Minha Nostalgia.
1 Minha nostalgia.
Escolhi emergir em seus olhos para não mais retornar
E agora sinto as memórias me atravessando violentamente sem conseguir recuar
As vozes cortantes vociferam nosso passado lancinante
As cores vivas e detalhadas são reminiscências torturantes
Ainda consigo ver nossos caminhos mal feitos, desvanecidos e apagados
Lembro-me de nos assistir desistir de algo que me faria um ser crivado
Onde está o teu fulgor, cadê minha essência extraviada e desbotada?
Encontro-me sob um luar penoso e frio, consternada por ver-me abandonada
Estou á sua espera como o amanhecer anseia pela alvorada
Sei que vou dissipar-me, mas não pode ser pior do que ver-te zarpar sem fazer nada
É um mesclar do remontar do pretérito com o despedaçar do coração
Muito mais do que eu poderia imaginar, mas ainda sim sem solução
As palavras caladas chicoteiam em meus devaneios indistintos
Que hoje sei que são traduções de cada trejeito e movimentos sucintos
Frases que não foram ditas com as falas, mas sim com gestos e intimidades
Nunca pensei que o que um dia fora tão deleitável poderia ter tal finalidade
Uma atmosfera branda paira a minha volta, o martírio em meio à nossas vidas
Lamúrias abstratas de conversas e risadas que estão á tempo perdidas
Sinto o despertar do que antes estava escondido entre nossas memórias sem fim
Por favor, que seja você sussurrando que regressará a mim
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