Minha versão da história-Divergente.
8 Um presente especial
P.O.V. Amara.
Sinto-me mal pela menina, por Lucy por isso mandei fazer um para ela e um para Beatrice.
Dois pingentes exatamente iguais, três na verdade um pra mim também.
—Lucy, será que posso lhe falar um instante?
—Claro.
—Eu sei que deve estar sentida comigo pela minha decisão com relação ao seu pai, sei que deve estar com raiva de mim no momento e eu entendo querida, realmente.
—Não estou com raiva tia.
—Sei que nada jamais substituirá o seu pai, mas aceite isso como uma oferta de paz e um pedido de perdão. Eu só fiz aquilo para proteger a Bia.
—Eu entendo.
—Oi mãe. O que é isso?
—É bom que esteja aqui, afinal eles foram feitos para ficarem juntos.
P.O.V. Lucy.
Ela abriu a caixa, estendeu a mão e lá estava o medalhão mais lindo que eu já tinha visto.
—O original está no meu pescoço. Era da minha mãe ela deixou pra mim, mandei o joalheiro fazer dois iguais. A única mínima diferença é a joia, a azul é sua Lucy para combinar com os seus lindos olhos e a vermelha é sua Beatrice para combinar com sua personalidade forte.
—São lindos. Obrigado Majestade.
—Disponha querida. Esses medalhões não são apenas medalhões, abram.
Quando abri eu vi o retrato da Bia.
—É a Lucy.
—Sim. Eu os fiz para que fossem um símbolo de sua amizade, para que não importa o quanto o tempo passe, ou quantos meninos vocês conheçam ou quantas tempestades enfrentem. Devem sempre se lembrar de que a verdadeira amizade dura para sempre.
—Mas, os medalhões...
—Coloquei um feitiço de proteção são indestrutíveis. Melhores amigas para sempre.
Ela me transformou ontem. Hoje é meu primeiro dia de vampira e estou me saindo bem. Eu tenho ótimas professoras.
—Minha mãe ta doente. Ela ta com câncer.
—Eu posso usar o meu cabelo pra curar ela, mas ela tem que querer.
—Não sei se ela quer. Acho que ela quer morrer por causa do que o meu pai fez, ela ta muito triste, muito envergonhada.
—Ela tem o direito de estar triste, mas não tem nada que se envergonhar. Ela não sabia.
—Sente esse cheiro? É cheiro de sangue.
—É o sangue da sua mãe!
Nós corremos e quando chegamos ao quarto ela estava morta. Tinha se esfaqueado.
—Ai Meu Deus!
—Mãe!
A dor era tão grande. Era como se... não tem nem como descrever a dor.
—Eu sinto muito Lucy.
Dessa vez o sinto muito era mais sincero, ela estava chorando comigo. Logo a Rainha Amara chegou ao quarto e ela também chorava desesperadamente.
—Faith Chamberlain era minha amiga. Minha amiga mais leal, nós passamos por muita coisa juntas e agora eu tenho a honra de poder cuidar da linda filha dela.
Todos ficamos de luto pela morte da minha mãe, mas depois de alguns anos a dor passa. Simplesmente some.
Mas, ficam as lembranças felizes dos momentos que passamos juntas, as fotografias, os retratos, as roupas e tudo o que me lembrava dela.
—Lembrando da Tia Faith? Eu sinto a falta dela também.
—Hoje é o aniversário dela.
—É. Podemos levar um presente.
—Levar um presente?
—Minha mãe fez um feitiço para preservar o corpo dela. Podemos trocar a roupa dela.
—Feitiço para preservar o corpo?
—Impede que se decomponha.
—Isso é estranho e assustador. Existe alguma coisa que a sua mãe não consiga fazer?
—Provavelmente. Mas, você tem que considerar que ela teve dois mil anos pra aprender.
—É. É um bom argumento.
—Concordo. Que tal comermos pipoca e assistirmos á um filme?
—Boa ideia. O que vamos assistir?
—Eu não sei, que tal um filme que sua mãe gostava?
—Ela adorava aqueles filmes velhos de vampiros.
—A minha mãe tem muitas coisas velhas, muita tranqueira que ela acumula e guarda tudo lá no porão.
—A sua mãe é acumuladora compulsiva?
—Colecionadora de memórias. Ela caça as coisas que eram dela, coisas que ela ganhou, comprou ou trocou. Tudo o que é dela tem feitiço de proteção, sabe pra durar tanto tempo quanto ela.
Chegamos no porão que era uma espécie de mansão subterrânea e tinha coisa pra caramba lá. Livros, jóias, porta retratos, espelhos, roupas, sapatos, diários, escovas de cabelo, penteadeiras, mobília. Era uma série de pequenas salas que eram interligadas por túneis. Eram pequenas grutas, os túneis foram escavados na própria pedra, tudo era feito no mais fino e duradouro mármore carrara. Tinha mármore preto, branco, quase tudo era feito de pedra.
—Por baixo tem terra, isso aqui foi feito á dois mil anos e ainda existe. Mesmo depois da guerra que detonou tudo isso ainda existe.
—Feitiço de proteção?
—Também. Minha mãe fala que mais de mil operários deram seu sangue, suor e lágrimas, suas vidas para construir esse lugar.
Pendurados nas paredes haviam obras de valor inestimável, coisas da antiga biblioteca de Alexandria no Egito, haviam quadros dela todos originais feitos de um estilo específico.
—Lindo. Será que a gente pode experimentar?
—Claro meninas. Fiquem á vontade só, tenham cuidado com as minhas memórias.
Nós pulamos de susto.
Fale com o autor