Minha Morte não é o Fim
4 I need blood
Notas iniciais
Lentamente abro meus olhos... O céu, a grama, as flores, as arvores... Tudo parece perfeito. Perfeito até demais. E Quando começo a sentir o cheiro da floresta, uma agonia toma conta do meu corpo. Uma dor corrói minhas pernas, cresce e invade meu peito. Minha respiração fica pesada, mau consigo manter meus olhos abertos.
Tento me levantar, mas não consigo. Dou um gemido fraco quando sinto uma pontada nas costas. Pensei que nesse lugar eu não sentiria dor.
– Ethan? — alguém me chama
É uma voz conhecida mais não consigo identificar quem é.
Parece que a toda a força do meu corpo está sumindo.
– Ethan?! — a voz chama outra vez.
Meus olhos estão se fechando quando ouço pela terceira vez aquela voz. Não entendo o que diz, mas ela só pode vir da Sarah. O que ela está fazendo aqui?! E... E se não for realmente ela?
Minha cabeça dói, tudo fica escuro... E então, apago mais uma vez.
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Acordo, abro um pouco meus olhos, e tento entender o que vejo.
Nossa, como esses senários são reais...
Tento me levantar mas não consigo, pelo menos consigo me sentar na cama que estava deitado...
Estou no meu quarto! — Penso surpreso
Finalmente consigo focar meus olhos, e vejo que tem algumas "pessoas", ou o que quer que sejam, aqui dentro, comigo. Realmente, eles parecem ser reais e eles estão olhando fixamente para mim desde que acordei. Olho bem atento para cada um deles, estou ficando curioso, pareço um bebê que abre os olhos pela primeira vez, que olha assustado conhecendo o mundo, ou o vendo de outra forma.
Parece que esses sei-lá-o-que, se parecem com meus amigos... Um deles parece o Benny, outro a vó dele (isso soa mais estranho do que parece), e outro... Sarah! Quando olho em sua direção ela sorri para mim... Um sorriso pequeno se forma em meus lábios, apesar de tentar, eu não consigo conte-lo...
Meu sorriso desaparece quando lembro que é apenas uma ilusão e que a Sarah não está mesmo aqui.
Eu achei que quando chegasse aqui, não lembraria de nada nem ninguém... Será este me castigo? Lembrar de seu doce sorriso mesmo sendo inalcançável? Acho que não... O céu não é lugar de punição... Devo me lembrar dela apenas para descansar em paz sabendo que Sarah vai estar livre de mim.
Mas, esse pensamento não me acalma, sinto algo entalado no meu pescoço. Talvez sentisse um aperto no coração... Se eu ainda tivesse um que funcionasse... Estou morto, e isso não vai mudar...
Nunca mais verei minha família, nunca mais verei meus amigos, nunca mais... Verei a Sarah.
Então... porque não estou triste? Se me lembro de tudo isso... Eu deveria no mínimo ficar arrasado. Tudo o que aconteceu e eu não estou triste! Nenhuma lágrima! Como assim? Agora porque não tenho mais coração, eu não tenho mais sentimento algum?
– O QUE HÁ DE ERRADO COMIGO? — Grito quebrando o silêncio que ainda pairava no ar — Como tudo isso pode não me deixar triste?! Eu estou morto, eu sei, mas como me lembro de tudo? E porque me lembro? E... E... Porque parece que não sinto nada a respeito? Porque... Err... Porque sinto que perdi minhas lágrimas, e com elas... perdi quem eu sou? — Eu grito mais uma vez com toda a minha força, seguro minha cabeça com as mãos e apoio em minhas pernas, encolhido, enquanto espero que pelo menos uma lágrima apareça...
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Me sinto mais tranquilo. Acho que fiquei umas 2hrs, em estado de choque. Não sei se estava em algum tipo de transe que me fez aguentar ficar tanto tempo de cabeça baixa mas, me fez ficar um pouco menos atordoado.
Quando levanto minha cabeça percebo que o único no quarto comigo, é aquele que parece com o Benny.
– Ethan, sai dessa... — Ele diz com um voz calma — Eu sei que isso foi um susto muito grande, e que você ficou apavorado, mas... Você vai ter que aprender a lidar com isso.
– Eh, uhm, escuta aqui, ô sósia do Benny, anjo do Benny, ou o que seja. Quando escrevem naquelas lacunas "Que descanse em paz", significa "Para de me encher!" Nesse lugar não é a mesma coisa não?!
– Sósia? Anjo do Benny? Sério?! uhm, então tá — Ele diz, e eu noto pouco de sarcasmo em sua voz.
Ele vai até a porta e depois de abri-la um pouco e colocar a cabeça pra fora, em um tom meio baixo ele diz:
– Ô vó, pode vir aqui por favor? — Ele continua depois de fechar a porta — Porque o meu amigo aqui tá ficando maluco.
– Ei, espera ai! — Ele fala como se estivesse tendo uma lembrança repentina — Você tinha dito lacunas, e "Descanse em paz", e se referia ao seu quarto como "Nesse lugar"... — Ele olha fixo para mim, olha atentamente para meu rosto enquanto continua:
- Ethan? Onde exatamente você pensa que está?
E nesse hora a "vó do Benny" e a "Sarah" entram no quarto. Estou confuso, como assim onde penso que estou?!
– Ethan! Você não tá morto!!
Eu fico espantado, e começo a olhar pro vazio não entendendo mais o que ele diz. Então ele continua:
– ...Bom, quer dizer, você está mas, não está...
Eu viro meu olhar em direção ao seu rosto, meus olhos estão um pouco arregalados (E pela careta dele, isso deve ter sido assustador, ainda mais pelo que ele acabou de falar).
– O quê? — Digo com a voz meio estranha.
– Benny! — A vó dele fala — O que você está fazendo? Esta confundindo mais a cabeça dele! — Ela continua enquanto o tira do quarto — Quando você souber controlar sua ansiedade eu o chamo! Agora saia daqui, o Ethan ainda está muito sensível.
– Ethan, você precisa comer — Ela fala com a voz em um tom mais baixo e coloca uma bandeja em meu colo.
Vejo torradas com geleia, e uma bebida que parece um suco muito concentrado.
Com tantas informações que recebi, ainda analiso tudo o que ouvi e penso em que devo acreditar. Minha mente está confusa demais até mesmo para minha curiosidade. Claro que quero entender tudo o que está acontecendo, mas estou tão fraco que nem mesmo consigo perguntar qual o sabor do suco.
Decido comer, então começo pela torrada mas, meus sentidos estão tão distorcidos que não consigo nem identificar o sabor da geleia.
Mas, quando bebo o suco, sinto-o ainda um pouco quente escorrer por minha garganta. Ele me deixa mais animado e mais desperto. O incrível é que já me sinto mais forte, não sei qual é o sabor do suco, mas sinto como se ele estivesse aumentando minha resistência. O engraçado, é que sucos normalmente são frios.
Reúno forças e pergunto:
– Que suco é esse?
– É um suco de frutas com beterraba, e algumas vitaminas – Prontamente a vó do Benny responde – Vai te deixar melhor.
Sarah olha para ela mas ela continua a olhar para mim com um sorriso doce e gentil.
– Uhmm, é delicioso... – E então começo a beber desesperadamente até que tenha acabado – Quero mais!
– Ethan, v-você não pode beber mais... – Sarah fala pela primeira vez desde que a vi.
Então em um piscar de olhos lanço o copo na parede do outro lado do quarto e me levanto em um salto, derrubando a bandeja que estava no meu colo.
De pé, olho fixamente para os três. Meu olhar é maldoso e dominante... E então, meus olhos brilham, minhas presas aparecem, e com a voz grave, baixa e assustadora digo:
– Eu quero mais sangue...
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