Minha ruína

8 An angel living in the garden of evil.


Regina despertou com Rumple ao seu lado. O senhor das trevas dormia, com uma expressão calma e satisfeita. Já a rainha sentia-se como se tivesse sido acordada pelo próprio demônio. Um certo grau de arrependimento lhe veio. Não sentia-se nada bem com Rumple ao seu lado, não era ele quem ela desejava. Várias perguntas envolvendo a razão de tê-la levado a fazer isto foram apresentadas em sua mente, e não importou o quanto tentava descobrir, a resposta não vinha. Regina colocou suas roupas anteriores e deixou o quarto,antes que servos viessem trazer sua comida, ou... antes que Rumple despertasse. Ela desceu os degraus que levavam a seu quarto,e deu de cara com Henry. "Ótimo, tantas outras possibilidades, e tinha que ser ele"-Regina pensou, um pouco aborrecida.

—Bom dia, Majestade. Perdoe-me pela ousadia de...-Ele observou suas roupas em desalinho e um pouco amassadas, a única coisa muito bem colocada era a coroa.-aproximar-me do seu quarto, apenas vim avisar que o comandante me denominou para ser seu guarda pessoal hoje.

—Não tinha outra pessoa?-A rainha perguntou, sem se dar conta do quão rude foi aquela frase. Henry sentiu-se estranho, não conseguiu decidir o sentimento. Talvez raiva, talvez desolação, ou talvez apenas uma decepção. Mais uma em sua pequena vida. No momento em que a viu percebeu que alguma coisa tinha acontecido no quarto, já que estava explícito que não estava sozinha. Lembrou-se dos boatos que desde pequeno escutou sobre a rainha, um deles afirmava que ela era uma criatura luxuriosa, que buscava prazer sexual tanto em homens como em mulheres, e quanto aos que não a satisfaziam, os rumores eram de que ela os queimava em uma fogueira, assim como fez com Branca de Neve. Henry adotou uma postura séria.

—Se não for do seu agrado, transmitirei ao senhor comandante e ele mandará outro cavaleiro.

—Se eu quisesse outro cavaleiro eu o teria mandado embora, não acha?-Regina estava sorrindo, e repousou a mão mo peitoral da armadura de Henry.-Não deixe que meu mau humor estrague também o seu. Me acompanhe. Foi uma parcela de tempo bem aproveitado, caminharam pelo castelo, em seguida, ao redor dele. A rainha gostava disto, gostava de ver as pessoas. E principalmente, gostava de deixar que as pessoas vissem a rainha deles. Muitas pessoas se aproximaram de Regina, quem tinha coragem o suficiente, claro. Mas a maioria era com o intuito de pedir favores, ou então de conhecê-la. Não importa o motivo, Henry estava sempre com a mão no cabo da espada, preparado assim, para qualquer eventualidade não prevista. Também corriam rumores de que a rainha possuía magia, mais do que rumores, de certo. Ela disse que conheceu Henry quando bebê, então já deveria ser uma senhora de idade. Entretanto, nem de longe parecia. "Magia"-Henry constatou. O sol já estava assumindo uma tonalidade alaranjada quando Henry comunicou a Regina que se não voltassem agora, já seria noite quando dessem entrada no castelo novamente.No caminho de volta, ela pôde reparar que Henry parecia preocupado, não parecia com o cavaleiro falante e irritante que sempre havia sido.

—Alguma coisa o preocupa?-Ela disse em voz alta.

—Eu garanto que estou focado em meu trabalho, minha rainha. Mantenha-se tranquila.

—Não é foi este o alvo de minha pergunta. "Ela quer saber o que me incomoda?" Pensou Henry, surpreso.

—Bom, eu só estava em dúvida do porquê vossa majestade necessidade guardas, já que tem magia. Ela sorriu.

—Ora..vejo que minha companhia não é apreciada.-a rainha o disse, entrando pelo portão principal.

—Não se trata disto. Nada me faz mais feliz.-Henry repensou as palavras, talvez tivessem soado mal.

—Nada? Mesmo? -Regina brincou.

—Tenho minhas obrigações.-Ele não se deixou levar.

—Obrigação é uma palavra triste, não sei se já percebeu.

—Não me produz este sentimento.

—Bom, sorte a sua então. Henry parou. Deveria ir embora? A rainha já estava entregue em segurança. Mas não o havia dispensado...

—Minha rainha, se me permite perguntar, é verdade que possui magia?-Ele não conseguiu resistir.

—Bem... percebo agora o que tanto falam de minha pessoa. Henry ficou em silêncio.

—Sim. Não poderia ser mais verdade-Regina respondeu, quando percebeu que ele ainda aguardava uma resposta.

—Deve ser incrível. Desejo que tenha uma boa noite, vossa majestade.-Henry tinha que ir embora, poderia se descontrolar a qualquer momento, permaneceu o dia todo ao lado dela, e a luz da lua a havia tornado ainda mais linda.Henry nunca havia parado para admirar como a noite era perfeita, principalmente com aquela vista do palácio. Sempre treinava o dia todo, quando não estava patrulhando, ou sendo útil em algum serviço do castelo. Devido a isto, chegava muito cansado para qualquer coisa relevante além de dormir. Mas naquela noite, estava em ebulição, precisava se acalmar em casa, ou longe dali... apenas sabia que precisava sair dali, e de perto dela.

—Gostaria de ver? -Regina o ofereceu,ninguém nunca lhe pedia para produzir magia. E era a coisa que mais gostava de fazer na vida.

—Eu poderia?-Ele sentiu-se maravilhado.

—O que gostaria de ver?

—Pode ser qualquer coisa? -Sim.

—Eu poderia ver como minha mãe foi? Não deu tempo de Regina disfarçar o choque que isto lhe causou,seu olhar foi para baixo.

—Claro...-Ela finalmente disse. Moveu suas mãos, à frente deles, uma imagem formou-se no ar, era brilhante, assemelhava-se com cristais de gelo, e mostrava uma moça, com cabelos até a cintura, e um vestido longo, possuía olhos que aparentavam bondade, e em seu rosto, muito lembrava Henry. Era um pouco diferente de como Regina se recordava, mas ainda assim, era linda. Não havia palavras para demonstrar como Henry sentiu-se ao ver aquilo.

—É ela?-Perguntou como se o ar lhe faltasse.

—É ela.-Regina admitiu.

—Ela é... era linda, minha mãe. A rainha parou para observá-lo, a imagem ainda expressa no mesmo lugar, ele, com os olhos fixos na mãe que não conheceu. Olhos tão... puros. Os cabelos dele estavam caindo em seus olhos, Regina percebeu. Eram negros, lisos de uma forma que inspiravam desejo de entrelaçar os dedos entre eles. A imagem se desfez de repente. O olhar de Henry se encontrou com o de Regina, que o observava atentamente, estavam imersos em lágrimas, seus olhos.

—Obrigado, Regina.-Disse-a, visivelmente emocionado. Foi a primeira vez que o ouviu dizer seu nome. Num acesso de loucura que não soube identificar de onde veio, a rainha puxou Henry para si, encostando seus lábios nos dele e esquecendo-se do mundo.