Acordo com um barulho vindo da cozinha. Olho para o lado da cama e vejo que a Ana não está mais lá. Ela deve está fazendo algo de bom pra comer porque eu estou com tanta fome que eu poderia engolir um elefante.

Levanto-me da cama e começo me arrumar, visto a primeira roupa que eu vejo no meu guarda roupa e ajeito o cabelo que estava parecendo um ninho de cobra. Ok desisto e vou para a cozinha onde eu não encontro ninguém, vocês ouviram bem: NINGUÉM.

Onde está Ana?

Eu pensei que ela estava aqui fazendo algo para eu comer. Meu estomago começa a roncar, ai que merdinha.

Ouço alguém abrir a porta e fechar a mesma com força, vou até a sala onde vejo uma Ana bem irritada.

- Ana onde você estava? – Perguntei indo até ela mais, ela desviou de mim e juntou a primeira coisa que viu na frente: O Guitar Hero.

- Ana o que está acontecendo? – Perguntei preocupado com a atitude dela.

- Minha mãe, sempre ela! – Ela disse irritada, parece que algo a possuía.

- O que ela fez Ana?

- Ela... Ela está traído o meu pai! – Ela disse gritando muito.

Opa! A mãe da Ana esta pulando a cerca? OMG

- Onde você a viu? – Perguntei lentamente para não falar besteira.

- Eu a vir com outro na Rua Five Moons – Ela disse contendo o choro.

- Você a seguiu?

- Não, eu estava indo comprar alguma coisa para o café quando eu a vir com outro.

Fui até ela e a abracei forte, alem de proibir o nosso namoro ela ainda trai o marido, mais que traíra. Ela se afastou de mim, pegou o controle, colocou na música que iria jogar, olhou pra mim com cara de sacana e disse:

- Já que agora eu não vou mais precisar voltar pra casa junto com aquela vaca, você já pode ir lá pegar minhas coisas, trazer pra cá e ah, faz um café da manhã bem caprichado, afinal a Anazinha aqui merece. – Ela riu pelo nariz e eu sai rindo dela, ela é bipolar ou tem dupla personalidade? Tenho que começar a prestar mais atenção nela.

Fui em direção ao apartamento dos pais de Anabell, assim que adentrei o local avistei o pai de Ana que até hoje não sei seu nome caído no chão, com algumas garrafas de whisky vazias jogadas ao seu lado e ele estava, com a testa machucada e com os olhos roxos, aquilo estava me assustando cada vez mais, então corri até o quarto da Ana, peguei uma mochila qualquer e comecei a socar tudo o que aparecia na minha frente, sem cuidado algum. Em menos de cinco minutos consegui pegar quase tudo, coloquei a bolsa sobre meus ombros e corri até meu apartamento. Entrei sem nenhum cuidado no local, olhei em todos os cantos da sala a procura da menina de cabelos ruivos, mas não a achei. Joguei a mochila no chão, mais uma vez sem cuidado algum, e subi para o quarto, Anabell provavelmente estaria lá, e assim foi. Bingo. Apoiei me na porta fazendo barulho com a mesma e ela me olhou assustada e me perguntando o que havia acontecido, apenas com o olhar. Abaixei a cabeça e então disse:

- Eu fui até sua casa e... – dei um longo suspiro, e continuei ainda de cabeça baixa – E eu encontrei seu pai caído, com alguns machucados e garrafas de whisky vazias jogadas ao seu lado. – Terminei de falar e senti um vento em meu rosto, ergui meu olhar para a cama onde havia a encontrado de pernas para o alto, e nada. Então veio-me a cabeça a possibilidade de ela ir ao encontro de seu pai.

“Só espero que ela não faça nada que se arrependa futuramente, doidinha.” Pensei caminhando lentamente em direção ao seu apartamento.

Quando cheguei lá, ela estava abaixada ao lado do seu pai chorando, abaixei-me ao lado dos dois e a abracei. Peguei o meu celular e liguei para a emergência, assim que a ambulância chegou os enfermeiros disseram que era coma alcoólico, e que ele iria ficar um tempo no hospital, assim que a ambulância saiu Anabell me olhou e disse:

- Eu vou matar aquela filha da puta que eu chamei um dia de mãe, ele só está assim por culpa dela.

- Anabell calma,brigar com tua mãe agora não vai resolver nada.

- Ela não e minha mãe nunca foi,que mãe trata uma filha como ela me tratou?que mãe faz o que ela fez comigo?

- Ana acalme-se -a abracei e dei um longo beijo em sua testa.

Mais tarde ela resolveu ir o hospital visitar o pai, de tanto ela implorar eu fui com ela -eu odeio hospitais,sei lá não gosto nem de passar perto.- Quando a gente chegou lá demos de cara com a mãe — ou será que devo dizer ex mãe?- de Anabell, ela estava com os olhos vermelhos, fiquei em dúvida se ela tinha chorado, estava com sono, ou tinha fumado um baseado mesmo antes de ir pra lá.

Quando Bell viu a mãe na salas de esperar começou a gritar com ela, xingou-a de todo os nomes possíveis e impossíveis para se dizer para uma mãe, foi bem tenso ficar lá tentando Segurar Anabell enquanto ela berrava palavrões com a mãe.

Não demorou muito para um segurança a aparecer mandar as duas calarem a boca, logo depois dele veio o médico

- Vocês são da família do Sr. Collins ?

- Sim — responderam as duas ao mesmo tempo.

- Bem o quadro do paciente e estável, mas ele terá que permanecer alguns dias em observação.

- Posso ver meu pai?- disse Anabell quase pulando encima do médico, e quase me derrubando no chão também.

- Sim,mas só alguns minutos, também precisamos de alguém que assine os papeis do hospital pois o paciente deu entrada inconsciente.

- Eu vou -disse a mãe de Anabell.

Enquanto eu esperava na sala de esperas com a mãe dela sentada na minha frente, percebi algumas vezes que ela estava chorando,mas a Sra. Collins rapidamente limpava as poucas lágrimas que deixava escapar de seus olhos.

Quando Bell voltou notei que já tinha se passado quase uma hora. Ela se sentou um pouco ao meu lado e depois me chamou para ir embora. Nós fomos caminhando do hospital até minha casa sem falar muito só perguntei como ele estava e ela me respondeu um simples "Bem", notei que ela estava chorando em alguns momentos então a abracei mais forte.

Quando chegamos ao nosso apartamento ela foi direto para a cama e se deitou eu fui até a porta e perguntei

- Você tá bem? Quer algo? Eu trago pra ti.

- Estou bem sim,não só quero você aqui do meu lado agora. -Eu me deitei perto dela e a abracei, agora ela chorava compulsivamente, e nós ficamos ali eu e ela abraçado até quando ela pegou no sono e eu levantei para a embrulhar e comer algo pois estava faminto. Comi uns três sanduíches de mussarela com peito de peru, e fui dormir.

Horas depois, eu acordei olhei ao meu redor e não vi a Ana, será que ela já foi para o hospital? Me sentei na cama e ouvi o chuveiro ligado, dei um suspiro aliviado pois eu já sabia o que fazer para fazê-la esquecer um pouco essa história.

Ela saiu do banho enrolada em uma toalha preta, o que a deixou um tanto mais sexy que o normal, estava prestando tanta atenção nela, que ela me chamou atenção.

- Andy, para com isso, e saí daqui, eu quero me trocar. – colocou as mãos na cintura.

- Eu saio, eu saio. – repeti erguendo as mãos como refém.- Mas antes tenho uma proposta pra te fazer... – dei uma pausa pra fazer um pequeno suspense, e fui em direção a porta.- A gente podia sair pra tomar um café, ou se você quisesse passar o dia na cama sem fazer nada, além de dar uns amassos. -eu sorri malicioso, e ela riu, então continuei- Eu tiraria várias fotos nossas para usar de papel de parede do meu celular. Depois te chamaria pra tomar sorvete e é claro, que eu iria te lambuzar, porque você sabe como eu sou irritante, não sabe? E de verdade? –escorreguei pela porta, me sentando no chão e cruzei as pernas, tipo índio.- Todo tempo é bem gasto com você. –ela sorriu, e veio se sentar ao meu lado, torci para que a toalha caísse, mas não. Droga.- Depois, eu te levaria pra cozinha e você faria brigadeiro pra gente comer debaixo das cobertas. E eu alugaria um filme bem ruim, só pra gente ficar falando mal dos atores... Claro que o filme ia ser a última coisa que eu iria prestar atenção com você do meu lado. E você poderia querer tomar alguma coisa comigo depois disso, tipo um banho de banheira. –sorri- E eu deixo você me beijar onde quiser, boca –ela me deu um selinho-, pescoço –ela me beijou no pescoço-, bochecha –ela me beijou na bochecha-, queixo –um beijo no queixo-, barriga –ela me beijou na barriga-, e um pouco mais pra baixo... ops. –ela ria escandalosamente- Eaí, topa?

- Andy, que coisa mais linda. Tá, eu topo. Agora deixa eu me trocar, por favor. – elaestava corada, e então se levantou.

- Tudo bem pequena. –me levantei, e novamente me escorei na porta, olhei em seus olhos e continuei.- Sabe, eu acho que estou te amando.

Senti meu rosto queimar, e avistei uma lágrima escorrendo pelo rosto da ruivinha, ela abriu um sorriso enorme e me respondeu.

- E eu tenho toda certeza do mundo que... –ela suspirou- Que eu te amo, Andy.

Sorri e a beijei. Saí do quarto e fui para a sala, peguei um antigo poema que eu havia escrito e então comecei, a reler o mesmo, me sentia bem com ele, não por ter sido de minha autoria, mas por ter sido sincero.

Me sentei no chão, encostado no meu sofá e fiquei pensando na vida. E consegui chegar a conclusão que: A vida é quase uma prova de português, se você não souber a hora certa de colocar pontos e vírgulas, você se fode. Mas o porque de eu ter chegado a essa conclusão? Eu não sei.

Anabell descia as escadas me encarando enquando ria, será que eu estou sujo? O cabelo desarrumado? Com mau hálito? Alguém me ajuda, por favor.

Ela sentou-se ao meu lado, pegou em minha mão, olhou em meus olhos, e sorriu ao dizer: “Vamos?”, afirmei me levantando, e ajudando a levantar. Peguei as chaves de casa e íamos saindo de mãos dadas, “gay” eu pensei. Mas também, eu nunca havia andado de mãos dadas com alguma mulher, sem ser com a minha mãe. É uma sensação nova, assim como me apaixonar.

Andávamos pelas ruas e todos nos olhavam, era constrangedor não sei bem como explicar. Andamos mais uns dez minutos e chegamos a uma sorveteria. Fomos até o balcão onde fiz os pedidos.

- Dois de baunilha, por favor.

A atendente foi sorrindo pegar o pedido, fiquei sem entender mas guardei isso apenas para mim. Anabell e eu fomos nos sentar em uma mesa, para esperar os sorvetes. Não demorou por muito tempo e a moça veio até nós e fez um comentário que me deixou um tanto sem graça.

- Dois sorvetes caprichados para o casal de namorados mais perfeito dessa cidade. –Olhei para Anabell na esperança que ela a respondesse no mesmo momento, mas não aconteceu. E nesse momento ela e mulher olharam para mim. Conhecem aquela sensação onde o mundo para, apenas para você pensar em uma resposta? Acho que demorei um pouco, e por isso Ana acabou respondendo a mesma.

- Muito obrigada, mas não somos namorados. –Sorriu triste e abaixou a cabeça. E foi então que a moça veio em minha direção, colocando o sorvete em minha frente, disse em um cochicho.

- Aproveite, o dia está belo, e caso queira saber o dia em que irá comemorar o aniversário de namoro...-deu uma pausa, e sorriu- Hoje é dia 24. –Colocou a pequena bandeja embaixo de seu braço, e saiu saltitando. Que mulher doida.

Quer saber? Ela tinha razão. Peguei na mão de Anabell, –a que estava sobre a mesa- ela se assustou, mas logo após sorriu. Meu coração batia mais forte, será que ela iria fazer de mim um cara comprometido, ou iria me dar um belo de um toco?

É Andrew, você só vai descobrir tentando... Ergui seu rosto para mim, e disse em meio de um sorriso.

- Anabell Collins, você aceita namorar com o senhor Andrew Dennis Biersack?

Notas finais
Reviews?