Minha cara e magra, amiga Ana
3 Prefiro açúcar
Notas iniciais
Chego em casa e já vou jogando chaves e as coisas na mesa, chuto chinelo pra qualquer canto da casa e ando em direção do armário. Pego faca, um prato, copo e começo a preparar meu café da manhã. Estou muito entediada e isso me da mais fome.
Passo várias e várias camadas de nutella no pão numero um, e várias e várias camadas de nutella no pão numero dois. Olho fixamente para o pão numero três e fico pensando em algo diferente pra acrescentar nele. Lembro que fica muito bom com coco ralado e coloco no pão numero três. Depois fico encarando os outros pães como se ouvisse eles me pedindo algo, então coloco coco ralado em todos. "Antes de mais do que de menos." Encho meu copão medidor de 500ml de leite com achocolatado e vou para a sala, logo volto e pego o pote pra terminar de comer oque restou. Ligo a tv enquanto me afogo no sabor da Nutella
"Melhor coisa já inventada." penso.
Enquanto como ainda o pão numero um, ouço alguém bater na porta. Coloco o prato ao lado e vou atender.
– Desculpa incomodar mas eu já fui no mercado umas três vezes só hoje e em todas elas eu esqueci de comprar o adoçante. Não quero ir lá novamente e vim humildemente te pedir algumas gotas. — disse Ana com o rosto todo avermelhado de vergonha.
– Que isso menina, pra que essa timidez toda? Claro que dou, pode levar até o pote. Minha mãe comprou mas ta à anos ai. Prefiro açúcar mesmo.
– Bom, se não se importa eu aceito sim, cansei de ir no mercado e esquecer oque ia comprar.
– Entra! — digo a ela enquanto lambo meus dedos sujo de nutella.
– Como sabia em que AP eu moro? — pergunto a ela enquanto me esforço pra lembrar se havia dito.
– Hmm, como eu sabia? Você...Você me falou aquele dia na academia, flor. — Diz ela meio pensativa.
Eu não disse a ela, diferente dela eu tenho uma memória muito boa e sei que não falei o numero do AP que moro. Não costumo falar pra uma pessoa que acabei de conhecer, mas isso pouco importa então nem dou muita importância.
Dou a ela o pote de adoçante e peço pra ficar um pouco na minha casa, sempre fico sozinha e um pouco de companhia as vezes é bom. Difícil achar alguém que consiga ficar muito tempo perto de mim.
Reparo que ela olha assustada meus pães na mesinha próximo ao sofá e fixamente o pote vazio de nutella.
– Fico muito tempo sozinha em casa. Minha mãe só chega perto do horário do jantar, ou as vezes nem chega.
Explico à ela a situação do meu pai e o motivo pelo qual minha mãe não fica muito em casa. Ela olha atentamente pra mim prestando atenção em casa detalhe que falo.
– Você é uma pessoa bem legal Isa, me simpatizei contigo no primeiro dia que te vi. Você não tem muitos amigos por aqui não? Primos, primas, colegas da escola...
– Não tenho, eu me mudei pra cá faz pouco tempo. Vinhemos porque fica mais perto da clinica que meu pai está, antes tínhamos que pegar dois metros em duas linhas, agora apenas um ônibus e já chegamos lá. Quando chegamos nessa cidade era fim das aulas, então todos meus amigos de escola ficaram na outra cidade. Você é a primeira por enquanto. — dou risada pra disfarçar a vergonha.
– Isa, não se preocupe, sei que nos conhecemos a pouco tempo mas saiba que estarei aqui pra o que você precisar, serei sua melhor amiga. Pode confiar.
''Eu confio nela, não sei o porque mas confio. E eu gosto disso.''
Fale com o autor