Minha Querida Francesa Anastasia

2 Cap 2 - Coisas Que Eu Sei


Notas iniciais
Olá leitoras! Tudo bem? Estou de volta com mais um capítulo! E junto com ele vem a planta da casa do Grey. — os triangulos brancos simbolizam as janelas — os espaços listrados simbolizam as escadas — aquele quadradinho na dispensa simboliza o alçapão e a escada que dão acesso ao porão de Anastasia. Qualquer outra dúvida, me perguntem ok? Esse POV da Ana é no mesmo dia da POV anterior de Christian, porém ocorreu mais cedo. Sem mais delongas, o capítulo: CRIAMOS UM GRUPO NO WHATSAPP PARA FALAR SOBRE A FIC, lá eu tenho liberado alguns SPOILERS e até uns trechinhos do CAPÍTULO antes de liberar! Então venham, é só amor! É só acessar o link que vocês caem direto no grupo: https://chat.whatsapp.com/HsLLhHr0xf7AhbqHM0FCll

POV Anastasia

Acordo e o sol ainda se esconde, privando o dia de nascer e clarear tudo a sua volta. Estou no meio de vários cobertores muito macios e ah... Como eu gosto desses cobertores. Especialmente meu edredom grosso cor de caramelo. Ele era pra ser do quarto de hóspedes mas Christian deu-me de presente assim que nos mudamos. Sei que devo chamá-lo de Senhor, de General... Mas nos meus pensamentos e no fundo do meu coração ele continua sendo o Christian com quem eu brincava quando era mais nova e que cresceu ao meu lado. Sei que ele sabe disso tanto quanto eu sei.

Bom, hora de ir para a realidade...

Ponho-me de pé e pego o meu roupão pendurado na cabeceira de ferro esmaltado branco da minha cama e vou em direção à escada do outro lado do porão que dá acesso ao andar térreo da casa do casal recém casado Grey.

Enquanto subo as escadas, penso o quanto não gosto dessa situação: não acredito que Katherine seja boa para Christian. Desde que éramos pequenos e ela descobriu que era filha da empregada dos Grey's, me trata como se eu fosse um nada. E agora está pior com minha vinda pra cá. Mas Christian me protege de tudo, e ela sabe que não pode passar por cima dele.

Ao chegar no andar térreo e atravessar o alçapão que já acesso à escada, estou na dispensa da casa e, no fim da mesma, existe um banheiro. Quer dizer, o meu banheiro privativo. Aqui é um tanto frio, pois a calefação do meu porão e da casa não chega até aqui, já que a temperatura da dispensa precisa manter-se ambiente ou abaixo. Devido a isso e ao frio que anda fazendo por aqui, Christian determinou que eu utilizasse o banheiro do quarto de hóspedes para tomar banhos quentes. Claro que Katherine não gostou nada disso, mas eu só penso no quão agradecida estou por não precisar banhar-me ao frio.

Apanho em meus braços minha toalha de banho e meu sabonete e ponho-me a caminhar pelo corredor da dispensa ao som do meu chinelo de pano no chão. Ao fim do corredor da dispensa, tem a porta que dá acesso à cozinha da casa. A cozinha é revestida de azulejos claros com os armários escuros e os eletrodomésticos esmaltados em branco. Os armários são largos e fazem um L, ocupando uma parede e meia. No meio de uma das paredes, tem uma pia em frente a uma janela que dá vista para o lado de trás da casa. À minha direita há o acesso a ampla sala de jantar com uma enorme mesa retangular que comporta confortavelmente 14 pessoas e uma enorme cristaleira de madeira escura. À minha direita eu tenho acesso a sala de estar, ao lavabo, ao escritório e a escada, na qual eu subo degrau por degrau de forma que eu não acorde ninguém.

No andar de cima a primeira porta que eu tenho acesso é do quarto de Christian e de Katherine além do corredor que então me leva ao quarto de hóspedes. A única luz que recebo desse corredor vem da janela da escada. Particularmente eu acho o corredor do andar de cima extremamente escuro.

Já no quarto de hóspedes, a porta do banheiro é logo em frente. Entro na mesma sem pestanejar e corro para me livrar da minha camisola branca enorme, da ceroula e das meias que usei para dormir nessa noite tão fria. A diferença de temperatura daqui de dentro para o meu banheiro é absurda! Aqui está muito quentinho devido a boa calefação da casa. Fico feliz por Christian permitir que eu tome banho aqui. Ele realmente cuida de mim.

Após meu banho, já estou com o meu roupão e chinelos pronta para ir ao meu quarto arrumar-me. Com minhas roupas, toalha e sabonete em mãos, me direciono a porta do quarto.

— WOW! Er... Bom dia, senhor! – Dei de cara com Christian, que estava saindo de seu quarto já com seu uniforme de gala cheirando ao seu perfume amadeirado.

— Já falei pra me chamar de Christian, Ana... E bom dia! – Ele me olha de cima a baixo. Meus cabelos por pentear, meu roupão desajeitado e minhas mãos repletas de coisas.

— Eu vou correndo preparar seu café! Desculpe, eu demorei muito no banho! – Fico corada imediatamente. Não era minha intenção demorar tanto tempo assim.

— Fique calma, eu acordei mais cedo. Tenho que analisar alguns documentos antes de ir para a SS. Deixe-me ajuda-la, você está muito desengonçada – Diz ele com humor na voz já se direcionando para tomar em suas mãos minha camisola, ceroula e a toalha, deixando-me apenas com meu sabonete em mãos.

— Er... Obrigada – Digo totalmente sem graça aceitando sua ajuda. – Vai querer algo em especial para o café hoje? – Pergunto para distrair enquanto descemos as escadas.

Ele hesita por um momento enquanto eu desço a escada na sua frente.

— O de sempre, Ana. Só peço que traga o meu café antes. – Ele diz como se estivesse se recompondo. Deve estar cansado...

— Forte como sempre?

— E sem leite – diz ele quando terminamos de descer, ele me entrega gentilmente as coisas que me ajudou a carregar e seus passos longos vão direto para seu escritório à esquerda.

— Tudo bem – digo enquanto sigo para a direita em direção a cozinha com muita pressa.

No mesmo instante que chego na cozinha, pego a chaleira, encho-a de água e coloco para esquentar no enorme fogão esmaltado. Vou em direção à dispensa e desço as escadas para o porão quase que correndo.

Estendo minha toalha e guardo meu sabonete. Tiro meu roupão e já sinto a diferença de temperatura. Pouco me importa já que tenho que correr.

Coloco minhas roupas de baixo, minha sobre pele e meu vestido verde de veludo comprido. Me aposso de meus sapatos pretos de camurça e sinto que esqueci algo...

Ah sim, prender meu cabelo! Katherine era insuportavelmente chata com o risco de cair cabelos meus na comida e coisas assim. Mas pelo menos ela ainda permite que eu cozinhe e limpe sem luvas, o que já é alguma coisa.

Faço uma trança um tanto desajeitada e enrolo-a em um coque prendendo com grampos.

Vejo-me no espelho do meu quarto e penso com desânimo: não dá pra ficar melhor do que isso...

Corro para o andar de cima, fechando a porta do alçapão, atravesso a dispensa e chego na cozinha. Com a água já fervendo, preparo tudo para passar o café de Christian. Mais pó do que água, ele gosta do café escuro e forte. Algumas vezes ele pede com leite, mas a maioria das vezes é o café puro e sem açúcar.

Arrumo sua xícara de café e vou caminhando até o escritório para entregar a ele. Assim que chego, vejo-o sentado em sua mesa com um enorme mapa bem na sua frente e acho o desenho muito interessante. Não consigo não olhar e vou me aproximando cada vez mais para entender do que se trata.

Há no mapa toda a Europa e um pedaço da Rússia, e há marcas de alfinetes e rabiscos em alguns países. Há um contorno em vermelho em volta da Alemanha, da Áustria e da Tchecoslováquia e um traço com a mesma cor direcionando para a Polônia. Há um traço do mesmo gênero direcionado para a França. Enquanto eu vejo o mapa de forma intrusa, Christian está ao telefone e o ouço dizer algo sobre franceses malditos, que eles eram culpados e que eles iriam pagar em breve.

— Anastasia?! – diz Christian num susto quando vê que eu estou ali assim que desliga o telefone.

Dou um pulo, mas por sorte não derrubo nada do seu café, equilibrando-o sob o pires da xícara.

— Me desculpa entrar assim, não queria incomodar... Café? – E estendo para ele.

Christian fecha o grande mapa, liberando sua mesa e dando espaço para a xícara. Deixo-a delicadamente em cima de sua mesa e peço licença para voltar aos meus afazeres.

— Há quanto tempo você estrou, Ana? – pergunta Christian me olhando de um jeito um tanto quanto intenso.

— Agora neste instante, senhor – digo passando-lhe credibilidade, mas o que ele disse sobre o meu país não me agradou, e, aliás, me deixou extremamente apreensiva.

— Já disse pra parar com essa merda de senhor... – e bebe o primeiro grande gole do seu café forte sem nenhum adoçante.

— Me perdoa... Eu vou voltar pra cozinha, Christian... – e vou apertando o passo no meu caminho para fora do escritório.

Christian me esconde muitas coisas do que se passam lá fora, mas mal sabe ele que Elliot me conta muitas coisas. Não me agrada o fato de Christian fazer-me de inocente e pobrezinha. Já estou com idade suficiente para entender todos aqueles traços em mapas, todas as suas conversas por telefone e sei muito bem o que está se passando.

E a minha opinião?

Não gosto nem um pouco desse governo totalitarista que está fazendo muitas pessoas sofrerem.

FLASHBACK ON

Parados em frente a uma das melhores confeitarias da cidade agora completamente devastada com as janelas quebradas, xingamentos pixados na vitrine juntamente com uma estrela de Davi.

— O que houve com os Bäkerstein? – digo de forma aterrorizada com a situação do prédio daquela simpática família.

— Você não soube? Os amiguinhos do Christian tomaram o patrimônio deles e como não houve desocupação pacífica, houve uma chacina bem aqui onde estamos pisando... – diz Elliot ao meu lado pensativo e com indignação na voz.

— Mataram todos? – digo com um nó na garganta.

— Todos, Ana... Nem o Billy escapou...

— Pobrezinho... – Billy era o filho mais novo dos Bäkerstein. Um menino muito simpático que adorava ajudar os pais na entrega dos pães e das tortas. – E isso tudo a troco de que, Elliot? – questiono-o.

— Tudo porque nosso Fuher cismou que os judeus são uma ameaça, uma raça inferior que deve ser extinta e que são culpados do declínio econômico interno do nosso país. Não só os judeus, mas idosos, homossexuais e qualquer merda que não seja ariana. – diz Elliot olhando para mim com indignação nos olhos. Ele coloca a mão nas minhas costas e me empurra, fazendo com que eu caminhe. – Não podemos dar bobeira aqui, mesmo que eu esteja de farda... E te digo, ela pesa muito e não me faz feliz vesti-la.

— Eu também não sou feliz sabendo que vocês estão envolvidos com assassinos preconceituosos comandados por um completo maluco...

— Eles estão tomando territórios, Ana. Logo vão invadir a França só pra ter o gosto da vingança pela Grande Guerra. E é por isso que Christian te esconde. Se souberem que você é francesa por mais que tenha nascido aqui, você vai acabar como a família Bäkerstein.

— Obrigada por me contar as coisas Elliot. Prometo que guardarei tudo para mim.

E vamos caminhando juntos até uma confeitaria ariana mais próxima.

FLASHBACK OFF

Não gosto de pensar que Christian está metido nessa sujeira toda e que ele se vangloria de seu posto e do que faz. E principalmente: pela causa que ele luta.

Carrego um sentimento muito lindo por ele dentro de mim. Não posso evitar sentir esse apreço e afeto por ele que carrego desde a infância. Mas amá-lo, não me impede de odiar o que ele faz.

Oh, Christian...

Quando vai abrir os olhos e entender que quando luta contra eles, luta contra mim também?

Quando vai entender que quando mata essa gente, é como se estivesse me matando também?

Quando vai entender que não sou uma criança, que sei tudo o que está se passando e vai parar de me magoar tanto com tudo isso?

Quando?

Notas finais
E então? O que acharam? Christian subestima os conhecimentos de Anastasia. Graças a Elliot, ela sabe tudo o que está acontecendo. E além do mais, isso tudo a machuca. O que vocês acham que vai acontecer quando Christian descobrir que Ana sabe de toda a verdade? A pedidos, postarei o próximo capítulo se houver: 1 Recomendação 15 comentários E então, indiquem para seus amigos, favoritem, comentem e recomendem ;)