Notas iniciais
Olá Minna! O que estiver em itálico são lembranças.
Boa leitura.

Mais uma vez ele se pegou olhando pela janela perdido em pensamentos. Isso estava se tornando um ato costumeiro. O céu sempre o acalmou e as nuvens naquele momento continuavam a fazer isto. Não havia um dia sequer que não reparasse no céu, mas tudo o que lembrava eram coisas do passado. Coisas que já deveria ter esquecido há muito tempo.

– Se tivermos um menino? Como vamos chamá-lo? – Ela perguntava deitada na cama olhando para o teto. Ele estava ao seu lado, olhando para o teto também.

– Você pode escolher o nome. – Ele disse com um leve sorriso no rosto.

– Se tivermos uma menina? – Ela disse fazendo uma careta.

– Porque este tom de voz? Acaso não quer engravidar de uma menina?

– Não é isso, é que assim eu não serei a única mulher na sua vida. – Ela disse parecendo sentir um pouco de ciúmes de alguém que não existia. Ele sorriu e se virou para ela.

– Não importa se você gerar uma fêmea, meus sentimentos por você serão únicos. – Ela alargou o sorriso e se virou para ele. Deu-lhe um beijo calmo e apaixonado, que ocasionou uma enorme alegria em seu ser.

–Eu nunca quis ser mãe, nunca me imaginei sendo mãe, mas eu quero ter um filho com você. – Ela dizia alisando seu rosto.

– Ou uma filha. – Ela sorriu.

– Pode ser. — E eles se beijaram mais uma vez, para em seguida amarem-se ardentemente.

Ele fechou os olhos e suspirou. Malditas lembranças que o invadiam a mente. Gostaria de simplesmente esquecê-las e viver sua vida como vivia antes de conhecê-la. Gostaria de pensar somente em lutas e guerras. Não entendia o porquê de ter se aberto a sentimentos como aquele. Sua vida era muito mais prazerosa quando vivia somente para lutar. Era inaceitável estar sentindo o que sentia agora.

– Raiden? – A voz de Nobuko o chamou, despertando-o dos pensamentos que alimentava.

– O que é? – Ele voltou a olhar o céu.

– Teria algum problema se eu fosse até a casa de Yosuke? — Ele demorou a responder.

– Não.

– Então eu irei vê-lo. Acho que precisamos conversar. – Ela disse, mas suas intenções eram outras.

A humana saiu de sua casa e foi até a casa de Yosuke, tal foi o espanto do youkai ao senti-la se aproximando. Ele sorriu um pouco, ela o havia avisado que isto aconteceria antes de partir. Era engraçado como sua presença inibia aquela mulher que estava indo até sua casa, tendo jurado nunca mais pôr os pés ali.

Depois de alguns momentos, a porta do escritório recebeu leves batidas. Kori anunciava uma nova visita.

– Peça que ela aguarde. – Ele se levantou e olhou para o céu, respirou fundo. Sabia o que estava por vir e imaginou se todas as outras coisas que Akiyo lhe dissera antes de partir se cumpririam. Resolveu pagar para ver.

– A que devo a honra da visita? – Disse se aproximando da sala de estar, onde a mãe de seu filho estava sentada sobre o sofá.

– Yosuke, acho que precisamos conversar. – Ele sorriu de lado. Quando fosse visitá-la diria para que ela trabalhasse com adivinhações, certamente faria uma fortuna.



O pequeno príncipe Hideaki já tinha algumas semanas de vida e era muito forte e saudável. Sua mãe cada dia mais irradiava amor pela cria e Sesshoumaru, mesmo que não demonstrasse fazia o mesmo.

Ela estava sentada com ele na sala de estar enquanto o amamentava. O esperava somente por um motivo: Era o dia da chegada de Jaken. Tinha vários pensamentos sobre como ele reagiria ao ver a criança, pois fora o único que não tivera esta oportunidade.

Por ser o ministro do império de Sesshoumaru, Jaken teve de viajar pelas Terras do Oeste para certificar-se de que tudo corria bem. Sesshoumaru mesmo não fez isso apenas por um pedido de Rin. Ela havia se sentido muito sozinha pelo tempo em que ele ficara na guerra e agora que esta já havia acabado, ela gostaria de sua companhia e sabia que seu filho também.

– Não seja incompetente! – O grito do pequeno youkai pode ser ouvido. – Agradeça aos céus por ser eu e não Sesshoumaru-sama por presenciar tal coisa! – Rin sorriu lá de dentro. Ele nunca mudaria e definitivamente ela o amava assim como ele era.

O pequeno youkai verde entrou na casa e logo se deparou com Sesshoumaru. Em um ato de respeito se jogou no chão e o reverenciou.

– Oh, Sesshoumaru-sama. Visitei todos os lugares que o senhor me ordenou e pude certificar de que a paz finalmente se instaurou e a guerra teve seu fim. Agora peço que o senhor me dê um descan...

– Jaken. – Interrompeu Sesshoumaru. – Acredito que existe algo que você deva ver.

– O quê? O quê? Sesshoumaru-sama?! – Jaken ficou nervoso, o que ele poderia ver afinal?

– Jaken-sama. – A voz de Rin o chamou e pelo som, vinha detrás de Sesshoumaru. – Tem alguém que quer te conhecer.

Só assim Jaken notou o cheiro diferente naquela sala. Era o cheiro que Rin emanava enquanto estava grávida. Devagar, ele saiu da frente de Sesshoumaru e dava passos lentos até Rin, mas seus olhos brilharam quando encontraram aquele que ele queria ver.

Um lindo bebê com cabeços prateados brincava no colo de Rin. Ele se aproximou, com total cuidado e cautela e depois de alguns minutos Rin resolveu falar.

– Este é Hideaki, príncipe e herdeiro das Terras do Oeste.

Jaken se aproximou ainda mais da criança e com seu pequeno dedo verde tocou em sua mão. O pequeno menino viu sua atenção ser retirada da mãe e olhou para o youkai. Depois de alguns minutos observando-o atentamente, ele abriu um enorme sorriso e brincou ainda mais com o dedo do youkai. Instantaneamente os olhos dele se encheram de lágrimas. Sesshoumaru que já o conhecia muito bem sabia que essa seria sua reação, mas Rin com sua bondade não gostava quando alguém chorava em sua presença.

– Jaken-sama, porque está chorando? – Ela perguntou preocupada, passando a mão pelo rosto daquele que também a criou.

– Sesshoumaru-sama por natureza nunca choraria. Então eu devo chorar no lugar dele pela emoção de ver seu filho. – Rin abriu um enorme sorriso.

– Sesshoumaru, pode segurá-lo um pouco? – Ela perguntou e ele logo se pôs a segurar o bebê. Quando estava com seus braços livres, ajoelhou-se em frente a Jaken.

– O que está fazendo menina? – Ele perguntou ainda chorando.

– Isto. – E ela lhe deu um abraço apertadíssimo. – Ah, Jaken-sama senti tanto a sua falta. O senhor nunca poderá imaginar o quanto. – Jaken gostou daquele carinho, mas logo retomou sua postura.

– Solte-me Rin! – Disse em tom reprovativo.

– NÃO – E ela voltou a apertar-lhe em um abraço. Depois de muito tempo ela resolveu soltá-lo e pediu para que ele segurasse seu filho. Assim Jaken fez. Outra vez começou a chorar. – Não me diga que está chorando por causa de Sesshoumaru? – Ela disse zombeteira.

– Não zombe de mim menina. – Rin deu uma gargalhada maravilhosa, a qual ele sentia muita saudade. Estivera preocupado todo este tempo que esteve fora e agora estava feliz por estar em casa.

Olhou para Sesshoumaru que tinha um quase imperceptível sorriso no rosto, depois olhou para Rin que sorria largamente para ele. Novamente seus olhos se desviaram e eles se coloram sobre os olhos dourados de Hideaki. Sentia-se feliz e aconchegado. Então este seria o sentimento humano pela família? Pensou que sim.

Notas finais
Para quem havia esquecido de Jaken, aí está ele.
Beijo e até a próxima.