Minha Doce Menina.
93 Truque.
Os dias passavam cada vez mais corridos, as rotinas continuavam as mesmas, mas Rin permanecia triste. Sentia-se sozinha sem a companhia de Sesshoumaru. Mesmo que Hideaki e Jaken estivessem ali, sentia falta de alguém para conversar, alguém para dormir ao seu lado.
Os rumores de que o senhor daquelas terras estava retornando já haviam chegado ao castelo, mas como esta notícia não veio do próprio Sesshoumaru ela decidiu não acreditar. Era triste ficar sem ele, ainda mais tanto tempo.
Aproximou-se da janela e olhou o firmamento azul que lhe ele tanto amava admirar. Percebeu que havia adquirido este costume dele, pois se lembrava que desde que o conheceu ele tinha o hábito de olhar o céu.
Baixou os olhos e definiu: Realmente estava sendo difícil ficar tão longe. Já deveria ter se acostumado, mas não conseguia. Sesshoumaru sempre viajou muito e ela sempre o esperou, mas agora era ainda mais complicado porque seu relacionamento não era mais como o de anos atrás.
Olhou para a paisagem a sua frente. Notou que uma árvore que ficava não muito distante e que se localizava próxima a um dos pátios de treinamento havia uma irregularidade. Havia alguém ali. Esforçou-se mais um pouco para identificá-lo e quando obteve êxito se decepcionou.
Era Kaname.
Ele parecia observar com atenção o que acontecia a sua frente e pelo local que se encontrava provavelmente manteria sua presença em sigilo. Tentou identificar o lugar para onde ele olhava e tal foi sua surpresa ao perceber que era o pátio onde Hideaki treinava.
Imediatamente dirigiu-se até lá.
Não gostou daquela situação e em seu rosto a expressão era séria. Caminhou até o local onde ele provavelmente estava e o procurou. Como não o encontrou decidiu chamá-lo.
- Eu sei que você está aqui. – Disse ela olhando para todas as árvores.
- Se sabe então por que veio atrás de mim? Achei que deveríamos ficar longe um do outro. – A voz soou de um canto.
- E devemos, mas quero saber o que tanto observa.
- Oh, o que despertou sua curiosidade nobre senhora? – O tom era debochado e parecia vir de outra direção.
- Você está escondido entre as árvores observando atentamente o pátio de treinamento onde o meu filho se encontra.
- Ah, é por isso? Não se preocupe. Apenas estou vendo o que aquele mestre está o ensinando. Não me leve a mal, mas não sei lidar com humanos. Normalmente eu os como. – No mesmo instante Rin sentiu um arrepio em sua pele.
- Vo... Você come humanos? – Ela conseguiu pronunciar e um vulto passou pela mesma. Pelo chão viu que a sombra do youkai estava as suas costas e ela podia sentir sua respiração em seu pescoço.
- Sim... E adoro fêmeas humanas. Elas têm um gosto muito particular e viciante. – Rin se virou bruscamente para trás e não viu a figura do youkai. Sentiu ainda mais medo. Procurou por ele e não o encontrou.
- Você não pode estar falando a verdade... – Ela tentou se convencer e minutos depois uma risada pôde ser ouvida. Ela olhou para o local aonde vinha e viu o youkai parado, encostado á uma árvore.
- Você realmente achou que eu como humanos? – Ao constatar que havia medo nela, Kaname gargalhou ainda mais. – Eu nunca colocaria em minha boca algo tão podre.
- Não deboche de mim Kaname se não...
- Se não o quê? Vai chamar Sesshoumaru? – Rin ficou em silêncio. O youkai se aproximou dela. – Você não é capaz de se defender sozinha.
- Então experimente me enfrentar e eu mostro do que sou capaz. – Ela se virou encerrando aquela conversa e o dando as costas. Kaname segurou o braço de Rin e a rodou fazendo com que ela ficasse bem próxima a ele. O rosto do youkai desta vez estava diferente. Estava muito sério.
- Entenda uma coisa humana, isto é tão agradável para mim quanto é para você. Então acho melhor você se comportar direitinho...
- Você está me ameaçando? É isso mesmo que estou ouvindo? – Rin o enfrentou.
- Você é só uma garotinha que gosta brincar com youkais. – No mesmo instante, Rin se soltou da mão de Kaname.
- Não pense que pode me amedrontar ou me intimidar, não me conhece. Eu sempre vivi sozinha e aprendi muito mais com a vida do que você que não passa de um youkai ridículo.
- Ridícula é você por gerar um hanyo... – No mesmo instante Rin deferiu um tapa sobre o rosto de Kaname e este a olhou enfurecido. Segundos depois palmas puderam ser ouvidas.
- Bravo. Realmente muito bom. – Rin olhou para trás e Kaname estava encostado em outra árvore. Ela olhou novamente para sua frente e o Kaname que ela havia discutido ainda estava ali. Não entendeu. – Eu a explico. Está é uma de minhas técnicas. Eu posso arrancar de você qualquer coisa. Através da energia que você emana, eu crio um verdadeiro inimigo perfeito, que toca em seu ponto fraco, sua feria mais profunda, fazendo com que seus sentimentos vençam sua razão. Mas tenho que admitir: você superou minha técnica. Não se deixou levar pelas verdades que tanto lhe magoam.
- Então... Este não... Era você? – Ela perguntou confusa.
- Não e embora você tenha vencido este pequeno truque eu não saí perdendo completamente.
- O que quer dizer com isto? – Ela perguntou com medo da reposta e o youkai se aproximou dela com um sorriso estampado no rosto que lhe dava medo.
- Quero dizer que aprendi sobre você e aviso que tenha cuidado. Sei de todos os seus segredos, sentimentos e medos.
Rin sentiu novamente aquele mesmo arrepio lhe tomar. Compreendeu o porquê de Jaken andar tão aborrecido pela presença de Kaname. Ele era um youkai perigoso.
*
- Você está bem melhor, vejo que seguiu todas as minhas ordens. – Disse o médico youkai.
- Rigorosamente. – Acrescentou Raiden. – Já consegue andar, mesmo que não seja por muito tempo.
- Perfeito. Sua determinação te levou a cura. – Nobuko sorriu lindamente e Yosuke apenas observava sua reação.
- Bom, no prazo de sete dias eu retorno para vê-la. Acredito que até lá você esteja completamente recuperada. Até logo senhorita, ou melhor, senhora Raiden. – Disse o doutor Nakajima e ao observar o sorriso no rosto de Raiden e Nobuko a expressão de Yosuke mudou.
— Até logo Nakajima-sama. – Ela disse.
- Até logo. – Disse Raiden.
- Eu o acompanho, Nakajima. – Se pronunciou Yosuke, saindo do quarto.
Nobuko e Raiden se olharam. O sorriso enorme estampado no rosto um do outro. Ambos gostaram das novidades que ouviram e não poderiam estar mais felizes. O youkai sentou-se na cama.
- Você foi muito dedicada, sua recuperação é fruto disso.
— Sabe o que me motivou? – Ela o perguntou. Ele apenas esperou que ela respondesse. – Saber que logo eu poderia voltar para casa, para junto de você. – Raiden se aproximou dela e beijou sua testa, depois a abraçou por bastante tempo.
- Prepare-se eu vou te levantar. – Ele avisou.
- Como?! Por quê? – Ela perguntou.
- Você confia em mim? – Ele questionou agora a olhando.
- Confio. – Ela respondeu.
- Então venha comigo. – Ele a pegou no colo, não dando tempo para que ela desistisse.
- Mas, espere Raiden! Para onde nós vamos? O que vamos fazer? – Ela o questionava já em seus braços e segundos depois estavam fora da casa.
Yosuke apenas observava toda aquela cena. Estava enfurecido pelo que presenciava e sentia-se cada vez mais longe de reconquistar o coração de Nobuko. Estava perdendo aquela situação.
- Eu sei como se sente. – Disse Akiyo aproximando-se do youkai e colocando sua mão em suas costas.
- Ela pensa em ir embora todo o tempo. Foi isto que a fez se recuperar rapidamente. – Ele dizia, enquanto olhava na direção que ela havia saído.
- Meu amor, não se preocupe. Você é o grande amor de sua vida, o pai do único filho que ela tem. Depois de tudo o que ela lhe disse, acha que alguns dias mudarão seus sentimentos? – Questionou a humana. O youkai não respondeu e nem precisou. Akiyo o conhecia muito bem para saber que ele estava chateado e ela não gostava de vê-lo assim.
Se Nobuko era o problema era iria resolver. O que não deveria acontecer, era o que já estava acontecendo com Yosuke.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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