Minha Vida Em Linhas.
2 A Primeira Tragédia. (Parte 1 de 2.)
Notas iniciais
Chegaram. Agnes e seu pai estavam finalmente em São Paulo.
Estava muito frio. As mãos da garota tremiam. Ela esquecera de trazer as luvas... bem que seu pai a avisara.
-Calma, Ag. — disse o pai. — Logo chegaremos em casa. — ela olhou-o e sorriu.
O taxi para o qual ligaram trinta minutos atrás havia chegado. Lá fora, estava interditado de pessoas gritando, e com aquelas faixas com o nome da pessoa que estavam esperando chegar.
Eles entraram no taxi. O motorista era um homem velho, grisalho, que usava uma boina antiga e um cachecol xadrez. Aparentava ter seus setenta e poucos anos.
O pai deu as instruções do caminho que o motorista, chamado José Almeida, deveria seguir para deixá-los em casa.
Durante todo o percurso, Agnes ficou escutando música e olhado a paisagem escura pela janela.
Eram 3:47 quando chegaram em casa, no domingo.
Agnes começou a explorar a casa nova, vendo os quartos, a cozinha, o banheiro, a dispensa e todo o resto da casa.
Ela e o pai tomaram um banho e foram se deitar, em quartos diferentes.
O quarto da garota era roxo, puxado para vinho, não muito exageradamente grande, nem demasiado pequeno, pois ficava no telhado. Por ele, haviam fotos suas espalhadas, um mural com anotações e rascunhos. Seus desenhos ficavam em uma pasta, que guardava na terceira gaveta do criado, cujo ficava ao lado da cama branca, encostada na janela.
A iluminação era lateral, o que colaborava para que o quarto ficasse aconchegante.
Ela deitou, cobriu-se e pegou um livro. Aliás, seu livro favorito. "A Menina que Roubava Livros", ela chorava toda vez que o lia, mas as palavras eram apaixonantes.
Ela leu um pouco, apagou o abajur e dormiu.
Sua vida estava perfeita, nada poderia estragar.
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O pai deveria sair para uma reunião às 7:00 e estar lá às 8:15.
Agnes acordou com o pai fazendo tudo "com os cotovelos", como diz a expressão.
Ele estava dando o nó da gravata e colocando o relógio ao mesmo tempo, pulando pela casa com um pé só, pois o outro pé estava descalço. E ao mesmo tempo, ao telefone.
A garota se levantou, colocou os chinelos e foi fazendo o café da manhã, para ajudar o pai. Ele já alugara o carro para ir à reunião, pois só poderia comprar o seu próprio na semana seguinte.
Ela fez um simples pão com manteiga, acompanhado com suco de laranja.
O pai agradeceu e ela voltou para o quarto.
Segunda-Feira, o dia seguinte, ela iria para a escola, conheceria novas pessoas, novos professores e voltaria a estudar.
Ela observou pela janela o pai sair correndo para o automóvel prateado, ao lado do jardim.
A garota desceu e trancou a porta da casa, continuou usando seu pijama largo, colocou as meias grossas, colocou os óculos, ligou o notebook e deitou-se na poltrona, que era bem grande.
No dia anterior, um vizinho, que aparentava ter uns 15 anos, deu a ela um gato.
O animal tinha os olhos verdes e era cinza.
O gato andou até a poltrona e pulou para sua barriga, acomodando-se e dormindo.
Ela ligou a TV. Ia colocar na Warner para assistir seu seriado favorito, mas no canal de notícias, apareceu algo que a chocou.
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