Minha Particular Decepção
1 - One shot.
– Você sabe que sempre fui o culpado, enganado por minhas perspectivas estúpidas e infantis.
Erza fechou os olhos, resignando-se a tentar não ouvir aquelas duras e torturantes palavras.
– Jellal, já resolvemos isso.
– Não. Eu sei que jamais devia ser perdoado, mas de algum modo, sei que no seu coração você o fez. Me livrou do seu ódio. Isso é imperdoável.
– Cale-se! – exclamou, irritada. A ruiva levou os dedos às têmporas, sobressaltada por uma repentina dor de cabeça – Não quero ouvir isso. Você mesmo já disse: Eu o perdoei. Não lembre mais!
Ele riu, desgostoso.
– Como não poderia? Depois de tudo que fiz a você? Só a você não, a todos daquela torre. Aos meus amigos. Eu matei Simon, Erza.
Lágrimas acumularam em seus olhos.
– Não precisa me lembrar disso! Eu sei muito bem o que você fez. Não, eu posso ter o absolvido de outras culpas, mas isso jamais irei te perdoar. Você matou Simon e nunca vou te perdoar por isso.
Ele sorriu.
– Fico mais feliz ao saber.
– Cale-se! – retrucou, dando um tapa em seu rosto. Não houve coloração em suas faces nem resposta física do homem – Apenas cale a sua maldita boca e pare de falar!
– Como eu poderia? – sorriu de lado, envergonhado – Erza, você é o ser mais encantador que conheci. Porém, eu te machuquei. Te fiz chorar, muitas, muitas vezes. Te passei dores físicas e psicológicas, brinquei com seu coração. Eu... – ele fechou os olhos, sua expressão se suavizando – Apenas queria voltar ao tempo da torre. Com você, todos os outros. Crianças apenas. Tolas crianças. Queria ter feito aquela guerra com você, ter lutado ao seu lado. Ganharíamos e sairíamos livres, entraríamos talvez na Fairy Tail, quem sabe? Seria esplêndido. Talvez, agora, estivéssemos casados e com filhos.
Ela se engasgou na tentativa de reprimir um soluço.
– É – respondeu, a voz fraca e controlada – Talvez. Nunca saberemos. E por isso, por essa falta de informação, é que você deve ficar apenas quieto! Jellal, pare de falar isso! Por favor, descanse!
Um novo filete de sangue escorreu pela boca do homem de cabelos azuis.
– Não posso morrer sem pedir desculpas. Por favor, me perdoe.
Ela mordeu o lábio inferior com força, o sangrando. Soltou-o.
– Pelo que, agora?
Jellal sorriu.
– Por... – cuspiu sangue, se dobrando levemente de dor. Erza o acudiu, segurando-o.
Ele olhou-a, profundamente, e abriu um sorriso mais cativante e límpido que Erza já vira em seu rosto.
– Por ter entrado, sem pedir, sem direitos, na sua vida. Por ter a arruinado. Agora... – soltou o ar – Seja livre.
E parou. Só restavam olhos mortos.
– JELLAL!
– ERZA! – Natsu gritou, pulando em seu encontro – O QUE VOCÊ FEZ?
Restava sangue, Jellal e Kagura ao chão. Com esta última, sua katana destruída no seu lado.
– Ele... – Erza perdeu a força dos joelhos, quase caindo e sendo amparada pelo Dragon Slayer do Fogo – Estava me dizendo... Em seus olhos o que seus lábios não tinham força para dizer... Natsu – ela o olhou – Jellal morreu.
Dragneel receou o brilho desolado da amiga. Tão poderosa Titania, parecia quebrável a qualquer palavra dura.
– Sim... – disse, incerto, com a cabeça abaixada – Erza, você está muito ferida, vou te levar pro hospital...
Ele a pegou no colo.
Erza não tinha mais lágrimas a derramar quando visualizou pelo última vez a face tranquila de Jellal.
– O que farão com ela? – murmurava Lucy. Erza tinha certeza que era ela.
– Provavelmente a prender – respondeu Gray, com visível dor em suas palavras – Ela matou Kagura.
– Mas... – soluçou Lucy, em resposta – Kagura tentou matar Jellal! Erza só estava o defendendo...
– E ele acabou morrendo, do mesmo jeito – intrometeu-se Natsu, a voz infinitamente deprimida.
– E isso não justifica Erza ter a matado. Ela tinha força o suficiente para apenas tê-la deixado insciente e pronto – encerrou Gray.
Silêncio.
Erza moveu a cabeça para a janela, sentindo a maioria da sua pele enfaixada. A luta não fora fácil. Mas por fim, ela vencera.
E perdera. Jellal morrera.
O que restara?
– Jellal... Você sempre é uma decepção.
Ela riu. Triste, mas riu.
Eu sei, Erza.
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