Minha gêmea é um meteoro
2 Capítulo 2 [Link com ilustração]
Notas iniciais
Mad, Mad, Mad... sempre tola e gananciosa.
Hoje de manhã, antes de chegar na escola passei na casa da senhora que me contratou, e quem diria, recebi meu dinheiro, porém, foi apenas uma nota de cinco, o que equivale a uma hora e não um dia inteiro. O pior é que quando cheguei na porta dela com o gato em mãos, outro felino apareceu, da cor caramelada. Só pode estar brincando, ele chegou por conta própria na casa.
Na hora da verdade, o gato que apresentei a ela não a reconheceu. Eu tive que nadar o lago de uma ponta a outra para que o bichano fosse o gato errado.
Ainda assim, ela foi generosa e me pagou.
Na escola, soube que Agata, minha rival esteve me observando desde ontem. Agata é a garota que estava na porta da festa recebendo os outros ontem, ela é a terceira garota mais popular da escola, perdendo apenas para minha inimiga Keyla, e L. L. Cornelio, a garota que sabe de tudo que acontece na escola e minha principal fonte de informações.
O que me separa da Agata é que ela tem o dinheiro e recursos que eu não tenho. Fora isso, ela é uma investigadora tão boa quanto eu, astuta, observa nos mínimos detalhes e tem contatos influentes. Uma vez, na prova que eu fiquei em segundo lugar para policia mirim da cidade, Ela passou em primeiro apenas usando o método de observação das emoções, ela conseguiu detectar que o suspeito estava mentindo pelo suor dos lábios.
No final desse teste que comentei, ela ainda disse que eu teria passado se tivesse usado o zoom da minha câmera, pois teria detectado os mesmos detalhes que ela.
Ela acha que eu sou burra?
—Ei, você ouviu o que estão dizendo? — sussurrou o menino que estava a minha frente da carteira.
—O que? — abafaram as vozes enquanto eu olhava.
— O que houve? — perguntei a eles.
—Nada de mais Madeline, fica tranquila.
Estranho. Geralmente eu guardo segredos muito bem.
Olho pro lado.
—Ei! Ei! Torradinha! — Torradinha é o garoto sem uniforme que senta ao meu lado. Ele foi apelidado de Torradinha porque sempre que ele volta do final de semana não dá tempo das queimaduras da praia saírem, na verdade, hoje no rosto dele tem uma enorme marca de óculos de sol. —Torradinha, o que tá acontecendo?
—Oi? — ele acordou com o susto.
Credo, acho que ele tava babando.
A vantagem do Torradinha é que ele fica muito nervoso ao guardar um segredo. Ou seja, se tem algo pra esconder, ele vai falar. Ele dá um sorriso torto e a cara fica de lesado.
—É de mim né? —escondo meu rosto. — É de mim que todos estão falando.
—Mad... não...
***
Insatisfeita, fui tirar minhas próprias respostas do fundo do posso.
Dobrei as mangas e amassei duas notas de dez na mão. Indo em direção a pessoa que me fala tudo, bem no final do corredor.
—Mad!
—Cornelio, você é minha unica fonte de respostas.
NOTA IMPORTANTE: Eu e a Liza Cornelio nos conhecemos desde o jardim, a avó dela tem um supermercado e quando eramos crianças, ela me convidava para ir na casa dela. Cornelio comia o recheio e eu o biscoito. A geladeira dela estava sempre lotada, por isso, não imagine que eu passava fome, não, não, mas a diferença é que na minha casa era apenas dois pacotes de biscoito, por mês, pra cada, dois pra mim, dois pro meu irmão. Nos afastamos faz uns anos.
—O que você quer hoje?
—O que estão falando de mim pelas costas que eu não sei?
Ela olhou pro lado checando os corredores.
—Tudo que sei é que existe alguma coisa relacionada a você e o hospital —sorriu — Encontraram alguém com um uniforme escrito o seu nome, no lago. — cochichou no meu ouvido com um risinho: — parece que temos algum tarado bisbilhotando o seu quanto, ou andrógeno. Porém, pro asar dele, um meteoro caiu bem ao lado dele, como um relâmpago e a policia chegou mais rápido que nossos celulares quando nos demos conta no final da festa.
Ela riu maliciosamente me conhecendo.
Então Mad, o que vai fazer depois de corar?
—Vou dar uma lição nele.
Quando viro em direção a Saida, derrepente esbarro com Agata, minha rival.
—Mad!
—Agata!
—Soube que alguem invadiu o seu quarto. Eu estava indo pegar as informações com a Cornelio agora.
—Eu dou conta disso sozinha!
—Ah é?
No corredor, começou a brotar gente.
—Então até mais, Mad...
Foi a ultima coisa que ela me disse.
(—Quando vai contar para ela que foi porque você pediu que o seu pai deu um emprego a mãe dela na loja de esportes? — Cornelio encarou Agata)
(—Fica quieta. Ela tem problemas demais para resolver. Vamos... — Disse Agata)
***
No hospital, chegou a hora de desvendar quem era o paciente que pegou minhas coisas e em que sala ele estava. Hora de abrir o bloco de notas:
NOTAS:
Hora do acidente — entre 00h00m e 00h30m
Local:
Lago de Lexinthon (sim, é lexinthon e não Lexington)
Data de entrada:
entre 00h40m e 02h00m da manhã, tempo para os bombeiros chegarem após soar o alarme na cidade.
Observações:
Eu e ele estávamos no lago, portanto, há possibilidade dele estar me seguindo durante a insolação, o que significa que ele tinha segurança, pois estava me acompanhando a mais de um dia. — outra curiosidade. Eu tenho apenas duas camisas da escola, porém eu não dei falta de nenhuma
Perigos:
O suspeito pode ter uma arma, caso não esteja preso, ou não desconfiaram da camisa que ele estava. Porém sem provas que era um tarado, devem ter deixado ele livre, ou nem se importado. O mais provável é que ele tenha uma faca.
Dificuldade:
Media
Como me infiltrar:
Uso de palavra genérica: Meu parente, familiar, irmão.
Fecho o caderno de anotações
***
—Com licença. Minha mãe me falou que um dos nossos parentes sofreu um acidente, mas não me disse quem pra não me preocupar durante a prova, obviamente não funcionou, será que posso ver quem é? Ele ou ela se machucou no lago. — faço um sorriso falso, como se doesse.
Bastava ter que ficar na ponta do pé para olhar a atendente.
Ela me guiou até o corredor e me deixou seguir sozinha. A sala era a segunda porta a direita depois do corredor. Ferimentos leves, o que significa que a pessoa pode se mover.
Quando entro, não bato na porta e já puxo as persianas.
Quando vejo, sou Eu.
Isso pode fazer pouco sentido, mas tem uma menina de cabelo solto ali, completamente igual a mim. E ela me reconheceu.
— Você é um alien?
—Sou um "o que?"
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