Escolhi emergir em seus olhos para não mais retornar

E agora sinto as memórias me atravessando violentamente sem conseguir recuar

As vozes cortantes vociferam nosso passado lancinante

As cores vivas e detalhadas são reminiscências torturantes

Ainda consigo ver nossos caminhos mal feitos, desvanecidos e apagados

Lembro-me de nos assistir desistir de algo que me faria um ser crivado

Onde está o teu fulgor, cadê minha essência extraviada e desbotada?

Encontro-me sob um luar penoso e frio, consternada por ver-me abandonada

Estou á sua espera como o amanhecer anseia pela alvorada

Sei que vou dissipar-me, mas não pode ser pior do que ver-te zarpar sem fazer nada

É um mesclar do remontar do pretérito com o despedaçar do coração

Muito mais do que eu poderia imaginar, mas ainda sim sem solução

As palavras caladas chicoteiam em meus devaneios indistintos

Que hoje sei que são traduções de cada trejeito e movimentos sucintos

Frases que não foram ditas com as falas, mas sim com gestos e intimidades

Nunca pensei que o que um dia fora tão deleitável poderia ter tal finalidade

Uma atmosfera branda paira a minha volta, o martírio em meio à nossas vidas

Lamúrias abstratas de conversas e risadas que estão á tempo perdidas

Sinto o despertar do que antes estava escondido entre nossas memórias sem fim

Por favor, que seja você sussurrando que regressará a mim

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!