Minha Querida Francesa Anastasia
17 Cap 17 - O Fim e o Começo de uma Estação
Notas iniciais
POV ANASTASIA
A neve não cai mais e as flores voltaram a crescer e desabrocharam livremente pelos vales e campos.
Semanas a fio correm pelos dedos depois de tudo o que aconteceu e a dor no meu peito aumenta a cada instante.
A barriga de Katherine cresce a cada dia e seus sintomas de grávida vão aparecendo: enjoos, tonturas, fraquezas e instabilidade emocional.
Tenho que dizer que depois daquele dia terrível, Katherine mostrou-se outra pessoa comigo. Trata-me com respeito e nunca mais tentou ofender-me novamente. Por um lado isso é bom.
Mas a parte que me dói é justamente o meu afastamento de Christian. Passamos alguns dias sem nos falar e então ele foi para a Rússia juntamente com o Füher para acertar um tratado e logo em seguida foi mandado para a Polônia.
A única coisa que faço todos os dias além de meus afazeres é pedir a Deus que Christian tenha pelo menos levado algo do que disse em consideração. Em sinal de humanidade ele chamou um médico para Katherine naquele dia. Depois isolou-se em seu escritório e de lá só saia para comer, dormir e ir trabalhar.
Lembro-me como se fosse ontem quando disse a Christian do meu medo em relacionar-me com ele e sua resposta mais do que tranquilizadora e confiante foi de que se ele me magoasse não seria de propósito.
Mas o que está parecendo é que é uma escolha sua de não falar comigo e isolar-se do mundo.
As paredes de meu quarto estão cada vez mais repletas de pinturas. Eu as tinha parado já que estava me dedicando exclusivamente a Christian e aos nossos dias no paraíso de nossos sentimentos. Nos dias mais felizes da minha vida.
Elliot ficou em seu posto na SS em Berlim e não viajou. Ele vem me ver todos os dias e averiguar se está tudo bem e se preciso de algo e chega até a dormir aqui algumas vezes. Tivemos uma conversa logo assim que Christian viajou e resolvemos nossas pendências voltando à nossa amizade de sempre. Além do mais preciso dele, pois venho tendo fraquezas e desmaios, o que Elliot pensa ser devido ao meu emocional fragilizado.
FLASHBACK ON
— Anastasia, eu sei que não devia ter contado a Christian, mas você não imagina o tamanho do ódio que eu estava sentindo! Não imaginas como me senti! Eu precisava ajudar-te! O que fiz foi para proteger-te! Mas vejo que estraguei tudo não é? Essa situação toda é culpa minha... – diz Elliot em tom de desabafo e com extremo pesar.
— Tu me magoaste, me traíste... Sabes disso não sabes? – digo olhando para o meu amigo com muita tristeza dentro do meu coração.
— Eu sei Ana, eu fui um repleto idiota, sabes? Devia ter te respeitado. Espero que possa perdoar-me um dia. Gosto demais de ti, sabes disso... – diz Elliot com olhos cheios de pesar e desespero.
— Fique calmo Elliot. Já aconteceu o que inevitavelmente um dia aconteceria. Agora temos que olhar pra frente e continuar nossas vidas da melhor forma que podemos. E eu te perdoo, eu te adoro – digo com um meio sorriso nos lábios para acalmar meu amigo que estava se esforçando demais para ter meu perdão de forma sincera – Além do mais, quem foi que abriu meus olhos para o mundo que estamos enfrentando? Quem me ensinou tudo o que preciso saber? Quem sempre me incentivou a ter pensamento crítico? – digo com um sorriso ainda maior nos lábios dando um leve soquinho no ombro de Elliot.
— Hum... Fui eu! – diz Elliot com um sorriso tranquilo e alegre nos lábios. Do jeito que eu costumava vê-lo, sempre sorridente.
Já me aproximava de meu amigo dando-lhe um abraço muito apertado, apoiando minha cabeça em seu peito que me acolhia de pronto enquanto seus braços me envolviam seguramente.
— E por mais que a megera lá em cima tenha mudado de atitude contigo e esteja mais educada, eu ainda acho que você é a verdadeira Sra Grey – diz Elliot dando-me uma piscadela.
Assim que Elliot diz aquilo, minha cabeça vai direto à Christian e na falta que eu sentia dele. Minha cabeça começa a tontear e seguro firme em Elliot para não ir ao chão. Ele percebe e segura-me com ainda mais firmeza em seus braços, olhando-me assustado.
— Você está bem, Aninha? Pareceu que iria cair.
— Ah sim, só uma leve fraqueza, mas está tudo bem – e sorrio seguramente para Elliot que me solta para que eu volte para meus afazeres.
Estava preparando o chá da tarde de Katherine já que estava cuidando de sua alimentação devido à gravidez, e por isso seguia à risca a dieta que o médico prescreveu para ela.
— Tens alguma notícia de Christian? – pergunto apreensiva enquanto preparava o chá.
— Ele, outros oficiais e Hitler assinaram o Pacto de Não Agressão com o Stalin há pouco e já foi mandado para a divisa com a Polônia para dar início à invasão – diz Elliot com um tom de voz extremamente preocupada enquanto apanha um brioche fresco que eu havia feito e o come.
— E... Já receberam outro aviso da França? Da Inglaterra? – pergunto já bem nervosa, sentindo meu corpo esfriar por completo em um arrepio frio que percorria minha espinha. Eu sabia da situação do continente. Elliot me contava completamente tudo. Eu havia ficado sabendo das ameaças desses países durante a invasão da Áustria e da Tchecoslováquia. A Polônia podia ser apenas o estopim de uma nova grande guerra. E tanto Christian quanto Elliot estarão nela. E meu coração não se aguenta em nervosismo só de pensar nisso.
— A França já tinha nos enviado um adendo de que se colocássemos um pé na Polônia seria guerra. Mas acho que é o que Hitler quer: foder ainda mais a Alemanha... Aquele mal comido... – diz Elliot cuspindo o nome do Fuher enquanto dá outra mordida no brioche.
Sinto meu corpo perder o tônus gradativamente e minha cabeça amortece completamente. Meus olhos se fecham e a última coisa que sinto é a lateral direita do meu corpo colidindo com o chão.
~*~
— Será que ela tá bem? – ouço de longe uma voz feminina.
— Seus sinais vitais estão estáveis, creio que seja uma caída brusca de pressão – ouço a voz familiar de Elliot um tanto distante, mas se aproximava gradativamente.
— Elliot, eu estou grávida e é de risco, então eu não posso ficar nervosa! – a mesma voz feminina fala, e então reconheço ser de Katherine.
— Fique calma mulher! Ela vai acordar... – diz Elliot enquanto sinto sua mão em minha cabeça onde ele umedece panos e coloca em minha testa.
Meus olhos vão se abrindo gradativamente e logo os cerro devido a claridade que vem da janela da sala de estar.
Me encontro deitada no sofá e vejo Elliot agachado ao meu lado enquanto Katherine estava em pé ao lado do sofá olhando-me de forma aliviada.
— Oh, graças a Deus! – suspira Katherine. Nunca em minha vida eu poderia imaginar uma cena dessas acontecendo em minha frente.
— Oi baixinha... Você desmaiou... O que houve? Sentiu-se nervosa? – pergunta Elliot preocupado enquanto deslizava o pano úmido pelo meu rosto.
— Eu não sei... Eu só me senti mal e então eu não me lembro de mais nada... – digo com aparente confusão.
— Vou pegar água pra você – diz Katherine andando depressa para a cozinha.
Elliot se ensaia para levantar e ir atrás dela, mas eu seguro seu braço e o olho um tanto séria.
— Ela pode envenenar sua água! – sussurra Elliot um tanto preocupado e irritado por eu ter segurado seu braço.
— Dê uma chance a ela! Não vê que está me tratando bem? – digo sussurrando baixinho.
— Que seja... Mas daqui eu não saio entendeu? Vou te vigiar sempre! – diz Elliot sério e decidido.
— Tudo bem, muito obrigada por se preocupar – digo com um leve sorriso no rosto.
Sem demora, Katherine aparece com um copo de água em suas mãos andando até mim um tanto preocupada e apressada, entregando-me o copo de água.
Elliot pega antes das mãos de Katherine e cheira o copo e bebe um pequeno gole antes, como se estivesse verificando se a água tinha algo de diferente.
Katherine percebe o que estava fazendo e suspira de forma um pouco triste enquanto eu olho séria para Elliot, pegando o copo de sua mão.
— Muito obrigada, Katherine – e sento no sofá para beber a água. Assim que termino eu olho para ambos com pesar – Desculpe-me pelo chá...
— Mas o chá está pronto, é só esquentar, tá tudo bem – diz Elliot com tranquilidade.
— Ah sim... Menos mal... – digo enquanto sinto meu corpo extremamente pesado que já deitava novamente.
— Tire o dia pra repousar, Anastasia. Vejo que não está bem. Eu peço para o meu pai trazer um jantar para nós – diz Katherine com tranquilidade enquanto anda para a cozinha para tomar seu chá.
Assim que ela se afasta eu olho para Elliot que fica um tanto chocado com as mudanças de Katherine.
— Como pode ser ela a mesma pessoa amarga de antes? – questiona Elliot um tanto confuso.
— Me pergunto isso também, mas eu fico muito feliz por tudo estar caminhando tranquilamente bem. Deve ser por causa da gravidez... – e solto um riso baixinho ao dizer isso. Não posso dizer que não estava animada para a chegada do pequenino. Estava até ajudando nos preparativos para transformar a sala do andar de cima em um belo quartinho para a criança que vai nascer.
— Deve ser... – diz Elliot com um tom de desconfiança, mas logo volta o foco para mim – Mas que desmaio foi esse hein? Estou preocupado.
— Não foi nada Elliot, já está tudo bem – insisto.
— Se isso acontecer de novo, vamos chamar um médico ok? – diz Elliot com preocupação nos olhos
FLASHBACK OFF
Desde então eu desmaiei outras duas vezes, mas insisti que Elliot não chamasse um médico já que eu creio que não seja nada demais, apenas um nervosismo bobo devido a tudo que está acontecendo.
Hoje é o dia de averiguar os artefatos do hall, ver se tem algo lá para lavar ou se está tudo em seus conformes.
Verifico o cheiro dos casacos e até então estão todos em perfeito estado, mas há dois sobretudos de Christian que ficaram estendidos aqui por um razoável período de tempo e estes precisam ser lavados.
Apanho dois destes e vou até a lavanderia.
No caminho até lá eu verifico os bolsos para não molhar nada que não devo.
Verifico o primeiro sobretudo: há algumas moedas e só.
Verifico o segundo sobretudo: há um pente de cabelo e no outro uma carta.
O papel esta levemente amassado porém dobrado, mas através do papel eu consigo ver uma letra familiar.
Não... Não é qualquer letra...
É a letra da minha mãe!
Não consigo evitar em abrir! Meu coração começa a disparar e se enche de alívio por saber que ela mandou notícias e que está bem!
Começo a ler atentamente cada palavra:
“Salut mon petit garçon
Você sabe quem está escrevendo essa carta e sei que sabe como me encontrar.
Gostaria de dizer que eu estou bem e que cheguei a salvo na França, mas não ficarei aqui por muito tempo. Preciso que traga Anastasia até mim, pois consegui um navio daqui três semanas para levar-nos para os Estados Unidos.
Junto com Anastasia, preciso que ela traga o que é dela de direito. Seu pai vai saber do que estou falando.
Peço com urgência que a traga, sei da situação que está prestes a eclodir em todo o nosso continente.
Merci.
K.S”
Meu coração continua batendo forte e extremamente disparado.
Uma mistura de sentimentos assolam meu coração e minha cabeça.
Minha mãe está bem e salva, isso me trás tranquilidade, pois estava aflita há meses com seu sumiço.
Ela quer que Christian me leve até ela para fugirmos e irmos para a América. Ela quer me separar de todos. Dos Grey, de Elliot e de Christian... Isso me causa uma aflição muito grande. O que vai ser de mim longe de Christian? Se quando ele viaja eu tenho até desmaios, imagina nunca mais vê-lo?!
E Christian escondeu isso de mim. Não foi totalmente sincero comigo. Sinto-me traída, pois é algo muito importante e refere-se a mim! Ao meu destino!
O que ele pretende escondendo isso de mim?
Pretende tirar o meu poder de escolha?
De decisão do que quero ou não para mim?
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