Notas iniciais
Comentem aqui em baixo, bjs ♥

—Sou um colega dela, estava passando por perto e ouvi barulhos na casa. –Dereck estava conversando com um policial.

—Tem certeza que não viu ninguém saindo?

—Absoluta.

—Tudo bem, nós vamos investigar.

Quando consegui abrir os olhos, senti uma forte dor de cabeça e uma vontade absurda de desmaiar. Voltei ao coma. Nunca me senti tão vazia, enquanto estive naquele hospital. Por mais que estivesse alguma enfermeira comigo na sala, estava me sentindo sozinha.

Consegui abrir os olhos mais uma vez. A enfermeira estava mexendo em algo na minha cabeça.

—Olá Bela Adormecida.

—O-oi.

—Sabe onde está?

—Sim.

—Ótimo. Vou chamar o doutor.

Depois do que parecia ser 10 minutos. Um rapaz de jaleco branco entrou no quarto.

—Taylor Syker?

—Presente.

—Bom, seu estado está bem crítico. Tem uma cabeça fraturada, um tornozelo quebrado, alguns ferimentos na perna e alguns cortes no braço. Foi muito bem na queda.

—Queda de que exatamente?

—Da escada. Esteve em coma por três dias e já se esqueceu? –Disse sorrindo.

—Pode chamar o Dereck?

—Se for o cara que vira a noite do seu lado esperando que você acorde, vai ser bem fácil.

Depois de anotar algumas coisas em uma folha, ele saiu.

Olhei para a janela e estava de noite. A lua brilhava igual aos olhos de Dereck. Era uma sensação desconfortante saber que eu poderia ter morrido apenas por guardar um colar. E aquele papo de eu e Dereck estarmos destinados a vivermos juntos? Eu não acreditava em destino, assim como em uma semana atrás, não acreditava em poderes.

Dereck abriu a porta e foi andando até mim. Sentou-se em uma cadeira do meu lado e sorriu.

—A primeira vez que te deixo sozinha e você se mete em confusão.

—Por que disse que eu caí da escada?

—Não posso dizer a verdade.

—Ei, cadê o colar? –Perguntei percebendo o sumiço do mesmo.

—Ai meus Deus, não está com você? –Disse para mim muito preocupado.

—Não. Elas já estavam no meu quarto, se lembra?

—Elas estão com o colar Taylor, por sua causa. –Ele começou a gritar comigo, com muita raiva enquanto estava em pé perambulando pela sala.

—Me desculpa. Eu não podia fazer nada. –Respondi para ele chorando de raiva.

—Taylor, você é uma inútil. –Berrou ele para mim, sentando-se na cadeira novamente.

—Me desculpa, não foi minha intenção.

Quando olhei para ele, estava de cabeça abaixada fitando o chão.

—Você deveria tomar mais cuidado. –Disse para mim colocando a mão no bolso.

—Quantas vezes preciso...

—Ei, fica quieta. –Disse sorrindo com o colar em suas mãos.

—Ai, seu idiota. Não brinca comigo, eu cai de uma escada tá bem.

—Você caiu igual uma patinha.

Depois de muitas risadas, ficamos se entreolhando. Quando decidi ir direto ao ponto.

—Por que Elisa disse que éramos destinados a ficarmos juntos?

—Vai me dizer que não acredita em destino?

—Estou falando sério.

—Quando fazemos 14 anos, nós imortais, somos obrigados a aprender sobre o destino. Um homem imortal não pode se relacionar com uma mulher mortal, e vice-versa.

—Então por que somos destinados a vivermos juntos?

—A regra é desfeita sempre para casais que têm seus destinos traçados.

—Então...

—Não se anime muito, Taylor. O que ela disse é uma possibilidade.

—E se for mesmo?

—Você será obrigada a virar uma imortal.

—Como isso vai acontecer?

—Com você sofrendo.

—Já não chega não?

—É só o começo.

Ser uma imortal, é o que eu quero realmente? Quando pensei em mudar de vida, não era isso o que eu estava planejando. Não que eu esteja reclamando, é claro, mas deve ser confuso mudar de vida assim. Tão rápido.

—Acabou o horário de visita. –Disse a enfermeira entrando no quarto.

—Vai pra casa, você precisa descansar. –Disse para Dereck.

—Tudo bem. Quando acordar amanhã, estarei aqui.

—Toma cuidado.

—Gostei da piada.

—Estou falando sério, Dereck. –Disse fingindo estar brava.

—Tchau, futura imortal.

O acompanhei com o olhar até a porta, e dei um longo suspiro depois que o mesmo fechou a porta.

—Desculpa se intrometer na sua vida pessoal, mas futura imortal? –Ironizou a enfermeira.

—É uma brincadeira nossa. –Respondi, meio sem graça.

—Esses adolescentes de hoje em dia. –Disse a enfermeira enquanto saia do quarto.

Eu não estava preparada para aquilo, queria me tornar uma imortal, mas e a minha família, o que eu poderia fazer? Era tudo muito novo para mim. Cada vez mais a dor de cabeça estava me consumindo. Então optei por ir dormir.

Tive um sonho bastante estranho. Eu e Dereck estávamos em uma floresta e ele estava de costas para mim, estava observando um incêndio, a claridade do fogo era o que iluminava aquela noite naquele lugar. Ele foi caminhando para trás e me puxou, me jogando no fogo. Naquele momento, não consegui sentir raiva de Dereck, senti meu corpo apenas ficar quente, não era uma sensação ruim, não parecia estar morrendo, era uma sensação estranha.

Ouvi a voz de Dereck rindo, repetindo palavras que eu não conseguia entender.

Acordei com o barulho do vento do lado de fora do hospital. O suor pingando em meu rosto. Uma sensação de euforia tomou o meu corpo. Senti meu corpo arder. Dereck, ele estava fazendo isso comigo.

Olhei para a janela e a lua estava extremamente linda, me lembrei da primeira vez que tinha ido naquele lugar, eu tinha 9 anos. Eram tardes de domingo na praia, minha mãe e Christian ficavam montando castelos na areia comigo, e depois da praia sempre parávamos na sorveteria. Depois de dias cansativos assim, só um bom banho e uma boa história para eu dormir. Eram momentos como aqueles que eu sentia saudade.

~Dias depois~

—Taylor Syker, você finalmente terá alta. –Disse sorrindo o doutor enquanto eu conversava com minha mãe.

—Ela já pode ir para escola? –Enquanto estive fora no hospital, Dereck copiou as matérias no meu caderno, muito romântico, né?

—Pode sim. Mas deverá tomar cuidado com escadas. –Sorriu o doutor, mostrando seu humor ácido.