Minha Outra Metade
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Regina suspirou alto. Não podia acreditar no que seus ouvidos haviam escutado. Seus olhos moveram para o lado, assustada, pedindo mentalmente que não fosse sua imaginação. Ela estava pedindo que ao se virar, ela não se encontrasse com o vazio, que não fosse sua mente lhe lembrando de que estava sozinha e que estava começando a lhe pregar peças. A morena engoliu em seco e lentamente se virou, encontrou uma pessoa diferente do que ela estava acostumada, mas era uma pessoa e não o vazio. Sua boca se abriu levemente e imediatamente sua mão se moveu para cobri-la. Debaixo de toda aquela sujeira e sangue, ela sabia que Emma estava ali – Emma? – sussurrou incrédula.
Emma balançou sua cabeça fechando os olhos, e no instante seguinte se moveu para perto de sua esposa, caindo ajoelhada na perna que não havia sido machucada na batalha, e envolveu seus braços ao redor da cintura da morena puxando-a para perto de si – Regina! – ela falou e enterrou seu rosto no estômago da mulher morena e soluçou alto. A loira chorou muito, chorou alto, um choro inconsolável, um choro doído. Suas mãos puxaram Regina para mais perto ainda, e a loira derramou seu coração – Eu senti tanto a sua falta!
A morena estava em choque, ela olhou para sua trêmula esposa, sua respiração entrecortada. Suas pequenas mãos foram para os cabelos loiros e seus dedos percorreram a vasta cabeleira segundos antes de cair ajoelhada e abraçar sua esposa fortemente – Oh pelos seres superiores, Emma! – Regina disse aninhando a cabeção de sua esposa em seu ombro, as lágrimas de sua esposa molhavam sua roupa e ela apenas olhou para o alto e murmurou um “obrigada” com seus olhos também cheios de lágrimas. Ela se distanciou brevemente da loira para dar uma boa olhada no rosto da mulher. Era sua Emma, ela tinha certeza. Regina sorriu amavelmente entre soluços quando ela viu aqueles olhos verdes que tanto amava, passou levemente a ponta do dedão na covinha no queixo, ela era apaixonada por aquela covinha, e as covinhas na bochecha quando Emma sorria, a deixava completamente boba – Você voltou! Realmente voltou para mim! – dito isso a morena beijou cheia de saudade da sua loira.
Céus como ela sentiu falta da loira. Seus braços envolveram fortemente Emma enquanto se beijavam. Regina salpicou vários beijos sobre o rosto de sua mulher. Percorreu suas mãos pelo rosto, cabelo, pescoço, ombros, braços e terminou em um abraço apertado novamente. Era Emma, mesmo gosto, mesmo cheiro, nada havia mudado.— Me desculpe! – veio a abafada voz da loira murmurada contra seu ombro – Eu sinto muito Regina! Eu nunca te deixarei novamente... – disse deixando seu corpo ser acolhido pelo da morena. Aos poucos Emma foi se inclinando contra o corpo de Regina.
Emma sem forças deixou seu corpo cair a frente. Regina franziu o cenho preocupada quando sentiu a loira cada vez mais inclinada contra ela, acabou deitando devido ao excesso de peso da loira. Ela dormiu?— Emma? – Regina não teve tempo de descobrir quando se assustou com batidas a porta. A morena suspirou e quando estava prestes a levantar sentiu uma mão em seu braço a segurando – Algo errado?
— Não diga que eu estou aqui. – pediu a loira ao abrir os olhos e olhar para sua morena.
— O que? Mas Emma, estão todos preocupados com você. O reino ainda aguarda seu retorno.
— Apenas não fale nada ainda... Eu irei conversar com pessoal na hora certa. – pediu suavemente – Daniel tem que continuar pensando que estou morta, se não posso colocar em risco sua vida e de todos aqui.
Antes que Regina pudesse falar vieram novas batidas a porta – Por favor! – murmurou a loira e Regina concordou com a cabeça e indo abrir a porta. Ela abriu levemente a porta, o suficiente para deixar apenas seu rosto visível – Sim?
— Rainha Regina, está tudo bem? Nós ouvimos alguns barulhos estranhos. – disse o guarda tentando olhar dentro do quarto.
— Está tudo bem! — respondeu Regina bloqueando a visão do guarda. Limpou levemente os vestígios de lágrimas do rosto.
Os olhos do guarda se amoleceram – Eu entendo, Comandante Swan voltará logo! – dito isso ele fez um leve reverência e saiu.
Assim que fechou a porta, ela foi até sua esposa que estava ajoelhada perto da cama, fazendo carinho no animal que finalmente deu sinal de vida depois de todo o ocorrido — Você precisa de um banho! – disse Regina assim que passou seus braços ao redor de sua esposa, apoiando seu queixo no ombro da loira – E quem é esse? – perguntou olhando para o filhote por cima do ombro da loira.
— Você e suas palavras românticas sempre quando volto de uma batalha. – brincou Emma sorrindo, fazendo Regina dar um breve beijo em sua bochecha – E respondendo sua pergunta... Este é Nanuki, um filhote de lobo que achei enquanto vinha para o reino... Sua mãe morreu em uma armadilha e eu não tive coragem de deixá-lo sozinho na floresta, então o trouxe comigo.
Regina abriu um amplo sorriso e moveu uma mão para fazer carinho no animal. Assim que sua mão chegou perto do lobo, ele começou a cheirá-la – Hei garoto, ela é minha esposa, pode confiar nela. – disse Emma ao animal, ele a olhou então voltou sua atenção a mão da morena, em seguida deu uma leve lambida dizendo que confiava nela.
A morena sorriu mais ainda e começou a fazer carinho perto da orelha e instantaneamente o animal fechou os olhos – Parece alguém quando eu começo a fazer cafuné e instantaneamente fecha os olhos... – a loira riu – Mas você ainda precisa de um banho. – comentou e se levantou levando consigo a loira.
Regina ajudou Emma a tirar a roupa. Começaram pela camisa, desabotoou os botões – Merlin me emprestou algumas roupas... Merlin, Anna e Mérida me acharam boiando no rio e me salvaram. – explicou Emma quando sua esposa a olhou interrogativamente, percebendo que aquela peça de roupa não pertencia a loira. Desfeito os botões, a morena deslizou a peça pelos braços da loira. Foi quando ela percebeu a cicatriz no ombro esquerdo e soltou uma rápida respiração movendo sua mão para tocá-la. Emma nada disse enquanto a olhava atentamente, deixou sua esposa passar levemente os dedos pelo ferimento cicatrizado, mas levemente sujo de sangue – Como?
— Foi na embosca que Daniel armou para mim. – começou a loira depois de um longo suspiro – Uma flecha me acertou pelas costas, consegui quebrar um pedaço, mas a ponta ficou... Quando me acharam Mérida forçou meu ombro contra para que a ponta pudesse sair pela frente, machucando o menos possível.
Regina continuou ajudando a tirar a roupa, vendo as pequenas cicatrizes. Quando desceu a calça por completo, viu a grande cicatriz no meio da coxa direita. Emma se virou para mostrar a outra na mesma coxa – Quando fui derrubada do Guardião por uma rede, já estava ferida no ombro, quando levantei levei a flechada na parte posterior e em seguida na anterior... Enraivecida, puxei uma espada qualquer e sai feito um animal ensandecido atacando tudo que estava a minha frente, mas infelizmente foi vencida e amarrada, me colocaram em um cavalo, quando estava longe senti a última flecha nas costas, achei que seria meu fim... Ainda bem que aquele crápula é péssimo de mira, pois ela acertou entre meu braço e minha costela... – ergueu o braço mostrando a cicatriz que havia nele e a que havia na costela – Isso fez com que ele pensasse que eu estava morta. – explicou passando levemente o dedo pela marca e agradecendo pela incompetência do homem.
A morena balançou a cabeça limpando seus pensamentos e terminou de ajudar a tirar as roupas de Emma, depois ajudou a loira a entrar na banheira, abrindo a torneira, deixando a água morna cair. Aproveitou para se despir também, se sentou na beirada da banheira, enquanto pegou uma esponja e sabonete e começou a lavar o rosto da loira.
— Isso me trás boas recordações. – brincou Emma olhando para sua esposa.
— Quieta! – ordenou a morena brincalhona. Tocou suavemente a pele e percebeu sua esposa relaxar ao seu toque, terminou de lavar seu rosto. Um sorriso travesso surgiu no rosto de Regina quando ela percebeu que não havia mais sujeira no rosto da loira – Você está bronzeada. – murmurou por fim.
— Não sei ao certo quanto tempo fiquei boiando em um rio... – veio a rouca resposta – Depois fiquei praticamente uma semana debaixo desse sol escaldante. – abriu seus olhos para ser sua esposa no exato momento que ela entrava na banheira e se sentou atrás – Regina, escute... – a loira quebrou o silêncio que havia se instaurado – No momento ninguém mais pode saber que estou... – fez uma pausa – Mulan sabe que eu estou aqui... – Regina ia comentar algo, mas a loira a impediu – Enquanto estava vindo para cá, Mérida se separou do nosso grupo e foi até Mulan, e eu pedi para não contar nada a ninguém quando chegasse, e ela provavelmente já deva ter colocado em prática meu plano.
— Aquela sem graça! Sabia o tempo todo que você estava viva enquanto conversamos. – se indignou Regina.
— Minha vida, não fale assim de Mulan. – tentou Emma amenizar — Ela não tem culpa, eu pedi para que não falasse nada, isso faz parte do meu plano.
— Tudo bem, por enquanto passa, mas assim que tudo isso terminar eu irei te castigar horrivelmente. – brincou a morena dando um leve tapa no braço da loira.
— Você pode me castigar quando e quanto quiser. – respondeu brincalhona a loira.
— Qual o seu plano? – perguntou Regina começando a esfregar as costas de Emma, tomando cuidado com o ombro machucado.
Emma soltou um longo suspiro de contentamento ao sentir as mãos de sua esposa em suas costas – Primeiro, manter em segredo que eu estou viva, deixar Daniel achar que eu morri... Os homens de Mulan provavelmente estão se infiltrando entre os moradores e transeuntes do castelo, a parte deles como as dos nossos guardas, assim que eu conversar com David, é localizar a base deles aqui dentro, descobrir quem são os homens de Daniel e silenciosa e discretamente eliminá-los, sei que não somos assim, mas na atual situação, ou somos nós ou são eles... E sinceramente depois de tudo que passamos, prefiro que sejam eles.
A morena ouvia a tudo atentamente, mas sem deixar de ajudar Emma a tomar banho – Eu também penso assim... Quando você irá conversar com David?
— Depois que Merlin e Anna chegarem, eles devam estar chegando mais para o fim do dia ou começo de amanhã. – respondeu Emma – Eles estão vindo pela rota principal... Eles irão pedir para conversar com David, e você fará David conversar com eles, pois eu me juntarei a eles e conversarei também.
— Entendi. – disse Regina ao terminar de lavar Emma – E o que mais seu plano inclui?
— Essa primeira parte irá demorar um pouco, pois quero que Daniel não suspeite de nada. – disse a loira se acomodando contra a morena, que imediatamente envolveu seus braços ao redor dos ombros da loira – Pedirei que David proíba a entrada de quem vier de Cavalos Galopantes ou de qualquer região perto, independente dos motivos, eles só serão liberados com segunda ordem... Enquanto isso Daniel irá achar que está no controle, e quando se der conta, restará apenas ele e seu comandante Arthur... – continuou a loira – E tudo que ele achou que estava ganho irá ruir até não sobrar nem o pó.
— Killian chegou não faz muito tempo... – disse Regina aproveitando o momento – Ele conversou com a filha dos reis de Arendelle, e nos contou algumas coisas sobre lá.
— O que ele descobriu?
— Bom, como você já deva saber, Arendelle nunca invadiu o reino de Daniel, o motivo que Daniel usou para levá-la para a batalha nunca existiu. – Emma apenas concordou com a cabeça – Muito pelo contrário, Daniel sempre tentou invadir Arendelle para agregar mais terras e se apossar do comércio, mas nunca teve êxito.
— Merlin, Anna e Mérida falaram a mesma coisa... – complementou a loira – Eles faziam parte do reino de Daniel, mas acabaram indo embora porque não concordavam com a forma de governar desse crápula.
— Ainda tem mais, esse verme tomou o poder do antigo rei através de um golpe.
— Crápula! Baixo! Cretino! – praguejou Emma – Eu irei acabar com ele.
— Desde que ele retornou da batalha sem você, ele vem jogando seu charme para cima de mim... – disse Regina – Ele quer se casar comigo para assumir o seu lugar ao meu lado e se proclamar rei.
— Só nos sonhos dele. – resmungou Emma morrendo de ciúmes.
— E quanto a mim? O que irei fazer no seu plano?
— No momento nada... – respondeu Emma se aconchegando mais em Regina, e fechando seus olhos brevemente para depois soltar um suspiro cansado – Continue agindo da forma que você tem agido, e quando chegar na parte do plano em que você entra, eu te aviso.
— E quanto ao Nanuki? O que vou dizer?
— Que David achou ele perdido na floresta em sua ronda e o trouxe para você!
Elas ficaram ali mais um pouco, agora conversando sobre outras coisas. Namoraram um pouco também matando a saudade, mas nada além de troca de carícias e muitos beijos.
— Venha! – disse Regina puxando Emma para o quarto – Vamos colocar um curativo nesse ferimento do ombro, por mais que esteja quase todo cicatrizado, a casquinha do ferimento saiu durante o banho. – deixou Emma sentada na cama, perto de Nanuki que apenas havia mudado a posição de dormir e fora buscar as coisas necessárias para fazer o curativo.
— Você é muita folga e sono, não? – brincou Emma passando a mão no pelo branco do animal. Ele apenas levantou a cabeça, deu um bocejo a olhando e decidiu por se levantar. Espreguiçou a parte traseira, para depois espreguiçar a parte da frente, balançou o corpo todo em uma última vez de espantar o sono, sentou-se sobre as patas traseiras e a encarou.
— Vejo agora o porquê de ele me ser tão familiar... – disse Regina assim que voltou para o quarto – Ele é tão preguiçoso quanto você! – riu assim que se sentou próxima a loira. Nanuki apenas balançou o rabo feliz – Vejo que ele concorda comigo. – riu novamente e fez a loira rir também.
— Pelo visto não tenho como negar. – moveu sua mão para o filhote e acariciou sua cabeça, enquanto isso Regina começou a fazer o curativo no machucado.
— Pronto! Curativo feito. – disse assim que se levantou para levar as coisas de volta ao seu lugar – Você está com fome? – perguntou assim que voltou.
Antes que Emma pudesse responder seu estômago deu sinal de vida – Só um pouquinho? – brincou ela. Aquilo fez Regina a olhar incrédula para depois cair na gargalhada.
— Tudo bem, daqui a pouco buscarei algo para você comer. – respondeu Regina, então escutaram um leve e baixo uivo, surpresa a morena olhou para o filhote que a olhava expectante de volta – Tudo bem, buscarei algo para você também. – completou e fez um carinho no pescoço debaixo do queixo – Mas antes que eu me esqueça... – levantou-se e puxou Emma junto, mas acabaram sendo seguidas pelo lobo que não quis ser deixado para trás e entraram em uma sala conjunta ao quarto – Acho que você ficará feliz em ver isso. – falou por fim, abrindo a porta do pequeno e estreito armário.
Os olhos de Emma se arregalaram diante daquilo. Ela não podia acreditar no que estava vendo. Devidamente colocadas em pé, dentro do pequeno armário estavam as suas duas espadas. A que ela ganhou dos amigos e a que ela ganhou de Regina. Uma pequena lágrima escorreu de seus olhos. Emma já tinha aceitado que ela havia perdido para sempre suas espadas e seu amado cavalo – Minhas espadas... – disse por fim, ao passar os dedos pelas lâminas – Isso quer dizer que Guardião...
— Voltou para sua casa, mas sem sua dona. – explicou a morena – E finalmente ele é papai de um lindo potro que eu batizei de Príncipe. Ele e Imperatriz, não se aguentam de felicidade com a nova cria.
— Eu achei que os tinham perdidos... Quando cai dele, fiz com que ele fosse embora, pois ele ficando ali junto a mim, acabaria sendo morto... – explicou Emma limpando as lágrimas – Mas achei que alguém o tivesse achado e ficado para si... Gostaria de vê-los todos.
— Logo você os verá... – respondeu — Pelo visto, minha loira, ele sabe a quem pertence e onde é sua casa. – disse Regina pegando a mão da loira e a apertando levemente, então novamente Nanuki se fez presente – E você também, agora tem um novo líder da “matilha” e uma casa a que pertence. O animal se aproximou de Regina, ficou sobre as patas traseiras e colocou as patas da frente sobre as coxas da mulher mais baixa e afundou sua cabeça entre as patas – Com certeza você sabe quem é a líder da matilha. – brincou ela fazendo carinho no filhote.
— Traidor! – brincou Emma, também fazendo carinho no animal.
—SQ-
Momentos depois Regina estava de volta ao quarto com uma bandeja cheia de comida para ela, Emma e claro agora o mais novo integrante da família. Sentaram-se a mesa no canto para poderem comer tranquilamente. Depois de satisfeitas, elas se levantaram. Regina havia se trocado para ir a cozinha buscar a comida, mas Emma ainda estava com o roupão depois do banho, ela se encaminhou para o guarda-roupa para achar o que vestir.
— Muito bom... Aos poucos tudo voltará ao normal. – disse Emma terminando de abotoar a camisa limpa – Me desculpe... – disse ao abraçar sua morena.
— Não! Sou eu quem deve pedir desculpas. – disse Regina, abraçando a loira de volta – Fui eu quem disse e praticamente insistiu para você ir para essa batalha.
— Então me desculpe por ouvi-la. – brincou a loira rindo levemente, para apertar amorosamente sua esposa o abraço.
Regina sorriu travessamente e se soltou do abraço – Você ama me provocar, não é?
Emma afirmou positivamente com a cabeça – Faz parte do pacote. – riu, segundos depois soltou um bocejo.
— Descanse. – disse Regina – Quando Merlin e Anna chegarem eu venho te chamar.
— Estou mesmo precisando descansar. – concordou a loira. Deu um leve beijo na sua esposa e se encaminhou para a cama – Vamos Nanuki! Vamos tirar um cochilo. – falou assim que deitou na cama, e no instante seguinte o lobo estava ao seu lado na cama.
— Se eu não soubesse que você ficou ao meu lado praticamente o tempo todo naquela época da maldição, eu acharia que ele é seu filho. – brincou Regina por fim, rindo e fazendo Emma rir também. A morena saiu do quarto e olhou ao redor, não viu ninguém, então passou a chave na porta para não correrem o perigo de qualquer um entrar em seu quarto e ver Emma dormindo tranquilamente.
—SQ-
Daniel andava tranquilamente pelos corredores do castelo, quando ele virou no corredor do quarto de Regina, instantaneamente um sorriso surgiu em seu rosto Acho que agora é uma boa hora para se fazer uma visita, e saber a resposta para meu pedido. Assim que se aproximou da porta, deu duas leves batidas, então ele ouviu um barulho de patas e em seguidas o rosnar de um animal do outro lado da porta. Curioso, ele levou sua mão até a maçaneta e tentou abri-la, mas não conseguiu, tentou novamente e o mesmo resultado – Regina! – chamou, nesse instante Emma já estava de pé, pronta para pegar sua espada, mas percebeu que a porta do quarto estava trancada, então se acalmou – Regina! – outra vez escutou. Daniel enraivecido por não ter conseguido entrar no quarto foi procurar por Regina no castelo.
Emma esperou mais uns minutos até tudo voltar a ficar calmo e silencioso, e Nanuki não rosnar mais, voltou para a cama, seu corpo pedia para que ela voltasse, pois anda estava muito cansada, e assim o fez, chamando o filhote para junto de si novamente.
A porta da biblioteca se abriu abruptamente e um nenhum pouco amigável Daniel adentrou no recinto – Regina! – exclamou assim que viu a morena sentada a uma enorme mesa, e lendo um livro tranquilamente.
— O que você quer agora, Daniel? – perguntou ela sem levantar os olhos do livro.
— Você agora tem um cachorro? – questionou assim que se sentou na cadeira oposta a da mulher. Aquilo chamou sua atenção, então levantou seus olhos do livro e o encarou curiosa – Acabei de passar no seu quarto, tentei abrir a porta, mas estava trancada. – fez uma pausa, e Regina se assustou, mas Daniel não percebeu – Queria saber se você gostaria de caminhar comigo pelos jardins, e também saber se já tem uma resposta a minha proposta. – sorriu malicioso – Mas fui recebido por um rosnar de cachorro e uma porta trancada.
A respiração da morena voltou a se regular assim que ele terminou seu relato, e agradeceu mentalmente por ter fechado a porta – Não tenho um cachorro... – começou a responder, antes que Daniel pudesse intervir, ela continuou – Tenho um filhote de lobo, que pelo visto, não foi com a sua cara... E eu agradeço por isso!
— Filhote de lobo? – disse assim que a olhou curioso.
— Sim. – respondeu simplesmente dando de ombro, mostrando não ter muita importância o fato.
Daniel sorriu de lado debochado – Agora arrumou um filhote para se lembrar dos tempos em que estava amaldiçoada? – riu.
— Não! – respondeu séria – Arrumei o filhote de lobo, pois ele me lembra Emma. – fez uma pausa – A porta esta trancada para idiotas como você não abrir e deixar meu mais novo integrante do castelo sair. — se levantou rapidamente – Com sua licença, que tenho alguns assuntos para resolver.
— Espere! – pediu mais energeticamente, e Regina apenas o olhou – E quanto a minha proposta?
— Que proposta?
— A de se casar comigo, e seu reino e seu povo serem poupados da minha implacável armada!
— Ah isso era uma proposta? – perguntou Regina ironicamente – Achei que fosse mais uma imposição da sua vontade!
— Oras Regina, estou sendo apenas formal, pois você aceitando ou não, acabará se casando comigo. – disse Daniel resoluto.
Regina se armou do seu mais sedutor sorriso e se aproximou do homem, chegou sua boca bem perto do ouvido dele. Daniel se arrepiou inteiro com o gesto da morena – Continue sonhando... – disse roucamente e se afastou, olhando ele seriamente – E veremos se sua armada é tão implacável quanto diz.
Imediatamente Daniel ficou vermelho de raiva – Você irá se arrepender de me enfrentar.
— Me disseram a mesma coisa quando enfrentei Robin e estou aqui viva e ele morto... – respondeu ela – Enfrentar você não será diferente.
Daniel sorriu perversamente – Mas quando você enfrentou aquele ridículo do Robin, aquela loira petulante estava ao seu lado, e agora? – fez uma pausa dramática e levou sua mão ao queixo como se tivesse pensando – Ah verdade... Agora ela não passa de comida de peixe no fundo do rio.
Ele mal terminou de falar aquela ofensa e em seguida sentiu uma dor em sua bochecha esquerda e seu rosto estava olhando para as prateleiras com livros a sua direita. Regina havia acertado um sonoro e forte tapa em seu rosto – Nunca mais fale de Emma na minha presença... – disse entre os dentes, segurando sua raiva – Ela pode estar morta... Mas eu não, e irei lutar até que eu morra, e você nunca terá a mim ou ao meu reino. – saiu antes que a raiva a cegasse e suas ações a denunciasse. Ela tinha que manter a calma, ou colocaria todo o plano de Emma a perder.
— Isso é o que veremos Regina. – massageou sua bochecha dolorida – Isso é o que veremos...
—SQ-
— Acho que é só isso que temos que resolver David. – disse Regina, fechando seu livro de registro – Mais alguma coisa?
— Sim, alguns guardas de Mulan já encontraram alguns homens de Daniel, não foram muitos, foram apenas cinco... – comentou o loiro – E eles já deram um fim nesses homens.
Regina apenas concordou com a cabeça – Fico feliz em saber, que mesmo devagar iremos conseguir eliminar a existência desse crápula aqui do reino. – suspirou profundamente – Bom, se não temos mais o que resolvermos, irei me retirar, estarei em meu quarto se precisar de alguma coisa. – disse já se encaminhando para a porta.
— Se acontecer algo que requeira sua presença ou decisão a chamarei Regina. – comentou David, voltando sua atenção para os papéis a sua frente.
Regina seguiu pelos corredores do castelo até chegar a porta de seu quarto, fazia apenas três horas que havia deixado sua loira ali dentro dormindo, mas já estava morrendo de saudades. Destrancou a porta e sem fazer barulho, fechou e trancou-a novamente. Depois do ocorrido com Daniel, mesmo ela estando dentro do quarto, achou melhor manter a porta trancada também, afinal não se sabe quando aquele enxerido aparecerá novamente em seu quarto. Assim que se virou viu Emma deitada dormindo de lado, com Nanuki encostado em sua barriga, Regina não resistiu e foi se deitar com sua esposa. Posicionou-se atrás da loira e envolveu seus braços ao redor de mulher maior, que instintivamente se aconchegou melhor ao abraço, e assim permaneceram por mais algum tempo, até cair completamente em um sono. Dormiram abraçadas, tentando talvez recuperar um pouco do tempo em que perderam ficando separadas.
Duas horas depois leves batidas foram ouvidas, despertando as duas mulheres. Novamente mais duas batidas a porta – Espere aqui que irei ver quem é. – disse Regina se levantando, depois de beijar levemente o pescoço da loira – O que deseja? – perguntou assim que ficou atrás da porta, com Nanuki pronto para rosnar contra qualquer invasor.
— Regina? Sou eu Mulan. – veio a voz do outro lado da porta. Regina destrancou a porta e a abriu o suficiente para colocar a outra mulher para dentro do quarto – Hei... – se assustou a asiática com o repentino puxão de Regina – Mas o que eu fiz? – perguntou ao se defender dos leves tapas que estava recebendo sem saber o motivo.
— Ah é? Você não sabe? – perguntou Regina ainda dando alguns leves tapas e parou. Apontou para a cama, onde uma loira sentada achava graça da cena – Ali está o que você fez.
Mulan virou sua cabeça na direção em que a morena apontou – Loirão! – falou feliz ao ver sua amiga. Mulan não era de chamar ninguém por apelidos, mas naquele momento não aguentou, e saiu correndo para abraçar sua amiga – Não nos faça mais passar por esse susto.
— Também estou feliz em vê-la! – comentou de volta a loira, e se separam – Quando sai o casório?
— Ainda não marcamos uma data, mas vocês serão convidadas de honra. – respondeu Mulan – Mas não é isso que me traz aqui, Regina... – virou-se para a soberana – Acabaram de chegar um homem chamado Merlin e uma mulher chamada Anna, e pedem para conversar com David imediatamente.
— Finalmente chegaram! – exclamou Emma se levantando da cama – Mas por que você veio e não o David, ou mesmo Ruby chamar Regina?
— David precisou ir para casa, mas não se preocupe está tudo bem. – se adiantou Mulan – E Ruby está em sua ronda. Killian está dormindo ainda depois que se retirou quando chegou.
— Entendi... – disse a loira pensativa – Estou sem noção do tempo agora.
— O sol se pôs faz mais ou menos uma hora. – respondeu Mulan. Então o filhote se fez presente ao grunhir, chamando a atenção de todas.
— E você pequeno, quem é? – perguntou Mulan curiosa olhando para o belo animal.
— Este é Nanuki, meu mais novo amigo. – respondeu Emma – E sim, ele é um lobo... Achei-o sozinho na floresta e o trouxe comigo.
— Olá amiguinho! – disse Mulan se aproximando e estendendo a mão para que ela a cheirasse.
— Tudo bem Nanuki, ela é amiga. – disse a loira. Nanuki se aproximou e cheirou a mão estendida e deu uma leve lambida – Isso é sinal que você é amiga dele agora. – respondeu Emma para o olhar questionador de Mulan – Acho que a única pessoa que ele não gosta é de Daniel, foi o único que ele rosnou até agora, nem para os guardas da ronda ele rosna quando passa a frente do quarto...
— Então meu amiguinho, temos um desafeto em comum. – riram as mulheres.
— Agora mudando de assunto... E quanto ao plano?
— Está andando nos conformes... – disse Mulan sorrindo – Daniel ainda acha que está no controle e meus homens estão identificando e localizando os homens de Daniel, até agora já foram cinco capturados e eliminados.
— Muito bom... – soltou uma longa respiração a loira – Façamos o seguinte então, não há a necessidade de chamar David urgentemente, então acomode Merlin e Anna, amanha cedo o chamaremos e conversaremos todos juntos. – explicou Emma – Nós três... – apontou para si, Regina e Mulan – Assim como Mérida, Merlin e Anna, juntamente com David... Se reúnam na sala do trono e eu dou um jeito de aparecer sem ninguém me ver. Lá conversaremos mais sobre o plano e o que faremos a seguir... – fez outra pausa – E como você já sabe, não fale com ninguém que estou viva.
— Sim, não irei abrir a boca. – disse Mulan perto da porta – Farei o que você pediu... Irei falar com Merlin e Anna e os acomodarei.
— Mulan? – chamou a loira antes que a mulher pudesse sair. Mulan apenas olhou para a sua amiga – Muito obrigada.
— Não precisa agradecer, amigos são para as horas boas, mas principalmente para as horas ruins. – respondeu a mulher dando outro sorriso e saiu.
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