Minha Rachel...
4 Capítulo 4 - "Gostaria de subir?"
Durante todo o percurso, Rachel pensou em diversas formas de convidar Quinn a subir em seu apartamento. Nenhuma delas parecia despretensiosa o bastante. Ao mesmo tempo, a morena se via se perguntando por que pensar em convidá-la para subir a deixava tão nervosa... Afinal, era Quinn, sua amiga. Aí é que estava o problema: Era Quinn Fabray. Nunca poderia ser simples se tinha Quinn envolvida. Nunca era qualquer coisa. Rachel não sabia mesmo explicar a forma como estava se sentindo. Só sabia que tinha que pensar rápido...
Assim que o carro preto da loira parou em frente ao prédio da morena, o coração desta disparou:
Q: Pronto! Está entregue! [sorriu brincando] Me desculpe se te chateei em algum momento e...
R: Gostaria de subir, Quinn? [interrompeu nervosa]
Rachel se batia mentalmente. Depois de pensar em várias formas de fazer esse convite, ele saiu dessa forma. E se a loira perguntasse “pra quê?” o que ela responderia?
Q: Claro! [sorriu e desligou o carro]
A morena congelou por alguns segundos. Não houve qualquer questionamento. Facilmente, como se fosse a coisa mais natural do mundo, Quinn aceitou e se moveu para sair do carro. Rachel se apressou e fez o mesmo.
Enquanto entravam no elevador, a loira não deixou de notar que a morena estava nervosa, mas não sabia dizer o porquê:
Q: Está tudo bem?
R: Sim! Está! [garantiu, respirando fundo para voltar ao normal]
Um morador do prédio entrou apressado no elevador e logo deu um sorriso para as duas. Ambas sorriram educadamente e perceberam o olhar indiscreto que ele dedicou ao corpo da morena. Quinn a viu corar e não conseguiu não rir. Rachel era adorável tímida. Quando o rapaz desceu em seu andar, elas ficaram sozinhas e a loira viu a morena soltar o ar pesado que prendia, como se pudesse relaxar novamente.
Q: Você não pode culpá-lo... [disse segura, com um sorriso no rosto]
R: O quê? [perguntou confusa]
Q: Não pode culpá-lo por ter admirado você. Afinal, você está linda! [manteve-se segura] Você é linda, aliás...
Ok... Rachel tinha conseguido ficar calma, então Quinn diz uma coisa dessa e faz com que o nervosismo volte a atacá-la. A morena ficou completamente corada e sem palavras. Quinn Fabray a confundia demais! Quando o elevador parou, correu até seu apartamento, abrindo a porta depressa. Quinn não poderia negar que ela estava agindo engraçado. Rachel quase pisa em Diva ao caminhar para acender as luzes.
R: Santo Deus! Diva! Olhe por onde anda! [a morena tinha essa mania de falar com a gata como se ela fosse uma pessoa]
Q: Você tem uma gata que se chama “Diva”? [sorriu divertida]
R: Sim! [sorriu de volta]
Q: Onde sua gata estava quando estive aqui com Santana? [não lembrava de tê-la visto]
R: Dormindo. Ela é bem preguiçosa! [sorriu] Quando eu voltei para ver a porta, ela não quis nem saber e continuou seu caminho até o quarto.
Q: Ela é mesmo uma “Diva”! [piscou-lhe]
R: Quer beber alguma coisa? [caminhava até a cozinha]
Q: Água ou café. O vinho do jantar já foi o suficiente por hoje.
Enquanto Rachel caminhava até a cozinha, Quinn não pôde deixar de reparar no corpo da morena. Ela sempre reparou nele e sempre o achou lindo. Mas era incrível como havia ficado ainda mais perfeito com o passar do tempo. Havia algo novo em Rachel Berry que contrastava com a baixa autoestima que estranhamente se apossou dela. Havia um charme a mais que a loira não sabia identificar a origem, mas sabia que estava lá.
Não demorou para a morena voltar à sala com uma bandeja contendo suas xícaras de café e um copo d’água, além de alguns biscoitos.
Q: Adorei o quadro! [referia-se ao pôster de Wicked na parede da sala]
R: Eu também adoro! [sorriu educada, evitando dizer que pretendia tirá-lo dali para afastar a sensação ruim de fracasso que ele lhe dava sempre que ela o olhava]
Q: Ele combina com sua sala, com seu apartamento. Combina com você, principalmente! [sorriu terna]
R: Brody dizia que é antiquado e Finn dizia que é estranho. [disse tranquilamente]
Q: Babacas! Os dois! [disse segura, sem sequer se arrepender de expressar essa opinião]
R: Você não gosta mesmo deles, não é?! [sorriu tímida]
Q: Não se trata de gostar ou não gostar. Mas de reconhecer que são dois babacas, por uma infinidade de motivos...
R: Não que eu não saiba apontar alguns... [sorriu divertida] Mas você poderia me dar um exemplo?
Q: Eles perderam você... Só um babaca completo abriria mão de ter você... [disse sincera, encarando os olhos castanhos com extrema segurança]
Quinn percebeu que o peso de suas palavras deixou Rachel nervosa. A morena não sabia o que dizer. A loira a havia tocado de verdade... Ninguém nunca tinha dito algo parecido. As pessoas sempre davam a entender que seus namorados eram ótimos partidos e que ela era quem tinha sorte de tê-los, e não o contrário. Seus pais, Kurt e agora, Quinn, eram as únicas pessoas a reconhecer que ela era a pessoa de valor naqueles relacionamentos e que os dois... bem... Os dois eram verdadeiros babacas!
Q: Quer falar sobre seu novo trabalho ou prefere deixar para falarmos sobre isso no escritório? [desconversou, tentando melhorar o clima estranho]
R: Você está mesmo falando sério? [surpreendeu-se]
Q: Por que eu brincaria com isso? [sorriu confusa]
R: Não faria sentido... [sorriu tímida, concluindo que Quinn só podia mesmo estar falando sério]
Q: Então... Podemos falar sobre isso agora, se você quiser...
R: Eu não sei o que dizer. [demonstrava completa confusão] Estou disposta a te ouvir até você cansar de falar. [sorriu] O que eu posso fazer trabalhando com você?
Q: Do restaurante pra cá eu pensei em várias coisas e tinha concluído que, talvez, o melhor fosse você administrar o escritório...
R: Você só pode estar brincando, Quinn! [interrompeu] Eu não tenho noção de administração! [disse preocupada]
Q: Você tem! [contestou calmamente] Você administrava o New Directions como ninguém! [argumentou]
R: Mas éramos jovens e imaturos, Quinn! Aquilo era só um clube do coral e não uma empresa! [disse nervosa, visivelmente assustada com a possibilidade de fazer isso]
Q: Não era só “um” clube, Rachel! [dizia assustadoramente calma] Era “O” clube e você nos levou à vitória. Não pense que administrar uma empresa é muito diferente. Claro que tem a burocracia, mas tudo se aprende... [sorriu com ternura]
R: Eu não sei... Parece complicado...
Q: Tem sua complicação sim... Então eu pensei que você chegaria a essa conclusão... Por isso, eu pensei em outra coisa.
R: Você está inventando cargos pra me ajudar, Quinn? [perguntou temerosa] Você não precisa fazer isso! [tentou deixar claro que a loira não precisava se esforçar tanto por ela]
Q: Não! [apressou-se em dizer] Eu realmente gostaria que outra pessoa administrasse o escritório, mas eu posso fazer isso junto com Santana. Isso já vai me tirar metade do peso...
R: Ok... [demonstrava certo alívio]
Q: Estou fechando contratos com Columbia, Universidade de Nova York e Juilliard. [continuava explicando] Nosso escritório ficará responsável por analisar e viabilizar investimentos em projetos de artes das três instituições.
R: Hum hum... [concordava, aguardando que ela continuasse explicando, para saber onde ela chegaria]
Q: Se você aceitar, você pode encabeçar esses contratos. [finalizou]
R: Eu não faço a menor ideia do que isso significa. [disse devagar, quase baixo demais]
Q: Hahahahahahaha Eu vou te explicar... Nossa responsabilidade será analisar os projetos e verificar se cabem no orçamento da faculdade ou se será necessário buscar outro tipo de investimento para que se realizem. Também analisamos se o projeto trará um bom retorno, já que levará o nome da instituição com ele. Não se trata de patrocínio, mas de encabeçar mesmo os projetos. Levá-los ao universo dessas universidades. Responsabilizar-se por eles, inserindo alunos e corpo docente, quando possível e cabível. Eu cuido da parte legal, você pode fazer a análise artística. Ou seja, você pesquisará sobre os envolvidos, sobre seus currículos, vendo se realmente é um projeto promissor. Claro que eu te ajudarei a ver isso e posso tirar suas dúvidas sempre que você quiser. Mas quem irá até eles será você, para conhecer os projetos, a estrutura. Você é a artista aqui, Rachel. Sua opinião tem um peso maior do que o meu!
R: Mentira! [acusou sorrindo] Você está falando isso pra me agradar.
Q: Em parte sim! Não posso negar... [piscou-lhe sorrindo, fazendo Rachel estremecer, passando despercebido pela loira] Mas eu realmente confio em você para fazer isso. E, para mim, o mais importante é que você ainda terá tempo de investir na Broadway. Além do mais, você estará dentro de um universo artístico. Burocrático, mas artístico.
R: Me parece uma excelente ideia! [disse menos insegura]
Q: É uma excelente ideia! [enfatizou]
R: Cadê sua modéstia? [perguntou provocante]
Q: Não costumo andar com ela! [piscou-lhe charmosa]
Ambas gargalharam. Não havia qualquer estranheza entre elas naquele momento. Quinn se sentia bem no sofá de Rachel, vendo seu lindo sorriso, enquanto a morena se sentia à vontade diante da loira que, apesar da postura segura e firme, não a intimidava. Pelo contrário, dava-lhe uma sensação de proteção, de aconchego...
R: Como eles chegaram até você? Como você se tornou famosa nesse ramo?
Q: Eu encabecei um projeto ainda na faculdade e fechei um importante contrato no escritório em que estagiava que, dentre outras coisas, era especialista nisso. Essa negociação que eu fiz virou parâmetro, um padrão entre negociações do gênero e alguns costumam chamar de “Método Fabray”.
R: Jura?! [sorriu amplamente]
Q: Sim! [sorriu encabulada]
R: Fala mais sobre isso! [pedia ansiosa]
Q: Numa outra ocasião.
R: Por quê?
Q: Eu preciso estar bêbada para soar bêbada, e não arrogante! [sorriu divertida]
R: Eu já disse que nunca te acharia arrogante... [sorriu com um certo carinho no olhar]
Q: Mesmo assim...
R: Por que eles te contratam? [mudou o rumo da conversa] Não seria mais barato resolverem isso por contra própria?
Q: Eles se sobrecarregaram com o passar dos anos e sai mais barato me contratar. [explicava tranquilamente] Assim, eles não têm que se preocupar com verbas trabalhistas, por exemplo, e não precisam manter um departamento todo para fazer esse tipo de análise. Eles me pagam e eu que me preocupe em contratar quem eu quiser para me ajudar.
R: Eles pagam bem?
Q: Muito bem! [garantiu]
R: Você tem mesmo certeza do que está fazendo? [perguntou, mais uma vez, temerosa]
Q: Te convidando para trabalhar comigo?
R: Sim?
Q: Absoluta! [respondeu segura] Você terá que assistir filmes, peças, ver fotos, pinturas, esculturas, ouvir músicas... Diversas manifestações artísticas. Eu não poderia fazer isso sozinha ou com Santana, pois já temos uma imensa lista de clientes para lidar. Pensei em desistir desses contratos. Já estava pronta para recusá-los. Mas com você, posso e vou fechá-los. [disse aliviada]
R: Ai, Deus! [suspirou preocupada]
Q: O que foi?
R: Estou nervosa! [disse sincera]
Q: Não fique! [tentou tranquilizá-la] Você vai tirar isso de letra! [sorriu]
R: Eu nem sei como agradecer... [disse sem graça]
Q: Eu não quero que você me agradeça. [disse séria]
R: Mas eu tenho que agradecer! [insistiu]
Q: Não tem não! [revidou] Eu não quero que nossa relação viva sob a sombra da gratidão, Rach! [a morena se arrepiou ao ouvir o apelido com a voz rouca de Quinn] Você é inteligente, esperta e talentosa! A pessoa perfeita pra esse trabalho. Então, se alguém tem que agradecer aqui, sou eu! Agradecer por você aceitar e me ajudar nisso.
R: Então sem agradecimentos? [sorriu]
Q: Sem! [sorriu de volta]
R: Combinado! [estendeu-lhe a mão]
Q: Feito! [segurou-a]
É claro que uma corrente elétrica atravessou suas peles com o toque de suas mãos. Quinn sabia exatamente o que era isso, enquanto Rachel ainda tinha suas dúvidas. Nenhuma delas tinha noção de que causava uma forte e quase inexplicável sensação na outra...
Quinn realmente não queria que Rachel se sentisse grata. Sabia que se a morena mantivesse um sentimento de gratidão por ela, isso poderia atrapalhar seus planos de conquista. Uma Rachel grata poderia ser uma Rachel cega, incapaz de ver as investidas da loira. Como também poderia ser uma Rachel retraída, sempre achando que devia algum favor a ela. Assim como também poderia ser uma Rachel desconfiada, achando que qualquer atitude dela seria uma espécie de cobrança pelo “favor”. Então, Quinn queria tomar todo o cuidado do mundo para fazer com que Rachel se sentisse bem e livre no trabalho. Claro que teria que manter os olhos nela, já que o trabalho era mais complicado do que explicou. Mas isso era coisa que o tempo resolveria facilmente... E rápido!
Q: Eu só gostaria de pedir que não tirasse os olhos dos seus objetivos. [pediu calma, em tom de conselho] Por mais importante que seu trabalho será para a empresa, eu quero que você o encare como passageiro. E antes que você me questione, não tem nada a ver com não querer você por lá por muito tempo. Você pode ficar pra sempre, se quiser. Mas eu sei que não é o que você quer. Eu quero você brilhando e peço que volte a mirar a Broadway, esquecendo projetos ruins.
R: Eu vou tentar... [garantiu com um sorriso leve]
Q: Você vai conseguir! [sorriu]
Quinn tinha esperanças de que Rachel encontraria inspiração dentre os projetos que caíssem em suas mãos, que voltaria a ter a gana de brilhar que sempre teve.
Q: Bom... Acho melhor eu ir... [disse se levantando]
R: Está cedo! [disse rápido]
Q: Mais uma vez, sabemos que isso não é verdade... [sorriu] Eu adoraria ficar... De verdade! [e como queria!] Mas eu preciso acordar mais cedo do que o normal. Tenho uma teleconferência às 7 horas. Preciso estar no escritório antes disso.
R: Você é importante! [sorriu brincando]
Q: Discutimos os detalhes técnicos do trabalho, como salário e benefícios no escritório. Tudo bem?
R: Claro! Devo chegar que horas?
Q: A hora que você quiser. Vou entrar em contato com as faculdades para fechar o contrato amanhã, então, você só começará depois disso.
R: Mas devo ir mesmo assim, né?!
Q: Sim! Será bom te ver... [aproximou-se para dar-lhe um beijo no rosto, causando a mesma sensação da noite anterior] Boa noite, Rach! Obrigada pela noite agradável! [sorriu charmosa e saiu, deixando Rachel calada novamente]
Enquanto descia no elevador, Quinn sorria, com a esperança de que ter Rachel por perto todos os dias facilitaria a conquista. Então se deu conta de que teria que contar à Santana sobre essa sua ideia de contratar a morena. E sabia que a latina não ia ter uma reação fácil. A loira, então, começava a se preparar para os questionamentos e as piadinhas. O próximo dia seria longo...
Já a morena, tentava organizar seus pensamentos. Quinn mal tinha voltado para sua vida e já estava provocando tantas mudanças! As sensações, os sentimentos confusos, o emprego novo, o interesse nela e em seu futuro. Rachel não sabia explicar o que estava acontecendo, só sabia que era bom demais para ser ignorado. O perfume de Quinn ficou no ar e a morena não pôde deixar de aspirá-lo com força. “Perfume perfeito” pensou... Tinha sido uma noite especial... Ela conseguiu admirar Quinn ainda mais. A forma como a loira fala, caminha, bebe, come... É tudo muito bonito, elegante, perfeito! Ela pode se espelhar nela facilmente! Ela sempre foi uma pessoa educada, mas agora existia nela muito mais do que educação. Existia uma segurança que Rachel nunca viu em ninguém. Havia em Quinn uma postura aparentemente inabalável que fazia com que qualquer pessoa fizesse questão de ficar perto dela. Um magnetismo imponente de quem sabe o que diz, o que faz e, principalmente, o que quer! Quinn Fabray se tornou alguém mais do que especial e Rachel queria ficar por perto, cada vez mais perto. De repente, um medo se apossou da morena, que não conseguia entender um aperto em seu peito. Era uma sensação boa de se sentir valorizada novamente, de sentir que alguém a enxerga de verdade, ao mesmo tempo em que sentia um peso de responsabilidade por achar que teria que atender às expectativas. E em se tratando de Quinn, ela não queria desapontá-la.
É... o próximo dia seria longo para todo mundo...
Notas finais
Espero que gostem desse capítulo!
Bom... Aviso que não vai demorar para elas se beijarem. ;)
Comentem!
Beijos!
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