Minha Rachel...
45 Capítulo 45 - Consciência...
Quinn acordou sozinha na cama. Estranhou a ausência de Rachel ao seu lado. Levantou-se para sair do quarto e da porta ouviu um barulho na cozinha. Logo deduziu que a morena continuava lá. Sorriu suavemente... Mudou o rumo, foi ao banheiro e escovou os dentes. Sorriu novamente ao perceber um intenso chupão em seu pescoço. Rachel tinha sido quente e quase insaciável na noite anterior...
Quando acordou, a morena ficou alguns minutos admirando a loira. Pensou em acordá-la com beijos, mas sentiu que era errado tirá-la daquele descanso que a deixava tão linda. Resolveu preparar o café da manhã para ela. Vestiu uma blusa de Quinn e escovou os dentes, admirando novamente as marcas do amor da loira em seu corpo. A sensação de acordar naquele dia foi completamente diferente do que qualquer dia de sua vida. Era a sensação de amar mais do que era capaz de pensar que era possível...
Mas não era tão simples assim... Houve um momento enquanto preparava o café para Quinn onde as coisas não pareceram tão simples. Rachel parou um pouco e fechou os olhos apoiando as mãos no mármore da pia. Seu corpo inteiro era tomado por uma sensação diferente. Era a consciência do amor lhe dominando por inteiro. Um pavor maior do que todos já sentidos se apossou de sua alma. Era o medo avassalador de perder quem se ama. Ela teve medo de perder Quinn antes, mas não era nada comparado àquela nova sensação. Amar não é tão leve quanto as pessoas fazem parecer. Rachel percebeu que seu passado não era mais como antes. A percepção de amar Quinn a fez perceber que ela nunca antes amou de verdade...
Quinn admirava o ombro direito exposto da morena. Sua blusa ficava muito sexy nela. O movimento de Rachel cortando algumas frutas poderia ser simples, mas não era... A loira queria avançar e agarrá-la, enchendo-a de beijos quentes, mas preferiu continuar ali, encostada ao arco da porta e desfrutar da beleza natural daquela mulher que ela tanto amava e desejava. Pensando na noite que tiveram, ela se esqueceu da não reciprocidade daquele amor. Mal sabia ela que Rachel estava mergulhada na mais absoluta sensação de epifania apaixonada...
Um movimento rápido da morena fez com ela visse Quinn parada com um sorriso suave...
R: Bom dia... [sorriu] Está aí há muito tempo?
Q: Tempo suficiente...
R: Suficiente? [voltou a atenção para as frutas] Suficiente para quê?
Rachel sentiu o corpo de Quinn colar em suas costas com delicadeza e o rosto da loira se encaixar em seu pescoço. Aquele toque quase a enlouqueceu. Desde o momento em que percebeu a loira ali na cozinha sentiu seu coração bater acelerado. Era toda uma nova sensação. Era como se ela estivesse conhecendo uma nova versão delas duas...
Q: Suficiente para te querer de volta na cama...
Rachel se arrepiou. Por causa da voz rouca, da respiração em sua pele, mas principalmente porque Quinn voltou a tentar ser conquistadora... Já havia um tempo que a loira tinha assumido uma postura mais reservada. Alguma coisa naquela noite criou uma conexão mais profunda entre elas. Quinn podia não ter consciência do que Rachel disse, mas era muito provável que tivesse uma certa consciência do que ela sentia...
Rachel se virou em seus braços e a olhou. Não era um simples olhar. Era profundo, intenso, complexo. Quinn franziu o cenho confusa, mantendo um sorriso lindo nos lábios. Ela não conhecia aquele olhar. Rachel nunca a olhou daquela forma. Ninguém nunca a olhou daquela forma... A morena parecia querer dizer alguma coisa. Respirou fundo e soltou o ar devagar, sem desviar o olhar dos olhos verdes um segundo sequer...
R: Quais as chances de passarmos o dia inteiro aqui? Ou você é obrigada a trabalhar hoje?
O “eu te amo” estava ali: na forma de olhar, de tocar, de sentir, de respirar. Estava nela, no pensamento, nas lembranças, nos desejos. O “eu te amo” estava ali na ponta da língua, tão intenso e verdadeiro como dito enquanto Quinn dormia. Ele ficou na ponta da língua paralisado...
Q: Eu não sou obrigada a nada. [sorriu charmosa]
Quinn estava completamente inocente ali. Sem ter a menor noção do que se passava na cabeça da morena...
R: Então vamos ficar em casa hoje? Quero passar o dia inteiro com você...
A inocência de Quinn não era tão extensa assim. Ela sabia que a noite anterior havia sido especial. Sabia que Rachel ainda estava sob o efeito do que dividiram. Querer passar o dia inteiro com ela, sem qualquer outra razão aparente, só podia ser fruto da intimidade que voltaram a compartilhar de forma tão intensa...
O pedido da morena foi prontamente aceito. Quinn estava sentada no sofá com ela, após ter ligado para Santana e Leroy e avisado que não iria trabalhar. Rachel fez o mesmo e avisou ao diretor que não iria ao ensaio.
Sentia o toque delicado dos dedos de Rachel em seu braço. A necessidade de estar em contato. Estavam deitadas, em completo silêncio, com as cortinas da sala fechadas, criando um ambiente íntimo que não permitia perceber o tempo passar... Ela quis perguntar o porquê do pedido, por que a morena quis ficar em casa com ela naquele dia. Mas resolveu não perguntar. Não quis racionalizar o sentimento, o desejo. Algumas coisas deveriam ser simples e ponto final, sem maiores explicações. Mas nada ali era simples... Rachel queria passar o dia com ela porque era doloroso demais se afastar. Queria passar o dia com ela porque, pela primeira vez, ela sabia o que significava cada sensação causada por aquela proximidade, cada arrepio, cada calor, cada paz... Era uma paz diferente agora. Era um rodamoinho de sentimentos.
Q: Eu já disse como gosto de ver você vestida com minhas roupas? Quanto mais folgadas em você, mais linda você fica!
R: Eu adoro vestir suas roupas! Adoro dormir na sua cama! Adoro ficar aqui no seu apartamento! Eu...
“Amo você!” Mais uma vez paralisado na ponta da língua. Por quê? Ela não sabia.
R: Quero você pra sempre!
Foi o mais próximo do “eu te amo” que ela conseguiu verbalizar. Quinn sorriu e a beijou suavemente, deslizando o nariz sobre o dela tão logo cortou o beijo. Percebeu que a morena estremeceu com aquele carinho...
Q: Você não quer mesmo falar sobre o que está passando pela sua cabeça?
A pergunta foi feita de uma forma tão delicada que Rachel não entendeu de imediato. Normalmente, diante de tal questionamento, Quinn seria mais séria.
Q: Eu sei que tem algo girando em sua cabeça...
R: É você! [disse sem pudor] É você na minha cabeça...
Q: Eu?
R: Você! É só que é tão óbvio que você está em tudo o que quero, vejo, sinto, tenho... Você está preenchendo minha vida de felicidade. Estou tendo a noção do que isso tudo significa...
Q: Aconteceu alguma coisa para você se ver pensando assim?
Quinn falava com uma calma confortável. Rachel sorriu suavemente. Quinn tinha mesmo parado de esperar pelo “eu te amo”. E ela estava tão desligada disso que sequer percebeu que era isso que Rachel estava falando, que a amava...
A morena a beijou de forma quente, buscando sua língua com possessividade. Quando a loira pensou que aquele beijo as levaria a algo mais quente, Rachel se separou em busca de ar...
R: Aconteceu você...
Ok... O “eu te amo” tinha ficado preso na garganta de Rachel durante todo aquele dia, indo e voltando até a ponta de sua língua. Durante todo o dia elas trocaram olhares significativos, toques delicados, carinho... Já era noite e estavam na cama depois de terem passado quase uma hora juntas na banheira. Rachel deixou que Quinn falasse sobre o que quisesse. Durante todo o dia a loira se sentiu livre para não precisar impressionar e tudo o que ela fez foi impressionante. Da voz lendo o jornal para ela, do almoço preparado, da massagem feita na morena... Cada pequeno simples ato da loira parecia o mais grandioso gesto de toda a humanidade. Rachel estava explodindo por dentro... Ela se impressionava com a simples presença de Quinn ao seu lado...
A loira deslizava a mão direita delicadamente por baixo da blusa do pijama da morena. Fazia um singelo carinho na pele morena. Ela não queria dizer, mas aquele dia tinha significado muito mais do que parecia. Tinha sido um dia aparentemente simples de pura companhia. Duas pessoas juntas apenas fazendo coisas do cotidiano. Ela não se lembrava de ter vivido um dia simples tão perfeito como aquele. Não era só Rachel que estava tendo uma epifania de amor. Não era segredo que Quinn a amava, mas naquele dia a loira teve um pouco mais de noção da dimensão daquele amor. De não precisar de grandes gestos, grandes frases, grandes coisas. Ela precisava apenas partilhar a existência delas, apenas estar com ela num dia qualquer, com qualquer coisa na TV, com qualquer comida na geladeira e no fogão. Ela não precisava de um mundo inteiro de opções quando tinha tudo o que dava paz a seu coração concentrado em uma única mulher...
Q: Vem morar comigo...
O convite saiu num sussurro. Quase como se fosse um segredo, mas era seu desejo mais genuíno. Ela queria Rachel todos os dias. Ela a queria em cada centímetro de sua vida... De repente, bateu uma insegurança, o medo de provocar medo em Rachel novamente. O medo de ver toda a perfeição daquele dia se desfazer de repente...
R: Venho!
Não houve drama, não houve pânico, não houve sequer tempo para pensar. Rachel não precisava de tempo. Ela tinha toda a certeza de mundo de que queria dizer sim.
Q: Tem certeza?
Rachel gargalhou. Claro que Quinn ia estranhar a velocidade com que ela respondeu. A morena a olhou de forma extremamente carinhosa:
R: Sem a menor sombra de dúvidas!
Quinn a agarrou para enchê-la de beijos. Ela ficou tão feliz que Rachel se emocionou. Ela ainda não tinha se acostumado a fazer a loira feliz com coisas tão simples. Sentia os beijos em seu rosto, colo, pescoço... Sentiu a respiração de Quinn em seu ouvido:
Q: Eu te amo!
Foi incrível! Ouvir “eu te amo” de novo, com a voz mais perfeita do mundo! Já havia um tempo que a reserva de Quinn a impedia de ser tão expressiva. Foi maravilhoso ouvi-la falar de novo...
Rachel se moveu para segurar o rosto da loira entre as mãos, olhando-a com uma devoção nunca antes dedicada. Quinn lhe sorriu como nunca antes e a morena fechou os olhos, sem conseguir lidar com a intensidade daquele momento. Ela a puxou para si, encostando suas testas, respirando junto... Era a sua forma de dizer que a amava enquanto as palavras estavam inexplicavelmente presas na ponta da língua...
[CONTINUA...]
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