Minha Vida Em Malviwood
6 Capítulo 6 - A apresentação quase esclarecedoura
Notas iniciais
AlexandraUdinov. Ah, espero reviews de vocês, hein? kk
Enfim, gosto muito desse capítulo, e espero que gostem também!
Bjss =]
P.S.: Esse capítulo tem legenda.
Capítulo 6- A apresentação ‘verdadeira’
Pensei: “Hoje é o dia em que eu terei de me apresentar para a escola inteira, sem mesmo uma ajudinha. Hoje será o dia de minha desgraça em público”.
Estava na hora. Grizelda reuniu todos no pátio para minha apresentação.
Obs.: Não tinha conseguido terminar de ler o livro.
–Nossa aluna Lilya Mendler irá explicar tudo para vocês.
Tive de subir em um palco de mais ou menos um metro e meio de altura, onde se encontrava um microfone e muitas máquinas fotográficas apontadas para mim.
Começei:
–Olá, bom dia – tive que falar séria para mostrar que consigo e que tenho potencial para representar os “taltz” de Malviwood — Gostaria de dar início a nossa explicação começando dizendo que todos os anos a escola promove 6 meses letivos para dormirmos em dormitórios.
Dei uma breve pausa.
–Nesse ano, por motivos que não podemos divulgar no momento, Malviwood iniciará esse período em dormitórios mais cedo, na semana que vem, quinta-feira, para ser mais precisa. Lá, serão divididos dois dormitórios por turma: uma para os meninos, e outro para as meninas.
Grodger me interrompeu:
–Alunos, vocês podem fazer perguntas durante a apresentação.
Continuei:
–Obrigada, professor Grodger pelo comentário.- acabou soando de um jeito desagradável que não o deixou contente- Então, dando continuidade...
Soyer subiu no palco pela escada direita, pegou o microfone da minha mão e começou:
–Lilya, Lilya... Você pensa que é quem para tratar um professor assim?
–Soyer, por favor, quer largar o microfone? – sussurei, tentando ser discreta sem que ninguém percebesse.
–Não posso, amiga! – ela falou alto o suficiente para que o colégio inteiro ouvisse, e sem falar na cara de deboche dela.
–Olha, você está atrapalhando a apresentação. – disse.
–Eu acho que não, ‘Lilyazinha’. – de onde ela tirou esse apelido? — Bem, se estou não vou estar assim que contar o que tenho para dizer. – ela virou de frente ao “público”.
E, começou:
–Como a maioria de vocês sabem, a Lilya é uma aluna novata na escola. E todo ano um aluno é selecionado para fazer essa apresentação e explicar tudo e blá blá blá. – ela falou olhando para mim novamente com cara de deboche.
Continuou:
–Por que a Lilya? Ela é melhor que nós? Ela é nova aqui. Por que ela? – fez uma breve pausa – Deixem que eu mesma responda. A avó dela estudou aqui em 1876, e, teve um caso com Grodger.
Nesse momento Grodger ficou um pouco envergonhado e em seguida, tentou tirar o microfone da mão dela, mas foi só uma tentativa.
–Deixe-me continuar, Grodger. Bem, isso durou meses, e os outros nem desconfiavam. Até que decidiram sair de Malviwood. Juntos. E, depois de três dias, Grodger voltou, só que Elizabeth, a avó de Lilya, não.
Tommy Gregory é muito curioso, e sempre é um dos primeiros a fazer perguntas “sem noção”.
–Uau! 1876? Sabia que Grodger era velho, mas nem tanto! – Ele falou bastante alto, muitos em sua volta riram.
E é claro, Grodger não gostou. Foi a frente do palco e gritou apontando para Tommy:
–Uma semana de detenção, senhor Gregory!
Tommy não ligou muito, porque era pouquíssimo popular e quase não tinha amigos, mas depois desse dia, vivia cercado por eles. Parece que o povo gostou da piada!
Mas vamos lá.
Eu estava com uma cara de pateta sem saber o que fazer.
E Soyer, super despreocupada, continuou:
–Pessoal, atenção! Preciso continuar com o bapho!
Lá foi ela:
–Lilya veio para Malviwood para ganhar benefícios com os professores. Não é verdade que ela só tira A? Ok, ok. Preciso ser mais detalhista. Vamos lá: Elizabeth era uma aluna extraordinária. Sempre se superando. Saiu nos anuários como destaque anos e anos seguidos.
–Soyer, estou tentando fazer uma apresentação legal e você não está ajudando. – disse a ela.
Ela fingiu que não ouviu e continuou sem mesmo olhar para mim.
–Elizabeth nunca mais voltou para Malviwood. Estranho, não? Uma aluna tão boa deixar a escola sem mesmo o ano acabar? E para dar mais detalhes, no meio de um semestre.
Uma pergunta veio de algum lugar que não foi encontrado no meio da multidão interrompendo Soyer:
–Como Grodger está vivo?
–Não sabemos. É uma lenda. Talvez um milagre. – Soyer respondeu. – Mas continuando... Elizabeth foi noticiada em um jornal alguns meses depois comemorando o aniversário de um mês de sua filha Ashley. Ela estava com 16 anos. Uma aluna tão correta, séria e responsável iria ter um bebê na adolescência?
No início, ninguém tinha interesse no que Soyer falava, mas ficou tão interessante que todos começaram a acreditar que era um milagre realmente Grodger estar vivo.
–E dizem que na época que ela começou a ficar com Grodger ela passou a ter tonturas constantes, e outros sintomas de uma gravidez. Ela passou a usar roupas largas, provavelmente para esconder sua barriga, que possivelmente estava começando a crescer.
–Isso é tudo invenção, gente! – Grodger disse meio assustado com tudo que ela dizia, talvez uma reação que ficou um pouco óbvia para mim, para Paty e para Robert que isso poderia ser verdade. – Como eu estaria vivo? Essas crianças de hoje... – tentou disfarçar.
–Digamos que Elizabeth tenha ficado grávida de Grodger. Lilya é parente dele... – ela olhou para mim, que fiquei um pouco chocada, não tinha ligado os pontos, mas sim, poderia ser verdade.
Nenhum de nós da escola deixávamos de acreditar em bruxaria e essas coisas, já que sempre ouvíamos lendas sobre isso em Malviwood.
E se minha avó tivesse o largado? Talvez esse era o por quê dele me tratar assim. Por isso ele me desafiou a ler aquele livro imenso, tentando me fazer pagar mico na frente de todos. Uma forma de VINGANÇA.
–Estou certa ou estou errada? – Soyer falou mas tinha tirado o microfone da boca, e falou para mim mesmo, não foi de frente ao público.
Ela desceu do palco.
Grodger olhou para mim, meio que pedindo desculpas. Não entendi. Pegou o microfone e disse que estava encerrada a minha explicação e que passaria na sala enviando um bilhete explicando tudo.
Fiquei pasma no meio do palco, sem reação. Paty e Robert me tiraram de lá, enquanto todos se retiravam do pátio e iam para suas devidas salas.
–Lilya, está tudo bem?
–Claro que não, né, Paty. Grodger tem parentesco comigo!
–Talvez não... – Rob deu uma pausa – Sabe, gente, podemos estar delirando com isso tudo. Essas coisas não existem. – ele tentou me acalmar.
–Como é que a Soyer descobriu isso tudo? – Paty me perguntou, ignorando a hipótese de Robert.
–Não sei, mas gostaria muito de saber. – respondi.
Grizelda veio falar conosco, mas especialmente comigo:
–Sei que vocês estão tentando descobrir o mistério de Malviwood. Mas isso não passa de uma lenda, acreditem.
–Obrigada, Grizelda, mas sabemos. – Robert foi um pouquinho grosso.
–Tudo bem, mas somos curiosos com essas coisas. Tem problema? – disse a Grizelda, tentando de algum modo concertar a resposta que Rob tinha dado.
–Não, não. – ela se virou como quem não tinha conseguido o que queria.
Chamei-a:
–Grizelda, você sabe quem vai nos monitorar?
–Acho que Grodger. E, quanto a você, Robert, acho que vai ser eu mesma. – ela foi o mesmo tanto grossa com ele, quanto ele foi com ela.
Fomos para a sala de aula.
No fim daquele dia, cheguei em casa e perguntei a minha mãe sobre o que ela sabia sobre a Elizabeth.
Ela disse que não muito, só sabia que o pai da filha dela era bem mais velho que ela, e se chamava Glaucer. E então eu perguntei se era Glaucer mesmo, e ela disse que não tinha muita certeza já que o parentesco vinha por minha parte de pai.
Meu pai vivia embarcado, tipo, a cada seis meses ele vinha nos visitar. E era por no máximo cinco dias. Não acho que cinco dias compensam seis meses, mas não posso fazer nada. O chefe dele é muito grosso. É mal educado, não posso enfrentar alguém assim, mas se pudesse, eu iria, pode apostar.
No dia seguinte, na escola, Grizelda foi a nossa sala dizer em que dormitório ficaríamos:
–Olá, turma. Meninas, 193. E meninos, 108.
Naquele dia, Robert tinha sentado ao lado de Paty, então ele perguntou:
–É bem distante um do outro, não?
–É, tem que ser. – ela foi grossa com ele.
Ele olhou para Paty revirando os olhos como se não se importasse com a distância, sabe? Aqueles apaixonadinhos de filmes vivem falando isso, que não importa o quão longe seja, ele te visitará. – Só em filme mesmo. Eu não acreditaria se fosse Paty.
Enfim, Grizelda saiu da sala e eu pedi a professora de Química se podia ir beber água, mas na verdade fui atrás dela.
Acho que eu deveria ter esperado um pouquinho mais, ou até mesmo ter ido andando atrás dela. Correr não foi uma boa ideia, ela quase me pegou a seguindo.
Claro que fui mais cuidadosa.
Ela entrou na sala de Grodger, e, trancou a porta.
Não consegui ouvir muito, mas sei que estavam falando de mim.
Ficaria tempo demais fora de sala. Começariam a desconfiar. Decidi voltar. Fiz um sinal para Paty indentificando que não teria descoberto nada.
Era a vez dela.
Paty, mais eficiente conseguiu descobrir sim, uma coisa muito importante: “EU REALMENTE ERA PARENTE DE GRODGER”.
Foi durante o recreio que ela me contou tudo o que ouviu:
*Grizelda entrou na sala, e, logo depois foi dizendo: ‘Estamos indo muito mal em guardar esse segredo, Grodger. A escola inteira já soube. Só não suspeitam que seja verdade.’
*E Grodger falou em tom grosso: ‘Pois é... Essa tal de Lilya e a turminha dela já está me dando nos nervos.’
*E aí foi a hora de Grizelda falar: ‘Alguma suspeita de como Soyer soube disso tudo?’
*’Não faço ideia.’ – foi o que ele respondeu, segundo Patrícia.
Realmente, nem mesmo Grodger sabia como ela descobriu isso tudo.
Paty teve que voltar para a sala, então não descobriu mais nada.
No final desse dia vo.tei para casa balada. Afinal, o cara mais apavoroso e grosso que já conheci era meu parente.
E o melhor de tudo: eu não sabia como.
Fui dormir ainda um pouco confusa.
Isso tudo vinha de algum sonho que tivera? Faz parte de minha imaginação?
Belisquei-me bem forte para saber de estava sonhando ou era tudo ‘realidade’.
Era tudo real.
Não paravam de vir perguntas a minha mente.
Conseguiria eu enfrentar tudo isso como uma coisa ‘normal’?
De repente surtei. Comecei a andar de um lado para o outro.
Resultado: passei a noite em claro.
No outro dia de manhã, quando fui tomar meu cereal com leite como faço todo dia, eu meio que cochilei e bati de cara na tigela.
Qual é? Não tinha dormido. :p
Sorte minha que minha mãe não ouviu o barulhão que causei, já que ela estava no banho.
Limpei a mesa da cozinha e lavei o rosto, retirando pedaços de cereal de meu cabelo mal penteado.
Peguei um ônibus e fui para Malviwood. Um pouco zonza, mas fui.
No ônibus, sentei-me ao lado de uma senhora, que, me lembrara muito aquela moça que me confundiu com minha bisa, Elizabeth.
Quando terminei de esfregar meus olhos ela me ofereceu um lenço de papel. Eu recusei, mas agradeci. Fingia que não tivesse a conhecido.
–Lizie, não acha que deveria voltar para casa? Descansar um pouco... – ela me perguntou.
–Como?
–Acho que você não deveria ir a Malviwood hoje, está muito cansada, Lizie.
–Desculpa, mas meu nome não é Lizie. E como é que sabe que estou indo para Malviwood?
–Querida, uma moça na sua idade essa hora da manhã estaria indo para onde?
Não respondi, não sabia direito com quem estava falando.
–Elizabeth, não se deixe enganar pelos seus amigos, minha jovem.
Chegou no meu ponto. Sozinha saí do ônibus, ninguém mais parara naquela estação.
Estava confusa. Apoiei-me na entrada de Malviwood. O que aquela senhora quis dizer com isso?
Tive um rápido pensamento: talvez aquela senhora conhecesse minha bisa, ou melhor, estudasse com ela na época.
Logo descartei essas opções. Ou não. Eu não estava raciocinando muito bem.
Avistei Paty, que estava com Robert(é claro). Fui até eles:
–Oi, gente. Não consegui dormir, e vocês?
–Eu consegui, não sou eu que tenho parentesco com Grodger! – Rob fez uma piada, bem sem graça.
–É sério, pessoal. E a propósito, não teve graça. – disse.
–Ai, Li. Teve sim! – Paty deu uma gargalhada.
Decidi não contar nada a eles do encontro que tive com aquela senhora.
–Gente, querem ir lá em casa hoje? Assistir um filme, ou... Sei lá, ficar fazendo nada. – Paty nos convidou e soltou um risinho no final.
–Ah, claro. Vai ser uma ótima oportunidade de eu conhecer seus pais. – Robert aceitou o convite, e Paty sorriu demonstrando gostar da ideia.
–Então é melhor eu não ir, né... – Disse bocejando.
–Não, Lilya. Claro que não. Você é minha melhor amiga, e tem que conhecer meus pais também, né?
–Olha, é melhor eu ir outro dia...
–Lilya, tem certeza? – Paty me perguntou, mas não deu tempo de responder, já que Robert já foi falando por mim, dá uma olhada:
–Ela não quer não. Ela está com olheiras, com certeza passou a noite em claro. Tem que descansar, não é, Lilya?
–Aham, é sim – estranhei a atitude dele. Com certeza queria ficar sozinho com Paty – E eu tenho que ter uma conversa com a Soyer ainda.
–Tudo bem, já que não quer ir. A gente marca outro dia, né? – Paty me fez um outro convite.
–Amiga, mas é claro! – Respondi Paty. – Só que agora eu realmente tenho que ir falar com a Soyer.
–Ok, boa sorte.
Fui atrás da Soyer para tentar descobrir como é que ela iria desconfiar e pesquisar o assunto, e , além so mais descobrir tudo. Bem, quase tudo.
Não sabemos como Grodger está vivo.
–Soyer, você pode vir aqui um minuto? – Perguntei a ela que estava numa roda de meninas, suas seguidoras, que fazem tudo o que ela manda.
–Não está vendo que eu estou conversando, Lilyburra?! – Ela foi grossa comigo, me ofendeu.
Estava torcendo para que a próxima palavra que viesse da boca dela não fosse para mim, porque se não ela iria se arrepender de ter dito qualquer coisa de mal respeito sobre mim.
Olha só eu! Dando uma de durona!
Sim, eu era fofa, amiga de todos... Mas quando era para ser durona eu era. E sem dó!
–Soyer, querida...-Fiz um sorriso forçado- Eu preciso falar com você agora, não ouviu?
–Hã? Eu que te pergunto, Lilyburra: “Não ouviu?” Estou conversando. Desinfeta, vai!
“Desinfeta”? Ela está doida! Não pensei duas vezes:
Puxei seu braço com toda a força do mundo e a levei para conversarmos a sós.
Perguntei enquanto ela resmungava de dor no seu braço que tinha ficado marcado (bem marcado- á propósito):
–Não vai se cansar de tratar os outros desse jeito?!
Ela revirou os olhos.
–Duvido se gostaria de ser tratada assim! Ninguém gosta! Ninguém!
–Cara, você me puxou, me tirou de perto das minhas amigas enquanto eu estava conversando para tentar me dar uma lição de moral? Desencana! Não vai adiantar de nada!
–“Amigas”? Sério? Acha mesmo que elas são suas “amigas”?
–Elas são sim. Tudo o que eu peço elas fazem.
–Só estão andando com você porque é popular e rica. Elas querem mesmo é conquistar o coração do Rick, ou de outro cara por aí. – ela tentou abrir a boca em sua defesa, mas eu não deixei que ela falasse nada e continuei – Não imaginava isso? Elas só querem popularidade! Para ocuparem o seu lugar daqui a alguns dias! Você não tem e nunca terá amigos verdadeiros ao seu lado, Soyer! Todos tem raiva de você, inclusive eu. Pensa nisso, vai. Não custa nada! – desabafei.
–Olha, Lilya. Vou pensar no seu caso.
–Engraçada, você! O caso é seu, se não percebeu. Estou te dando um conselho. Eu penso no próximo. Diferente de outros que andam por aí!
Saí de perto dela.
Fui avisar para Paty e Robert que tive uma conversa com ela. Mas eles queriam saber de tudo. Só que eu não contei, é claro!
Logo deu a hora da saída. Fui para casa, e, me esbaldei na cama.
Dormi o dia inteiro. Qual é? Tinha que ter um descanso depois de tudo o que aconteceu, né?
Notas finais
*taltz - estava me referindo a pessoas importantes de Malviwood.
*:p - emoticon utilizado para representar um personagem mostrando a língua.
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