(Narrado por Jess)

–Jess, espera, você esqueceu sua bolsa! — foi a ultima coisa que ouvi ele dizer

Estava indo para o hospital visitar Benjamin,meu melhor amigo, por sinal ele odiava que alguém o chamasse de Benjamin, ele preferia o apelido, Benji. Ele estava passando por uma fase difícil, era dependente químico e estava internado para se livrar dessa desgraça de vício, e eu estava indo visitá-lo. Andava apressada para não perder o horário de visitas, estava com tanta pressa que acabei quase derrubando um garoto que passava por mim, eu sabia que era a culpada, mas mesmo assim comprei briga com ele afim que ele revidasse, eu adorava isso, mas ele não revidou...

–Ei magrelo, não olha por onde anda? — ele estava com a cabeça meio baixa, seu cabelo grande cobria o rosto, parecia não estar ligando para minha provocação — não vai dizer nada magrelo?!

– Me desculpe moça, eu não vi você — disse com voz de choro e baixando mais ainda a cabeça, eu não queria ligar, mas vi uma lágrima caindo no chão

– Ei, o que foi? Me desculpe, não queria magoar você, me desculpe — comecei a achar que o esbarrão tinha machucado ele

– Não foi nada, não sei preocupe comigo, é melhor você ir, deve ter um compromisso

– Não mesmo, não posso deixar você assim, vamos até a cafeteria da esquina e você me conta o que houve, certo? — quando eu falei a palavra “Cafeteria” ele arregalou os olhos e finalmente levantou a cabeça

– Ah, não obrigada, mas não volto naquele lugar nem se Steven Tyler me pedisse! — ele disse, e pelo visto não mudaria de idéia.

– Sem problemas, podemos conversar ali no banco da pracinha!

– Tudo bem então...como é seu nome? — ele perguntou fazendo cara de confuso

– Jéssica Sliveshar, mas pode me chamar de Jess!

– E como é seu nome, magrelo? — resolvi prococá-lo mais uma vezele me olhava, mas parecia que não estava ouvindo o que eu dizia — Oi, estou falando com você!

– Ah, desculpe. Meu nome é Bill, Bill Kaulitz.

–Prazer, Bill — falei sorrindo

Bill Kaulitz, um cara diferente de todos os que eu já tinha conhecido, ele era um tanto quanto delicado, ao mesmo tempo ele possuia uma masculinidade gritante, tinha cabelos longos e muito pretos, só mais pretos que seus cabelos eram seus olhos, completamente tomados por uma sombra engra, ele tinha olhos tão lindos, de um castanho tão intenso, usava um uniforme escrito “Cafeteria Lee” e então eu me toquei da grande gafe que tinha acabado de cometer.

Sentamos no banco da praça, e ele começou a contar o que houve, fiquei mais envergonhada ainda por convidá-lo a ir no seu antigo local de trabalho. Ele passava confiança e eu simplesmente contei sobre a minha mãe e o acidente, contei para um estranho, mas me senti bem contando pra ele, não consigo explicar porque. Deitei no ombro dele e fechei os olhos, Benji me chamaria de louca por contar minha vida para um estranho e ainda por cima deitar no ombro dele como se fossemos íntimos, mas eu não me importava, não naquele momento.

– Bill, eu gosto de você cara, você é o semi- estranho mais legal que conheço!

– Eu também gosto de você Jess, você é definitivamente a estranha mais legal que conheço — disse rindo e batendo as mãos

– Estranha? — perguntei como se estivesse ofendida

– Ops, semi-estranha! — ele disse, o jeito que ele ficava quando estava nervoso era tão engraçado

– Ah, agora sim, melhorou! — coloquei as mãos na cintura e ri

Me esqueci do resto do mundo quando estava conversando com o ex-moço da cafeteria da esquina, mas fui obrigada a voltar a realidade quando meu celular tocou.

– Alô — eu disse rápido

– Jess é o Benji, onde você está, vai terminar o horário de visitas sabia?Eu não estou me sentindo bem Jess, acho que vou ter uma recaída — disse Benji com uma voz alterada e desligou o telefone

– Benji, você tá me ouvindo? Alô, Benji???? — Me desesperei e sai correndo em direção ao hospital

Ouvi Bill gritar alguma coisa, mas não dei atenção, Benji precisava de mim agora e eu estava contando meus problemas para um estranho ao invés de estar ao lado dele. Peguei um táxi e fui para o hospital, perguntei por Benji e a recepcionista me levou até o quarto, ele estava bem e sorridente, jogando vido game, aquilo me deu um ódio incontrolável

–Benjamin Joseph Martin, seu filho da puta, eu não acredito que você me fez correr desesperada até aqui por absolutamente nada! — disse completamente enfurecida

–Oi pra você também Jess! Onde você estava cara, eu estou esperando por você faz tempo sabia? — ele falou com a cara mais sínica desse mundo

– Não interessa onde eu estava, não faça mais isso, eu posso morrer do coração por sua culpa qualquer dia desses, você me fez correr que nem uma doida, deixei o Bi.. – parei de falar e analisei o rosto de Benji

– Já vi que tem um cara na parada, quem é o da vez Jess?? — o ruim de se ter amigos é que eles te conhecem até mais do que você mesmo e você não pode esconder nada deles

– Cara, que cara? Não tem cara nenhum, Me dá esse controle pra cá, deixa eu ganhar de você um pouco — disse tentado mudar de assunto

–Sei, vou fingir que acredito em você

Não demorou muito e a enfermeira com cara de rato veio me chamar, o horário de visitas tinha acabado.

–Benji, preciso ir agora — falei tristonha, as visitas são muito reguladas, não pode ser todos os dias, eu tinha uma saudade enorme dele

– Tudo bem vadia, vem outro dia e traz o Bi... hahahaaha — eu ainda mato esse garoto

– Que engraçado, já pensou em trabalhar como comediante? — disse tentando provocá-lo

–Quem sabe quando eu sair daqui! — ele era tão otimista, eu sempre invejei isso nele

–Tchau Benji, eu te amo

–Eu também te amo Jess, tchau!

Sai da clínica e fui pra casa, minha casa ficava perto dali, então fui andando. Tomei um susto quando cheguei na frente do meu apartamento, como esse cara veio parar aqui?!