconsciente porque se você chegasse para outro cara e falasse uma coisa dessas… seria muito estranho.) (- Tanto faz, senhor Percy. Agora continue a ser gostoso que nós iremos encontrar alguma garota amanhã mesmo na escola.) (- Certo. Só mais uma perguntinha.) (- Pode fazer.) (- Ela vai ser loira?) (- Vai dormir, senhor Percy! Que coisa chata… – talvez – fica falando só de loiras pra cá e loiras pra lá… – talvez uma loira com tatuagem – você me cansa, senhor Percy.).
Olhei para Annabeth e depois voltei a me concentrar com muita força no meu cereal. Eu não posso ficar com fixação por loiras. Isso é ridículo. Quantas loiras eu já não fiquei? Nunca tive essa fixação, deve ser porque a Annabeth é tipo o fruto proibido, por isso fiquei com esse probleminha. No filme “O Resgate do Soldado Ryan”, um dos personagens comenta que a melhor maneira de dormir é querer se manter acordado, a minha fixação pela Annabeth… digo por loiras deve ter essa mesma fórmula, como a Annabeth é proibida eu quero ela.
Se eu tivesse ficado com a Rachel na festa talvez nem estivesse pensando na Annabeth nesse momento. Se eu ficar com uma garota bem diferente da Annabeth, vou esquecer-me dela, é bem simples. A Rachel tava doidinha pra ficar com o gostosão aqui, então, porque não dou a ela o que ela quer? Ãh… acho que ela é quem vai me dar… de qualquer forma vocês entenderam o plano.
Nesse momento, eu estava morgando maravilhosamente no meu quarto, deitado na cama, olhando para o teto esperando algo cair do céu. Levantei-me e fui ver o que a Annabeth estava fazendo. (- Ãh… Porque ela, hein, senhor Percy?) (- Porque ela é adolescente como eu, não deve estar jogando damas na sala.) (- Sei. Fique com a sua mentira que eu sei da verdade.) (- Que verdade?!) (- Descubra e me diga depois.). Eu ainda mato o senhor Percy, vocês vão ver só.
A porta do quarto da Annabeth estava aberta, ela estava escrevendo alguma coisa em um caderno rosa, ela nem notou que eu estava ali, eu me senti um pouco ignorado, mas tá valendo. Deu uma batidinha na porta e finalmente ela me notou.
– Oi, Percy. – disse ela voltando a olhar para a escrivaninha branca dela, me aproximei e vi que tinham coisas para fazer trabalho infantil naquela mesa, tinha: cola bastão, glitter, canetas coloridas, algumas pedrinhas que pareciam diamantinhos com a parte de baixo chata e essas coisas todas – O que foi?
– Nada, só vim ver o que você está fazendo.
Annabeth sorriu, eu me aproximei e vi o que ela estava escrevendo. “Maggie + Grover” dentro de um coração ela o que estava escrevendo, ela pegou uma cola com glitter vermelha e contornou o coração que ela fez.
– Eu estou decorando o álbum de casamento do Grover. – comentou ela – O Leo me mandou as fotos do casamento do hippie com a Maggie e pediu para eu fazer o álbum de fotografia do casamento para ele dar para o Grover e ver a reação do coitado. – ela riu.
– Você diz que ele é coitado e ainda faz o álbum? – perguntei rindo.
– É. Amigo é pra essas coisas. – ela sorriu.
– Posso ver?
Annabeth assentiu e deu um espaço para que eu pudesse ver. Aproximei-me e comecei a observar o caderno rosa da Annabeth que ela devia ter há anos e nunca usou, na frente ela fez uma colagem de fotos da Maggie e do Grover e escreveu ambos os nomes com uma caneta preta e em volta colocou vários coraçõesinhos de papel, e dentro havia as fotos do casamento, todas as fotos constrangedoras do Grover com aquela árvore, estava lindo.
Olhei Annabeth e sorri, ela sorriu de volta.
– Você gostou? – perguntou ela.
Eu nem respondeu, meu rosto se aproximou involuntariamente do dela, toquei a nuca dela a puxei para mim dando-lhe um beijo. Annabeth não reclamou, somente retribuiu. Minha mão acariciou o pescoço dela e as mãos dela agarraram meus cabelos e me puxaram para ela. Nossas línguas brigavam enlouquecidas. Quando o ar se fez necessário separamos nossos lábios e nos encaramos arfantes.
– Ãhh… – eu não sabia o que dizer, toquei meus lábios rapidamente, eles estavam até quentes, sentei-me na beirada da mesinha – Sobre ontem…
– Não precisamos contar para ninguém.
Nem era isso que eu ia dizer, depois dela ter dito isso deixei até quieto.
– Isso mesmo.
– Se algum dos nossos amigos souber de uma coisa dessas ficarão falando disso eternamente, até quando nos casarmos com outras pessoas, eles vão comentar sobre isso. – ela riu.
Sorri meio triste.
– É, vão mesmo. – suspirei – Acho que ontem unimos o útil ao agradável.
– Acho que sim. Além do que nós ficarmos juntos é meio proibido então é mais legal.
Ela pensa como eu sobre isso.
– Proibido é mais gostoso. – murmurou ela, apesar de eu achar que ela não tentou, mas foi totalmente sensual, eu tava louco para agarrá-la de novo.
– Então, eu consegui provar que você só não achou o cara certo? Como eu me saí? – perguntei.
Annabeth torceu os lábios.
– Acho que se saiu bem. – respondeu ela, dando um risinho.
– Você acha? – perguntei, aproximei meu rosto do dela e apertei sua coxa – Pelo jeito que você estava ontem, tenho certeza que eu me saí bem.
Eu pretendia provocá-la, mas Annabeth é safada e começou a me provocar de volta. Ela apertou os seios com os braços, praticamente os oferecendo para mim, eu tava pronto para aceitá-los.
– E que jeito eu estava ontem? – perguntou ela murmurando mordendo os lábios em seguida.
– Você não parava quieta, acho que ficou fazendo isso porque não podia gritar por mim.
Annabeth franziu o nariz e deu de ombros.
– Não fica se achando muito não. – murmurou ela.
Sorri vitorioso. Segurei o queixo dela e o levantei, dando um selinho na boca dela.
– Eu sei que você gostou, não precisa esconder. – murmurei com meus lábios ainda próximos aos dela.
Dei um sorrisinho e fui embora me sentindo O Cara. Eu tinha feito Annabeth admitir sem admitir que havia gostado, é tão bom saber fazer as garotas terem um orgasmo, será que aceitam isso no currículo? Habilidade especial: Bom em fazer garotas terem orgasmo. Se a pessoa que contratasse fosse uma mulher, ela com certeza ia me contratar.
… NO DIA SEGUINTE {É melhor já partir para o outro dia porque depois de eu ter pensado nesse negocio aí de contratar e currículo, eu tive um momento intimo onde eu me imaginava em uma sala de escritório com certa loira vestida de secretária, foi bom, eu me diverti, só que depois o senhor Percy ficou me enchendo} NA HORA DE SAIR DA ESCOLA …
Naquela segunda, no horário do intervalo a Annabeth me pediu uma carona porque a Thalia ia levar o Luke pra sair e essas coisas então ela não tinha quem a levasse para casa. Como eu sou um cavalheiro gostosão, aceitei levá-la comigo, quem sabe eu não ganhe algum presentinho dela enquanto o carro está em movimento, se é que vocês me entendem. Ai merda, eu preciso de uma garota e logo.
O Grover adorou o álbum de casamento, depois do choque, ele começou a absorver a noticia que estava casado com uma árvore e curtiu a ideia, ele é estranho. Até agradeceu a Annabeth pelo ótimo trabalho e dedicação. Vai entender esse hippies.
Eu ia ser o cavalheiro que sempre sou, estava indo para o estacionamento todo pensativo sobre o fato de estar caindo o céu lá fora de tanto que estava chovando quando de repente fui abordado.
– Percy? – virei-me para ver quem me chamou, atrás de mim estava Rachel. Achei a garota que eu precisava.
– Oi, Rachel. – sorri sedutor.
Ela nem precisou falar mais nada, só me chamou com o dedo indicador, a segui até o banheiro feminino, ela me empurrou para um dos boxes e me prensou na parede. Ela sorriu e me beijou, o beijo dela era diferente, não era ruim, mas não parecia certo. O cheiro dela também não estava certo. Desde quando eu tenho padrões? Que coisa mais estranha. Tentei ficar com a mente em branco, o que geralmente é fácil para mim, e só aproveitar o momento, mas eu não conseguia, tava errado. (- Ela não é loira, senhor Percy, isso é que tá errado.) (- Agora não, senhor Percy!) (- Você não percebe, não é?) (- Percebe o que?), e nessas horas ele some, é o subconsciente mais chato do mundo.
Vamos, seja homem!, pensei. Agarrei a cintura de Rachel e foi a minha vez de empurrá-la na parede, beijei-a afoitamente, ela sorria e já tentava tirar a minha blusa. Eu sentia que estava esquecendo algo. Quando fiquei sem blusa, Rachel raspou suas unhas em mim. Nós dois demos um pequeno pulo quando o meu celular tocou, agarrei-o do bolso da minha calça e atendi enquanto Rachel beijava meu pescoço e acariciava meu membro, estranho eu já não estar no ponto, Rachel é bonita, mas ainda parecia não estar certo, talvez por isso o Percynho ainda não tinha acordado.
– Alô? – perguntei.
– Cadê você? – era a Annabeth. Merda, esqueci que a levaria para casa hoje. O que uma rapidinha não faz com o nosso cérebro.
– Eu…
– Percy, desliga isso. – pediu Rachel manhosa.
– É a Rachel? – perguntou Annabeth, ela parecia nervosa.
– Er… – eu não fazia ideia do que responder.
– Você me deixou aqui para transar com a Rachel?
– Eu…
– Me avisasse pelo menos, eu teria arrumado alguém que não vive para o sexo para me levar para casa. – ela parecia bem nervosa. Acho que ela (nem ninguém) gosta de ser esquecida.
– Desliga isso. – Rachel pegou o celular da minha mão e desligou.
A Annabeth ia me matar, eu tava vendo isso. Olhei para Rachel, ela sorriu safada e tentou me beijar, mas eu desviei o rosto. Porque eu fiz isso? É a Annabeth, a gente sempre briga e eu sempre faço merda, qual era o meu problema agora? Ela podia esperar alguns minutinhos, não podia? Mas eu não queria deixá-la brava, não sei por que, e eu sinto que, pelo jeito que a Annabeth é, ela já foi embora. Meus olhos se arregalaram, a Annabeth estava andando para casa debaixo da chuva. Afastei-me de Rachel e fugi vazado do banheiro.
– Aonde você vai?! – perguntou ela.
– Desculpa, Rachel! Eu tenho que ir. – respondi indo para o estacionamento.
É, Annabeth não estava mais ali, ela estava andando para a casa. É uma chata mesmo. Fui para o meu carro e comecei a caçar essa loirinha chata pelas ruas. Eu torcia para achá-la e quando achei, suspirei aliviado. Ela estava com uma jaqueta preta e o capuz estava sobre a cabeça. Ela devia estar toda molhada, estava chovendo muito, mas ela estava ali andando.
Aproximei o carro da rua e abri o vidro. Annabeth me olhou e começou a andar mais depressa.
– Annabeth! – chamei – Entra no carro!
– Não! – rosnou ela.
– Não seja teimosa e entra. – ordenei, ela não parou de andar – Entra no carro, Annabeth! Agora!
– Não, vai lá ficar com a Rachel!
Ela estava com ciúmes? Era bobagem minha, a Annabeth não sentiria ciúmes de mim. Eu pude reparar que a blusa dela estava com certa elevação na área da barriga, parecia que havia algo de tamanho considerável dentro da jaqueta dela, e ela estava segurando com a mão e o antebraço.
– Deixa de ser boba Annabeth e entra, você vai ficar doente. E o que você tem ai dentro da sua blusa?
– É um filhote de cachorro que tava na chuva, ao contrario de você eu não deixo os outros sozinhos pra fazer sexo no banheiro da escola!
– Não fizemos sexo… eu nem vou me explicar, pra mim chega.
Parei o carro e saí dele, peguei Annabeth por cima dos braços, dando um forte abraço de urso, contornei o meu carro e a coloquei no banco do passageiro e corri para o outro lado sendo mais esperto que ela pela primeira vez na vida e logo tranquei a porta obrigando Annabeth ficar dentro do carro comigo. Ela rosnou frustrada e me ignorou completamente. Ela abriu a jaqueta e tirou o filhote de cachorro de dentro e colocou-o no colo, era um cachorrinho preto muito fofo. Annabeth não me olhava e se recusava a falar comigo. Ela estava tremendo de frio, os lábios estavam meio sem cor, que dó que me deu dela.
– Olha, Annabeth, eu sei que fui um idiota, só que a Rachel veio falar comigo e ela falou comigo e eu esqueci que tinha combinado de te levar para casa. Desculpa. – ela continuou a me ignorar – Não precisa ficar com ciúmes, não aconteceu nada…
– Quem disse que eu estou com ciúmes? – perguntou ela nervosa me interrompendo – Eu estou brava porque você me deixou lá, nem avisou nem nada, fiquei esperando como uma retardada. Mas espero que você tenha tido um bom orgasmo. – ela deu um sorrisinho falso e voltou a olhar para fora acariciando a cabeça do filhote.
– Não fizemos sexo, Annabeth! Me escuta! Não é mentira, eu sabia que você não ia me esperar, então saí de lá e vim atrás de você. – disse, soltei o ar e depois murmurei – Além de as coisas não terem sido como eu esperei…
– Espera… você broxou? – ela riu.
Acho que sim, não chegamos ao ato em si, mas meu Percynho não estava se manifestando.
– Não!
Ao responder, eu parei o carro já dentro da garagem de casa, ela nem me deixou falar, saiu do carro e foi correndo para dentro de casa. Eu fui correndo atrás dela. Ela fechou a porta do quarto na minha cara, mas isso não me impediu de abri-la e entrar. Ela estava colocando o filhote na cama e estava secando ele com uma toalha velha que ela devia ter pegado na lavanderia. Ela estava pingando de tão molhada.
– Podemos conversar? – perguntei nervoso me aproximando.
– Não temos nada para conversar, Percy. Não somos nada, não sou sua namora, não há nada que precise ser explicado a mim.
– Você é uma chata.
– E você é um egoísta.
Tá, essa doeu, e muito. Não esperava que ela fosse responder uma coisa dessas. Nunca imaginei que ela fosse ficar assim só por causa de uma carona.
– Annabeth – disse sentando na cama ao lado do filhote, ela me encarou contrariada e depois olhou para o cachorrinho enquanto tentava secá-lo – você podia ter me esperado. Eu… Não precisa ficar assim comigo só porque eu esqueci por um segundo que tinha de te levar para casa…
– A questão não é essa, Percy. Eu não me importava que você estava demorando, nem se você tivesse esquecido eu teria me importado, você iria me achar no estacionamento e provavelmente se lembraria, só te liguei para saber onde você estava. O meu problema foi saber que você me deixou lá fora esperando por uma transa. Você não estava fazendo algo realmente importante. Você me deixou por algo assim. Isso que me incomoda, você me deixou para ir catar uma qualquer no banheiro da escola.
– Mas, Annabeth, olha…
Ela se levantou e foi ao banheiro e começou a secar o cabelo me deixando sozinho com o cachorro.
– Oi. Você é macho ou é fêmea? – perguntei ao cachorro.
– É fêmea. – respondeu Annabeth do banheiro.
Ajoelhei-me no chão e fiquei com o rosto na reta do rosto da filhote.
– Qual vai ser o seu nominho? – perguntei – O que você acha de… Laika?
A cachorrinha latiu desgostosa. Torci os lábios.
– E Srta O’Leary? – perguntei. A cachorrinha não reclamou, ela bocejou e deitou a cabeça sobre as patas.
Acariciei a cabeça da filhote e fiquei acariciando sorrindo. Senti a presença de Annabeth na porta do quarto, ela estava sorrindo por causa do meu momento alegre com a filhote. Acho que agora ela estava de boa comigo.
– Annabeth…
– Tchau, Percy. – disse ela me interrompendo. Abri a boca para falar uma coisa, mas ela não me deu tempo – Tchau, Percy.
Saí parecendo uma garotinha com raiva. Que garota chata. Tudo bem que não foi nada legal da minha parte deixá-la esperando por causa de sexo, mas ela não entendia que eu precisava esquecê-la de algum modo? Que inferno.
– Percy? Filho? – perguntou meu pai ao chegar.
Eu fui até a cozinha ver o que ele queria, e adivinhe, ele só queria que no próximo final de semana eu lavasse o carro dele, que legal. Antes de sair da cozinha e ir para o meu quarto, lembrei-me de avisar sobre a cachorrinha, vai que ele encontrava ela por aí e tinha um ataque. Meu pai tem cada ataque. Um dia quando uma barata voadora apareceu, eu jurava que estava ao lado de uma garota de catorze anos no corpo de um homem de quarenta.
– Tem uma cachorra na casa, pai. – comentei.
– Oh, filho, não chama a Annabeth assim. – disse meu pai.
Eu ri, eu fui obrigado.
– Não to falando da Annabeth, é uma cachorra mesmo, uma filhote.
– Ah!
É, meu pai é lerdo. Filho de Poseidon, peixinho é.
… NO OUTRO DIA …
Annabeth não falou comigo desde que me deu tchau para me expulsar do quarto dela. eu estava caminhando pelos corredores sozinho, curtindo a minha vida quando vi lá de longe aqueles cabelos lindos encaracolados e loiros de Annabeth, e ela estava na frente do próprio armário com outro loiro que também tem um cabelo lindo (Isso fica só entre nós), era o Jason.
Annabeth sorriu alegremente para ele, deu um pulinho e se jogou no pescoço dele abraçando-o. Eu fiquei meio irado do nada. Saí andando feito um louco indo até eles dois e afastei Annabeth do Jason com a maior força que eu tinha, agarrei a cintura dela e puxei. Annabeth deu um gritinho assustado e me olhou com os olhos arregalados.
– O que você pensa que está fazendo? – perguntou ela.
Ótima pergunta.
– Eu…
– Olha, cara, relaxa. – disse Jason se intrometendo – Ela só me deu um abraço para me parabenizar porque eu estou namorando a Piper, não precisa ficar nervoso. – ele olhou para Annabeth – Porque você não me disse que estava namorando também?
– Hein?! – Annabeth perguntou exasperada.
– Você é o Percy, não é? – eu assenti, Jason sorriu – A Thalia vivia falando que vocês dois brigavam e que iam acabar namorando. Fico feliz por vocês.
– Não estamos namorando, Jason. – afirmou Annabeth.
Ele sorriu, apertou a bochecha dela.
– Não estamos namorando ainda, Jason. – ele corrigiu rindo e foi embora.
Annabeth chacoalhou a cabeça sem acreditar e me encarou brava.
– O que foi? Não posso nem abraçar um amigo?
Não.
– É só que… eu achei que ele estivesse te machucando? – era para ser uma afirmação, mas virou uma pergunta por que foi muito idiota esse meu argumento.
– Você é muito idiota.
O sinal tocou, Annabeth ia ir embora, como todos estavam fazendo a nossa volta, mas eu segurei o pulso dela a fazendo ficar, ela me olhou contrariada.
– O que? – perguntou.
– Olha, eu sou um idiota mesmo. Eu não consegui fazer nada com a Rachel ontem por que…
– Porque você percebeu que era um imbecil por ter me deixado plantada lá fora? – ela completou por mim.
– Também. E porque eu senti que alguma coisa tava errada ali… algo estava errado com a Rachel. – suspirei – Annabeth, eu gostei do que fizemos no sábado e muito, e por ter esperado tanto para ter feito aquilo com você, eu ainda não saciei o meu desejo por você. No momento que a Rachel apareceu, eu pensei que era uma boa coisa para me esquecer de você e poder seguir em frente porque eu ainda quero te agarrar naquela mesa da cozinha, você não tem ideia do quanto é difícil te ver lá comendo com seus pijamas e não poder fazer nada. – confessei, Annabeth só me encarava com aqueles olhos lindos acinzentados – Mas quando eu entrei no banheiro com a Rachel, eu percebi que estava errado, estava tudo errado.
Como eu parei por uns segundinhos, Annabeth olhou para o chão depois para mim de novo e perguntou:
– Porque estava errado?
– Porque a Rachel não era você. – falei de uma vez. Que se foda também, é bom falar a verdade, e naquele momento além de estar falando a verdade para a Annabeth, estava falando a verdade para mim mesmo (- Eu te falei que você não estava querendo a Rachel porque ela não era loira.) (- Calado.).
Agarrei a cintura de Annabeth com força.
– Eu ainda quero você, nerd gostosa. Isso me deixa muito frustrado porque eu não quero sentir que quero você, mas eu quero! É um inferno, mas é a realidade. E não adianta vir falar que não sente o mesmo, você não ficaria se tocando a noite chamando por mim senão me quisesse também.
Annabeth me calou antes que eu continuasse o discurso do mesmo jeito que eu geralmente faço, ela me deu um beijo. Agora sim, aquela sensação insuportável de algo estar errado tinha sumido. Os movimentos da língua de Annabeth sempre me satisfaziam, ela sabia como eu gostava de ser beijado.
Acho que eu tenho que me entregar ao desejo que eu sinto pela Annabeth mesmo, que em algum momento isso vai acabar. Eu e Annabeth não estávamos namorando, vale ressaltar só iríamos nos agarrar algumas vezes até eu me sentir satisfeito, acho que isso não duraria muito, eu já tive um desses momentos, eu queria ficar com uma garota e ela se recusava a ficar comigo, quando finalmente aconteceu, fiquei com ela só mais uma vez e acabou a minha vontade. Acho que eu só preciso de mais uma noite.
Eu escutei um pigarro, ao olhar para o lado, era o diretor do colégio, Dionísio.
– Bonito, não é, Annie Bell e Peter?
– É Annabeth. – a nerd disse.
– E Percy. – completei.
– Tanto faz. Vocês estão cabulando aula para se agarrarem? Fizessem isso em um lugar mais discreto, não no meio do corredor. – ele revirou os olhos – Eu sei como são as coisas quando se é adolescente, então vou deixar passar só desta vez, na próxima eu chamo a escola inteira para ver vocês dois, agora para classe!
Eu e Annabeth fomos correndo para classe, não entendemos porque ele estava nos ajudando já que ele não gostava da gente, mas não reclamamos. Entramos na sala atrasados o que não foi muito bom, como tínhamos corrido até a sala, estávamos um pouco arfantes, então assim entramos e os outros alunos nos viram assim eles começaram a fazer sons e falaram coisas que sugeriam que eu e Annabeth tinha feito sexo, o que não deixava de ser verdade só não tínhamos feito naquele momento.
– E aí, Annabeth, foi bom? – perguntou alguém do outro lado da sala.
– Foi ótimo.
O resto da sala aplaudiu achando muito legal, eles gritaram e bateram as carteiras no chão, finalmente nos sentamos e eu fiquei observando a Annabeth um pouco, ela me olhou de volta e deu um sorrisinho, só aí eu voltei a olhar para frente. A Annabeth era uma pessoa legal, ela peitava os outros e não ficava dando uma de timidazinha. Eu acho que poderíamos ter sido amigos. Mas brigar com ela é muito mais divertido.
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