Rin estava com uma estranha sensação dentro de si. Vê-la ali tão perto dele, acariciando-lhe o rosto definitivamente não lhe era nada agradável e ela sabia que o que viria a seguir muito menos. Teve medo, mas mesmo assim perguntou:

– E o que você é de Sesshoumaru-sama?

– Eu sou sua companheira, sua fêmea.

– É verdade, Sesshoumaru-sama?

– Rin deixe-nos a sós.

A menina não acreditou na ordem do youkai e ficou extremamente irritada com aquilo. Mas o que ela esperava que ele fizesse? Ele tinha o direito de ser feliz e mesmo assim ela se incomodou em pensar que dividiria sua casa com Kagura. A humana saiu do quarto, sua expressão não muito boa.

– Hum, já quer aproveitar minha companhia meu senhor...

– Quem você pensa que é para achar que tem algum tipo de relacionamento com este Sesshoumaru e que pode envolver Rin neste assunto? – Sesshoumaru apertava o braço de Kagura. Não a deixou sequer terminar sua fala.

– Se... Sesshoumaru eu estava apenas querendo lhe contar...

– Não há nada a ser dito. – Ele soltou o braço da youkai. – E não ouse ameaçar Rin outra vez, pois eu farei com você o dobro do que prometeu fazer a ela.

– Essa garota só veio para infernizar a minha vida. Você estava pronto para ser meu definitivamente...

– Nunca prometi compromisso a você Kagura e não temos mais assuntos a tratar.

Se antes ele era frio, agora atingira um nível muito maior. O youkai se retirou do quarto deixando a youkai dos ventos completamente irritada. Suas mãos tremiam e o que ela queria era arrancar a cabeça de Rin. Desde a época em que ele andava com ela tinha sido assim. Depois que ela ficou na Aldeia de Inuyasha as coisas melhoraram para seu lado, mas porque motivos ela tinha para voltar a ficar com Sesshoumaru? A youkai sabia muito bem que Rin tinha um poder muito grande sobre ele e que ela nunca alcançaria. Ele escolheria a menina entre as duas e isto era sem sombra de duvidas.

– Maldita garota, vou tirar você do meu caminho. Maldita!

A youkai se retirou do quarto e foi para a sacada onde pegou uma das penas em seu cabelo e voou para bem longe daquele castelo disposta a voltar e lutar por Sesshoumaru a unhas e dentes.

O grande Inu youkai bateu a porta do quarto de Rin e esta abriu. Apenas tinha uma parte de seu corpo aparecendo.

– Deixe-me entrar Rin. – Ela hesitou e logo abriu a porta e sentou-se em sua cama. Sesshoumaru fechou a porta atrás de si e caminhou até a moça.

– Sesshoumaru-sama eu sei que é verdade.

– A sua verdade pode ser diferente da realidade.

– Mas não é eu tenho certeza. – Ela abraçou seu próprio corpo enquanto olhava para baixo. Sesshoumaru sabia que viria mais dali então só esperou. – O senhor a ama?

– Como disse?

– Perguntei se o senhor a ama.

– Se eu a amasse, isso lhe incomodaria? – Ela hesitou e mediu suas palavras com muito cuidado.

– Não. Mesmo que eu não goste da idéia da convivência, ela parece te amar Sesshoumaru-sama.

– Mas esse tipo de sentimento não se aplica a mim e não a trarei para essa casa.

– Mas o senhor é um príncipe youkai, uma hora irá se casar.

– Somente farei isso se assim o quiser.

– Ela será uma youkai de muita sorte Sesshoumaru-sama. – Rin disse sorrindo docemente.

– É, será. – O youkai deu a conversa por encerrada ali e se retirou do quarto da moça.

Sesshoumaru sentiu-se estranhamente aliviado, para ele era um mundo novo de sensações que nunca se permitiu aprofundarem. Ele sabia muito bem o porquê do fato de Kagura o irritar tanto e também o porquê da necessidade de explicar isso a Rin, mas não conseguia digerir a idéia do que estava acontecendo. Não conseguia aceitar.

Deitou-se em sua cama e resolveu tentar dormir, para afastar os pensamentos que o levavam a sentimentos que antes tanto repudiava.

No outro quarto, Rin imaginava-se sem ter a total atenção de Sesshoumaru para si tendo esta dividida entre esposa e filhos. Ela ficaria muito feliz mesmo, mas Kagura ela não conseguia aceitar mesmo que amasse a Sesshoumaru incondicionalmente. Dormiu com esse pensamento rondando sua cabeça, sabia que aquele não era um dos mais agradáveis.

Três meses se passaram então e Rin já estava bem mais íntima das Terras do Oeste. Kagome ainda lhe escrevia cartas e estava já com seis meses de gravidez, pois só descobrira que estava realmente grávida depois de três meses sem suas regras. A sacerdotisa continuava lhe escrevendo e pediu para que Rin auxiliasse no parto de seu filho e quando escreveu uma carta em retorno Rin prontamente concordou. Pediu a Sesshoumaru e este como sempre apenas disse para que ela “fizesse como quisesse”.

Raiden, frequentemente encontrava Rin no castelo e eles sempre conversavam, tornaram-se íntimos. Akiyo tinha se tornado uma grande amiga e que ficava terrivelmente tímida na presença do youkai de olhos vermelhos.

Sesshoumaru não gostava muito da forma como Rin falava de Raiden, mas sabia muito bem que ele não estava interessado na humana. Pelo menos não na sua humana.

Até que em uma das tardes quando Rin caminhava pelo jardim do castelo ela o encontrou.

– Konnichiwa Rin-sama.

– Konnichiwa Raiden-sama. Como está hoje?

– Muito bem e a senhorita?

– Também obrigada.

– Onde está sua serva, não a tenho visto muito ultimamente.

– Ela esta bem, nesse momento está na cozinha ajudando no almoço.

– Ah, sim. Bom eu sinto ter de deixar sua maravilhosa companhia, mas eu tenho afazeres agora. Até logo Rin-sama.

– Até logo Raiden-sama. – Disse a menina vendo o youkai se retirar.

Rin decidiu ir para a biblioteca naquele momento, pois estava cansada de ficar ali do lado de fora, só não imaginava quem a aguardava lá.

Akiyo terminou de preparar a mesa e a comida. Tudo estava pronto para que a refeição fosse servida, apenas precisava chamar sua senhora. Era ordem expressa de Sesshoumaru que ela fizesse todas as refeições. A menina de olhos cor de mel foi diretamente para o pátio procurar por Rin. Akiyo naquele dia não se sentia muito bem, pois estava em seu período de sangramento.

Enquanto andava pelo enorme jardim, sentiu uma forte dor em seu ventre. Ela já tinha ficado exposta a muito calor na cozinha e começou a enxergar tudo escuro a sua frente. Suas pernas ficaram pesadas demais ela iria cair, até que sentiu algo que a segurou, mas não deu tempo de ver quem era a escuridão tomou também a sua consciência.

Rin caminhou até a biblioteca e quando entrou fechou a porta atrás de si. Respirou fundo aquele ar que mantinha o cheiro gostoso dos livros que a esperavam para passar-lhe conhecimento.

– Este lugar te faz bem. – Assustou-se com a voz de Sesshoumaru tão próxima de si.

– Sesshoumaru-sama, não esperava o encontrar aqui há essa hora. Pensei que o senhor já houvesse saído.

– Ainda não, somente mais tarde.

– Bom, eu vou ler um pouco então. – ele nada mais disse apenas a deixou procurar por um livro.

Até que alguém bateu a porta.

– Entre. – Disse Sesshoumaru.

– Sesshoumaru-sama, Rin-sama. – Disse uma empregada ofegante.

– O que foi. – Perguntou Sesshoumaru.

– Akiyo, ela desmaiou.

Rin olhou para Sesshoumaru e rapidamente saiu correndo procurando pelo lugar onde a sua empregada estaria.

– Akiyo? Como se sente? – Perguntava Rin preocupada enquanto sua empregada abria os olhos lentamente.

– Bem, Rin-sama. Mas o que eu estou fazendo aqui... A senhora tem de almoçar... – Ela falava ainda fraca.

– Quieta. Você é quem tem de se alimentar, aqui está sua comida. – A morena pegou a bandeja que estava ao seu lado na cômoda de um dos quartos de empregados.

Depois que a menina se alimentou, Rin olhou para a porta e sorriu. Olhou diretamente para a amiga.

– Akiyo, tem alguém que deseja te ver.

– Quem?

– Eu. – E um lindo youkai entrou no quarto prendendo o olhar da humana sobre si.

– Vou deixá-los a sós. – Disse Rin saindo do quarto e saltitando sorridente pela casa.

– Como se sente? – Ele disse sentando-se na cama e ela se ajeitou.

– Bem.

– Quando estiver se sentindo mal, não venha ao trabalho.

– Hai.

– Você tem cabelos lindos menina.

– Obrigada. – Ela disse fitando as mãos que brincavam nervosas por cima do lençol que a cobria.

– Não precisa ficar com vergonha de mim, eu não mordo. Quer dizer, mordo sim.

Ele dirigiu um sorriso malicioso para Akiyo que corou instantaneamente. Percebendo que ela estava desconfortável com aquela proximidade ele resolveu deixá-la.

– Bom, agora eu tenho que ir. – Ele se levantou e começou a caminhar.

– Raiden-sama. – Ele parou esperando a humana continuar. – Obrigada.

– Sempre que quiser desmaiar pode contar comigo.

Foi aí que ela se deu conta de que havia desmaiado e ele a levara até ali. Ela apenas estava agradecendo pela visita, à empregada ficou mais vermelha ainda.

Rin estava sorrindo enormemente e Sesshoumaru percebeu isso.

– Qual o motivo de tanta alegria. – Disse com sua seriedade habitual, quando ela ia responder Raiden apareceu e ela abriu mais o seu o sorriso.

– Raiden...

A humana se retirou ao lado do youkai que fez uma reverência assim que avistou seu senhor. O youkai continuou parado e sentiu seu sangue ferver quando ouviu uma leve risada de Rin com outro youkai do lado de fora. Cerrou as mãos e seu rosto mudou completamente. Foi diretamente para a biblioteca. Não gostava da proximidade que ambos haviam criado e muito menos gostava do que poderia acontecer.


Notas finais
Rin se sente totalmente desconfortável com relação a Kagura e Sesshoumaru começou a incomodar-se com a relação de sua protegida com Raiden. Mas é Akiyo?
Alguns conflitos já começaram a se complicar e essa história e relação desses personagens vai começar a se intensificar.
Beijo e até a próxima.