Notas iniciais
Ainda estão por aqui? Eu fiquei muito feliz com o retorno de vocês, nossa fanfic teve quase 3 mil visualizações até agora, sendo que a maior porcentagem foi nesse último capítulo, 112 leitoras lindas, mesmo que todas não comentaram, continuo extremamente feliz. Repararam que mudei a sinopse? Ficou boa? Vamos ler como Bella sentiu-se nos últimos momentos de nosso Edward? Boa leitura.

BELLA

— Já disse que não vou, mãe — ralhei com Reneé pela vigésima vez naquela tarde. A "sessão de ida" de Edward estava marcada para as 17h desse dia, e Reneé tentava á qualquer custo me convencer ir vê-lo uma última vez. — Ele escolheu me deixar, portanto não tenho porquê vê-lo.

— Bella, ele não escolheu deixá-la, você já sabe todos os motivos dele — Reneé levantou do sofá, me encarando. — Se você realmente o ama, vá lá imediatamente!

— Isso não é justo, mãe! — chorei, caindo de joelhos no chão. A dor que se apossou de mim era a mais dolorida que puderem imaginar, eu tinha levado uma surra e ficado de molho no sal grosso, levei uma bala nas têmporas, tive meu coração arrancado do peito e esmagado, multiplique isso pela maior dor que já sentiram e ainda assim não conseguiram entender a dimensão da minha. — Não é justo comigo, com ele, conosco. Eu o amo mais do que tudo e ele vai embora para sempre!

Reneé correu para em amparar, sentou-se ao meu lado. Ouvi seu choro, ela estava tão triste quanto eu, me abraçou de lado me afagando como só uma mãe sabe fazer. E eu me permiti chorar, chorar até as lágrimas que não tinha mais. A voz doce dela ecoou em meu ouvido: — Eu sei meu amor, mas deve ficar ao lado dele, custe o que custar.

Sim, eu devo.

* * *


Eu não sei bem o que esperava de um local assim. Mas era estranhamente normal, parecia mesmo uma clínica médica, mas não havia pacientes esperando atendimentos, nem parentes chorando pelos cantos. Reneé me tocou nas costas e eu saí do transe, agora pude enxergar Esme, Carlisle e Alice me encarando. Ordenei as minhas pernas a se mexerem, foi tudo automático.

Quando cheguei perto o suficiente, senti os braços dos três me envolverem num imenso abraço. Me surpreendi ouvindo Esme dizendo "Venha cá, Reneé" e a puxou, fazendo-a a se juntar ao nosso abraço grupal. Nem preciso mencionar que chorei mais, né?

— Filha, pode vê-lo agora, ele está esperando por você — Carlisle me disse num tom baixo, quando nos separamos. Afaguei seu rosto ternamente, e ele pegou minha mão. Carlisle estava destruído.

— Eu amo você, tio. Você sempre foi um ótimo pai e seria um ótimo avô — murmurei, não segurando minhas lágrimas e me atirando em seus braços. Ele me abraçou forte e ouvi seus soluços que estavam presos.

— Sei que fez o que pôde, meu bem. Obrigado por tê-lo feito tão feliz — Carlisle me agradeceu, enxugando minhas lágrimas. Esme me olhou chorosa, rolei os olhos e a puxei num abraço.

— Não, infelizmente não estou grávida — respondi sua pergunta muda e ela riu um pouco. Alice se fez presente em sua vez e me agarrou forte, a apertei. Ela quem me mostrou o contrato da Destiny poucos dias atrás, devo isso á ela. — Estaremos sempre juntas, elfo — murmurei, ela piscou pra mim e se afastou.

Depois de abraços e lágrimas, Carlisle apontou para a primeira porta do corredor, assenti e caminhei até lá. Não bati na porta, entrei. O quarto era claro e arejado, totalmente o oposto de minha sórdida imaginação. Achei que haveria um cara de ar psicopata com uma seringa contendo um líquido negro pronto para enfiá-la no peito de Edward assim que o visse. Na verdade isso foi um sonho que tive recentemente. O piso era de ladrilho branco, com tapetes, e havia um sofá no fundo encostado na parede.

Edward grudou os olhos nos meus e, apesar dos meus temores, me senti subitamente contente por ter ido. Contente não, aliviada até feliz. Estranhamente a dor ficou menos dolorida. Ele então sorriu. Um sorriso adorável, cheio de amor.

— Seu... — comecei, e minha voz embargou pelo choro. O estado em que meu amor se encontrava era lamentável. Edward sorriu torto, ele ainda conseguia ser lindo mesmo nas últimas, maldito filho da puta, maldito homem da minha vida. Sorri de volta, com os olhos lacrimejando, sentei-me ao seu lado na maca, e peguei suas mãos. — Tudo bem?

— B-Bella... Amor... — a voz de Edward saiu ainda mais rouca e fraca, ele tentou se endireitar e seu corpo cedeu. — E-eu...

— Não se esforce, Edward. Eu amo você, saiba disso e sei que vamos ser felizes. — murmurei, encostando os lábios na orelha dele. Beijei todo o rosto ternamente, antes de lhe selar os lábios.

— Sabe que não, minha linda. — ele respirou fundo e discordou, me encarando. — Eu fui e sou feliz com você, mas sabemos que não iremos... O futuro...

— Agora que descobriu as delícias do sexo com amor, vai abrir mão disto? Vai me deixar na mão, literalmente? — brinquei, tentando dissipar a tensão que estava saindo do meu peito. Estava prestes a gritar feito louca. Ele riu, seu riso era acalentador.

Segurando-o perto de mim, debrucei-me por sobre ele e coloquei um gordo travesseiro branco atrás de seus ombros antes de apoiá-lo novamente sobre sua suave maciez.

O mundo ao nosso redor pareceu encolher, até que ele fosse somente o som de nossas respirações, e nossos corações. Eu tinha tanto a lhe dizer. Tanto á viver com ele, mas ele estava atirando tudo pela janela.

Fiquei deitada imóvel, ouvindo a respiração dele lenta e profunda, senti seus dedos frios entrelaçados nos meus. Ali, Edward e eu estávamos seguros, trancados no nosso pequeno paraíso particular.

Toda vez que eu lembrava que aquela seria a última vez que veria seus olhos verdes atentos, seu sorriso arrasador, sentiria sua mão sobre a minha, ouviria seu coração, diria que lhe amava e sorriria feliz ao ver que ele amava quando eu dizia isso, a grande garra do medo prendia meu estômago e começava a apertá-lo bem forte. Estrangulando.

Ele vai desistir. Tentei repetir para mim mesma como um mantra incessável. Ele vai desistir disso e vamos juntos para casa. Vamos nos casar, ter filhos e seremos a família mais feliz do Universo.

Disse a mim mesma que eu precisava ter fé. Precisava ter muita fé.

— Só me diga uma coisa... — pedi, pegando seu rosto em minhas mãos. Ele assentiu levemente. — Você está feliz agora? — imaginei que minha pergunta lhe pegou de surpresa, ele me encarou piscando.

— Podia jurar que iria perguntar porquê e iria tentar me dissuadir dessa ideia. — ele confessou, apertei os lábios dando de ombros. — Eu estou extremamente feliz sentindo sua pele na minha, seus olhos me encarando, seus lábios tão convidativos á poucos centímetros dos meus, isso é o Paraíso.

Mais uma rodada de lágrimas, e um riso incontrolável e desesperado saiu de mim. Edward riu um pouco para diminuir meu nervoso, o apertei contra mim, os espasmos dos soluços estremecendo meu corpo.

— Não chore, meu amor. — Edward pediu rouco. — Eu quero ter sua última imagem como um retrato feliz.

— Não tem o direito de me pedir isso, Edward. — respondi, visivelmente magoada. Ele quem puxou meu rosto para o seu, me tomando num beijo calmo mas lascivo e eu caí, totalmente entregue aos seus encantos.

— Você é linda, Bella. Sou muito grato a Deus por tê-la amado, e é claro por ter sido amado pela pior pessoa que conheci. Lembra do que me disse uma vez? — neguei com a cabeça, sentindo seus olhos me devorando. — "Dentre todas as pessoas do mundo, eu sendo a pior, você me escolheu", aquilo era mais do que verdade e é claro, eu posso contestar.

— Não, não pode.

— Sim, eu posso — ele continuou. — Eu fui horrível quando nos conhecemos, eu era desprezível e você me escolheu mesmo sem ter noção de como era essa escolha, Bella, você me salvou de mim mesmo, me trouxe á vida, me deu o que muitos imploram, o amor mais puro e verdadeiro.

— Não esqueça do sexo incrível.

— Claro que não, o melhor sexo, a melhor transa, o melhor jeito de fazer amor aprendi com você. — Ele me abraçou, enfiei meu rosto na curva do seu pescoço, inalei seu cheiro e o beijei. — Agora chame nossa família, e não solte minha mão.

Aquele pedido era o estopim do meu temor, mas fiz o que ele me pediu. Nossa família entrou no quarto, ninguém ousou me tirar do lado dele, quando o médico injetou a droga na veia do meu namorado, eu acho que minha alma saiu do meu corpo por um instante, parecia que eu estava vendo tudo do alto. Eu queria estar e não estar vivendo aquilo.

Em nenhum momento soltei sua mão, e posso garantir que foi a coisa mais dolorosa e feliz ao mesmo tempo que fiz na vida.Edward adormeceu, eu fiquei lá o observando. Ouvindo as batidas de seu coração, que logo eu não as escutaria mais, ele era turrão como cavalo empacado, eu já me sentia sem forças para lutar, lutar contra o quê? Fiquei lá o olhando, faltava muito pouco para fim de tudo, e eu evitei pensar nisso enquanto meus dedos tocavam seu rosto como um experiente pianista em suas teclas melódicas.


Sei que ainda nos encontraremos, nossa jornada ainda não acabou.

Notas finais
E então? Eu confesso que me emocionei muito escrevendo, mas até que gostei do resultado. Logo eu postarei enfim nosso último capítulo, me digam o que acham que vai acontecer? Lembrando que já está tudo pronto na minha mente, eu sonhei com o fim merecido mas conto com vocês. Beijos, até logo.