Notas iniciais
É o prólogo então ainda tem muito pra acertar! Espero que gostem. Beijinhos de luz.

Para a maioria das pessoas, não ser acordado por algum familiar no primeiro dia de aula seria realmente estranho, mas não no meu caso. Minha casa é tão vazia quanto uma casa fantasma. Moro com minha madrinha a muitos anos, então já estou acostumada com seus horários. Sempre que eu acordo ela já saiu, e quando ela chega eu já fiz as tarefas da casa e o jantar. Não temos uma rotina ideal, mas acabamos nos virando assim mesmo.

Me levantei da minha confortável e enorme cama indo até o banheiro para me aprontar. Terminei de me vestir e desci as escadas para tomar café e assistir um pouco de TV. Chocolate com rosquinhas enquanto assisto o canal infantil. Realmente animador. Terminei de lavar as louças do café e peguei minha mochila, pronta para enfrentar essa segunda-feira.

[…]

Entrei e cumprimentei os vigias no portão, seguindo para a seleção das salas, colada no mural do pátio. Tudo aqui continuava igual ao ano anterior, a única mudança foi o meu prédio de estudos, agora sendo o do tão esperado ensino médio.

―Vejamos, Lia Quinn…― passei os olhos pelos nomes dos alunos até encontrar o meu, turma 1-A.

Caminhei tranquilamente até a sala escolhendo meu lugar, só faltavam cinco minutos para a entrada do professor. Assim como em todo lugar, havia a divisão em panelinhas, os populares, as patricinhas, a turma do fundão, os estudiosos, os rockeiros, mas novamente, não me incluo.

―Bom dia alunos, sentem-se. Sou sua professora de filosofia, me chamo Jane.– escreveu no quadro o nosso horário de aulas.― Depois copiem o horário. Bem, creio que no primeiro dia ninguém queira realmente estudar, então vamos fazer as apresentações, cada um, conforme eu chamar, deve se levantar, dizer seu nome, idade e algo interessante sobre si próprio. Vamos lá. ― Após parte da turma se levantar, ela chamou o meu nome.

―Bem, me chamo Lia Quinn, tenho 15 anos e adoro música, no geral mesmo. ― fui bem superficial, não havia necessidade de exagerar para chamar atenção.

Alunos novos recebendo milhões de perguntas durante a aula que acabou sendo meio livre. Depois de três tempos, finalmente chegou o intervalo.
Todos juntos em suas rodinhas enquanto eu, como sempre, estava perdida no meu próprio mundo graças a música do meu mp3.

Infelizmente, ou felizmente, uma garota estava vindo na minha direção, e internamente eu torcia pra que seu alvo não fosse eu.

―Oi, pelo que sei você é a Lia, não é mesmo? ― perguntou olhando fixamente para mim, fazendo com que eu tirasse os fones de ouvido.

―Sim, sou eu. E você, quem é? ― Não que eu estivesse curiosa, apenas fui criada com muita educação.

―Natália. Você sabe do trabalho para a feira interdisciplinar, certo? ― assenti. ―O que acha de fazermos juntas?

―Tudo bem, assim que nas passarem o tema combinamos os detalhes direito.

―Obrigada, posso ficar aqui? ― perguntou com um olhar meio tenso, talvez envergonhado.

―Fique a vontade. É nova aqui? ―Se eu faria um trabalho importante com ela nada melhor do que tentar melhorar o clima.

―Sou, é meu primeiro dia, estou na 1-B. Você tem uma certa fama aqui, as pessoas não falam exatamente bem de você. Não te incomoda?

Ai está, um dos detalhes ruins. Minha suposta fama. Tenho alguns problemas por agir tão acidamente, o que inclui uns boatos até macabros as vezes.

―Dá pra ignorar. ― Meia mentira. Eu tento. ―Nossas salas são próximas, vamos? O sinal vai tocar.

―Certo, mas como você― Ela foi interrompida pelo som que marcava o fim do curto intervalo.

―Eu tenho relógio. ― E balancei o pulso para mostrar, razoavelmente grossa por me irritar facilmente com a maldita musiquinha do sinal.

É por isso que eu não tenho amigos.

[…]

Uma das melhores coisas é saber que a última aula acabou e vou poder estar livre. Doce ilusão.

Antes que eu sequer passe pela porta avisto Natália acompanhada de dois garotos que reconheço como alunos da turma B.

―Lia, aqui! ― acenando animadamente pra mim. O que ela tem de falante e animada, eu tenho de tédio e fome. E olha que não é pouco.

―Oi Natália. ― Alguém me salva!

―Esses são meus colegas, Matheus e Gabriel. ―Notei um quê de estranheza ao falar o último. ―E pode me chamar de Nat!

―Certo, Natália. ― Ela revirou os olhos bufando.

É por isso que eu não tenho amigos #2

Gabriel parecia um filhinho-de-papai metido, sem brincadeira, roupas de marca, sorriso convencido e um skate resumiam a visão. Fora os olhos verde-musgo. Senti uma leve vontade de chutar aquele ser até a morte.

―O nome é tão bonito quanto a dona. ― disse beijando a minha mão e me olhando dos pés a cabeça. Revirei os olhos, junto com a garota ao meu lado. Agora eu entendi a estranheza.

―Eu agradeço. ― tirei minha mão da dele de forma brusca, o que causou uma expressão curiosa no garoto.

Matheus não parecia tanto com o amigo. Ao invés de chamar atenção por roupas e comportamento como o outro, chamava a atenção pela beleza. Cabelos escuros beirando o preto e olhos azul oceano. Oceanos nada pacíficos vale ressaltar. O sorriso tranquilo e o visual normal fez com que eu me perdesse. Por que diabos ele não estava no grupo dos populares e astros?!

―Oi. ― O cumprimento mais simples que recebi na minha vida.

―Oi. ― falei meio confusa. Aquele era o trio mais estranho que vi na vida.

―Nossa que animação. ― Natália disse baixo. ― Mas enfim, já que moramos por aqui vamos juntos.

―Como sabe onde eu moro? ― perguntei meio assustada. Alguém me salva #2.

―Esqueça isso. Vamos logo! ― me arrastou quase pulando de animação.

―Pessoas animadas me assustam. Agora sério, como sabe onde eu moro? ― perguntei assustada ao ver que ela sabia exatamente em que direção ir.

Sabe aquela voz que te diz para ficar na cama? Hoje eu queria tê-la ouvido.

[…]

Descobri que Matheus é meu vizinho e disse para Natália onde eu moro, depois de me ver sair de casa essa manhã. Agora eu tenho motivo para ser agressiva.

Como típico rico, Gabriel morava num condomínio na melhor área da cidade mas iria para a casa do meu vizinho matar tempo. Esses adolescentes inúteis, francamente, parecem comigo, eu hein.

Natália mora algumas quadras depois da minha casa, o que era um terrível incômodo para minha pessoa.

―Minha mãe fez lasanha para o almoço, querem entrar? ― Matheus perguntou se dirigindo a mim e Natália, já que o amigo já havia entrado de forma escandalosa na casa.

―Bem que eu queria provar a lasanha da dona Isabel, ela veio da Itália, sabe Lia?! Mas eu tenho horário para estar em casa, tenho que ir. Tchauzinho, vejo vocês amanhã. ― Como ela sabia tudo isso sobre a mulher ninguém sabe.

Me virei pra encarar o garoto e tirar minhas dúvidas, ficando surpresa ao ver que ele já estava me olhando com olhar de interrogação.

―Que foi? ― disse franzindo o cenho.

―O convite também foi pra você, quer almoçar? ― parecia falar sério. Ele é maluco.

―Não se convida desconhecidos para almoçar na sua própria casa. E como ela sabia tudo aquilo? E quem é Isabel? ― Eu tinha dúvidas internas que jamais seriam respondidas, como o que diachos passa pela cabeça dessa gente.

―Eu meio que conheço vocês, e caso não tenha notado estávamos conversando enquanto andávamos. E Isabel é minha mãe. ― Não reparei mesmo nessa conversa. Meu problema de concentração também precisa ser estudado.

―Uhum. Tem algo a respeito dessa conversa com que devo me preocupar? ― revirei a minha mente e não me lembro, vai saber, posso ter dado número e senha dos cartões de crédito sem saber.

―Você passou seu número pra Natália e fez cara de pateta o restante do caminho. ― Suspirei.

―Ela não vai me deixar em paz nunca mais. E, a propósito, eu não tenho cara de pateta. ― Meu nível de agressividade tá piorando. Foca na respiração e não mata ninguém, foca.

―Tem sim.

―Não tenho não.

―Tem sim.

―Prove!

―Qualquer dia eu tiro uma foto e te mostro.― disse rindo. Que sorriso irritante.

―Estarei esperando. ― dei língua de forma muito madura e me virei pra entrar em casa enquanto ele ria as minhas costas.

Esquentei meu almoço enquanto ligava a TV conectando na Netflix. Comi sozinha como sempre.

É, parece mesmo uma casa fantasma.

Notas finais
Comentem e deem sinal de vida jovens! Beijinhos de luz.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.