Minha Querida Francesa Anastasia
26 Cap 25 - O Culpado
Notas iniciais

TRÊS DIAS ATRÁS
POV CHRISTIAN
Estava na sala de espera da emergência do hospital onde Dr. Flynn trabalha. Elliot está comigo e aguardamos ansiosos o retorno do médico com notícias sobre Anastasia.
Carrick e Grace estão a caminho, pois o boca aberta do Elliot não podia deixar escapar, tinha que avisar Berlim inteira do ocorrido.
Não posso negar que a minha vontade é de ir até minha casa e matar aquela vagabunda com quem eu me casei.
Maldita mulher! Maldita família!
Um bando de loucos e surtados por poder!
Uns merdas!
Pensar que eu nutria admiração por Kavanagh me dá nojo. Olha o tipo de pessoa que este homem criou. Um monstro. Uma escória.
Porém, preciso manter a calma. Estou preocupado com minha pequena e só saio desse hospital com notícias dela.
A cena que encontrei ao chegar em minha casa não sai da minha cabeça, e a possibilidade de perde-la me perturba a mente. Não me imagino sem Anastasia.
FLASHBACK ON
Estaciono meu carro em cima da calçada em frente à minha casa sem me importar com nada, a única coisa que me interessa é a minha pequena.
Deixo o carro ligado e saio correndo em direção à porta enquanto Kavanagh vem atrás de mim.
Ao forçar a porta, sinto-a trancada e lá dentro escuto o som ensurdecedor do rádio.
— Porra! Katherine, abre essa merda agora! – grito com fúria, mas decido não esperar.
Em um chute cheio de raiva consigo arrombar a porta da minha própria casa e então consigo ver do hall uma imagem que jamais vou esquecer em toda minha vida.
Katherine ajoelhada ao chão da sala de estar estrangulando Anastasia com um cordão de ouro. Via raiva e satisfação em seu olhar, mas assim que seus olhos encontravam os meus, podia ver Katherine formar uma feição de arrependimento, mas isso não me convencia mais.
Anastasia foi muito ingênua em acreditar na mudança de uma pessoa que não tem mais jeito.
Minha pequena estava de olhos fechados e com a boca aberta e já não parecia respirar: o que me desespera.
— O que você fez, sua merda?! – grito em desespero, jogando-me até Anastasia, desenrolando o cordão de seu pescoço com muita pressa e a pegando em meu colo.
— Eu não queria... Me desculpa... – diz Katherine de forma falsa e extremamente fingida.
— Cala a boca, maldita! Suma da minha vida, saia da porra da minha casa e desapareça daqui! – digo com ira enquanto corria com Anastasia em meu colo em direção ao meu carro que ainda estava ligado.
Vamos, minha pequena!
Não morra!
Resista!
Eu vou te salvar!
Coloco seu corpo frágil no banco de trás de meu carro e sento-me no banco de motorista, acelerando o máximo que podia em direção ao hospital, pouco me importando com os Kavanagh.
Malditos!
FLASHBACK OFF
— Eu sabia que aquela cobra estava fingindo. Eu passei semanas de olho naquela infeliz e no seu teatrinho de boa patroa... – dizia Elliot enquanto é interrompido por mim e por minha falta de paciência.
— Cala boca, Elliot! A última coisa que eu quero conversar agora é sobre Katherine. Eu só quero saber de Anastasia... – digo com certa raiva.
— Ok... – diz Elliot, calando-de.
— Estou preocupado com a gravidez de Anastasia... Só espero que nosso filho esteja bem... – digo com aflição, passando a mão em meus cabelos demonstrando nervosismo.
— Anastasia está grávida? Bom, disso eu também desconfiava! – diz Elliot com certa animação – Ela vai ficar bem e eu vou mimar muito meu sobrinho, ou sobrinha!
— A gravidez é de risco, Elliot... – digo com preocupação, mas então percebo que eu não devia ter falado sobre.
— Como assim de risco, Christian? – pergunta Elliot e era essa pergunta que eu temia.
Respiro profundamente e penso em uma resposta rápida e convincente.
— Anastasia é muito nova e muito miúda. A estrutura do corpo dela não está totalmente apta para uma gravidez... – digo de forma a evitar qualquer outro questionamento. Não cabia a mim dizer à Elliot que Anastasia era fruto de um ato libidinoso entre Carrick e Karla bem de baixo do nariz da minha mãe.
— Ah sim, concordo. Afinal, a menina só tem 17 anos afinal... – diz Elliot reflexivo enquanto vai sentando em um dos bancos daquela sala de espera extremamente angustiante.
Estava em pé andando de um lado para o outro pois não conseguia conter minha ansiedade e minha preocupação. Minha cabeça só pensava em Anastasia, apenas nela e em nosso bebê. Ambos tão frágeis e delicados e que estavam sob minha responsabilidade.
Como eu pude ser tão negligente ao ponto de deixar uma merda dessas acontecer em minha casa?!
Como fui capaz de deixar Anastasia tão vulnerável ao ponto de sofrer duas vezes devido à crueldade de Katherine? Como eu pude deixar isso acontecer?
Sou um inútil. Um irresponsável. Um maldito.
~*~
— Dr Flynn?! – digo com aflição ao vê-lo caminhar em nossa direção após mais de uma hora de angústia e espero que seja para dar boas noticias sobre minha Ana. Tenho esperanças.
Carrick e Grace haviam acabado de chegar e estavam em silencio aguardando respostas juntamente com Elliot em um ar de tensão naquela sala de esperas.
— Christian, Anastasia está bem, livre de riscos, porém necessita de cuidados, pois a oxigenação do seu corpo quase findou. A mocinha foi forte e resistiu, mas precisa de repouso redobrado, pois o feto não resistiu, havendo um aborto espontâneo.
— Anastasia estava grávida, doutor?! – exclama Grace em surpresa enquanto Carrick olha para mim como se estivesse me culpando e me responsabilizando por aquilo. E ele estava certo em me reprimir naquele olhar, a culpa foi toda minha.
— Sim, Grace. Anastasia estava com uma gravidez por volta de 12, 13 semanas... Podemos verificar o sexo do feto, era um menino que se formava. A menina é pequena, por isso tivemos de afastar o útero para retirar o feto morto e realizar uma raspagem para não afetar ainda mais a saúde dela. Devido ao intenso esforço que o corpo dela fez para sobreviver, eu a deixarei em coma por um dia para que seu corpo possa se reestruturar. Em dois dias no máximo ela poderá acordar mais disposta.
— Ela poderá voltar a ter filhos, doutor? – Elliot pergunta de forma indelicada, porém era uma pergunta necessária.
— Sim, o seu útero vai se reconstituir e ela poderá engravidar normalmente.
— Não há riscos então, Flynn? – pergunta Carrick interessado na situação de Anastasia.
— Não, Carrick. Ela só precisa de repouso e apoio quando acordar. A gravidez produz hormônios importantes e estes vão sofrer uma queda brusca, fazendo com que ela se sinta profundamente triste e desanimada. E outra questão é que está havendo vistorias nos hospitais, então não poderei manter Anastasia aqui – diz Flynn de forma sincera e objetiva.
— Isso não é problema. Já estava arrumando um quarto pra essa menina lá na mansão. Poderíamos levar alguns equipamentos e montamos lá todo um suporte a ela – diz Carrick tomando o controle da situação e eu apenas deixo, pois estava me sentindo completamente inútil e incapaz.
Quase perdi minha pequena e meu filho acaba de morrer.
E é tudo minha culpa.
Enquanto Carrick e Flynn conversam, Grace olha pra mim de forma preocupada enquanto eu vou me afastando de todos, caminhando até o corredor.
Chegando lá, sento-me ao chão e não consigo evitar e desabo a chorar.
Choro de forma tão sincera que parecia que todo o choro reprimido de todos esses anos saía naquele momento.
Sentia-me incapaz. Um inútil. Um verme.
De repente, sinto um braço apoiar meus ombros e alguém se ajoelha ao meu lado.
Abro os olhos e me deparo com Grace, que me acolhia de forma maternal com sua expressão preocupada e curiosa.
— Pode chorar meu filho. Sei que tu amas a moça... – diz Grace de forma suave, passando-me tranquilidade.
— Eu podia ter evitado tudo isso, Grace! É tudo minha culpa! – digo com raiva de mim mesmo.
— A tentativa exagerada de Carrick de empurrar-te Katherine foi muito doloroso para Anastasia, e sei que foi para tu também. Desde o princípio nunca a entendi muito bem e sempre suspeitei de Katherine, pois via ódio e rancor nela. Agora Anastasia é uma menina de ouro a qual eu tive o prazer de ajudar a criar. É como uma filha para mim e eu também estou sofrendo tanto quanto tu estás. Mas não fique se culpando dessa forma, as coisas acontecem da maneira que tem que acontecer, mas só depende de você o desenrolar dessa história.
Minha mãe era sábia e tinha razão nas palavras que usava. Eu tinha a total consciência de que o meu futuro e o futuro de Anastasia estava em minhas mãos.
— Tu engravidaste a menina, não? – diz Grace, tirando-me de meus pensamentos.
— Sim. Eu e Anastasia nos amamos muito, Grace – digo com total veemência por mais que tinha receio em falar disso com minha mãe já que meu pai foi um completo babaca nesse sentido.
— Não sabes como fico feliz em saber disso, meu filho! Anastasia sempre nutriu um sentimento por ti e eu sabia que tu correspondias, mas a pressão de Carrick e Kavanagh tirou-lhe o foco. Por um lado tu conseguiste o teu emprego dos sonhos e um casamento digno na visão da elite. Mas eu sempre esperei mais de ti, pois criei dois meninos com humildade e respeito ao próximo. Teu irmão continua firme no objetivo, mas você se perdeu. Fico imensamente feliz que tenha caído em si e espero que faça algo produtivo com teu verdadeiro eu. Já és adulto e é dono de sua própria vida. Não a desperdice.
— Obrigado, mãe. Você, Elliot e Anastasia tem muita fé em mim, e eu prometo não decepcioná-los mais – digo com muita certeza e convicto de que era aquilo que eu queria para mim.
— E fique tranquilo, Anastasia está bem e logo estará na mansão. Já que eu, seu pai e Elliot estamos cuidando de tudo aqui, por que não vai atrás de Katherine para acertar suas pendencias? – diz Grace com tranquilidade e um estalo surge em minha cabeça.
— Nossa... Havia até me esquecido de Katherine... – preciso ir atrás dessa vagabunda antes que seja tarde e eu a perca por entre os meus dedos igual Hyde.
~*~
Ao chegar em minha casa, não vejo ninguém e apenas escuto o som do telefone que ecoa por todos os lados.
Vou até o meu escritório e atendo.
— Grey falado.
— Boa tarde, Grupperfüher Grey. Sou seu gerente do Banco Nacional e sua esposa Katherine Kavanagh Grey fez uma retirada em uma grande quantia de dinheiro em seu nome. Estás sabendo disso?
— O que? – Katherine passou completamente dos limites de uma vagabunda maldita! – Eu não autorizei saque algum, porra!
— Como o casamento de vocês foi em comunhão total de bens, ela tem o direito de realizar este saque, senhor.
— Não me interessa! Porra! – grito com muita ira, socando minha mesa.
— Bom, como a quantia foi alta, sua conta está em baixa, sofrendo risco de quebrar suas economias. Como podemos resolver essa questão? – diz aquele bastardo do outro lado da linha.
— Eu quero a papelada detalhada desse maldito saque e aí eu vou resolver. Sem as devidas prestações de contas desse maldito banco comigo, eu não resolvo porra nenhuma! Estou a caminho, é melhor você ter um colete a prova de balas, senhor! – e desligo o telefone com muita raiva.
Porra! Esta mulher quer destruir a minha vida!
E com a quantia que ela retirou, ela pode deve estar extremamente longe.
Vaca maldita.
Morte aos Kavanagh!
~*~
Katherine por pouco não havia me quebrado.
O inquérito de Hyde estava sendo realizado contra ela.
Estava foragida das autoridades.
E eu? Sendo autuado como seu cumplice devido ao esplendoroso saque realizado em minha conta no banco.
Como estou resolvendo? Papeladas de separação estão em decorrência juntamente com os depoimentos testemunhosos de Elliot e Grace.
Como sei que ela não aparecerá à audiência, estou devidamente separado daquela víbora.
Precisei vender minha casa para recompensar o grande rombo que Katherine havia feito em minhas economias.
Depois deste ocorrido, não quero mais saber de banco algum.
Tirei todas as minhas economias de lá e as converti em dólares, pois em breve estarei na França e o dólar é uma moeda universal.
Meu dinheiro está protegido em um cofre bem escondido dentro da parede do meu quarto da Mansão e lá ficará. Utilizarei apenas o necessário.
Estamos em processo de invasão, mas estou usando qualquer desculpa para vir mais cedo para casa para cuidar de minha pequena.
Grace está cuidando muito bem de Anastasia, já que a mesma foi uma grande enfermeira e tem muita experiência.
Elliot e eu estamos ajudando como podemos e quando podemos.
Passo minhas noites ao lado de Anastasia esperando que ela acorde.
Já era para ela ter acordado, mas ela ainda dorme. Tenho medo de perder Anastasia.
Posso ver que ela está fazendo progressos e que seus sinais vitais estão estáveis, mas tenho medo dela estar se esforçando demais, além do que ela deve.
Confesso que tenho chorado diariamente pensando em como eu fui um péssimo pai para o meu filho e péssimo para Anastasia.
Deveria tê-los cuidado com todo meu poder de proteção já que ambos estavam sob minha responsabilidade.
Acho que nunca me perdoarei por isso.
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