Minha Nada Doce Namorada
1 Tão doce quanto uma pimenta
Notas iniciais
E olha que janeira nem acabou, mas tô impactado comigo mesmo.
Bom, essa fic aqui é totalmente nonsense e algo que surgiu na minha mente. E claro que eu tinha de colocar o Inosuke vestindo uma saia em alguma história ❤
Bom, espero que gostem e desculpa por qualquer erro.
Postada também no Spirit.
Boa leitura.
O dia sempre se iniciava cedo naquela casa, visto que os jovens membros da mesma levantavam cedo para irem á escola, enquanto que o avô deles, um senhor aposentado, não conseguia dormir por muito mais tempo devido á seus tempos no exército; agora que tinha uma perna a menos, não havia muito o que fazer. Naquela manhã em específico as coisas já começaram quentes, pois os netos adotivos de Jigoro – Kaigaku e Zenitsu – já estavam em um bate-boca frenético, o que na realidade não era incomum, apenas levemente irritante. Ele estava bebendo seu café enquanto assistia o jornal na televisão enquanto os garotos discutiam sobre algo banal na cozinha; era incrível como, mesmo as 6:28 da manhã, eles conseguiam arranjar algum assunto para brigar.
— Eu já mandei você não deixar a porra da toalha molhada pendurada no box do banheiro biscate, é tão difícil assim pra você entender? – Kaigaku falou irritado sem olhar para o loiro, passando geleia de amora em sua torrada.
— Pelo menos não sou eu que deixo a toalha molhada em cima da cama, diferente de uma certa piranha que conheço. – Zenitsu, por sua vez, mexia os ovos na frigideira, de costas para o de olhos azuis.
— Meninos, olhem o palavreado. – Kuwajima disse em alto tom. Odiava ouvir os meninos se xingando daquela forma.
— Desculpa. – Disseram juntos.
— É por causa dessa sua atitude desleixada que você recebeu um pé na bunda. – Zenitsu disse passando os ovos mexidos para um prato.
— Pelo menos eu consigo arranjar uma namorada. E você que nunca nem beijou ou teve uma namorada? – Kaigaku zombou da cara do outro enquanto abria a geladeira e tirava a jarra de suco de laranja.
— E-eu já beijei sim, e tenho uma namorada pra sua informação. – As palavras saíram sem que ele pensasse, e se arrependeu amargamente delas.
Zenitsu era péssimo em falar com meninas, isso desde pequeno, então, em seus 16 anos de vida, ele ainda não havia dado seu primeiro beijo e muito menos tido uma namorada ou saído em um encontro com alguma garota, enquanto Kaigaku era o seu oposto – mesmo que raramente passasse muito tempo com uma mesma menina, ou menino também. Zenitsu queria sim ter dado seu primeiro beijo ou arranjado uma namorada, e já havia tentado várias vezes, mas sempre se frustrava. Ele acabou falando aquelas coisas pois estava irritado com o irmão e não queria mais ser zoado por ele, mas pelo olhar do outro, sentiu que havia cavado sua cova. O sorriso ladino e descarado – claramente debochado – surgiu nos lábios de Kaigaku, que deixou suas coisas na bancada de mármore e se aproximou do loiro com uma feição divertida.
— Oh? Jura? E porque nunca falou dela? – Kaigaku sabia que Zenitsu estava mentindo, mas queria ver se ele continuaria com a encenação.
— E-ela me pediu pra guardar segredo...é tímida. – Zenitsu nem sabia como havia pensado em uma desculpa tão frouxa de forma tão rápida.
— Imagino o porquê. Deve ser vergonhoso ter você como namorado. E ela deve ser uma baranga. – Deu de ombros e pegou seu prato e a jarra, indo para a mesa.
— Pra sua informação, ela me ama e ela é linda. – Zenitsu disse com certa convicção. Ele agradecia pelos inúmeros jogos de date que havia jogado pra pensar em coisas como aquelas no último momento. Pegou seu prato e dois copos e foi para a mesa também.
— É mesmo? – Kaigaku perguntou rindo.
— É mesmo. – Zenitsu disse sério.
Os dois se fuzilaram com o olhar por alguns segundos, até que o mais velho sorriu diabolicamente.
— Então porque não a trás aqui em casa? Adoraria conhecê-la. – A voz suave e simpática não condizia em nada com a feição do outro, muito menos com ele como um todo.
— T-trazer ela? – Uma gota de suor frio desceu pela testa de Zenitsu. Porque ele mentiu em primeiro lugar?
— É. Se o que você me diz é verdade, então não deve ser problema nenhum em apresentar sua suposta “namorada” para mim. Somos irmãos, não é? E você conheceu todos com quem eu namorei. – Kaigaku lhe dirigiu um olhar que parecia perturbar o âmago do loiro, que engoliu em seco.
Aquilo era claramente um desafio, e Zenitsu não era do tipo que aceitava desafios daquele tipo, mas seu orgulho sempre ferido pelo maior em relação aquele assunto não iria permitir fugir agora.
— Sem problemas. Eu trago ela hoje ainda pra você ver que estou falando a verdade. – Disse firme e com um ar superior.
— Estou ansioso por mais tarde. – Kaigaku disse e passou a comer sua torrada.
— Eu também. – Zenitsu disse e comeu seus ovos.
{...}
— Tanjiroooooou. Me ajuda, eu não tô nada ansioso por mais tarde. – Zenitsu estava choramingando com o rosto deitado entre os braços na carteira do amigo que se sentava atrás de si. A primeira coisa que fez ao ver o ruivo foi contar a história que rolou em sua casa e pedir ajuda.
— Você deveria ter imaginado que as coisas não terminariam bem Zenitsu. – Tanjirou o consolou como podia, mas sem muita preocupação pelo drama do amigo, tomando seu suco de caixinha calmamente. – Não seria melhor dizer á Kaigaku que mentiu sobre essa coisa de namoro?
— É claro que não! – O loiro levantou o rosto choroso e vermelho, limpando o nariz com a manga do suéter. – Se eu fizer isso, ele nunca mais vai me deixar em paz na vida. Kaigaku pode ter um rosto atraente, mas você não imagina o capeta que ele pode ser. – Quando se tocou que elogiou irmão, Zenitsu deixou a testa cair na mesa novamente. – Ele vai transformar minha vida num inferno se isso rolar, mais do que já faz diariamente.
— Entendo...boa sorte para você então. – Tanjirou fez um breve cafuné nos loiros fios do amigo, se segurando para não rir.
— Ei, Tanjirou. – Zenitsu o chamou baixinho depois de um tempo.
— Sim?
— Será que a Nezuko-chan va-
— Não vou deixar você incluir minha irmã nos seus assuntos. – O ruivo disse firme, mas sem ser rude. – Nezuko não vai ser sua namorada de mentirinha só pra você mostrar ela pro seu irmão.
— Aaah – Zenitsu choramingou de novo. Precisava arranjar uma garota que topasse fingir sua namorada. Ele estava disposto a fazer qualquer – ou quase isso – coisa pra compensá-la.
Aproveitando que eles ainda estavam no intervalo, Zenitsu saiu pelos corredores procurando as garotas que tinha mais contato, fazendo o pedido á elas. Kanao não disse nada á ele, mas o seu olhar dizia algo como “saia daqui antes que eu te bata” e foi o que fez; tentou pedir á Shinobu, mas a vergonha não deixou. Aoi lhe deu um tapa na cara e o chamou de cafajeste enquanto nem teve como pedir a Makomo; o olhar de Tomioka-sensei sobre si era de queimar, como se ele soubesse o que iria perguntar á garota. Ele foi pedir a Nezuko, mas Tanjirou já estava ao seu lado e seu olhar dizia quase como para ele não se atrever á perguntar.
O intervalo estava prestes a acabar, então Zenitsu pensou em desistir, mas uma ideia maluca passou por sua cabeça; era tudo ou nada agora! Saiu a procura de uma certa pessoa, mas não foi difícil encontrá-la sentada em uma das mesas da cantina se empanturrando de comida. Se aproximou com um sorrisinho, pensando em como faria aquele pedido.
— Nee...Inosuke... – O moreno encarou o loiro com aqueles grandes olhos verdes.
Zenitsu estava desesperado e sem alternativas, então para ele, que estava no fundo do poço, pedir para seu amigo colocar o uniforme feminino e fingir ser sua namorada não era grande coisa. Inosuke era do tipo que não ligava para convenções de roupas sendo sincero, mas com certeza não iria gostar de ter que fingir ser uma menina; mas o rosto enganava, e muito.
— Que que tu quer Zemisu? Não vou te dar meu lanche. – Ele disse de boca cheia e trazendo a comida para mais perto do peito.
— Eu não quero seu lanche. – Zenitsu revirou os olhos, ter seu nome errado pelo amigo nem era mais novidade. – Eu queria te pedir um favor... – Ele suou frio por um instante.
— Hm, tô ouvindo. – Engoliu a comida que tinha na boca e limpou os lábios com as costas da mão, mostrando estar interessado no que o outro tinha a lhe pedir; Zenitsu lhe pedir favores não era comum.
— Nee...você sabe da briga que tive com meu irmão mais cedo, não sabe?
— Sei, Kentarou me contou. E daí? – Inosuke era tão delicado.
— Eu tentei pedir para algumas das nossas amigas para que uma delas fingisse ser a minha namorada....
— E não deu certo, eu vi o tapa que a Yoi te deu. – Era incrível como o outro conseguia errar até mesmo nomes curtos e fáceis como de Aoi.
— ....é. Enfim, você poderia fazer isso pra mim? – A vergonha finalmente atingiu o rosto de Zenitsu. Mas Inosuke pareceu não entender onde ele queria chegar. – Digo, você é relativamente baixo e tem um rosto bonito igual a de uma garota, ent- Ele praticamente mordeu a língua quando Inosuke lhe deu um chute na perna, o fazendo cair com dor.
— Tá tirando uma com a minha cara ô loiro falso? – Inosuke se levantou com raiva, pegando Zenitsu pelo colarinho do suéter.
— Eu te faço uma semana de tempura caseiro.
— Fechado. – Foi mais fácil do que ele imaginava.
O sinal informando o fim do intervalo bateu e eles tiveram que retornar para suas salas, mas Zenitsu estava contente que havia conseguido arranjar alguém para seu plano. Inosuke não era realmente a melhor opção, mas ele sabia que o mesmo faria um bom trabalho já que havia lhe prometido uma boa recompensa, e o moreno era bom no que se propunha a fazer. Inosuke comentou sobre isso para Tanjirou, que encarou Zenitsu com um olhar que o loiro não soube dizer o que deveria significar, mas não era nada confortável. Quando a aula acabou, os dois garotos foram até a secretaria e, Inosuke não soube dizer exatamente como, mas Zenitsu voltou com um uniforme feminino em mãos, dizendo que devolveria depois. Inosuke pegou a roupa e se trocou no banheiro, e quando saiu, Zenitsu sentiu seu rosto corar; o Hashibira era realmente muito bonito e com aquele uniforme feminino, usando saia e tudo, ficava exatamente como uma garota. Tinha sorte que a blusa era larga e comprida o bastante para esconder o corpo musculoso do amigo. Estando prontos, eles foram juntos para a casa do loiro. “Pro Kaigaku não desconfiar de nada, você vai ter que ficar sem falar, ou sua voz grossa vai te denunciar.”— Zenitsu o informou, que bufou mas concordou; Inosuke queria mesmo era acabar logo com tudo aquilo para ter suas amadas tempuras.
Ao que chegaram na residência de Zenitsu, o loiro se acovardou e tentou fugir, mas Inosuke o segurou pelo colarinho e o forçou a abrir a porta, ameaçando roubar a chave dele e desmentir todo o plano para o irmão do rapaz. Sem alternativas, Zenitsu abriu a porta e entrou com Inosuke na casa; deixaram os sapatos na entrada e as mochilas no canto da sala, perto do armário de sapatos. Sentado no sofá, em uma pose de puro deboche e relaxo, estava Kaigaku, com um sorriso cínico, mas um olhar de surpresa. Ele não acreditava que seu irmão tinha de fato uma namorada, e uma muito bonita diga-se de passagem. Zenitsu sentiu uma gota de suor passar pela nuca e descer pelas costas, mas como o mais velho não parecia desconfiar de nada, e Inosuke estava quietinho e atuando até bem – mesmo estando com uma cara neutra e beirando a emburrada, ele estava confiante de sua farsa. Mas aquilo era só o começo.
— Bem-vindo irmãozinho – Kaigaku se levantou e foi recebe-lo com um sorrisinho. – E quem seria essa garota tão bonita? – Ele piscou para Inosuke, que apenas forçou um sorriso mas apertou a mão em punho pra não dar na cara do outro rapaz.
— E-essa é a minha namorada Kaigaku, a que eu te comentei, lembra? – Zenitsu sorriu nervoso e abraçou o amigo pelos ombros, que envolveu sua cintura com um braço e o beliscou forte; o loiro se controlou pra não choramingar.
— Ah sim, verdade. E qual o seu nome? – Ele disse olhando para Inosuke, que abriu a boca instintivamente para responder, mas Zenitsu foi mais rápido.
— I-Inoko. Isso, Hashibira Inoko. – Kaigaku o olhou com uma sobrancelha arqueada. – Ela está com dor de garganta e está rouca. Ela não deve ficar falando ou vai piorar, né, querida? – Ele olhou para Inosuke quase em desespero. O rapaz apenas crispou os lábios e afirmou com a cabeça.
— Bom, que seja. Porque não nos sentamos? Eu preparei chá e trouxe bolo para nossa convidada. – O mais velho deu de ombros e se virou, nem viu o soco que Inosuke deu no estômago de Zenitsu depois que o soltou do abraço.
— Você tá muito receptivo, aniki. – Zenitsu disse sarcástico, usando aquela forma para tratar Kaigaku; era incomum chamá-lo assim, apenas em determinados momentos.
— Bom, eu não poderia deixar uma má impressão, não é?
Os três se sentaram nos sofás – Inosuke e Zenitsu em um e Kaigaku no outro – e haviam três xícaras de chá na mesa junto a três pratos com fatias de bolo junto a garfos. Na realidade, Kaigaku não esperava que Zenitsu fosse trazer uma garota, e até desconfiava que a tal estava fingindo ser companheira de seu irmão; o chá e o bolo eram para debochar da cara do Zenitsu se ele aparecesse sozinho e iria comer o doce sozinho e colocar a bebida na chaleira depois.
— Onde está o vovô? – Zenitsu perguntou percebendo a ausência do mais velho.
— Ele foi na consulta dele. O velho tá sentindo aquelas dores fantasmas de novo. – Kaigaku comentou entregando o copo para Inosuke, que pegou e agradeceu silenciosamente.
As pernas do Hashibira estavam um tanto quanto bem abertas para alguém usando saia, e Kaigaku não pode não deixar de olhar para as coxas fartas do rapaz e constatando que a peça inferior era branca. Sim, ele estava achando a “senhorita namorada” muito gostosa; tinha um rosto bonito, coxas grossas e uma bela bunda, mas ela parecia despeitada e ele gostava de peitões, então não fazia seu tipo. Quando Zenitsu notou para onde seu irmão olhava, ele rapidamente empurrou a perna do rapaz ao seu lado, o forçando a fechar as pernas. O Hashibira encarou o loiro como se perguntasse qual o problema dele, mas Zenitsu apenas maneou com a cabeça. Eles estavam tendo uma briga só pelo olhar e Kaigaku achava isso a coisa mais engraçada do mundo.
Estava na hora de testar aquele namoro, se era real ou apenas fingimento – e torcia muito para ser a segunda opção.
— Mas então, Inoko-chan. – O mais velho começou, chamando a atenção dos outros dois que discutiam em silêncio. – Me diz, como vocês dois começaram a namorar. Digo, o Zenitsu? Sério? O que você viu nele? – Ele riu do irmão, que fechou a cara.
— E-ei. – Zenitsu reclamou. – A gente se ama, tá bem? – Segurou a mão de Inosuke que a apertou com força, não gostando do rumo daquela conversa. – A gente se conheceu na escola, somos colegas de turma. E ela gosta da cor do meu cabelo. – Ele disse orgulhoso, tentando se convencer de sua mentira.
— Mesmo ele sendo tingindo? – Kaigaku riu.
— É. – Ele afirmou com certa raiva.
— Certo, certo. Mas então, o que você fez pra ela aceitar ser sua namorada? Cá entre nós irmãozinho, você não é muito bom com garotas.
— Ela que pediu pra namorar comigo. – Já que Inosuke não podia falar nada, Zenitsu poderia mentir a vontade.
Quem não estava gostando de nada disso era o próprio Inosuke, que apertava a xícara nas mãos tão forte que faltava quebrar. Mas ele tentava se recompor, pensava nas tempuras que iria conseguir depois, fazia isso por elas.
Enquanto Kaigaku e Zenitsu continuavam conversando sobre sua pessoa como se ele não estivesse ali, Inosuke pegou um dos pratos e comeu rapidamente o bolo. Mas não estando satisfeito, comeu as outras duas fatias também; Kaigaku só percebeu quando ele colocou o último prato limpo na mesa.
— Nossa, vejo que temos uma moça de garfo hein, haha. – Kaigaku disse surpreso em ver como a garota havia comida três fatias de bolo tão rápido. Os pedaços eram relativamente grandes, então era algo incomum para ele ver uma menina pequena e fofa como aquela a sua frente comer tanto.
— É que a Inoko gosta bastante de doces, né? – Ele olhou para o rapaz com certa raiva, mas recebeu um beliscão na perna de forma discreta.
— Tá certo...então porque não para com essa encenação Zenitsu? – A voz séria do mais velho deixou o loiro nervoso. Eles haviam sido descobertos?
— O-o que quer dize-
— Eu não sou idiota garoto. Tá querendo me convencer de que uma garota bonita como essa daí namora com você? Me poupe, é mais fácil eu pular do telhado do que você arranjar uma namorada gostosa como essa. – Kaigaku olhou para os dois os analisando; Zenitsu estava nervoso, mas Inosuke parecia mais neutro, mesmo que queimasse de irritação por dentro.
— D-do que está falando Kaigaku? Inoko é minha namorada de verdade. Não dá pra aceitar que eu posso conquistar alguém?
— Então provem. – Os olhos azuis transmitiam uma aura de desafio.
— Provar? – Zenitsu não entendeu.
— Sim. Provem que são namorados. Se beijem.
— Que??
O sorriso no rosto de Kaigaku se alargou. Ele tinha praticamente certeza de que aquele namoro era fachada e garota nenhuma iria se sujeitar a ir tão longe numa farsa. Havia a mínima chance de estar errado, mas ele acreditava de que estava certo.
Zenitsu olhou para Inosuke que tinha uma chama de puro ódio nas grandes íris esverdeadas, mas antes que ele tentasse conversar com o irmão, foi puxado pela gravata e seus lábios se chocaram com certa violência contra os do Hashibira. Os olhos de Zenitsu e Kaigaku se arregalaram, especialmente os do loiro, que nunca iria imaginar que Inosuke iria tão longe. O beijo mais agressivo passou para um mover mais suave dos lábios – na qual Zenitsu até pensou que rolaria uma língua, mas não durou mais do que alguns segundos; Inosuke largou Zenitsu e cruzou os braços emburrado, queria ir logo embora. O Agatsuma encarou seu irmão meio atordoado mas sorriu, com um olhar de vitória, já que aquilo deveria ser prova o bastante de que falava a verdade.
Kaigaku bufou irritado, derrotado, mas surpreso. Encarou Inosuke uma última vez e se levantou; bom, havia gente louca pra tudo não é?
— Tá, certo, acredito em você. – Disse dando de ombros, vendo os mais novos se levantando também. – Bom, porque você não mostra a casa pra Inoko-chan? – Kaigaku indicou e Zenitsu afirmou feliz, indo na frente. No entanto, quando o mais baixo passou pelo rapaz de olhos azuis, sentiu sua bunda ser apertada. – Caso você canse dele, eu tô livre. – Sussurrou perto da orelha de Inosuke de forma bem sensual, um flerte claro. – Você pode ser meio estranha, mas é muito gostosa.
O que aconteceu em seguida não foi algo que Kaigaku podia prever, apenas sentir: um gancho de direita diretamente em seu nariz, com uma força tremenda que o fez ser jogado contra o sofá e cair por cima dele, quase o derrubando. Zenitsu se virou ao escutar o barulho do baque do corpo de seu irmão caindo no chão e sangue pinando do nariz dele, tentando ser estancado pela mão de Kaigaku. Os dois encaram Inosuke, que estava claramente puta da vida; já havia extrapolado seu limite.
— SE ME CHAMAR DE GOSTOSA E APERTAR MINHA BUNDA OUTRA VEZ EU VOU TE CASTRAR NO DENTE SEU ARROMBADO DO CARALHO!! TÁ PENSANDO QUE É QUEM SEU FUDIDO?? – A voz grossa e irritada de Inosuke soou quase ecoando pela casa, assustando Kaigaku ao se tocar de que aquela linda menina...era um cara. Quando Inosuke estava prestes a pular em Kaigaku, Zenitsu o segurou pelos ombros.
— I-Inosuke, calma, calma. – Ele dizia trêmulo em ver que no último minuto todo seu plano havia sido estragado. Era agora que seu irmão iria o zoar até o túmulo.
— VAI SE FODER TAMBÉM BENISU. – O Hashibira deu um chute no joelho do loiro que o soltou com dor e só não recebeu outro chute pois o rapaz estava andando a passos pesados para a porta, a batendo com força quando saiu da casa.
Os irmãos ficaram em silêncio encarando a porta e depois o outro. Kaigaku riu de lado e limpou o sangue com as costas da mão, indo até o loiro e o ajudando a se levantar. Zenitsu esperava qualquer humilhação vindo de Kaigaku agora.
— Zenitsu...se você tava namorando um cara, era só ter dito. – O loiro o encarou estupefato com a frase do irmão. – Você sabe que eu não iria julgar você por gostar de rolas. – Limpou mais um pouco de sangue que ainda vazava do nariz. – Seu namorado tem um soco forte hein. – Reclamou da dor que sentia e foi para o banheiro tentar parar o sangramento.
Zenitsu, por sua vez, ficou ali parado, sentado no braço do sofá, até que correu para fora de casa indo atrás de Inosuke antes que ele pensasse em fazer alguma estupidez – seu âmago pressentia que isso iria acontecer em breve.
Bom, Inosuke não havia se saído bem como uma doce e falsa namorada, mas como namorado...não, nunca!
Notas finais
O que acharam dessa história? Gostaram? Espero que sim :)
Até breve com outra fic fresquinha *3*
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