Enquanto caminhava pelas ruas, recebia inúmeros olhares reprovadores. Sentia-se a mais baixa das prostitutas. Era difícil viver uma vida normal quando se amava um youkai, era mais difícil ainda quando se traia um youkai e iria morar na casa de seu amante. Akiyo estava muito triste com tudo aquilo, mas seu coração parecia não deixar de sentir a falta que ele lhe fazia. Isso era maior do que qualquer palavra ofensiva, qualquer olhar reprovativo ou mesmo qualquer pensamento insultante.

Olhou para o céu na esperança de que ele lhe levasse os pensamentos, mas o contrário do que planejava aconteceu. Parou no meio da rua e pode perceber que nuvens negras se formavam rapidamente. Ela nunca havia visto nada como aquilo antes e se espantou. Raios começaram a cair e trovões estrondosos puderam ser ouvidos. Ela olhou para trás e só viu outra nuvem daquela ao longe, muito, muito, muito longe.

O que estava acontecendo afinal? Alguém poderia lhe explicar? Até que pode ouvir atrás de si uma mulher entrar em pânico e olhou-a. Ela parecia não acreditar no que estava acontecendo e um homem, correndo desesperado segurou pelo braço de Akiyo, assim como levantou a mulher.

- Você é Akiyo?! – Perguntou-a.

- Sim, sou eu. Você veio daquela direção o que... – Não deu tempo. Ela foi puxada pelo braço.

- Não tenho tempo de explicar, por favor, Akiyo-sama. – Suplicava o homem.

- Mas o que você está fazendo? Para onde está me levando? Solte-me! – Ela tentou se soltar.

- Eu não posso. Apenas estou cumprindo ordens. – Ele explicou ainda a levando, mas desta vez ela estava sendo levada até uma carruagem.

- Ordens de quem? – Ela foi colocada em cima do veículo.

- Yosuke-sama. – Ele disse olhando.

- Yosuke?! Mas onde ele está?!

- Por favor, leve-a até sua casa. Os soldados que farão sua segurança já estão no local. – Ele disse ao condutor.

- Espera! Explique-me o que está acontecendo! – Ela tentou argumentar, mas já era tarde. O veículo já havia saído.

Estava de joelhos no chão. Havia acabado de sentir uma enorme tontura e realmente não conseguia se levantar. Apoiou-se na parede, respirou fundo por várias vezes e tentou. As pernas ainda estavam bambas e a respiração falha. Tentou se recompor outra vez, até que levantou.

- Nobuko-sama. Está tudo bem? – Perguntou a empregada.

- Eu estou bem. Só senti uma tontura, mas estou bem agora. Sairei para minha caminhada. – Ela deu o primeiro passo, mas Kori se colocou a sua frente. Nobuko olhou para ela sem entender. – Me dê licença Kori.

- Infelizmente não posso senhora. – Ela disse se desculpando.

- Como não pode?

- São ordens de Raiden-sama. Ele disse que a senhora deveria ficar no quarto e disse também para se ouvisse barulhos não olhasse para fora.

- Mas o que está acontecendo afinal? Pode me explicar?

- Senhora, ele apenas disse que eu deveria vigiar-lhe e não permitir que saísse de seu quarto muito menos de sua casa. – A empregada realmente estava suplicando para que ela entendesse, mas ela não entendeu. Ouviu barulhos estranhos e foi para a janela. Vários soldados estavam ao redor de guarda. Ela ficou boquiaberta por entender o que se passava ali.

Definitivamente não estava se sentindo bem. Já possuía os nove meses de gravidez, então as dificuldades era maiores agora. Inchada, dolorida e desconfortável precisava urgentemente de mais travesseiros para colocar nas costas. O poder de Yosuke já estava passando, pois ela sentia dores agora. Eram raras, não muito grandes, mas terrivelmente incômodas. Começou a sentir aquela manhã.

Levantou-se e olhou em volta. Sentiu a dor atingir-lhe mais uma vez. Algo não estava certo ali e ela precisava urgentemente saber o que era, até que algo do lado de fora lhe chamou a atenção. Raios, trovões, raios intensos de sol, era tudo muito estranho para um único dia. Olhou para baixo e tal foi sua surpresa ao ver a imensa quantidade de soldados que havia ali. Dirigiu-se até a porta, por onde uma empregada passava.

- O que está acontecendo do lado de fora do castelo, Mika? – A empregada arregalou os olhos e Rin pôde perceber que ela estava terrivelmente nervosa.

- Senhora, por favor, fique dentro do quarto. – Ela pediu.

- Estou sentindo dores e... – Um enorme raio ao longe fez com que ela se assustasse e novamente a dor se fez sentir.

- Senhora, por favor, fique deitada. Não faça muito esforço. – Amparou-a a empregada.

Elas se dirigiram até a cama onde Rin se sentou, olhava para a janela e Mika logo tratou de fechá-la.

- Por quê isso? – Perguntou a moça.

- São apenas ordens Rin-sama.

Rin ficou em silêncio, analisando a expressão e falas da empregada com a sobrancelha erguida. O que seriam todos aqueles fenômenos do lado de fora? Por que o numero de soldados havia dobrado? Uma luz se ascendeu ela pode entender.

- Não me diga que... – Os olhos estavam arregalados e ao serem colocados com o da empregada ela teve certeza. – As terras do Oeste estão sendo atacadas.

Era quase inacreditável, mas era verdade. Como poderia as Terras de Sesshoumaru serem atacadas? Dirigiu-se até a janela e na maior distância que seus olhos conseguiam ver daquela altura, viu nuvens cobrindo o céu. Pareciam estar colocadas somente ao redor da cidade, estão ao que tudo indicava estavam protegendo-a. Mas e os outros vilarejos de Sesshoumaru? E as outras milhares de pessoas? Ela ficou aflita e sentiu a dor lhe inundar mais uma vez, gemeu alto.

- O que foi Rin-sama? – Perguntou a pobre empregada humana.

- Eu estou sentindo uma forte dor em meu ventre Mika, desde cedo. No início achei que o efeito do poder de Yosuke estava acabando, mas as dores aumentaram e o tempo ente elas diminuiu.

- Kami-sama! – Exclamou a empregada com as mãos no rosto. – A senhora vai dar a luz.

Rin olhou para ela aflita. Será mesmo que seu filho iria nascer naquela situação? Pensou em Sesshoumaru e logo a ideia de que ele não estaria ali para apoiá-la estrondou em sua mente. Passou a mão pela barriga enorme. Havia chegado o momento. Sentiu as lágrimas lhe inundarem e fechou os olhos com força. Não era momento de chorar, mas sim de sorrir. Seu filho, seu lindo filho em muito pouco tempo estaria em seus braços.

Notas finais
Oh, o nosso lindo bebê vai nascer! Mas será que Rin aguentará o parto de um meio demônio?
Beijo e até a próxima.