Minha redenção

8 Tristeza nenhuma perdurará a dois céus.


Notas iniciais
( nota publicada no Social, porque lá as pessoas ainda não perceberam que a fic tem duas autoras, e repostada aqui... Chibi Lord esclareceu este ponto de forma encantadora ) Olá pessoas lindas. Então, aproveitando esse clima ameno que estamos tendo no desenrolar da história eu gostaria de dar um recado a todas vocês. No últimos capítulos, os comentários de algumas leitoras tem deixado minha alma gêmea Miyuki meio tristonha. E eu como seme protetora que sou não posso deixar que isso aconteça. Acontece que algumas de vocês acham que a Miyuki é minha beta. Pois ela não é! Tanto eu quanto Miyuki cuidamos para que não haja erros na fanfic e tanto eu quanto ela escrevemos a fanfic. Nosso modo de escrever pode ser estranho e inusitado mas funciona para nós. Cada capítulo é escrito pelo chat do Facebook. Eu por exemplo escrevo uma parte e a Miyuki outra. Ela escreve e se empenha tanto quanto eu, então por favor dêem a ela os créditos, tanto quanto dão a mim. Boa leitura.

O despertador tocou, um bip ensurdecedor e agoniante, eu não queria levantar da cama, a noite passada tinha sido terrível, eu tive pesadelos a noite toda, lembranças misturadas com temores. Havia avisado na empresa que, mesmo que fosse uma quinta feira, eu não trabalharia. Era dia quatorze de dezembro, mas dentro de mim todas as idéias de um dia feliz levando meu sobrinho ao parque de diversões com o amigo dele tinham acabado. Suspirei me sentindo derrotado, fazia dias que eu não me sentia assim e mesmo que eu fosse acostumado a viver daquele modo, me sentindo um ser desprezível, era ainda pior por me sentir assim justo no aniversário de Ciel. Mas não era algo que eu pudesse evitar... Na manhã desta mesma data treze anos atrás acontecia uma das piores desgraças da minha vida. Ciel havia nascido, era um menino lindo e rechonchudo, era sem dúvida uma grande alegria. Rachel estava bem, cansada e acamada, mas infelizmente bem. Depois de passarmos até a metade da tarde no hospital recebendo felicitações pelo nascimento do mais novo Phantomhive, Vincent e eu fomos para a casa dele, a intenção era buscar algumas coisas que na correria da madrugada, quando Rachel sentia já as dores do parto, meu irmão esquecera de pegar. Estávamos ambos tão felizes... Ele pelo filho... e eu por ele. Nossa vontade logo mudou e em poucos minutos estávamos bebendo sentados na varanda. Eu podia ver os brinquedos que Vincent já tinha organizado, um balanço, um escorrega e uma gangorra.

Meu irmão era aquele tipo de cara que sonha a vida toda em ser pai. E no começo de seus vinte anos ele havia realizado esse sonho. Era tão jovem e tão bonito. Em minutos já estávamos fora das cadeiras de vime, sentados no chão rindo de alguma idiotice, Vincent dizendo que ensinaria o menino a jogar futebol e eu dizendo que com isso o menino sofreria na vida, pois se tinha uma única coisa que Vincent fazia mal era, com certeza, jogar futebol. Então eu recebi o encargo: ensinaria meu sobrinho a jogar, andar de bicicleta, nadar... Era uma perspectiva tão feliz de vida que eu quase me esquecia de meus sentimentos conflitantes.

– Quando você vai se casar? -Vincent perguntou e eu não evitei revirar os olhos. — Sabe, Rachel tem uma amiga, muito bonita...

– Pare, por favor, de me empurrar as amigas da sua mulher. — se tinha uma coisa que eu detestava era quando Vincent começava a querer me apresentar a mulheres.

– É uma mulher adorável. — ele deu de ombros.

– É amiga da Rachel, Vincent. — eu disse como se isso fosse um grande defeito.

– Ora, o que quer dizer com isso?

–Você sabe. — dei mais um gole na minha cerveja.

– Não, eu não sei!

–Esqueça Vincent!

–Por que você não gosta de Rachel? Está sempre querendo insinuar coisas ruins sobre ela. — ele disse e de repente o clima feliz tinha acabado. E como sempre Rachel era o motivo. Ela era sempre o motivo de nossas discussões. -Rachel é uma interesseira! — eu me levantei, perdendo a paciência.

–Não, você está errado. Rachel não é uma interesseira, ela me ama! — ele se exaltou.

– Ela nunca vai te amar como eu!

– Ora, Sebastian, não diga bobagens, são amores diferentes, formas diferentes de amar. — ele disse.

– Não, não são! — eu estava bêbado e nervoso. — Não, Vincent, não são! — e de repente eu estava fora de controle, agarrando meu irmão e forçando minha língua para dentro de sua boca. Na minha concepção bêbada e alterada pelo álcool ele me aceitaria, retribuiria o beijo, deixaria a mulher e criaríamos meu sobrinho juntos. Mas como mencionei, eu estava bêbado.

– Que merda você está fazendo?! — ele me empurrou, limpando a boca com as costas da mão. -Você está louco?!

– É assim que eu te amo, Vincent! — eu disse, tentando voltar a tê-lo em meus braços.

– Me solte, Sebastian!! O que você está pensando?! Você acha que eu o amo assim?

– Eu posso te dar muito mais prazer do que aquela sua mulher frígida e que só está interessada em nosso dinheiro. — meus braços o rodeavam, meus lábios tocavam de leve seu pescoço, mas o contato logo se desfez. Vincent novamente me empurrou, acertando meu rosto com um soco.

–Isso é nojento! — ele disse nervoso. -Você é nojento! — as palavras me ferindo muito mais do que o soco. — Não admito que fale assim de minha esposa! Não admito que um monstro como você fale assim da mãe do meu filho! — ele gritava alterado. E nunca mais Vincent me considerou alguém digno de seu afeto ou respeito.

Eu encarava o teto, os meus olhos fixos na pintura branca. Batidas tímidas na porta me tirando do mundo doloroso das minhas lembranças. Sequei uma lágrima que, já fria, escorria pelo meu rosto.

– Entre. — falei baixo. Era Ciel. Ele entrou no quarto, vestido com roupas para sair e então soube que já estava atrasado. Ele acanhado segurava o braço ao lado do corpo.

–Tio, meu amigo me ligou. Ele disse já estar chegando. -se aproximou da cama. -Você estava chorando? -perguntou preocupado.

–Não, não é nada. -tirei a coberta de cima de mim. -Irei só tomar um banho.

–Tudo bem se quiser cancelar o passeio. — ele disse sincero. Eu então o observei, Ciel tinha uma expressão tristonha, é claro que não era o melhor de seus aniversários. E eu só o estava piorando, sentado na cama eu o puxei pelo pulso, ambos receosos, mas ainda assim, eu venci todas as barreiras que eu mesmo havia me imposto. E o abracei. Deixei que meus braços longos circulassem o corpo pequeno, Ciel em um primeiro momento ficou chocado, mas depois relaxou deixando a cabeça apoiar-se em meu ombro.

– Feliz aniversário, Ciel. — ele envergonhado murmurou um agradecimento e disse que iria para a sala, receber o amigo. Eu levantei e fui tomar um banho. Quando cheguei na sala Ciel tinha nos braços um filhote de cachorro, ao lado o mesmo loiro que eu já havia visto em sua companhia. E nos olhos, uma alegria que transbordava.

–Olá, Alois. — eu disse me aproximando.

– Olá, Senhor Phantomhive. — o garoto respondeu.

– Me chame só de Sebastian, por favor. — eu pedi. -Vejo que seu amigo já lhe deu seu presente. — acariciei a cabecinha do filhote.

–É um husky siberiano. Minha mãe disse que é uma das raças mais fiéis e protetoras. — disse Alois, orgulhoso de si mesmo. — Ciel sempre quis ter um cachorro.

Ciel ficou meio triste e eu deduzi que meu sobrinho antes não pôde ter um cachorro, afinal me lembro bem que Vincent era alérgico.

– Posso ficar com ele tio, Sebastian? Posso, por favor? — Ciel perguntou em uma alegria sincera, olhei para o pequeno cachorrinho em seu colo, ele lambia o rosto do menino feliz por agora ter um amigo. Como era comum da raça o cachorro tinha um olho de cada cor. E eu tinha quase certeza que havia sido esse o motivo para o amigo de Ciel o ter escolhido, o que, sem dúvida nenhuma, era demasiadamente adorável. O cão tinha uma das íris de um azul-claro que quase puxava para o branco e a outra um tom castanho que puxava para o vermelho.

– Se ele ficar vai precisar de um nome. — eu disse e Ciel sorriu, um sorriso que, com certeza, iluminou a sala inteira e por dentro me aqueceu.

– Obrigado, tio! Eu prometo cuidar muito bem dele, eu juro. — não há tristeza que resista a um filhote e uma criança feliz.

–Acho bom, porque ele é de sua inteira responsabilidade. Como vamos chamá-lo?

–Aqui. — Alois me entregou uma pequena coleira de couro azul, própria para um filhote com um pingente de prata em forma de patinha de cachorro.

–Sky? — eu li na plaquinha.

–Sim, Sky! Ciel é céu em francês, então Sky é perfeito. — um sorriso grande surgiu no rosto do loiro, enquanto Ciel revirava os olhos.

–Ah, Ciel, você sabe que eu sou o seu maior fã. — brincou dando um meio abraço em Ciel.

–Tio, coloque nele a coleira? — eu me aproximei ficando com um dos joelhos no chão e por algum motivo eu tremia enquanto colocava a coleira no husky, ambos os olhos bicolores me observando.

Eu não sabia bem a razão de estar tremendo. Talvez por que um dos olhos de Sky era azul como o de Ciel e o outro castanho avermelhado como os meus? Seria por isso?

– Agora você tem um cachorro pra te proteger do Prof. Faustus, Ciel.

– Cala boca, Alois! — ouvi Ciel responder apressado, e olhar incrédulo para o amigo. E vi o loirinho com expressão de quem falou além da conta.

– Prof . Faustus? — perguntei — porque diz isso, Alois? — Ciel pareceu empalidecer e senti meu interior se revirar com um pressentimento ruim.

– Não é nada... sr.... Sebastian. — Alois me respondeu com o rosto muito vermelho — é que esse prof. tá ameaçando deixar o Ciel de recuperação. Ele é um prof. pé no saco... hahaha... — ele riu nervosamente.

– S -Sim... — Ciel concordou com o rosto corando levemente — mas eu estou me esforçando mais... não quero e nem vou ficar de recuperação. Podemos ir, tio Sebastian?

Apesar da sensação um pouco estranha, deixamos o assunto de lado. Arrumamos a lavanderia com comida e água para abrigar Sky e fomos para o parque de diversões. Eu havia perguntado a Ciel se ele queria uma festa em seu aniversário, apesar de que uma festa cheia de pré-adolescentes fosse a última coisa que eu quisesse fazer, mas ele me respondera tristemente que não tinha vontade de festejar sem os pais. Apesar de ter de confessar que me senti aliviado eu não desejava que Ciel passasse o dia fechado em casa remoendo suas dores como eu costumo fazer, então propus irmos ao maior parque de diversões da cidade e que ele convidasse o amigo Alois. O parque era realmente enorme, cheio de atrações radicais que, com certeza, são a paixão dos garotos da idade de Ciel. Mas eu, também com certeza, já havia passado dessa idade.

– Bem, meninos... Podem ir se divertir. Eu vou ficar na área das lanchonetes e podemos marcar um horário para vocês virem tomar lanche.

– Você vai ficar aqui, tio Sebastian? — Ciel me perguntou com decepção naqueles olhos imensos e lindos — vai ficar sozinho o dia todo?

– É que eu já sou muito velho pra brincar em parques, Ciel. — respondi um tanto sem graça. — A última vez que fui a um eu devia ter uns dezessete anos.

– Por isso mesmo, tio Sebastian. Hoje em dia há coisas muito legais nos parques. — ele disse e em seguida com olhos baixos ele sussurrou — eu não quero que você fique aqui sozinho... e é o primeiro aniversário que eu passo com você...

Meus olhos se arregalaram ao ouvir isto. Ciel desejava passar o dia comigo! Comigo, apesar de já ter a companhia do amigo. Não sei explicar o sentimento que tomou conta de mim naquele momento. Eu realmente não estava esperando por aquilo. Após uma pequena hesitação eu pus a mão na cabeça do meu sobrinho e o afaguei, bagunçando seus cabelos macios.

– Está bem, Ciel. Você me convenceu... Só que espero que vocês não morram de tédio andando comigo. — Ciel sorriu para mim tão amplamente, meu coração acelerou àquela visão, ele era absolutamente lindo. Ciel me agarrou pelo braço e me puxou na direção das montanhas russas e eu engoli em seco. Mas eu faria qualquer coisa para que ele continuasse sorrindo para mim daquela forma encantadora.

Após horas de diversão fomos até a área das lanchonetes novamente. Eu sou obrigado a admitir que não fora ruim acompanhar meu sobrinho e seu amigo nos diversos brinquedos. Eu dei uma surra nos garotos quando estávamos no carrinho bate -bate, Alois adorava tudo o que envolvesse quedas livres e Ciel adorava acompanhá -lo, para meu desespero! E descobri que meu sobrinho era o rei dos jogos quando ele venceu em todos os jogos de que participou, acumulando sacolas de prêmios enquanto que eu e Alois saímos de mãos abanando. Sentamos em uma mesa e fui buscar hambúrgueres e bebidas para o lanche enquanto Ciel dividia seus prêmios com seu amigo.

– Boa tarde. Eu gostaria de três porções de batata frita, três sucos de laranja, um cheeseburguer, um double burguer e... deixe — me ver... — Eu disse observando o menu de lanches.

– Ora — disse a atendente, uma garota loira de olhos claros — eu posso sugerir alguma coisa? — ela sorria tanto e se inclinava na minha direção.

– Eu já decidi, obrigado. Quero a versão grelhada e com salada, por favor.

– Hmm... ótima escolha. Está mantendo a forma? Está fazendo um ótimo trabalho. — Ela disse piscando enquanto registrava o pedido. Suspirei resignado. Eu não sou convencido, mas tenho plena consciência de que sou um belo homem e então é bem comum atrair a atenção de mulheres por onde eu vá. Algumas eram discretas, mas outras vinham se abrir para mim de uma forma totalmente deselegante e vulgar. O fato de eu ter uma excelente situação financeira também aumentava o número de jovens tentando me seduzir... francamente? Eu as achava patéticas! As desprezava. Nunca tive olhos para ninguém além de meu irmão Vincent e depois que ele me rejeitara passei a detestar ainda mais as mulheres e homens que tentavam fazer eu me apaixonar por eles.

– Ei, qual o seu nome? — ela perguntou se debruçando levemente no balcão.

– Desculpe, mas não vejo necessidade de lhe dar o meu nome.

– Aah... que rude... mas até que eu gosto disso... — Ela riu — meu nome é Irene. Sabe, eu conheço um barzinho muito legal, com drinques incríveis. Não gostaria de conhecê — lo?

Eu já ia responder de uma forma a cortar toda aquela conversa fiada quando senti braços rodearem minha cintura.

– Papai, por que você está demorando tanto? — Era Ciel. Ele me abraçava e afundava o rosto no meu peito. Fiquei tão chocado que meu queixo literalmente caiu. — e quem é essa mulher, papai? — ele perguntou com a mais doce voz deste mundo, olhando para ela ainda agarrado a mim.

– Oh! Você tem um filho! — Ela respondeu nervosamente — eu não sabia que você era casado. Você não usa aliança...

– Mamãe ficou em casa, mas meu pai foi muito legal e me trouxe ao parque hoje. — Ciel sorriu para ela.

– Claro, claro... Você é um menino muito lindo... é a cara do pai — Ela riu sem graça e se afastou para atender outras pessoas. Ciel ainda permaneceu me abraçando, meu coração acelerado, eu sentia o calor do corpo dele contra o meu e o cheiro gostoso de seus cabelos... o envolvi com meus braços e sussurrei para que apenas ele ouvisse.

– Ciel, o que é isso?

– Você me deve uma, tio Sebastian. Eu vi que aquela moça estava te aborrecendo. Vim e ouvi o que ela dizia. — Ciel sorriu — decidi te salvar.

Eu ri da idéia do meu sobrinho, mas então olhei para seu rosto e depois para os seus lábios... rosados e entreabertos... arfei... de repente eu me sentia tonto, embriagado... sem perceber levei um dedo aos lábios de Ciel e os acariciei sentindo no dígito a maciez daquela boca pequena.

– Aqui estão os lanches, desculpe a demora. — Irene disse e trouxe a bandeja. Sua voz me arrancando de meu devaneio e minha mão se recolhendo bruscamente. Fomos para a mesa onde Alois nos aguardava segurando o riso.

– O que é isso, Ciel, seu mala! Atrapalhando as paqueras do seu tio! — ele riu alto e Ciel corou imediatamente — tava morrendo de ciúmes do titio?

– Não é isso... — Ciel respondeu com um bico e virando o rosto muito vermelho por outro lado. — Eu só fiz aquilo porque vi que ela tava enchendo o tio.

–Pffffff, tá bom. — Alois continuou rindo — Assim não dá, não é, Sr. Sebastian?

– Na verdade, eu achei muito bom. Ela realmente estava me incomodando. — respondi tomando um gole do suco. Após alguns instantes, Alois perguntou sem rir:

– Desculpe a pergunta, Sr Sebastian... mas o sr. é gay?

Engasguei com o suco. Ora... sim... obviamente eu sou gay... porém eu nunca disse isso ao Ciel. Claro que contaria a ele em algum momento, na privacidade de nossa casa e na hora certa. Não ali e não naquela hora!

Olhei nervoso para Ciel que me observava atentamente e muito sério. O que eu diria? Como ele reagiria? Quando eu assumi minha homossexualidade para minha família eles trataram na como algo passageiro. Vincent sorria para mim e dizia que era apenas por não ter encontrado ainda a mulher certa e isso me torturava, pois não era questão de encontrar a garota ideal. Era minha opção. E eu amava a ele! Mas ele não apenas não me amava como eu ansiava, como achava incompreensível minha opção. Eu temia ver nos olhos de Ciel o mesmo estranhamento... a mesma incompreensão que eu havia encontrado em Vincent. Aquilo me apavorava. E agora lá estava eu, acuado com meu sobrinho aguardando minha resposta. E eu não sabia o que dizer.

– Eu... eu... — minhas mãos suavam e parecia haver algo bloqueando a minha garganta . — Sim... Eu sou gay...

Ficamos os três em silêncio por longos momentos. Ciel olhava pensativo para o lanche diante de si e meu peito doía de ansiedade. De querer saber o que ele faria. Se ele me olhasse e eu visse em seus olhos a rejeição, ou pior, algum tipo de medo meu mundo ruiria e eu não sei o que eu faria. Fui arrancado de meus pensamentos por uma pequena risada. Ciel estava rindo. Ele cobriu a boca com a mão tentando abafar o riso enquanto eu o olhava estupidamente. Alois também parecia não estar entendendo.

– Desculpe, desculpe, tio Sebastian.... — ele disse respirando fundo pra recuperar o fôlego — mas estou rindo por que minha vontade é ir lá e tacar isso na cara daquela atendente oferecida! A cara que ela faria!

E riu gostosamente, Alois caiu na risada em seguida e eu, depois de vários momentos de pura paralisia, comecei a rir também. Ciel começou a comer animadamente e me perguntou se podíamos ir à casa mal assombrada. Nenhum olhar acusador, de medo, vergonha ou incompreensão. Ele estava calmo e alegre como se o assunto tivesse sido algo totalmente normal. Ele não me julgara ou me olhara com repulsa. Ele me fez me sentir livre. Ele me tirara um peso dos ombros. Mais tarde, indo pra casa, já havíamos deixado Alois na casa dele e Ciel estava adormecido no banco do carro. Eu olhei para ele e sorri, puxei da sacola de prêmios um coelho de pelúcia muito parecido com o que eu havia dado a ele quando bebê e pus em seus braços. Ele o abraçou ainda adormecido e eu achei que nenhuma pintura de anjos era mais bela que o rosto do meu sobrinho adormecido. Graças a Ciel, 14 de dezembro deste dia em diante não será mais uma data para me torturar mas um dia com novas e doces lembranças para encobrir as dolorosas feridas do meu passado.

Notas finais
Esperamos comentários. Aqui como podem ver começa vagarosamente a crescer entre eles uma confiança, fiquem atentos, logo teremos sentimentos perturbadores por parte de ambos. Esperamos seus comentários. Bjinhos até Chibi Lord ~ Miyuki ki