Notas iniciais
Olá lindos possiveis leitores! Esse primeiro capítulo está... como direi... meio tosco, porque ainda estou me acostumando a escrever no presente e em primeira pessoa, por isso deixei algo que eu faço sempre, que é detalhar as descrições, meio de lado. Mas de qualquer forma, podem deixar seus comentários e sugestões, bjos bjos bjos

Cubro o olhos com minhas mãos para tapar os raios do sol que acabava de nascer. Ao olhar lá pra baixo, vejo uma multidão de pais se acotovelar às margens do cais, ansiosos para se despedirem de seus filhos. O barco, perto do qual todos se aglomeram, e sobre o qual todos nós estamos a bordo, está desancorando e pronto para partir, mas as preocupações nunca parecem ser tardias demais.

– Caio, meu amor! Não se esqueça de que nesses lugares os mosquitos são terríveis, use repelente! – Grita pra mim uma mulher gordinha, vestida como turista e chapéu de aba longa.

– Mãe, a gente só vai passar cinco dias lá. – Grito em resposta, virando os olhos com a encheção desnecessária.

Aceno até que a distância já não permite que nos enxerguemos, graças aos céus. O barco se distancia com rapidez da costa. À medida que nos afastamos, eu vejo os pais entrarem em seus carros e voltarem pra casa, e a sensação de liberdade cresce em meu peito. Sem pais, por cinco dias! Isso é o paraíso.

A bordo, as conversas são tão animadas que nem parece que nós todos tínhamos acordado às cinco da manhã de um sábado. Os alunos do terceiro ano tinham organizado esse passeio até a Ilha Morena, no litoral do Rio de Janeiro, e para alguns ali aquele seria o ponto alto da vida deles até então.

Eu respiro a brisa marinha, me apoiando na mureta do convés e abrindo os braços, deixando o vento atravessar meu corpo. A sensação é maravilhosa, poucas vezes eu pude fazer isso.

– Caio, meu amor, você endoidou foi? – Ouço uma voz estridente soar atrás de mim. O cheiro de perfume doce que penetra em minhas narinas me avisa quem é antes mesmo que eu me vire pra olhar.

– Ah, oi Ju. – Eu digo, surpreso com toda a montagem que ela fez para a viagem. Usava a parte de cima do biquíni rosa-elétrico, um short branco de duas polegadas de comprimento e uma canga florida amarrada na cintura. Sem esquecer os óculos escuros e o chapéu de praia mais caro que o pai dela pôde comprar, branco com listras pretas, contrastando com o loiro doloroso de seus cabelos.

– Não fique abrindo os braços por aí, vão achar que eu namoro com o Cristo Redentor. Amor, o que achou do meu visual? – Pergunta ela, girando no mesmo lugar para exibir a roupa.

– Está... hun, linda.

Ela acha a resposta satisfatória e me beija efusivamente na boca. Nós namorávamos há quase seis meses, e aos olhos dela (e das outras pessoas que nos viam), só faltava um castelo pra o namoro ser um verdadeiro conto de fadas.

O Sol já brilha forte no momento em que a ilha está perfeitamente definível no horizonte. Uma gritaria alucinada se espalha entre meus colegas, que fazem planos sobre a estada. Dizia-se que a ilha tinha os melhores luaus e essa informação foi crucial na hora da escolha do destino.

– Espero que o Hotel não seja a espelunca que acho que vai ser, porque já me basta esse barco em estado de... podrefação. – Diz ela, pisando com força no chão de madeira.

Suspiro, olhando na direção da ilha, e imaginando se realmente valeria a pena isso tudo. Meu amigo, Mateus, chega ao meu lado, e me dá um tapão nas costas.

– Iaê Caião, pena que você já tá comprometido, porque vou passar a vassoura nas gatas todas dessa ilha. – E termina a frase com uma gargalhada.

Ju fulmina ele com o olhar, põe os óculos escuros e nos dá as costas, fazendo um “hunf” indignado e intoxicando o ar com o perfume de seus cabelos.

– Mateus, pega leve com esses comentários, a Ju me mata se achar que eu estou traindo ela.

– Fique tranquilo, cara. – Diz, se encostando na mureta de proteção do barco. Ele olha pra Ju, que nesse momento compartilha de seu bronzeador com as amigas, e parece-me que ia me falar alguma coisa, mas desiste.

Ele e eu conversamos mais umas coisas bobas (como o fato de que a população da ilha sem visitantes é de vinte pessoas, o que acabou com seus desejos de “varrer as gatas”) até que o barco aporta no cais da Ilha, mais ou menos meia hora depois. Mesmo ainda dentro do barco eu posso ver como o lugar é bonito.

Depois de toda a operação de descermos pela escadinha e o guia contar quantos de nós chegamos ilesos, atravessamos a praia e adentramos a mata densa, cheia de palmeiras e animais. Ju se apoia o tempo todo em meus braços, me arranhando com suas unhas, pois a passarela de madeira é muito instável para seu salto de quinze centímetros. Fico fascinado com a natureza ao nosso redor, e todos gritam e riem quando uma revoada de pássaros atravessa nosso grupo.

– Mosquitos estúpidos. – Diz Ju, passando repelente e deixando seu rastro de inseticida pelo caminho.

– Nada de inseticida por aqui, mocinha. – Diz o nosso guia, tirando o spray de sua mão. Eu escondo um riso ao ver a cara de revolta dela.

Depois de uns quinze minutos de caminhada, estamos chegando àquilo que parece ser a hospedaria onde vamos ficar. De fato, o lugar era até jeitosinho. Um casarão no estilo camponês, uma piscina, grama aparada, e um jardim de rosas que circundava toda a propriedade. Era uma mistura de antigo com moderno, o que fazia parecer que estávamos num livro velho da escola.

O nosso grupo se encaminha para a entrada, que é basicamente um muro com dois pilares guardando os portões e, em cima desses pilares...

– AHHHH! – Gritam as meninas, obviamente o grito de Ju é o que mais se sobressai pelo timbre agudo.

O que todos nós estamos olhando são as duas gárgulas extremamente feias que estão sobre os pilares da entrada, como dois cães de guarda tomando conta da propriedade.

– Que coisa mais bizarra. – Comento, partilhando do sentimento de susto das meninas.

Depois de recuperados, atravessamos os portões suntuosos, detalhadamente decorados com espirais, e entramos na propriedade. Ao olhar para o casarão como um todo, não deixo de notar os jardim, lotados de rosas, mas parece que sou o único que faço isso. Decido pegar alguma coisa pra agradar Ju e me separo do grupo, indo em direção às flores.

Chego perto do pequeno arbusto, onde rosas dos mais variados tipos fazem a decoração. Não que eu seja um grande admirador de flores, mas essas estão magníficas. Me agacho para pegar uma, quando vejo algo se movendo, saindo de dentro do arbusto.

Tomo um pequeno susto com aquilo que parece ser uma cabeça se sobressaindo pra fora das folhas, mas vejo que é um garoto, de no máximo catorze anos, vestido com trapos velhos, segurando uma tesoura de jardinagem e me olhando, aparentemente bem mais assustado que eu.

– Ah, oi! Eu... – Eu tenho lhe falar sobre minha intenção de pegar uma das rosas e entregar à minha namorada, mas ele me olha nos olhos por um segundo. Eu fito seus olhos castanhos nesse lapso de tempo, e algo me ocorre, como se eu já o conhecesse. O menino sai correndo pra longe de mim, seus passos silenciosos sobre a grama, sem me falar palavra alguma. Aquilo me deixa confuso, e eu desisto de pegar a rosa. O rosto de menino fica na minha mente, sua expressão assustada ao me ver, como se em sua mente também se passasse a impressão de que já nos conhecíamos. Volto pro grupo, dando mais uma olhada pro lugar pra onde ele correu. Garoto estranho... mas o mais estranho é que... hum, eu quero que ele volte?

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Quero saber suas opiniões.