Minha Doce Menina.

19 Eu queria que você estivesse aqui.


Notas iniciais
Muita felicidade e muito sofrimento neste capítulo também.
Boa leitura.

Olhando pela janela a noite fria que se instalava, Rin se perguntava o porquê de somente Jaken ter voltado. Já havia se passado uma semana e nem sinal de que voltaria.

- Onde você está? – Ela se perguntava e o silêncio lhe respondia que era muito longe dali.

Ela olhou para baixo, viu as flores do jardim de sua casa se fechando e pode perceber que estava como aquelas flores. Sem Sesshoumaru ali, não havia motivos para ser feliz, sorrir. Sem Sesshoumaru em sua vida, as coisas pareciam não se encaixar. Ele precisou ir embora, ele precisou passar quase quatro meses longe para que ela percebesse o quanto era importante sua presença. Cada beijo, cada abraço de Sesshoumaru fazia falta. Eles estavam juntos, eles estavam tentando. Aliás, ela estava tentando, mas as coisas não iam bem.

Muitas complicações em suas vidas, muita complicação em sua cabeça e ela começou a achar que aquilo realmente não era para acontecer.

Alguém bateu a porta, fazendo com que acordasse de seu devaneio. Era Akiyo.

- Rin-sama, logo o jantar será servido.

- Hai, eu descerei. – A menina continuou olhando pela janela. Continuou pensando nele.

Não muito distante dali, Sesshoumaru olhava a lua. Já fazia muito tempo que ele não voltava para casa. Encerraria aquela viagem. Mesmo depois de tudo ainda estava preocupado com Rin.

Depois de alguns minutos a humana desceu e fez sua refeição. Comeu pouco. Jaken resmungava qualquer coisa que ela não fez questão de dar atenção. Sua mente vagava longe.

Depois do jantar Rin liberou Akiyo para que ela voltasse para casa, aquele seria o dia em que Raiden falaria com os pais da menina. Ele teria ido antes, mas ela preferiu esperar um pouco.

A humana se dirigiu até sua casa e se preparou para recebê-lo.

- Por que um youkai? – Questionava Aryan a Akiyo.

- Pai, eu o amo. – Disse a menina.

- O que aconteceu com Katsuo? Você não o amava?

- Pai, meu relacionamento com ele já acabou faz muito tempo e o senhor é o único que não superou isso.

- Minha filha única se relacionado com um monstro...

- Não seja ignorante Aryan. Às vezes alguns humanos são mais perigosos que um youkai. Não confie tanto assim nos olhos gentis de Katsuo. – Repreendeu o velho Armam.

— Pai, não dê idéias a Akiyo. E Katsuo sim é o homem perfeito para Akiyo.

- Querido. – Disse Akemi, a mãe de Akiyo. – É a Raiden que a nossa filha ama não se pode controlar o coração.

- Eu sei Akemi, eu sei.

Akiyo estava cansada de toda aquela conversa e decidiu esperar por Raiden fora dali. A menina deixou os cabelos livres e esperava-o ansiosamente no início da floresta, até que alguém apareceu.

- Akiyo.

- Ah, olá Katsuo. – Ela o olhou depois de levar um pequeno susto.

- O que faz aqui?

- Eu estou esperando uma pessoa.

- Uma pessoa ou um youkai?

- Isso não lhe diz respeito. – Ela disse sem querer ser grossa, mas sabia que com Katsuo deveria ser assim.

- Quer companhia?

- Não.

- Ora, não seja tão seca comigo. É assim que me trata depois de tudo o que tivemos?

- Tudo bem. Katsuo pode, por favor, me deixar sozinha? – Disse a menina, com falsa simpatia.

- Infelizmente não. Não é adequado que uma menina como você fique perto de uma floresta à noite. Há muitos perigos.

- Se houver muitos perigos, eu cuidarei dela. – Disse Raiden se aproximando com grande imponência.

- Claro. – Disse Katsuo com um sorriso. – Deixarei vocês a sós. Até logo Akiyo.

A menina simplesmente balançou a cabeça. Raiden tinha os olhos em fendas na direção do rapaz.

- Não gosto de vê-lo próximo a você.

- Então não precisa se preocupar, eu não gosto de ficar próxima a ele. – Ela disse o abraçando e ele beijou sua testa. – Agora vamos você terá de fazer a coisa mais perigosa da sua vida.

- Falar com seu pai?

- É. – Ela disse sorrindo e ele correspondeu.

Ao chegarem à casa da menina, Aryan estava sentado em uma cadeira. Ele olhou diretamente para Raiden sem hesitar.

- Konnbanwa Raiden-sama. – Disse Akemi. – Fico muito honrada em recebê-lo na minha humilde casa.

Raiden sorriu para ela e apenas fez uma leve reverência a senhora.

- Fico igualmente honrado por conhecê-la. Agora sei por quem Akiyo herdou tanta beleza.

Akemi sorriu largamente para Raiden o que deixou Aryan ainda mais irritado com tudo aquilo.

- Mas foi de mim que ela herdou os olhos e os cabelos. – Disse Aryan, fazendo-se presente.

- Sim, posso notar. – Respondeu apenas Raiden.

- Vamos direto ao ponto, o que o traz aqui esta noite?

- Eu quero fazer da sua filha minha mulher. – Raiden não precisava de rodeios, era acostumado a ser direto.

- E o que faz pensar que eu permitirei tal coisa?

- Eu a amo. – Nem em um milhão de anos os pais de Akiyo imaginaram ouvir aquilo dos lábios de Raiden.

Um riso se ouviu e passos também puderam se notados. Era o velho Armam que se aproximava.

- Essas palavras são suficientes para você Aryan? – Ele riu gostosamente mais uma vez. – Quando lhe disse que este youkai era diferente dos demais, não me deu ouvidos. – Ele se virou para Raiden. – Posso ver em você o brilho que minha neta o colocou.

- Então o senhor permitirá? – Indagou Akiyo ao pai.

- Eu não sei se ele é realmente o certo para minha filha.

- Pai!

- Não seja tolo Aryan. Sua filha o ama e é capaz de qualquer coisa para ficar ao lado deste youkai. Você irá perdê-la desta forma?

- De jeito nenhum.

- Então dê sua benção.

Aryan pensou mais um pouco. E ao olhar os olhos suplicantes da filha ele suspirou pesadamente.

- Eu os abençôo.

- Ah! – A menina pulou no colo do pai de tanta felicidade. Depois sua mãe a abraçou.

- Minha querida filha vai se casar. – Ela disse com lágrimas nos olhos.

O velho Armam aproveitou a distração dos três e se aproximou de Raiden.

- Esta menina sofreu demais. Cuide bem de seu coração e cuidado com algumas pessoas. Ela é muito valiosa e desperta muitos olhares maldosos sobre si.

Raiden concordou e depois Akiyo veio em sua direção e o abraçou. Ele correspondeu ao abraço e beijou sua testa. Armam sorria com aquilo. Sabia que o lugar de Akiyo era ao lado de Raiden.

- Você fez a coisa certa, querido. – Disse Akemi a Aryan.

- Eu espero. – Ele disse ainda sério.

A menina sorria com tudo aquilo não poderia estar mais feliz. Casar-se-ia com o grande amor da sua vida.

Rin acordou um pouco assustada. Tivera um terrível pesadelo com Sesshoumaru. Sonhou que ele nunca mais voltou para casa. Tentou por várias vezes dormir, mas não conseguia. Ela se levantou e decidiu andar um pouco. Acabou parando em frente à porta do quarto do youkai. Olhou-a e passou a mão por ela. Colocou suas duas mãos lá.

- Eu estive perdendo meu tempo, vendo todos esses dias passarem por mim sem animo para vivê-los. Eu fiquei mal, eu passei mal eu estou mal. Tudo isso por quê? Por causa de você. É você. Eu sei que isto é inútil, eu sei que é loucura, mas tudo isso é por sua causa. Porque não voltou para casa? Porque não mandou nenhum recado? Porque saiu sem ao menos dizer adeus. Não te entendo e nunca vou te entender. Eu posso ser forte, eu posso ser guerreira, mas sem você... – A voz agora estava embargada ela respirou fundo. – Sem você eu não sou nada. Eu me lembrei todos esses dias daquelas palavras que me disse quando eu voltei de viagem. Elas estiveram na minha cabeça todo o tempo me fazendo lembrar como eu agi erroneamente. Você sempre me disse o certo. Você sempre me ensinou o certo. Você sempre esteve na hora certa. Você sempre esteve por toda a parte e eu gostaria que estivesse aqui agora. O que eu faço para te ter por perto? O que eu faço para te ter aqui?

Dessa vez ela não se conteve. Começou a chorar e muito. Era um desabafo que estava guardando dentro de si há muito tempo. Segurou o choro e recomeçou a falar.

- Você sempre me disse para dizer a verdade e a verdade é que eu sinto sua falta, mas não quero sentir. Eu te amo, mas que fique claro que eu não quero te amar, porque eu não quero que meu coração seja partido. Todo esse tempo longe serviu para me mostrar que eu vivo em um mundo que só existe você e eu. E se você não estiver aqui ele não tem graça. Sabia que Hajime já me consolou muitas vezes quando eu senti a sua falta? – Ela riu um pouco entre as lágrimas. – É verdade. Você sempre foi tudo pra mim. E se for pra sofrer... – Ela começou a chorar. – Eu quero sofrer do seu lado. Eu quero sofrer com você aqui.

Ela bateu na porta e voltou a chorar compulsivamente.

- E eu não vou deixar isso pra lá porque eu quero que você saiba que eu me importo com o que você pensa. E eu me perguntei todo esse tempo se você estava pensando em mim assim como eu pensei em você. Eu te odeio e eu te amo.

Rin retirou suas mãos da porta e as colocou em seu rosto. Continuava chorando muito até que algo a chamou a atenção. A porta do quarto se abriu e ela viu a ultima pessoa que imaginaria estar ali naquele momento.

Notas finais
Quem será que abriu a porta?
Beijo e até a próxima.