Minha Pequena Aurora
1 The Beginning of The Darkness
Notas iniciais
Só a nível de conhecimento, este é um capítulo introdutório, repleto de Spoilers sobre o filme, okay?
#BoaLeitura
O Reino era o mais deslumbrante possível. A pequena e alva criaturinha divertia-se ao correr pela grama macia e ao brincar com as mais belas criaturas que ali viviam. Era como se toda a Natureza estivesse dentro de sua fada madrinha. Os faunos saudavam-na, as aves a rodeavam estonteantes e as pequenas fadas batiam suas asinhas frágeis num ritmo desengonçado que faziam a garotinha sorrir. As pequenas borboletas pousavam em seu leito, brincando com os cabelos da menina que gargalhava batendo palminhas. Aurora era, de longe, o ser mais adorável entre o reino dos Moors.
***
Malévola a olhou com desprezo. Seus olhos flamejavam de ódio. À sua frente, Estefan trajava as impuras vestes da traição: seu amor verdadeiro, na verdade era apenas um disfarce sujo e esfarrapado, tendo a Ambição e a Ganância estampadas no seu rosto fatigado e cinzento. Ele até poderia ter sido feliz se a tivesse permitido entrar no seu coração congelado de desejos, mas preferiu aventurar-se nas desventuras do palácio real.
***
Ele aparecera numa noite, após anos e anos sem ao menos dar notícias, alegando que toda a planície dos Moors estava correndo perigo. E realmente estava. Em um descuido de inocência, Malévola deixou-se dominar pelo humano traiçoeiro que a enlaçou em um abraço mortal. Bom, quase. No último instante, a pureza da jovem debruçada ao seu lado tornou os braços de Estefan fracos demais para cometer tal ato. Não, ele não iria mata-la. Mas também não abriria mão de alcançar o tão sonhado trono.
Estefan fitou as suas asas. Suas enormes asas numa cor castanho-escuro. Elas iam desde o começo de seus ombros até a planta de seus pés, arrastando-se pelo chão. Elas davam a Malévola a liberdade e a segurança que ela precisava, sendo, por muitas vezes, suas únicas e fiéis companheiras.
***
O ferro feria as fadas. Estefan havia descoberto isso da pior maneira. Quando garoto, machucou sua amiga inocentemente com um simples aperto de mãos. O anel de metal ferira a pequena Malévola, queimando a palma de sua mão. Daquele dia em diante, ele sabia como machuca-la. Pelo menos uma das maneiras.
***
O metal gelado da lâmina encontrou as penas cuidadosamente alinhadas de Malévola. Em alguns minutos o trabalho estava feito. Levaria para o seu Velho Rei a prova de que matara a mais temível das criaturas. A recompensa para aquele ato de selvageria era não mais do que um lugar a assentar-se naquele castelo. O lugar de onde poderia reinar e ter a mão da princesa em casamento. Assim, Estefan enganou o rei e tomou sua filha como esposa, à custa da liberdade de uma inocente fada pacífica do reino inimigo.
Tão logo despertou, sentiu suas veias saltarem, seu coração perder o ritmo e o tropeçar descompassado dentro de seu peito. “Onde estão as minhas asas?” Estefan, o seu único amigo as havia levado. Provavelmente pra sempre.
***
Seu coração encheu-se de cólera e amargura. O ódio tomava o lugar do amor que reinava pacificamente em seu ser. Toda a terra dos Moors antes brilhante e cheia de vida tornava-se escura e negra como o absinto, minando o sorriso das criaturas místicas que coloriam as planícies. Até aquele dia.
Notas finais
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