Minha História de Amor
5 Capítulo 4
Menos de uma semana depois, nos mudamos para a casa vizinha da de minha avó.
Meu quarto, antes pintado de preto, já estava lindo e bem decorado, com as paredes vermelhas e cheio de pôsteres das minhas bandas favoritas.
Mesmo com muito esforço, não consegui esquecer, nem por um minuto, o olhar quente e penetrante do Arthur.
É claro, um menino tão lindo e simpático, forte e atraente, ganha a atenção de todas as garotas.
-Alex, acorda! – ouvi minha mãe gritar.
Me levantei, dei um leve selinho em meu pôster gigante do Jhonny Depp, abri o armário e peguei o monstruoso uniforme marrom do colégio particular e meu tênis preto.
Me vesti, tomei café com leite e escovei os dentes o mais rápido possível.
Minha ansiedade enorme me incomodara o fim de semana inteiro.
Por incrível que pareça, já me acostumei com a casa nova, rua nova, cidade nova.
Aqui é tudo tranqüilo, calmo... Quase não passam carros na rua.
Observei, ontem à tarde, que vários meninos, de uns oito ou nove anos, passam a tarde andando de bicicleta, apostando corridas, e se sujando de terra, na rua.
Também reparei em um grupo de meninas, já mais velhas, que moram por aqui. Uma loira, alta e muito bonita. Uma morena, um tanto baixinha, também bonita. E uma garota... Hm... Esquisita, que mora na casa da esquina. Parece ser descendente de japonês, ou algo do tipo.
Elas também ficam na rua. Sentadas. Conversando e rindo, histericamente.
Fora isso, todos por aqui são calmos, diria que, normais.
Hoje, segunda-feira, é finalmente meu primeiro dia de aula.
Será que as garotas de lá são legais? Será que os garotos são bonitos? Será que os professores são bacanas? E... Será que o Arthur vai falar comigo? Vai lembrar de mim?
A cada pergunta que aparece em minha mente, minha ansiedade triplica de tamanho.
-Esta pronta? – minha mãe perguntou preocupada ao me ver pegando minha mochila cor de rosa.
-Se pronta quer dizer ansiosa... É, estou! – eu disse com um grande sorriso.
-Acalme-se. O Arthur estuda lá, ele com certeza vai te apresentar aos amigos dele. Sem falar que os professores são ótimos, os alunos são comportados... E você é uma menina linda. Fique tranqüila. – minha mãe tentou me acalmar. – Vou pegar o carro. Vai pentear o cabelo, e eu estarei esperando.
Droga. Porque minha mãe sempre me irrita com o meu cabelo?
-Meu cabelo está lindo. Nem venha reclamar. – eu disse já irritada por causa da ansiedade.
Fui em direção ao carro, respirei fundo uma última vez e entrei no banco do passageiro. Fui logo ligando o som, antes que minha mãe colocasse um cd chato, na rádio local.
Passamos por várias casas, todas um tanto parecidas. Casas de todas as cores.
Azuis, Amarelas, Laranjas, Verdes, Roxas... Até que enfim, viramos uma esquina e estávamos no centro da cidade.
Sentia tanta falta deste lugar. Na minha última visita a cidade, eu tinha sete anos.
Tudo ainda era como eu recordava, exceto o mercadão no centro. Antes, dono de paredes pintadas de um azul desbotado, agora, dono de paredes limpas e pintadas de vermelho.
Enfim, viramos a esquina e chegamos a um prédio de três andares, azul escuro.
Fiquei abismada com o número de alunos que se encontravam na entrada.
Algumas meninas de uniforme estavam sentadas em um meio-muro em frente ao colégio. Junto á elas alguns garotos que, confesso, eram lindos!
Vários carros e vans paravam o tempo todo em frente ao colégio deixando mais e mais alunos.
Logo percebi que minhas mãos suavam e o espelho refletia minha cara de medo...
-Consegue entrar sozinha? – minha mãe já estava preocupada.
Meu medo era mais visível que o sol!
Olhei, tentando criar coragem, para minha mãe.
-É... – foi tudo o que consegui dizer.
-Sem ir pra enfermaria? – ironia.
Ótimo, adoro ironia. Dei uma leve risada.
-Vou tentar. Mas, se te ligarem pela manhã, não atenda. Vem correndo pra cá.
Risadas. Momentos de felicidade. É, eu até gosto disso.
Olhei a minha frente e meu coração acelerou abruptamente.
Era ele, Arthur. Descendo do corsa preto da mãe dele. E vindo em minha direção.
Ai meu Deus. Ele ta vindo pra cá!
-Oi Alex! Preparada pro primeiro dia de aula? – aquela voz perfeita...
Ah. Concentra Alex.
-É... –tente pelo menos ser engraçada. – Depende. Tem matemática?
Consegui, ele deu risada. Isso! Vai Alex, vai Alex...
-Vamos... Daqui a pouco toca o sinal. Não vai querer se atrasar. Acredite.
Dei um beijo em minha mãe e saí do carro rápido de mais. Pelo menos eu não caí, só tropecei.
Segui o Arthur até a sala de aula. O colégio era enorme.
Entrei na sala que, graças a Deus, estava meio vazia. Alguns meninos estavam sentados no fundo e vieram falar com o Arthur. Duas meninas estranhas entraram na sala e sentaram nas primeiras carteiras.
Não conseguia tirar os olhos do Arthur, foi fácil perceber quando ele me chamou. -Estes são o Kiko... – ele disse apontando um garoto loiro, alto e magro e depois para um moreno simpático. – E o Marco. Meninos, essa é a Alex. Eles sentam comigo lá no fundo e...
-Quer sentar com a gente? — Marco disse sorrindo. – Prometemos diversão 24 horas por dia!
-Pensei que só ficávamos 6 horas por dia na escola. – pisquei para o Marco.
Era fácil falar com ele. Ele passava uma tranqüilidade extrema.
-Vamos Alex, a professora chegou. – Arthur fez sinal pros meninos e eles foram sentar nas ultimas cadeiras.
Olhei para trás e vi a professora. Sua aparência? Megera. Totalmente, completamente!
Pois é, parece que medo é algo bem comum por aqui...
Notas finais
Continuem lendo! E espero que continuem gostando!
Um beijo !
Kay'
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