Minha redenção

5 Um recomeço sem boas novidades


Notas iniciais
Espero que gostem do capitulo e notem a adição de um importante personagem nele. Boa leitura.

Sebastian estacionou o carro na frente da imponente escola, suspirou, um aperto no peito, sentia-se agoniado, não queria deixar Ciel só, naquele lugar, lembrava-se bem da sua época de estudante na Weston College e não eram boas lembranças.

–Tudo bem? -perguntou, se Ciel quisesse ele o levaria de volta para casa.

–Sim... — Ciel respondeu, olhando pensativo pela janela do carro, os meninos caminhando apressados, os professores... ele odiava aquele lugar.

–Certo! Se eu não conseguir vir te buscar na hora da saída o motorista da empresa virá, está bem?

–Eu posso voltar para casa de metrô, sem problemas.

–Nem pensar! — Sebastian quase gritou, não admitiria nunca que Ciel passasse por um perigo destes, um menino como ele, frágil, delicado e lindo usando o transporte público, nunca! -Se eu não puder vir, o motorista vem.

–Está bem! — Ciel retirou o cinto e antes de sair Sebastian segurou seu braço, atraindo sua atenção.

–Tenha uma boa aula. -seu tio sorriu e Ciel percebeu que ele tinha um sorriso lindo.

Ciel saiu do carro e andava sem pressa pelos corredores da enorme escola, um prédio central em estilo gótico e um ginásio já em uma construção mais moderna, uma quadra de esporte, dormitórios para os que morassem longe e a área da piscina olímpica.

– Ciel!! — ouviu seu nome ser berrado e logo tinha um loiro um pouco mais alto que si, agarrado em seu pescoço, tentou se livrar do aperto, mas logo era abraçado com mais força.

– Senti tanto a sua falta. — o loiro fungava. -Estava tão preocupado com você. — as lágrimas já molhavam o seu uniforme.

–Estou bem, Alois, é sério. – disse sorrindo, afagando as costas do amigo.

–Sinto muito por seus pais, — disse o loirinho sincero.

–Está tudo bem... — Ciel retorceu o rosto em uma careta. -Só não falamos mais sobre isso, certo? Por favor...

–Está bem... -o loiro finalmente o olhou, o espanto transparente em seus olhos. -O que aconteceu com o seu olho?

–Ah! Isso? É só mais um presentinho do acidente. – Ciel falou tapando o olho com a palma da mão.

–Não. — Alois tirou a mão de Ciel de cima de seu olho. — Está lindo, você conseguiu o impossível, Ciel. — Ciel o olhou com desentendimento. -Está mais bonito do que já era.

– Alois sorriu feliz pela própria fala e Ciel revirou os olhos.

As aulas da manhã transcorreram normais, quer dizer... Ciel era alvo de olhares e de comentários, mas ninguém atrevia-se a vir falar com ele, afinal, Ciel era o melhor e único amigo de Alois Trancy e Trancy era conhecido por ser extremamente protetor, brigava com quem quer que fosse para defender o amigo, mesmo que o inimigo fosse maior e eles sempre eram, já que ambos os meninos eram demasiadamente pequenos para os doze anos.

No intervalo Alois metralhou Ciel com suas perguntas: como era morar com o “Tio Sebastian”, o tio que Alois só ouvira Ciel comentar que nunca havia conhecido, como era a casa deles... Ciel disse que o tio tinha comprado uma maior e Alois ficou animado, porque agora ele poderia presentear Ciel com aquilo que o amigo sempre quisera, mas não comentou sobre o assunto, seria uma surpresa.

As aulas depois do almoço costumavam se arrastar mais, era o que os alunos pensavam. Foi quando chegou o último período e o professor Faustus entrou na sala que Ciel sentiu um embrulho no estômago.

–Boa tarde, Senhores. — disse Claude Faustus, o professor de história. Todos responderam sem vontade, Claude não era um dos professores mais apreciados pelos alunos. A aula foi uma guerra interna para Ciel, ele queria ir embora, mas sabia que não podia, no fim desta o que ele mais temia aconteceu.

–Phantomhive, espere, quero conversar com você. — o professor disse. — Pode ir Trancy! — mesmo que Alois quisesse ficar ele se viu obrigado a deixar a sala, e Faustus fez questão de fechar a porta.

–Sente-se. — apontou a cadeira para o aluno.

–Eu estou bem assim, Senhor. — Ciel disse de cabeça baixa, temia aquele homem, pela forma como ele o olhava, aqueles olhos dourados, brilhavam de uma maneira amedrontadora quando dirigidos em sua direção.

–Sente-se, Phantomhive! — sorriu ao notar o garoto sentar rapidamente. -E me chame de Claude, eu prefiro assim. — fez a volta, ficando atrás de Ciel. — Meus pêsames pelos seus pais. — Ciel sentiu um bolo se formar em sua garganta. — Soube que está morando com um tio... — Ciel trancou a vontade de gritar. — E que ele é um homem muito ocupado. — as mãos do professor agora seguravam firmemente seus ombros e aquilo causava arrepios de desgosto em si, não era como quando seu tio, ou seu pai o tocavam, era diferente, Ciel não saberia dizer o porquê, só sabia que era ruim. -Quero que saiba que pode me ter como um amigo. — os dedos acariciavam sua pele, suas costas. -Estarei aqui, se precisar... para o que precisar. — Ciel levantou-se num pulo, as bochechas rosadas e os olhos arregalados.

–Tenho que ir. — apontou para a porta. — Estão me esperando. — Claude sorriu, um sorriso que fez Ciel fechar os olhos e quando os abriu o professor estava perto demais.

–Seus olhos... — Faustus segurou o maxilar de Ciel, erguendo seu rosto, lambeu os lábios em um ato de pura luxúria. — ...São fascinantes, eu já o havia notado... Mas agora você chama ainda mais a minha atenção.

Ciel tentou ser o mais delicado possível ao empurrar o professor e sair aos tropeços da sala, encontrado o amigo do lado de fora, o esperando, com os olhos arregalados e respirando rápido. Nenhum dos dois disse nada, Alois agora sabia e Ciel sabia que Alois, a partir de agora, nunca mais permitiria que o professor ficasse a sós com ele.

Os amigos correram até os portões da escola, parando um pouco antes pra tomarem fôlego.

– Ciel, o que... o que foi isso? -Alois perguntou fazendo uma careta — ele ficou passando a mão nas suas costas! Ergh!

Ciel não disse nada, apenas ficou ali com a respiração acelerada a lembrança do professor tão perto dele lhe dando estranhos calafrios.

–Ciel? Tá tudo bem?

– ... Está. Está sim... eu detesto o prof. Faustus! Seria a última pessoa no mundo com quem eu gostaria de conversar a sós.

–Eu achei que ele ia te b-

– Nem fale uma coisa dessas!! — Ciel praticamente gritou.

– Certo! Certo! Desculpa! — Alois respondeu rápido. — Eu também não gosto dele. Parece o tipo de pessoa que conquista sua confiança só pra te dar uma facada pelas costas.

Os meninos saíram pelo portão e Ciel viu, aliviado, que o carro de seu tio Sebastian estava estacionado na rua lateral.

– Você vai contar pro seu tio? — Alois perguntou baixinho.

– Não. — foi a resposta breve. Alois suspirou... conhecia seu amigo o suficiente para saber que ele não iria correr e se abrir com o tio que ele ainda estava conhecendo.

– Então... até amanhã.

–Até... — Ciel esboçou um pequeno sorriso fingindo estar tranquilo. Foi até o carro de Sebastian, respirou fundo pra se acalmar e entrou.

– Oi, Ciel. Como foi a aula? — Sebastian perguntou interessado.

–Tudo bem. Reencontrei meu amigo Alois e ninguém veio zombar do meu olho... pelo menos não na minha frente... – Ciel disse fingindo tranquilidade.

Sebastian deu a partida e seguiu para casa. Mas percebeu que Ciel se manteve o tempo todo imóvel no banco, e a cor parecia fugir-lhe do rosto em alguns momentos. — Ciel... Você está bem? Está pálido... – Sebastian perguntou olhando atentamente para seu sobrinho.

Ciel passou a língua pelo lábios e por um instante pareceu a Sebastian que ele estava pensando em como responder à sua pergunta. Em seguida Ciel olhou para o tio e abriu o mais lindo dos sorrisos.

– Eu só estou cansado, tio Sebastian.

Sebastian ficou por alguns instantes preso àquele sorriso tão doce. Sorriu de volta e concordou com a cabeça. Voltou a dirigir mas havia uma sombra de preocupação em seus olhos. Por que ele notou que havia algo estranho naquele sorriso, apesar de tão lindo. Talvez houvesse acontecido algo que Ciel não quisesse contar — lhe... ou talvez fosse apenas sua imaginação influenciada pela preocupação excessiva. " Ou talvez" -Sebastian pensou consigo mesmo " Ciel tenha puxado a mim... é bom em fingir estar bem quando na verdade não está...".

Notas finais
Queremos comentário u.u Por favor ;-; Bjinhos até Chibi Lord~