Minha gêmea é um meteoro

1 Capítulo 1 [Link com ilustração e editado]


Notas iniciais
https://lh3.googleusercontent.com/gPlv8JD8SwZLe6X8LEQ_Hpxlh8iLa2jDKrVemD7f53-DT6Q0EljQ2u7oplmIJp302dUcJFXku84SprL1dZIT5suRfPUqKBv1=w1366-h768-rw-no (ilustração do capítulo)

Domingo, uma hora da tarde, se eu tivesse dinheiro compraria um Gelo no palito de limão. Eis minha oportunidade: eu tava na minha, entediada no box comercial vendo as pessoas passar com um picolé na mão, quando uma senhorinha de cabelo branco veio em minha direção. Cheia de tremeliques, a senhora era igual a uma pessoa com mal de Parkinson, e andava encurvada.

—Posso ajudar?

Ajeitou os óculos e singela disse — a senhorita que é a investigadora?

—Sou Madeline, senhora, investigadora e fotografa mirim. No que posso ser útil? — Saudei.

—Me desculpe, minha jovem, mas perdi o meu gato, ele é grande, patas felpudas, é desse tamanho e tem listras como um tigre.

Olhando bem... Essa senhora pelo visto não tem é muito dinheiro. Colar de pérolas fajutas, vestido verde desbotado, sem adereços e, lenços na bolsa?. Hoje eu não recebo.

Geralmente as pessoas que se aproximam vem aqui apenas para pedir informação, desde que Agata Strice roubou meu posto na policia como ajudante mirim pelas melhores notas. Desde aquele dia, mesmo eu não gostando, minha vida tem sido só estudar e supera-la. Mas quando me toquei que era um caso que tinha em mãos.

—Eu pego o caso (eu só posso estar brincando) vai ser um prazer servir (vou trabalhar de graça. Essa senhora não aparenta ter muito dinheiro).

—Muito obrigada!

***

Fomos à casa dela, um apartamento na zona oeste, segundo andar. tão pequeno que podia ver o final antes de entrar. Observei o ambiente pela janela:

—Aquele muro lá fora — fiz vista grossa — o primeiro lugar A investigar. Com certeza ele não está por aqui. NOTA (IMPORTANTE): Gatos são seres semi-domesticados. Se contar com o fato de que possuem habilidades de caça e sistema digestivo funcional igual ao qualquer outro predador, podemos concluir que eles não precisam tanto de humanos para viver.

Mas o que me intriga é: porque esse felino justamente sumiu agora?

Ela o trata mal?

Arranjou uma namorada?

De qualquer forma, consegui algumas informações importantes.

NOTAS:

horários das saídas — de 21hrs até 7hrs, e de 12hrs até 13h30m. ou seja, em trinta minutos ele estaria em casa, porém, não é o caso. Esperei até 14h30m para ver.

Resultado: sem resposta.

Dias desaparecido: 2 dias.

o suficiente para chamar a polícia no caso fosse humano.

Locais a investigar:

um raio de até 1 km de distância, porém, evitar as ruas (já checadas antes). Com a hipótese dele estar caçando, o raio aumenta para até 6X. Estamos em uma zona rural, cheia de fazendas e terras sem dono. Roedores menores fazem casa próximas a córregos.

Perigos:

arames farpados, ensolação e cobras (ODEIO COBRAS!)

Dificuldade:

vai ser mole.

Fecho meu caderno de anotações.

***

Caminhei em ziguezague na primeira hora, dando voltas e mais voltas, usando uma arvore solitária como ponto de referencia. No caminho, encontrei: Escorpiões passando por cima dos meus sapatos, agricultores que já viram o gato mais de uma vez brincando na lama, e uma vaca que corria atrás de você para proteger o bebê.

tudo muito movimentado pro campo.

Áreas que tinham odor de cachorro eu evitei, quando era noite. Logo logo minha mãe ia me ligar. Eu estava ofegando e sofrendo de insolação. Não passei protetor solar a tempo e minha cabeça estava em brasas, transpirando como nunca. Até que debaixo de uma arvore, jogo o cachecol e a jaqueta que já tinha desistido faz tempo.

Água corrente. Estou escutando água corrente.

Desço o pequeno barranco e com a mão em forma de concha, bebo. Tão gelada. Era um pequeno córrego. E olha! Roedores do outro lado.

Monto acampamento. Forro o chão com tudo que tiro da mochila, de uma canga até todas as guloseimas possíveis, biscoitos afogados em um pote de geleia, nachos de queijo bem salgados e refrigerantes que ficam em garrafinhas térmicas com meu nome.

Tava tudo tão bem, quando ouço algo: MIAU — o miado mas calmo que já ouvi.

E lá estava ele.

Enroscado na minha frente um arame que dava um galpão bem grande. Quando o encontrei reparei que seus dentes estavam sujos de sangue. Sangue seco, deveria ser sua última refeição.

—Pelo menos ele aguentou bem. Hora de voltar pra casa, bichano!

Espera.

Porém, chegando mais perto, no galpão, explosão de luzes e cores, parecia uma festa. Meus amigos estavam lá dentro.

—Não é possível que eles esqueceram de me convidar.

Quem estava lá era minha rival. Agata. Recebendo os convidados. Mas a festa não era dela, era de um garoto que acabou de entrar, chamado "X'.

Será que eu sou tão pouco importante assim? ou até mesmo inútil?

suspiro.

Tudo bem que o garoto é novo, mas eu não sou invisível. Será que ele não meu viu? — Eu estudo naquela escola a mais tempo que todo mundo. Desde o jardim. Não é possível…

Se eu fosse a dona da festa, eu convidaria todos os que estão ali, até mesmo a mim… Eu nem cobraria da senhora que me contratou, investigaria por prazer, pois quero ser igual ao Sherlock Holmes. — Mas eu sou tão chata assim? Ou até mesmo desinteressante?

Foi nesse instante que me deparei com a luz rosa vindo atrás da colina. Ela vinha em minha direção. Pense, nesse instante, o que você faria? Eu pensei que fosse a policia e corri.

Já era noite, quando: pulei a cerca seguindo o córrego, sem me importar com os arames, levando o gato. Ninguém da festa percebeu eu passando bem na frente da porta. Ninguém.

Quando no escuro, depois do córrego, tropeço pisando em falso na boca do lago. Não conseguia ver o chão. Só sentia o mato que brotava no lago, pelas mãos. Quando a luz rosa ressurgiu como fogos de artificio vindo a mim. A chama passa por cima dos meus cabelos e entrando no lago, quando um imenso cogumelo de água explode.

Eu e o felino fomos engolidos por uma onda e algo soca com força minha cabeça deixando um corte.

Com o sangue caindo, abro os olhos submersa e a luz do meteoro iluminava todo lugar. Apago de vez, e em seguida, quando acordo, estou sem o gato e distante da margem.

Ao subir para respirar, eis o que acontece. Respiro e uma imensa massa de água cai como se todas as nuvens do céu caíssem naquele lago. Escuto meus amigos vindo.

Tenho que pegar o gato e sair daqui.

Já basta o caldo, ainda tenho que invadir a festa?

Encharcada, a meia noite cheguei em casa, sem entender nada. Uma luz brilhante direto do céu? Só podia ser um meteoro. Minha mãe e eu moramos sozinhas. Ela me secou e eu levei o gato caramelo para casa, secamos e o dia acabou.

Hora de dormir.

Fiz uma caminha para ele de papelão.

Que dia, que infortúnio.

Notas finais
Não esqueça de ser simpático, mas verdadeiro nos comentários, sendo especifico no que precisa melhorar. Obrigado por chegar aqui