Minha Pessoa
4 Nice to meet you
Notas iniciais
Enfim chegamos na sala. Me acomodei em uma carteira um pouco à frente e bem centralizada. Regina arrumou suas coisas na mesa dela. A maior parte dos alunos parecia já estar presente, alguns ainda chegavam e se acomodavam mais atrás , eu havia me sentado no último assento livre mais à frente. A sala, que era enorme, estava lotada. Por esse motivo a morena se encontrava um pouco nervosa. Ela esperou que todos se acomodassem e deu início à aula. Começou se apresentando.
— Bom dia turma, me chamo Regina Mills e lhes lecionarei Sistema Cardiorrespiratório. Tenho 39 anos e não pretendo me alongar na apresentação. Como estamos no primeiro dia de aula, eu imagino que vocês ainda não se conheçam, assim como eu também não os conheço. Então peço para que se apresentem, nome e idade, também peço para que sejam rápidos, temos uma turma muito grande e pouco tempo, não devemos prolongar demais.
As apresentações começaram. Fila por fila, da direita para a esquerda, da frente para trás, aluno por aluno se apresentou. Chegou a minha vez, me apresentei.
— Oi, sou Rory Swan e tenho 18 anos — Regina sorriu
As apresentações prosseguiram. Logo depois de mim se apresentaram, Ruby, Anna e Elsa (as gêmeas não idênticas), Kristoff (o namorado da Anna), Peter e Violet. Todas com 18, Peter e Kristoff já com 19 anos. Nós sete nos enturmamos muito rápido, eu já conhecia as gêmeas. Após a morte dos pais elas passaram a ser criadas pela tia, Ingrid, que era amiga da minha mãe e também, professora na universidade.
Com o término das apresentações, Regina deu início a aula. Apresentou seu plano de ensino e iniciou o conteúdo. Todos os alunos a olhavam boquiabertos, prestávamos atenção em cada palavra que ela pronunciava.
— “Essa mulher é um gênio” – sussurrou Ruby atrás de mim
Concordei com a cabeça. Ela ensinava como se tivesse feito isso sua vida toda, passei a idolatrá-la, Regina definitivamente nasceu para ensinar. E como diz aquele ditado “O que é bom dura pouco”, a hora passou rápido e a aula de Regina logo acabou. Não sei se foi instintivo, nem parei para pensar, mas depois de uma aula tão boa, não dava para evitar, todos nos levantamos e a aplaudimos. A morena sorriu, agradeceu e se retirou dizendo:
— Vejo vocês na próxima aula, até lá.
Tivemos um breve intervalo entre essa e a próxima aula. Ao contrário da aula de Regina, a aula seguinte pareceu demorar dias para terminar, não por culpa do professor, mas coitado, depois da aula de Regina nenhuma das outras pareceria boa, até que a próxima aula dela chegasse. O problema foi a aula dele ser logo depois da dela. Após aquelas intermináveis horas de aula de Metodologia Científica, eu e meus seis novos amigos nos reunimos. Falamos sobre as aulas e começamos a nos conhecer um pouco melhor. Ruby sugeriu que fossemos a um karaokê no fim de semana. Todos nós achamos uma boa ideia, combinamos dia, hora, essas coisas e nos despedimos. Fui até o carro, onde Emma e Regina me esperavam. Seguimos para um restaurante no centro, estávamos indo muito lá recentemente. Chegando lá, eu e a morena nos dirigimos até a mesa, enquanto a loira parou para conversar com um homem, que era muito bonito por sinal. Moreno, olhos bem azuis e barba rala. Eles trocaram muitos sorrisos, Regina parecia um pouco incomodada com aquilo. Mamãe voltou.
— Gina, ta vendo aquele cara com quem eu estava conversando?
— Sim, Emma.
— É o Killian, nós estamos saindo – disse a loira entusiasmada – Ele me convidou para jantar hoje, mas eu não queria deixar de ir no cinema com você, então eu o convidei para ir junto e ele vai levar o primo, Robin. O que acha?
— Parece super divertido – disse Regina com um tom de deboche – Tínhamos combinado de ir nós duas.
— Ah Gina, faz isso por mim por favor – ela fez carinha de pidona – Pode ser bom pra você também, o Killian é lindo, com o Robin não deve ser diferente.
— Vão vocês dois então, eu fico em casa.
— Mas agora ele já falou com o Robin, vamos, por favor, vai ser divertido.
— Tá Emma, tá. Eu vou.
— Obrigada, sabe que eu te amo né? – Regina pareceu incomodada com as últimas palavras pronunciadas por Emma.
Fizemos nosso pedido, conversamos enquanto a comida não chegava, almoçamos e voltamos para a universidade. Elas dariam aulas a tarde também, e eu decidi ir até a biblioteca e pegar alguns livros, queria saber um pouco mais sobre o que a Regina falou na aula, não aguentava esperar uma semana até a próxima. Peguei os livros e voltei pra casa de táxi. Passei a tarde inteira lendo e acabei pegando no sono.
Acordei com o som da porta da frente batendo, era longe, mas foi alto. Desci para ver o que estava acontecendo. Emma chegou em casa depois do encontro duplo e não parecia estar de bom humor.
— O que aconteceu Emma? – Às vezes eu a chamava pelo nome, fazia parecer mais amiga do que filha.
— Esse encontro foi horrível, Regina abriu meus olhos e percebi como o Killian é um babaca. Me toquei de que eu estava tentado demais fazer dar certo, que estava virando outra pessoa, frequentando restaurantes que não gosto, assistindo filmes que não me agradam, em geral, fazendo coisas que eu realmente não curto, para agradá-lo. E ele fazia o que por mim? Isso mesmo, nada. Porque ele quer alguém que faça o que ele faz e goste do que ele gosta, mas não está disposto a fazer coisas que a pessoa goste também.
— Imagino que tenha chego cedo por isso
— Sim, não chegamos nem a escolher o filme, porque ele não está disposto a assistir o que eu quero. Mandei a merda e joguei a pipoca nele. Detalhe, a pipoca nem era minha, era de uma moça que estava passando por mim, tive que comprar uma nova pra ela – não aguentei a risada depois do último comentário, ela acabou rindo junto. Nos abraçamos, amamos abraçar, nada melhor do que um abraço para reconfortar, ou até mesmo só por abraçar porque é bom demais.
— O que fazemos agora?
— O que você acha de assistir uma comédia romântica bem clichê? Só para nos iludirmos mesmo.
— Só se tiver sorvete
— Você leu minha mente. Busco o sorvete enquanto você escolhe o filme.
— Ok, o que acha de A Proposta?
— Você sabe que eu nunca vou recusar assistir esse filme. Estamos falando de Sandra Bullock, não dá para recusar.
Ela voltou com o sorvete, dei o play. Acabamos pegando no sono, ali no sofá mesmo. Mas não antes de assistir o final e abrir aquele inevitável sorriso.
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