Minha Doce Menina.
110 O local de destino.
Uma noite que deveria ter inúmeras estrelas, agora teria uma furiosa tempestade. Tudo isso derivava do enorme ódio que Raiden sentia. A cada passo que dava em direção a Akiyo pensava em inúmeras formas de matá-la e mesmo as mais torturantes não lhe satisfaziam.
Ao perceber que ele pretendia feri-la Akiyo entrou em estado de pânico. Tudo o que ela temia voltou a acontecer. Suas mãos começaram a tremer e os olhos se arregalaram. A humana se lembrou do dia em que ele voltara da missão e descobrira o que ela havia feito.
Antes mesmo que pudesse perceber Raiden já estava bem próximo a ela e iria atacá-la, mas Yosuke interferiu.
– Acalme-se Raiden. – O youkai se pronunciou. Raiden rosnou em resposta.
– Acalmar-me?! Ainda ousa pedir tal coisa? – Ele continuava andando, então Yosuke colocou Akiyo atrás de si.
– Se não se acalmar, eu terei que interferir. – Avisou.
– Então nós entraremos em uma luta e eu garanto que farei o que deveria ter feito anos atrás.
– Acalme-se e controle seus instintos. – Avisou mais uma vez.
– Akiyo é minha mulher! Eu faço com ela o que quiser!
Vendo que Raiden não hesitaria em se aproximar de Akiyo, Yosuke mandou uma mensagem telepática para a mesma aconselhando-a a ficar calma e fechar o quimono. Quando Akiyo saiu de seu estado de choque e fez o que ele pediu, Nobuko se irritou ainda mais.
– Você ainda insiste em ajudá-la! Você ainda insiste em se comunicar com ela! – A humana gritava histericamente. – Eles realmente estão juntos Raiden!
– E isso acaba aqui. – O youkai se pronunciou e colocou a mão sobre sua espada.
Yosuke não saiu da frente de Akiyo e nem pretendia fazer tal coisa. Ele prometeu protegê-la e não poderia permitir que um ridículo sentimento de inveja humana da parte de sua esposa acabasse com a vida de outra pessoa. Sendo assim os dois youkais ficaram parados frente a frente.
Percebendo que Raiden havia parado, Nobuko decidiu agir. Ela correu em direção a Akiyo e estava pronta para alcançá-la quando sentiu outra mão segurar a sua. Ela podia perceber que seu marido estava ardendo em fúria. Eles ficaram se olhando por algum tempo, até que Raiden aproveitou a oportunidade para se aproximar de Akiyo.
Quando percebeu que ele iria pegá-la, a humana tentou correr em vão. Ele a segurou pelo braço e a puxou enquanto a mesma estava apavorada e ao mesmo tempo tentava fugir. Yosuke olhou para trás e sentiu o desespero de Akiyo, enquanto Nobuko sorria da cena.
– Sabe o que vai acontecer agora? Ele vai matá-la. Vai matá-la porque é uma vagabunda e você deveria...
– Cale a sua boca agora. – Ele não gritou ou mesmo tentou machucá-la. Somente seu tom de voz foi o suficiente para estremecer Nobuko.
Yosuke voltou a olhar a cena enquanto sentia seu coração contrair. Não havia nada que ele pudesse fazer, sendo Akiyo uma fêmea marcada. Iria tentar convencê-lo apesar de saber ser inútil, mas antes que pudesse falar, Raiden levou Akiyo para longe dali com sua velocidade youkai.
Quando estavam se aproximando de sua casa, Raiden deixou de usar seus poderes e caminhou apressado. Akiyo era arrastada por ele sem qualquer piedade e tudo o que ela conseguia pensar era que ele a mataria. Quando chegaram à porta da casa, encontraram-se com Natsumi e Seiko.
– Estamos saindo conforme suas ordens senhor. – Seiko pronunciou-se.
Ao ouvir essas palavras, os olhos de Akiyo encheram-se de lágrimas. Ela olhou para sua filha em uma despedida silenciosa e não conseguiu conter o choro.
– Por que está chorando mamãe? Aconteceu alguma coisa? – Natsumi questionou nervosa.
Akiyo começou a falar mais foi interrompida por Raiden.
– Não. Sua mãe está muito bem. Agora se despeça dela. – O tom de voz era frio e cortante, os olhos continuavam completamente vermelhos.
Natsumi olhava para ele desconfiada. Algo muito grave estava acontecendo e ela queria saber o que era. Cumprindo as ordens de seu pai, a menina aproximou-se da mãe e a abraçou.
– Estou indo mamãe. Até mais tarde. – Raiden soltou a Akiyo para que ela pudesse abraçar a filha e a humana chorou ainda mais.
– Não importa o que acontecer, eu sempre vou amar você. Sempre, sempre vou amar você. – Ela segurava o rosto da pequena, os olhos de Natsumi arderam.
– Mamãe, por que está falando assim? – Mas a mulher não respondeu. Apenas abraçou fortemente sua filha e depois se sentiu ser puxada pela mão de Raiden.
– Vamos Natsumi-sama. – Seiko segurou a mão da hanyo e a levou para longe, enquanto Raiden segurou a mão de Akiyo e a levou para dentro de casa.
A humana olhava a filha e chorava ainda mais. Sua filha também a olhava. Natsumi não entendia porque seu coração estava tão entristecido, mas sabia que algo ruim iria acontecer. Alguns segundos depois, seus pais saíram de suas vistas e lágrimas quentes rolaram pelo rosto da menina.
Assim que chegou a seu quarto, Raiden jogou Akiyo lá dentro de qualquer maneira e ela caiu no chão. Ele trancou a porta e se virou para ela. Havia chegado a hora de seu fim. O youkai voltou a caminhar em sua direção ainda com os olhos vermelhos e Akiyo se levantou rapidamente.
Tentou fugir e correr, mas ele a jogou contra a parede com força total. Akiyo bateu as costas e a cabeça, mas não teve tempo de reagir porque sentiu as mãos de Raiden sobre si a apertando e machucando. Somente por tê-la segurando no lago, seus braços estavam vermelhos.
– Assuma e será melhor. – Ele praticamente rosnou.
– Eu não fiz qualquer coisa errada! Eu não estava me encontrando com Yo... – Akiyo levou um tapa no rosto. Um tapa muito forte.
– Você ainda pretende mentir? – Akiyo tentou se recuperar. – Você é uma perdida. Não hesitou em se deitar com Yosuke a primeira vez e agora não hesitou em se deitar com ele novamente! Sua vagabunda!
– Eu não me deitei com ele! Eu não fiz... – Ela não teve chance de terminar porque levou outro tapa.
– Eu te encontrei com o quimono aberto. – Ele a segurou pelos ombros e a sacudiu, seu tom de voz aumentou. – Você estava nos braços dele Akiyo! Estava em uma clara intimidade com ele! O cheiro de Yosuke está em você!
– Não! Eu juro! – Akiyo falava enquanto era sacudida.
– Ainda vai negar? Ainda vai negar? – Ele segurou o rosto de Akiyo fazendo com que ela o encarasse. – Você é uma vagabunda. Você é uma meretriz. Você é uma vergonha para mim e para minha filha. Você nunca mais vai se aproximar dela e muito menos criá-la.
Akiyo parou de escutar quando ele envolveu Natsumi no assunto. Seu instinto protetor materno aflorou e as respostas logo vieram a sua mente.
– E quem vai criá-la? Você? O pai que ficou seis anos sem aparecer? – Raiden parou de falar com aquela acusação. Ele havia falado, agora iria ouvir. – Não coloque minha filha no meio! Não a envolva nisso! Você não sabe nada sobre ela! A sua parte foi simplesmente fazer uma criança e depois me deixar! Não foi você quem a colocou no mundo! Não foi você quem a criou! Os primeiros passos da minha filha não foram em direção a você! As primeiras palavras da minha filha não se referiram a você! Você não esteve presente em nenhum momento de sua vida e se ela fosse ter algum pai seria Yosuke. Deitou-se comigo, mas nunca me abandonou e assumiu responsabilidades que não lhe pertenciam! Ele sim foi um macho de verdade!
A verdade dói. Dói muito e na maioria das vezes causa revolta. Em Raiden causou ódio e ele estendeu sua mão de vagar para bater nela e só deu tempo de Akiyo fechar os olhos para depois sentir seu rosto ser virado.
– Sua vagabunda! Quem você pensa que é?! Quem você pensa que é?! – Ele esbravejava, enquanto batia em sua antiga esposa.
O corpo de Akiyo estava com várias marcas vermelhas e à medida que Raiden se irritava, sua força apenas aumentava. Ela lutou ou pelo menos tentou. O empurrava e tentava estapeá-lo. Com força, Raiden deu outro tapa em Akiyo que fez com que ela cambaleasse e batesse as costas em um dos armários. Pelo baque, ela tentou se esquivar e então sua cabeça bateu.
Algumas coisas caíram por cima dela e quando viu que Raiden vinha em sua direção segurou um jarro. Assim que o youkai se abaixou, ela quebrou o objeto em sua cabeça e cravou suas unhas com toda a sua força no rosto do youkai. Ele virou o rosto pelo atrito e as unhas de Akiyo ficaram cobertas de sangue. Raiden virou o rosto para a mulher e rosnou, fazendo questão de que ela visse a ferida se curar.
Dessa vez ele a segurou e levou para cama onde a jogou com força. Até mesmo cair no colchão macio era dolorido para a humana. Raiden rasgou a roupa de Akiyo e olhou seu corpo intencionalmente. Em seguida, retirou a parte de cima de sua vestimenta e abriu o nó de sua calça.
– Tudo é por relações, não é?! Você quer um macho de verdade, não é?! Então eu vou te mostrar o que é um macho de verdade!
– Não! Não! Não! – Akiyo lutava contra ele com toda sua força, mas era algo inútil.
Ele segurou suas mãos e colocou-se por cima dela. Em seguida mordeu seu pescoço arrancando um grito de dor da parte da mulher. Depois, segurou com força seu seio fazendo com que ela gritasse outra vez.
Uma dor excruciante começou em seu ombro e ela já não sabia mais o que era pior. Raiden abriu com força suas pernas e naquele momento todo o mundo de Akiyo parou. Ele ia consumar algo em seu próprio corpo sem sua permissão. Um estupro. Ele iria estuprá-la quando já havia a salvado de ser estuprada. Seu ódio e seu desprezo eram tão grandes assim? Uma considerável quantidade de sangue saiu de seu ombro e manchou a cama.
Naquele exato momento Akiyo desejou estar morta para não vivenciar aquilo e sua marca instantaneamente reagiu. Um pequeno brilho passou diante de seus olhos a levando para longe. Para um lugar onde a monstruosidade de Raiden não pudesse alcançá-la.
O youkai estava prestes a penetrá-la quando sentiu um cheiro terrível de sangue. Olhou para o ombro de Akiyo e viu que o líquido vermelho jorrava dali. Aquele cheiro o incomodava e ele fechou os olhos, voltando a sua forma humanóide e recuperando seu controle.
Vendo que Akiyo estava de olhos abertos e não reagia a ele, o youkai estranhou. Ele aproximou seu rosto do dela e olhou em seus olhos que apenas estavam abertos e sem brilho. Um terrível pensamento tomou sua mente.
– Akiyo. – Ele chamou com a voz seca e o silêncio foi sua resposta. – Akiyo. – Chamou outra vez e nada.
Raiden levantou e segurou o corpo de Akiyo para depois colocar a mão em sua marca que ainda sangrava. Ele fechou os olhos e se concentrou para interligar-se a ela, mas nada adiantou. O youkai abriu os olhos outra vez e mirou o corpo desfalecido da mulher.
– Akiyo. – Chamou pela ultima vez, mas ela não ouvia e não iria responder.
[...]
Sesshoumaru, Jaken e Hideaki já caminhavam fazia bastante tempo. Mesmo que seu filho fosse um hanyo, o Inu Dai Youkai sabia que ele se cansava e que deveriam parar para descansar.
Durante a viagem com Sesshoumaru o pequeno teve de se virar sozinho e mostrou para o pai que já era alguém com responsabilidade e maturidade apesar de sua tenra idade. O youkai sentia-se orgulho e cada dia acreditava que seu filho poderia ter tudo aquilo que quisesse quando se tornasse adulto.
No tempo em que estiveram juntos, Hideaki viu muitas faces de seu pai, mas agora via uma que não o agradava muito. Mesmo ainda jovem ele podia sentir a mudança drástica de sua energia e sabia que dali para frente ele teria de ser o mais correto possível.
Não demoraram muito até chegar ao local de destino e Jaken ficou um pouco surpreso com aquilo. Eram as Terras do Norte e sempre eram realizados conselhos youkais de reinos distintos. O pequeno youkai verde sabia que seu senhor jamais iria até lá se não fosse necessário.
– Jaken.
– Hai Sesshoumaru-sama.
– Aguarde-me aqui com Hideaki. – Ele ordenou e mesmo contrariado Jaken concordou.
– Hai Sesshoumaru-sama. – Assim que ouviu sua resposta, ele caminhou em direção as extensas escadas do enorme e luxuoso palácio.
Todos estavam lá e esperavam somente por ele. Sesshoumaru não estava atrasado, havia chegado na hora certa, algo que fez propositalmente para ficar menos tempo possível ali no meio de tantos youkais desprezíveis.
– Achei que não viria mais Sesshoumaru. – O youkai sequer a olhou.
– Terminemos o mais depressa possível. – Disse simplesmente o youkai.
–Nós não nos vemos há anos. Sim, sim desde que você foi para o inferno e aquela garotinha morreu. – Um sorriso maquiavélico e cruel surgiu no rosto da youkai. – Nem parece que sentiu falta de sua mãe.
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