Minha estranha obsessão
6 Conselho
Notas iniciais
Desde o dia do sonho do incêndio, não consegui mais dormir, enquanto estive no hospital, dormi com ajuda de remédio. Mas em casa, ficava lendo e lendo livros no banquinho da minha janela. Não sentia mais sono, parecia sentir que meus pensamentos estavam flutuando no ar para todos verem.
Ontem, no domingo, fomos jantar fora e na mesa do lado no restaurante estavam as irmãs Walker. Não pareciam perceber minha presença, o jantar foi com alguns colegas da família para comemorar a promoção de Christian no trabalho. Foi um blá-blá-blá entediante, então não prestei muita atenção.
Depois de muito tempo acordada lendo, percebi o carro saindo da garagem, então consegui entender que finalmente estava na hora de começar a me arrumar.
Desci as escadas, fiz uma vitamina de morango e comi um pouco de cereal. Surpreendi-me pelo fato de não estar chovendo e sim fazendo Sol. Abri as persianas da sala e me deparei com um lindo dia. Bom, tirando a parte de estar um pouco nublado ainda estava gostando do Sol.
Coloquei um vestido florido com uma sapatilha preta, e fiz um coque mal feito. Tirando o gesso na perna esquerda, estava razoavelmente bonita.
Olhei pela janela do meu quarto e me deparei com o carro de Dereck estacionado em frente ao jardim. Peguei minhas coisas e sai de casa para ir ao encontro dele.
—O que está fazendo aqui? –Perguntei sorrindo.
—Não achou mesmo que ia deixar você ir até para o colégio sozinha com aquelas duas à solta, não é? Entra logo no carro sua doida.
Paramos no estacionamento e ficamos olhando a rodovia. Alguns carros passavam direto e alguns entravam no estacionamento.
—Por que não trouxe um casaco?
—Está Sol, não vai chover.
—Como sabe?
—Está Sol ué.
—Mas vai chover sim.
—Não vai me dizer que você...
—Que eu sei as mudanças climáticas?
—Nisso eu não acredito.
—Nem eu acredito, apenas vi a previsão do tempo no jornal.
—Nossa, morri de rir. – Ironizei enquanto olhava seus olhos brilharem.
—Vamos, já vai tocar o sinal.
Saímos do carro e fomos andando até a entrada. Dereck estava extremamente elegante naquele dia. Usava uma calça jeans escura, um casaco cinza de moletom, um tênis preto e óculos escuros.
Todos estavam olhando para gente, não sei como, mas consegui sentir os sentimentos de cada um que estava naquele estacionamento.
—O que é isso?
—Isso o que?
—Consigo sentir os sentimentos deles.
—Consequência da imortalidade.
—Ata.
Quando estava no corredor, Lauren parou na minha frente e me encarou.
—Pode sair da nossa frente?
—O que?
—Pode sair da nossa frente?
—Desde quando “minha” quis dizer “nossa”?
—Pode sair da minha frente? –Dissemos eu e Dereck em coro.
—Claro. Espero que se recupere bem, Taylor.
Entramos na sala e como de costume sentamos na última cadeira.
Uma garota, loira, e olhos bem castanhos veio falar comigo.
—Oi, meu nome é Isis. O que aconteceu?
Chutei Dereck debaixo da mesa, e escutei uma voz na minha cabeça.
Mortal.
—Cai de uma escada. –Respondi sorrindo.
—Que triste, por que está rindo?
—Por que eu não me lembro de nada.
—Realmente é bastante difícil. Já cai da escada uma vez. Por sorte me lembro.
—Toma. Se quiser continuar a conversa. –Disse sorrindo me entregando um papel com um número.
—Vamos sim, claro.
Depois de ela retornar para sua cadeira, Dereck começou a rir.
—O que foi?
—É assim que mortais fazem amizade?
—Às vezes.
—Estranho.
—Eu sei... Ei, o que foi aquilo? Como conseguiu falar comigo por pensamento.
—Somos ligados um ao outro. Você recebe consequências por se relacionar com um imortal, esqueceu?
—Isso é bem legal sabia?
—Não se gaba muito não, estou nesse ramo por mais tempo que você.
Elisa entrou na sala de aula, senti um pequeno reviro no estômago.
Fica Calma.
—Bom dia turma, hoje retorna as aulas a nossa querida aluna Taylor Syker. Seja bem-vinda Taylor. Esse não foi o verdadeiro motivo para eu estar aqui, o professor Finnick precisou viajar, o professor Clark será o professor substituto.
O novo professor, estava de pé ao lado de Elisa. Aparentava ser bem novo, uns vinte e seis anos, eu diria.
Logo após Elisa sair da sala, o professor Clark sentou em cima da mesa e sorriu.
—Oi pessoal, tudo bem? Enfim, espero que estejam bem. Deduzo que vocês conhecem bem quem está do lado de vocês. E essa será a tarefas de vocês para casa. Conhecimento. Quero uma lista de coisas que seus parceiros gostam e do que não gostam. Para amanhã.
Após dar esse anúncio, o professor nos liberou da aula para conversarmos.
—E aí, o que vai fazer hoje a noite? –Me virei para Dereck.
—Preciso arrumar malas.
—Malas?
—Sim.
—Por quê?
—Tenho uma viagem, só volto na quinta que vem.
—Vai ficar fora por três dias?
—Sim.
Fiquei em silencio refletindo o que queria dizer aquilo.
—Vou até o Conselho.
—Conselho?
—Sim, é uma reunião para revelar o que está acontecendo com nós. –Naquele momento senti um pouco de medo. –Pode deixar, vai dar tudo certo.
—Alivia um pouco. Preciso que faça eu responder você pelo pensamento.
—Só posso fazer isso depois de falar com o Conselho.
—Apenas uma dica, por favor?
Se concentre.
Ouvi mais uma vez a voz dele no meu pensamento.
Não posso falar em voz alta sobre isso. O Conselho consegue ouvir tudo o que eu digo. São bem mais treinados do que eu.
—Tudo bem...
—E você o que irá fazer enquanto estiver fora? –Disse para mim sorrindo.
—Provavelmente vou ler algum livro. Colocar as lições de casa em dia.
—Só isso?
—Sim.
—Taylor?
—O que foi?
—Preciso te avisar uma coisa. Eu não escolho os sonhos que você terá. São consequências. Os seus maiores medos estarão no sonho. Os sonhos que você tem, eu também tenho e vice-versa . Não se assuste com os próximos sonhos que virão enquanto eu estiver fora.
—Tudo bem. Vou aguentar.
Depois da aula, me despedi de Dereck com um longo abraço, ele decidiu adiantar a viagem dele para termos mais tempo juntos. Fofo? Não sei, eu só sei que eu gostei.
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