Minha Utopia
1 Minha Utopia
Você veio, ficou.
Em pouco tempo,
Amarrou meu coração.
Eu não quis soltar os nós.
Então comecei a guardar
Beijos, abraços, memórias...
Nos bolsos do casaco de inverno,
Na bolsa rasgada da liquidação,
Na minha velha meia da sorte
E até na concha das mãos.
Decorei seus traços,
Modos suaves e sorrisos
(alguns que só eu vislumbrava).
Costurei a imagem do seu riso exagerado
No meu peito,
E os efeitos sonoros de seus sussurros
Ao pé do meu ouvido
(sensação de arrepio que sempre carrego comigo).
As nuvens voltaram a ser de algodão,
Com formatos estranhos,
Frutos da nossa imaginação.
Eu parecia estar vivendo uma utopia.
Pode soar muito clichê, mas, para mim,
O mundo perfeito só precisava ter você.
Porque quando a tristeza assolava,
Você me consolava.
Quando o fardo era pesado demais,
Você pegava um pedaço suculento
Para carregar consigo
E nem me deixava reclamar.
Eu odiava isso, mas amava.
Você até cantava aquelas antigas canções de ninar,
Só para me divertir e alegrar
(com tanta desafinação).
Você, eu, nós.
Voltamos a acreditar no impossível
(“pouco provável apenas”, dizíamos).
E tudo aquilo era amor, eu sabia.
Amor de amigos,
Amor de amantes.
Amigos amantes.
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