Minha gota preferida - O amor nasce na chuva
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Deu um bug na hora que eu tava postando e saiu o cap errado. Mas agora vai o certo.
Quando abri os olhos estava no meu quarto e Jamily estava estudando.
— Pensei que você não iria acordar — disse Jamily. — Que horas são? — perguntei. — Dez e meia. — Já? Como vim parar aqui? — Seu gatinho lhe trouxe. — Quem? — O Will, é óbvio. — Ah, ontem foi uma noite longa — sussurrei baixinho, mas Jamily ouviu. — O que rolou entre vocês ontem na praça? — Concentre-se no seu estudo. — Abre logo o jogo, Niele! Tenho certeza que vocês se beijaram — ela se empolgou. Balancei a cabeça negativamente. — Casalzinho mais devagar vocês, em! — Mas aconteceu uma coisa. — O quê? — Ele disse que me ama. Jamily fez um breve silêncio antes de explodir: — Super morrida, amiga! E o que você respondeu? — Nada. Eu dormi. Falando isso, percebi o quanto fui indiferente com Will, mas não podia simplesmente responder um ‘eu também amo você’ sem ter certeza se era realmente isso que sentia. — Como assim?! O geriatra mais lindo do mundo te faz uma declaração e você dorme? — O que você queria que eu fizesse? — Um “eu também te amo” seria uma boa resposta. — Não. — Você não o ama? — Eu não sei! — Fiquei estressada. — Eu vou me arrumar e estudar, porque daqui a dois dias nós vamos presenciar uma cirurgia. Faça o mesmo. O dia seguinte foi de extrema importância, Will realizou os exames com a paciente e analisou junto com Jamily. Eu fiquei me preparando psicologicamente para o grande dia. Quando chegou o dia marcado, eu estava muito nervosa e ansiosa; não seria eu quem faria a cirurgia, mas seria a primeira vez que veria uma de verdade de perto! Dr. Diego nos apresentou Dr. Tiago, o cirurgião responsável pela cirurgia. Entramos Dr. Diego, Jamily e eu. Olhei pela janela o corredor e Will acenou para mim antes de fecharem a cortina. O anestesista fez seu serviço. Agora era nossa vez. Dr. Tiago colocou as luvas e começou a cirurgia. Eu ainda estava nervosa e não fazia corretamente alguns de seus comandos: — Eu pedi gases e não algodão — advertiu o médico. — Você não sabe a diferença de gases para algodão? Jamily acompanhava de perto os aparelhos ligados ao coração, parecia tranquila. Uma hora passou, mas ainda não havíamos chegado nem a metade do procedimento. — Droga! — Dr. Diego exclamou de repente. — O que aconteceu? — perguntei nervosa. — Quem foi o incompetente que ficou responsável pela realização dos exames? — O geriatra. Eu acho — respondeu Jamily. — Onde ele está? — Não sei... — o médico saiu da sala, furioso. Observei por uma brecha na janela uma cena triste: Dr. Diego estava agredindo verbalmente Will sem cessar. — Pare com isso, por favor — implorei baixinho vendo Will ser diminuído e permanecer calado. Saí da janela ao perceber que o médico estava voltando. Ele entrou. — Quer saber, eu desisto! — ele berrou e jogou as luvas no chão. — Mas o que está acontecendo?! — insisti. —Eu sabia, eu sabia! Sabia que não deveria confiar em estagiários incompetentes! Aquele geriatra idiota não soube fazer os exames de forma certa! Percebi quando vi que a paciente estava perdendo sangue demais! A operação deveria ser adiada, mas o seu amiguinho não foi capaz de perceber isso! Eu estava lá: com uma idosa na mesa de cirurgia, uma amiga sem reação e um cirurgião surtando. E meu coração comprimido de tanto ouvir Will ser xingado. — Não vou proceder com isso. Não quero me responsabilizar — concluiu ele. Ele estava indo embora quando eu disse: — A culpa é sua! — Como? — ele se voltou para mim. — Você é o médico responsável pela cirurgia, devia saber de todas as complicações! — Você acha mesmo? — ele perguntou sarcástico. — Pouco me importa sua opinião. Se vire sozinha! — Você é um médico idiota! — Gente, estamos no meio de uma cirurgia — advertiu Jamily. — Somos apenas estagiários! Você deveria saber tudo sobre a paciente! — acusei novamente o cirurgião. — Eu não aguento mais. Jamily foi embora. — Termine isso sozinha. Eu desisto — repetiu Dr. Tiago. — Um verdadeiro médico nunca desiste. Você não honra sua profissão. Ele saiu da sala sem dar resposta. E eu me encontrava naquele centro cirúrgico com uma paciente com complicações médicas que ansiava pela vida e minhas esperanças de que tudo desse certo.
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