Minha Querida Alexandra
6 Eu Não Abandonarei Você - Parte 1
A Cidadela se tornou nosso novo lar, não era como uma bolha, nem como as cidades que eu já havia visitado, não era só uma cidade... ela era A CIDADE, com tudo o que se poderia imaginar em um conto de fadas. Quando digo isso, quero dizer literalmente, como ver um dragão dormindo na sombra de uma árvore cujas folhas eram feitas de ouro, carruagens que voavam com a ajuda de cavalos alados e flores e rosas gigantes como prédios, onde seres viviam dentro como seres humanos vivem em quitinetes. Ninguém se importava com que dia da semana era, pois os únicos relógios e calendários que existiam lá eram astronômicos, checados pelo menos uma ou duas vezes no ano. Mas infelizmente eu precisei me acostumar com a ideia de que aqueles eram tempos de guerra entre “Os Grandes”. Seres fundadores e incrivelmente antigos, que lutavam uns contra os outros constantemente ou se uniam para tentar dominar universos ou até mesmo se alimentar da vitalidade de um mais forte. Aeron se uniu a um velho amigo chamado Érebo, cuja falta de humor e a tendência depressiva me fazia questionar o porquê desse dois serem tão bons amigos. Eles pretendiam juntos defender os limites da Cidadela e o povo, uma vez que eram os mais velhos e os responsáveis por eles. Eu acabei me entregando ao crescente sentimento que havia desenvolvido por Aeron, mas mesmo com ele estando ausente por muitos dias e até meses humanos eu não me sentia só, pois possuía dois companheiros de longa data e por 24 horas por dia. Nossos gêmeos: Eos e Hélio.
–Mamãe! A Eos pegou a última maçã dourada! – Hélio tinha uma espécie de competição com Eos, poderiam competir por tudo, até mesmo para ver quem conseguiria bater a cabeça contra a parede mais vezes antes de desmaiar.
–Seja um cavalheiro, um dia talvez precise aprender a conquistar uma garota. Sua irmã vai estar lá para te ajudar.
–Mais que nojo, por que eu ia precisar fazer isso?!
Eu estava deitada no divã que ficava na varanda de meu quarto. Olhei sonolenta para Hélio que esperava minha resposta com seu rostinho completamente vermelho de raiva, ambos os gêmeos tinham cabelos castanhos, cheios de cachos e olhos dourados como os de Aeron.
–Não fique tão apreensivo... vamos ter essa conversa de novo daqui a 10 anos e ai eu te respondo melhor. Quem sabe menos, afinal você é o filho do seu pai.
–Okay... mas eu ainda quero minha maçã.
–Hélio.
Ele bufou e correu para fora do quarto. Coitadinho, deve ser muito difícil ser o irmão mais novo, mesmo que apenas 1 minuto e meio mais novo.
Eu estava exausta, após a anunciação de nosso noivado e depois de nosso casamento, eu era obrigada a participar de reuniões cujos assuntos eu mal entendia, mas que com o tempo fui me acostumando. Digamos que antes eu amava sereias, até ter de lidar com a princesa delas, que me olhava como se eu fosse uma barata tonta no chão. Eu não sabia se ele tinha nojo de mim, ou apenas tinha prazer em rir de mim, mas pelo menos não era eu que empestava a sala com cheiro de sardinha podre.
Fechei meus olhos e respirei fundo, o ar daquela cidade não era normal, ele poderia ter qualquer cheiro, até mesmo seu cheiro favorito. Eu agradecia as ninfas por aquilo, pois elas eram responsáveis pelo bem estar da cidade e quando digo isso, quero dizer a cidade por completa. Cada pedacinho de grama, cada pedra e ser. Acredito que no mundo humano elas seriam como a perfeita mistura da profissão do zelador e do médico ao mesmo tempo.
Foi então que senti algo tocar minha perna.
–Madame... estou de volta.
Eu abri meus olhos e me deparei com Aeron coberto de cinzas e com uma enorme cicatriz que cruzava seu nariz de uma bochecha a outra.
–O que diabos foi isso?! – Eu acariciei seu rosto com as costas de minha mão.
Ele foi rapidamente até meu pescoço e começou a cobri-lo de beijos. Seus braços ficaram envolta de mim e mesmo que eu tentasse empurra-lo ele não cederia tão fácil.
–Como senti falta de você...!
–Não! Você está imundo! – Seus beijos estavam me dando cócegas. – Que fome é essa?!
–Ah, minha querida, como espera que eu chegue pacífico se você sabe que mesmo tentando muito... mas muito mesmo... não consigo ser infiel a você!
Ele deslizou sua mão de minha coxa até meu sexo. Eu quase chiei de susto, mas tampei minha boca antes. Virei rapidamente meus olhos para a porta do quarto, ela estava fechada, então estiquei minhas mãos até as cortinas e as fechei.
–Você é completo imbecil! Tem duas crianças nessa casa! – Eu já não sabia mais se estava sussurrando ou gritando baixo.
–Por favor, Alexandra...
Ele levantava meu vestido aos poucos, me acariciando cada vez mais, ele jogava sujo, sempre jogou sujo comigo. Como ele esperava receber um não? Eu já podia sentir minhas pernas tremerem, toda a minha luta para evitar ficar próxima dele havia sido destruída há muito tempo... Eu segurei as pontas de meu vestido e o tirei.
–... Pare de enrolar e acabe logo com isso... não é como se eu também não sentisse sua falta...
Ele abriu sua calça e se deitou sobre mim, mesmo que o divã fosse pequeno demais, não parecíamos ligar muito para aquilo naquele momento. Eu também com certeza não fui feita para o tamanho de Aeron, um pouco antes do nascimento dos gêmeos eu tive medo de ter nossa primeira vez... pois ele era mais “bem dotado” do que eu esperava, também podia ser um pouco bruto as vezes... mas acredito que com um tempo acabei gostado desta característica.
–Ah... ! Aeron, avise antes de empurrar meu útero para trás!
–Me perdoe...
Nós estávamos em nosso ritmo constante, mas então ele começou a desacelerar. Eu gemi em protesto, pois estava achando tudo tão bom... Abri meus olhos e percebi que ele estava encarando meu busto.
–Você está... meio que encarando meus peitos de um jeito estranho...
–É que... são lindos.
–O que? Eles são minúsculos!
–Não me importo com o tamanho na verdade... mas a cor... – Ele aproximou seu dedo de meu mamilo. – Parece um caramelo francês...
–P-Pare de fazer esse tipo de comentário!
–Papai! – Eos abriu a porta do quarto e voou com suas pequenas asinhas que eram iguais as de Aeron.
Ele se lançou em alta velocidade no pescoço de seu pai, jogando-o no chão. Para nossa sorte o encosto do divã não permitiu que ela visse alguma coisa.
–Eos...! Feche os olhos! –Ele gritou.
–É uma surpresa?! – Disse ela com suas duas mãozinhas cobrindo seu rosto bronzeado.
–S-Sim! Agora vai na direção da porta, fecha ela com os olhos fechados e bate 22 vezes bem devagar.
–Por que 22 vezes?
–Porque da sorte, agora vai.
Eos caminhou até a porta enquanto eu apenas a olhava com a boca completamente aberta e pronta para gritar. Ao fechar a porta e bater pela primeira vez, Aeron olhou para mim rapidamente.
–Machucou você?
–Ainda bem que não... rápido, me dê meu vestido!
Ele jogou o vestido que estava completamente amassado no chão e nós nos arrumamos na velocidade de 22 batidas em uma porta, algo que não tem muita ciência de tempo.
–Onde eu coloquei... – Aeron procurava por alguma coisa.
–O que houve?
–O presente de Eos... O de Hélio eu já entreguei.
–Ah, então de fato existe uma surpresa... e a minha onde está?
–Eos acabou de estragar metade dela... Achei!
Era uma sacola velha e surrada.
–Vai dar isso ai pra Eos?
Ele desfez o nó da sacola que parecia até mesmo feita de palha. Foi na hora exata que Eos entrou correndo pelo quarto e abraçou suas pernas como um carrapato.
–Olhe, minha princesa. – Ele retirou uma linda flor azul que estranhamente saia de dentro de uma ostra.
Eos estava encantada, ela tinha medo de toca-la, mas ele segurou sua mão e passou seu dedo sobre uma das pétalas. A flor se recolheu para dentro da ostra que se fecho rapidamente.
–O que é isso?
–É uma náiade. Esta vive dentro d’água e agora é só sua.
–Eu preciso de um aquário!
Ela agarrou a ostra e bateu suas pequenas asas com força o suficiente para gerar velocidade semelhante a de uma cheeta. Eu e Aeron ficamos em silêncio olhando para a porta até que seu olhar se desviou para o meu.
–Acho que essa porta precisa de uma tranca.
–Minha calcinha precisa de uma tranca!
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