Minha Lady, Minha Marinette
15 A responsabilidade de um irmão mais velho
Notas iniciais
Não é qualquer arbusto que tinha orelhas de coelho.
Enquanto Sam e Loup estão conversando, me aproximei do arbusto, então as orelhas sumiram. Olhei para atrás do arbusto, não havia ninguém, então era só um coelho qualquer?
Não… O tamanho do arbusto é bem maior que um coelho.
— Papillon? Está tudo bem? – Perguntou Loup.
— Ah… Sim! Só achei que vi algo no arbusto… Mas não tem nada.
— Precisamos voltar. – Disse Loup. – Por favor, tome mais cuidado, Ok Sam… Samsacional! Amei seu cabelo!
— O seu é bonito também… – Disse ela, inexpressiva.
Segurei a albina em meus braços e saí do topo do edifício, deixei ela no chão e Loup começou a correr em direção do akumizado, e eu comecei a voar.
— Então você conhece a Sam? – Perguntei.
— Se eu a conheço, você também conhece? – Arregalei meus olhos, impressionada com a resposta dele, então ele parou de correr. – Ver só, eu te amo muito, mas você não precisa saber NADA sobre o meu relacionamento com a Sam, OK?!
— ….O-Ok. – Fiquei um pouco chateada, já que ele quase gritou comigo.
Ele percebeu que eu fiquei um pouco entristecida, então ele colocou as mãos em meus ombros, me fazendo corar.
— Perdão, eu realmente não quero que alguém saiba alguma coisa sobre nós.. Desculpa mesmo.
— Tudo bem… Chat e Ladybug estão nos esperando, não podemos ficar parados aqui.
— Ah… É mesmo! – Ele voltou a correr, e eu voltei a voar.
Quando chegamos lá, Ladybug já tinha purificado o akuma, então o jeito eramos ir embora.
Fui para um beco e me destransformei, e saí do local, fiquei andando por aí em Paris, já estava quase anoitecendo. O vento batia um pouco forte, parecia que ia chover.
Eu me pergunto qual é desse relacionamento de Sam e Loup… O que eles são? Namorados? Amigos? Inimigos? Queria muito saber.
Marinette e Adrien já estão namorando, eles ficam juntos até demais… Assim perde a graça da vida, quem eu vou juntar agora? Félix e Lucas parecem uma boa ideia… mas tenho medo de Lucas me odiar por causa disso… Acho que o jeito é eu tentar me juntar com Nathanael.
Já ouvi boatos que ele gostava da Marinette, será que ele ainda gosta? Não sei.
Entrei na mansão de tio Gabriel, não tinha ninguém em casa.
— Adrien? Félix? – Gritei, enquanto andava pela casa, observando os quadros de Gabriel Agreste e seus filhos.
Me deparei com uma pintura da esposa do tio, realmente era ela bem linda. Aproximei a minha mão na pintura, e o quadro fez um barulho estranho. O quadro se moveu para o lado, e havia uma porta.
Então é uma passagem secreta? Oh meu Deus.
Abri a porta, e era um tipo de elevador, então eu entrei. O elevador tinha dois botões, de ir para cima e para baixo. Estranho, ninguém nunca me disse que havia um elevador na casa… Blah, coisas de rico.
O elevador subiu para algum lugar, então ele abriu as portas, e havia uma porta familiar na frente, eu conseguia ouvir uma voz familiar atrás da porta.
Girei a maçaneta lentamente e abri devagar a porta, só deixando uma brecha.
Aproximei o meu olho, e era um local familiar.
Borboletas, janela enorme…
Meu Deus é o local onde o Hawk Moth fica! E ELE ESTAVA LÁ!
A janela se fechou, e ficou um breu, eu só conseguia ouvir os passos de Hawk Moth, e ele se destransformando.
— Por que você ainda insiste, Sr. Gabriel? – Perguntou uma voz desconhecida.
— Eu preciso dos miraculous deles, Noru, você não sabe o quanto necessito deles. – Respondeu uma voz conhecida, a voz do tio Gabriel.
Então ele é o Hawk Moth? Não acredito…
— NOOROO! – Lokky e Lullu gritaram assustados.
— Vocês conhecem aquele carinha?
— É obvio! Ele é da nossa família, Catherine! – Disse Lokky.
Gabriel já estava se aproximando da porta, então logo fechei, fazendo um barulho só para piorar a situação.
Fiquei clicando no botão da seta pra baixo várias vezes para o maldito elevador descer, quase quebrando o botão. Depois que o elevador desceu, eu suspirei, aliviada, mas ainda nervosa, pois eu já sabia que Gabriel estava atrás de mim.
O elevador abriu as portas e apareceu novamente a porta de antes, eu abri e avistei Félix com uma xícara de café na mão, com uma expressão de “Essa passagem secreta existia?”
— ….O que é isso? – Perguntou Félix.
— Não dá pra explicar. Só. CORRE. – Félix fez o que eu pedi, então me escondi embaixo da mesa quando escutei a voz de Gabriel se aproximando.
— Ok, quem foi o espertinho que entrou aqui? – Perguntou Gabriel, saindo da passagem secreta e fechando-a, fiquei tremendo debaixo da mesa. – ….Acho que só foi impressão.
— ….Só impressão, mestre, só impressão. – Disse o kwami de mariposa, calmamente.
Gabriel saiu do local, então eu sai debaixo da mesa, indo diretamente para o quarto do Adrien, bati a porta, um tanto nervosa.
— Catherine?
— VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR! O TEU PAI É…. – Antes de falar o resto da frase, eu me calei, imaginei como seria a reação de Adrien, ele surtaria? Ia achar que eu menti?
— Ele é…?
— …Um fã de tratores. – Disse sem pensar, e Adrien caiu na risada.
— Meu Deus Catherine, vou tomar banho depois dessa. – Adrien saiu do quarto, e eu me joguei na cama, ah como eu queria que o Gabriel fosse um fã de tratores agora…
— EU NÃO ACREDITO! AQUELE VELHO TA CONTROLANDO O NOOROO! – Lokky rolou na cama, parecia bem estressado.
Lokky só sabia reclamar, como não tinha nada para fazer, acabei adormecendo.
Acordei logo depois de algumas horas, já era de manhã e eu tinha muito tempo de comer e de tomar banho. Fui no banheiro e tomei banho, depois desci para a sala de jantar e tomei o café da manhã, logo depois entrei no pequeno carro, junto com Félix e Adrien.
Chegamos na escola e entrei na minha sala, a professora ainda não tinha chegado, só depois de alguns minutos ela chegou, com uma garota de cabelos curtos e um óculos vermelho.
A garota do celular.
— Crianças, essa é Rebecca Ashley, ela é uma brasileira, e infelizmente não sabe falar francês… Somente algumas palavras. Rebecca, quer falar alguma coisa?
— ….? Ah! Nananana! – Ela disse algo estranho, acho que ela quis dizer “não”.
— Certo, você pode se sentar… Ao lado de Catherine, ela está sozinha.
Rebecca foi até a minha direção e se sentou ao meu lado, ela deu um sorriso, e eu retribui. Eu realmente não sabia que ela era uma brasileira! Quero muito falar com ela mas… Tenho medo de confundir português com espanhol, ou com português de Portugal.
Depois de um tempo, o diretor entrou na sala, disse que precisava falar com a professora, então ela saiu da sala e todos começaram a conversar, e eu comecei a desenhar.
A brasileira começou a desenhar também.
— Você desenha bem! – Disse para a brasileira, totalmente em português.
— Você tamb… Espera, você fala português?!
— Não fluentemente… mas sim! Gosto muito dos brasileiros.
— Isso é bom… Nunca vi alguém de outro país gostar dos brasileiros…
Ficamos desenhando juntas até a professora chegar, quando ela chegou, a festa acabou, e ela começou a dar aula novamente.
Minha primeira amiga… Que tem a minha idade!
~~
Oh meu Deus, tenho que parar de dormir tarde.
Preciso ficar mais ligado nos deveres, tipo cuidar da irmã, fazer tarefas, cuidar da casa… É muito chato quando estou sem meus pais.
Digo, eles não morreram, somente tive que sair do Brasil para cuidar do restaurante do meu tio… E minha irmã acabou indo junto. Ela não sabe francês, então eu deixo ela em casa, geralmente é eu que ensino a ela.
Mas hoje, ela não estava em casa.
O dia inteiro fiquei preocupado com ela, infelizmente eu não podia sair da sala, não sei fazer desculpas, então o jeito era procurá-la no intervalo.
Deu intervalo e andei a escola toda, não a achei.
Voltei para a sala, deu aquelas aulas entediosas e depois, deu a largada.
Todos saíram da sala, e eu fui diretamente pra casa, já que felizmente hoje eu não trabalharia no restaurante, graças a Deus!
Cheguei em casa e me joguei no sofá, fiquei deitado por alguns minutos, mas logo depois me levantei e fui diretamente pro computador, abrir o facebook e tal.
Eu tenho muitos amigos virtuais, mas eu costumo falar mais com três: Gustavo, Damien e Lyon.
Gustavo é um brasileiro, ele mora no interior de São Paulo, e o Damien é um amigo francês, ele é descendente de russos, e mora em Marselha, Lyon também é um francês, e eu não sei exatamente onde ele mora.
Quando conversamos em grupo, nós conversamos em português.
Abri um bate-papo, que havia mais de 100 mensagens.
Lucas: Oi pessoal.
Damien: Parece que alguém saiu da caverna.
Gustavo: KKKKKKKK
Lyon: Onde você tava?
Lucas: Perdão, é que eu estava viajando com a minha irmã e trabalhando em um restaurante do meu tio
Lucas: Aliás, vocês já se apaixonaram?
Gustavo: Tô apaixonado no momento.
Lyon: Nunca me apaixonei! Como é a sensação?
Lucas: É estranha.
Lucas: Opa, preciso ir, minha irmã chegou, tchau!
Damien: Tchau.
Desliguei o facebook, e sai do computador, indo para a direção da minha irmã, que estava na entrada.
— Onde e por quê?
— Fui para a escola, precisava descobrir uma coisinha. – Ela tirou seu óculos vermelho e coçou seus olhos. – Tenho que dormir. – Ela andou em direção a escada.
— Espere. – Puxei ela pelo suéter vermelho dela. – Como você entendeu o que as pessoas falavam?!
— Ajuda de uma amiga. – Ela deu uma piscadinha e subiu as escadas, dando risadas.
— VOLTE AQUI MOCINHA! PRECISAMOS CONVERSAR!
— Você sabe que eu odeio escola né Lucas? Eu só fui porque o mestre pediu.
— Aquele cara de novo? Ugh.
— Isso mesmo. – Ela entrou no quarto dela, e eu me joguei no sofá, peguei o controle remoto e liguei a TV.
Só passava porcaria, então comecei a passar por vários canais, até que um me interessou. Passava notícias velhas sobre Ladybug e Chat Noir, também os outros heróis. Um senhor estava sendo entrevistado, falando que no tempo dele, havia outros heróis, e assim foi.
Lembrei do Félix.
Desliguei a TV e subi as escadas, correndo até o quarto da minha irmã. Abri a porta, batendo ela, Rebecca estava pintando um desenho no chão.
— O que foi?
— PRECISO DA TUA AJUDA! Tô apaixonado, não sei o que tá acontecendo, não sei se a pessoa me ama também!
— Opá! Quem é a sortuda?
— …Sortudo.
— Eita, então você é gay?
— Não Rebecca, sou um unicórnio.
— Você sabe que é a mesma coisa né? – Ela se levantou, guardando os desenhos debaixo da cama. – É um francês?
— Sim, ele é o primo dessa sua amiga que gosta dos brasileiros… De olhos azuis, de pele branquinha….
— Ele é o coelhinho por acaso para você falar desse jeito? – Ela riu, e eu acabei rindo junto. – Ok, qual o nome dele?
— Félix Agreste.
— Félix Agreste?! Oh! Ele é meu amigo.
— Seu… O quê?
— Amigo, oras. Converso as vezes com ele pelo telefone, e uso o tradutor para falar com ele! – Ela me empurrou para fora do quarto. – Pode fritar coxinhas pra mim? E… Eu preciso de cenouras.
— Cenouras? Pra quê cenouras?
— …Trabalho de escola, hehe. – Ela deu um sorriso e fechou a porta na minha cara, sinto que ela esconde algo.
Desci das escadas e fui direto para a cozinha, peguei uma coxinha que estava na geladeira e fui fritar. Mutt logo saiu do esconderijo dele e tentou atacar a coxinha, mas eu impedi. Ele realmente só comia coxinha, pensei que leões gostassem de carne… Não de fritura.
Ele ficou o tempo todo no meu ombro, observando eu fritar a coxinha, então o meu celular vibrou, e Mutt pegou.
— É o Gustavo. – Ele entregou o celular para mim.
Gustavo: Ei
Gustavo: Lucas Lucas Lucas Lucas
Lucas: Desculpa, tô fritando uma coxinha para a minha irmã.
Gustavo: Você tá morando em Paris né?
Lucas: Exato, algum problema?
Gustavo: Não… Já visse aqueles heróis? Ladybug, Chat Noir, Papillon…?
Lucas: Sim! Eles são legais, né?
Gustavo: Sim… Eu gostei muito da Papillon… Cara, ela é mó gata! Tem como conversar com ela?
Eu parei de responder por alguns minutos… Estranho, O Loup também gosta da Papillon, será que…
Lucas: Desculpa cara, mas ninguém consegue falar com os heróis não.
Gustavo ficou offline.
Joguei o celular no sofá e voltei a fritar a coxinha, muito preocupado com a Catherine.
Gustavo tem 18 anos… E a Catherine tem 12… E pior ainda se o Adrien descobrir isso! A mansão dele vai cair se o Gustavo for o Loup… mas tem poucas chances, Gustavo mora no interior de São Paulo… Não é possível isso.
Acabei de fritar a coxinha e deixei em um prato, peguei cenouras na geladeira e deixei no prato também. Peguei o prato com a coxinha e as cenouras e subi as escadas, indo pro quarto dela, abrindo a porta. Avistei ela dormindo na cama, com alguns papéis sob a barriga, e ao lado, a bolsa que ela sempre carrega toda semi-aberta.
Deixei o prato no criado-mudo branco, e observei um pouco o quarto dela, o quanto estava bagunçado… Amanhã tenho que arrumar ele de novo.
Cheio de pelúcias pelo chão… Tanto de coelhos quanto raposas.
— Você sempre se pergunta o que tem na bolsa dela… A oportunidade de ver está na sua frente! – Disse Mutt, que parecia animado.
— …Eu realmente não queria fazer isso, mas eu me preocupo muito com ela. – Peguei a bolsa dela e abri mais um pouco, e não tinha tanta coisa interessante.
Dentro da bolsa tinha o celular dela, um pacotinho branco, um estojo verde que parecia ter vários lápis, e uma carteira vermelha e preta, com um coelho branco no meio. Decidi pegar a carteira e abrir, havia algumas moedas e um anel preto, que tinha um pequeno formato de coelho. Na carteira também havia algumas fatias de cenoura.
Coloquei tudo de volta no lugar, e deixei a bolsa ao lado dela, do jeito que estava. Pelo amor de Deus, quem é que guarda fatias de cenoura em uma carteira? E qual era daquele anel que eu nunca vi antes?
Acho que é algum tipo de brinquedinho que veio no ovo da páscoa dela, já que ela ama tanto coelhos… E raposas. Sério, qual é dessa paixão por coelhos e raposas? Se perguntam entre gato e cachorro, ela escolhe coelhos.
Desci as escadas e me sentei no sofá, fiquei imaginando o que ela esconde de mim, pois todo santo dia ela sai de casa e volta tarde, e ela não tem amigas para ir pro shopping…
Meu celular vibrou novamente, eram mensagens do Gustavo.
Gustavo: Mano desculpa, minha internet é uma porcaria. Sério mesmo que é impossível falar com a Papillon?
Lucas: Sério mesmo, e ela parece ter 12 anos.
Gustavo: Tô fora, não quero me bancar de pedófilo, acho que vou pra rede da Ladybugzinha msm.
Gustavo: Tchau Lucs.
Gustavo ficou offline.
Agora fodeu mesmo, mas isso não é comigo.
Me levantei e arrumei a casa, pois estava muito bagunçada, então Rebecca desceu as escadas com o prato vazio nas mãos, e levou a pia. Depois foi mexer no computador. Fiquei andando pela casa e ela não saia do computador, então me aproximei dela.
— O que está fazendo?
— Nada demais. – Ela desligou o computador e se levantou, indo pro quarto.
Eu não entendo essa menina.
Fale com o autor