Minha Doce Menina.

73 Desentendimentos.


Após longos momentos comendo lentamente e pensando coisas banais, Rin decidiu que era o momento de se recolher. Sentia-se exausta pelo fato de ter cuidado de Hideaki durante todo o dia e sem descanso. Tomaria um bom banho e logo depois, dormiria.

Subiu as escadas lentamente e foi direto para o quarto de banho onde sua banheira já estava preparada. Abriu seu quimono e deixou que ele escorresse pelo corpo, entrou na água morna lentamente. Depois que esta a cobriu ela fechou os olhos, para melhor aproveitar a sensação que lhe era proporcionada.

De olhos fechados ela ficou durante muito tempo e estava preocupada com seu filho. Sesshoumaru ainda não havia saído de seu quarto e isto era sinal de que ele não dormira ou de que seu marido não soubesse como botar seu filho para dormir. Mesmo assim, ela não iria interferir, sabia que seu filho estava adorando a sensação de ter seu pai ali bem perto. O que fez doer seu coração.

Ela também adorava ter seu marido bem perto, mas ele sempre estava ocupado e nunca tinha tempo para ela. Sentia falta do youkai, sentia falta de seus beijos e suas carícias. Sentia falta de seu calor e sentia falta de seu corpo. Sentiu-se arrepiar. Dormir todos os dias ao lado daquele youkai e não tocá-lo era uma crueldade.

Demorou muito, mas Hideaki dormiu. Sesshoumaru percebeu o quanto seu filho queria sua companhia pelo simples fato dele estar caindo de sono, mas continuar acordado para ficar mais um pouco com o pai. Era incrível a semelhança entre os dois e o pequeno hanyo tinha um olhar penetrante como seu.

Cuidadosamente ele colocou o filho no berço para que ele não acordasse e percebesse a ausência do pai. Ficou por mais um tempo observando sua pequena cria. Era realmente lindo e Sesshoumaru sentiu seu coração aquecer. Ele entendia muito bem porque Rin era completamente apaixonada pelo filho, porque ele se sentia da mesma forma.

Ao pensar em Rin, lembrou-se do comportamento estranho que ela vinha tendo ultimamente. Precisavam conversar e esclarecer as coisas. Ele não gostava de nada subentendido e era sempre franco e objetivo. Sendo assim, ele exigia que as pessoas agissem da mesma forma com ele. Odiava joguinhos e para sua irritação Rin adorava.

Deu mais uma olhada no filho, tinha certeza de que não mais acordaria e dirigiu-se até seu quarto. Era o momento do acerto de contas com sua esposa.

Ao chegar ao local ela estava saindo da sala de banho, enrolada em uma tolha. Ela apenas o olhou rapidamente e logo foi procurar algo para vestir. Ele continuou a observá-la e tal foi seu espanto ao ver que ela pegou sua roupa e voltou para a sala de banho no intuito de se vestir. Estreitou os olhos. As coisas estavam piores do que imaginava.

Ele trocou-se ali mesmo e deitou-se sobre a cama. Sabia que ela logo perguntaria sobre Hideaki e ali sim ele começaria a conversa. Fechou os olhos enquanto esperava pela entrada da humana no quarto e logo pode sentir o cheiro de sua fêmea se aproximando.

Rin o olhou seriamente, mas decidiu não falar. Sentou-se frente à penteadeira e devagar começou a acariciar os longos fios negros. Do espelho, observava Sesshoumaru. A língua coçava para perguntar, mas não se sentia a vontade para isso. Entretanto era seu filho, então de uma vez por todas decidiu falar.

– Sesshoumaru. – Ela chamou.

– O que é? – Ele disse de olhos fechados o tom frio de sempre.

– Hideaki dormiu?

– Sim.

– Somente agora? – Ele concordou com a cabeça.

– Sim. Lutou contra o sono até onde pôde, mas acabou cedendo. – Ele ainda estava de olhos fechados. – Não costuma ser assim.

– Exatamente. – Ela disse com sarcasmo na voz. –As crianças nunca dormem muito bem no colo de estranhos. – Sesshoumaru abriu os olhos e o pôs diretamente em Rin. Ela não sabia o que aquela fala iria causar.

– O que quer dizer com isto Rin?

– Nada querido, nada. – Ela dizia ainda debochada. Ele se levantou da cama e em instantes estava ao lado de Rin.

– Diga o que quis dizer. – Ele falava sério, olhando para ela ao lado do espelho. Ela continuou penteando o cabelo, agindo como se não o ouvisse. Fato que irritou o youkai. Pegando-a pelo braço ela a colocou de pé ante sua presença fazendo com que se encarassem. – Diga.

– O que eu quis dizer – Ela se desvencilhou da mão de Sesshoumaru. – É que você não se importa comigo ou com meu filho. Porque sempre tem coisas importantes a fazer.

– Acaso falta alguma coisa para você Rin?

– Falta Sesshoumaru. Falta muito coisa. – Ela começou a aumentar o tom de voz. – Você vive saindo, vive viajando. Nunca diz quando vai ou quando volta. E no mínimo tempo em que temos para passar com você, você o desperdiça trancado em salas com Yoi. Como se já não bastasse o fato de viajar com ela!

– Abaixe seu tom de voz quando falar com este Sesshoumaru. – Ele disse arrogante.

– Oh, me desculpe. Esqueci que falava com o grande Sesshoumaru-sama. – Ela se virou e seus cabelos foram jogados no rosto do youkai que os segurou. Ele a puxou até que voltasse a posição em que estava.

– Controle a sua arrogância para comigo Rin. Não vou tolerar este tipo de atitude. – Ela sorriu irritada. Ele retirou as mãos dela.

– Será possível que você só pensa em sua posição?! Em ser o poderoso youkai Sesshoumaru?! Eu estou dizendo o quanto seu filho e eu sentimos sua falta e você só se preocupa com a forma a qual eu me referi a você! – Ela a segurou pelo braço novamente e a puxou para perto dele.

– Não ouse me dizer como tenho que agir.

– Tudo bem eu não direi absolutamente nada. Mas quando o meu filho te olhar e disser que não tem referência de pai, não diga que eu não te avisei.

– E você acha que sendo compulsiva e vivendo somente para Hideaki vai ser uma mãe perfeita? – Ela pareceu chocada.

– O que você...

– Você não tem outra vida longe daquela criança. Você o mima e age como se todos fossem arrancá-lo de você. Entra em seu quarto de manhã e somente sai à noite para dormir. Isto não faz de você melhor do que eu Rin. Se estive ausente foi para a sua segurança e a dele.

– Agora não vá inverter as coisas para o meu lado por que...

– Enquanto você dava a luz a Hideaki, um soldado do exercito de Takezo estava no corredor e iria te matar se eu não tivesse chegado a tempo. O que nos mostra que havia traidores entre nós. Com um youkai inteligente como ele era, foi difícil encontrar os culpados, mas eu encontrei e exterminei a todos. – Rin parou por um momento. Ela não sabia do acontecido no dia em que seu filho nasceu.

– Como assim na hora em que eu estava dando a luz? – Ela parecia espantada. O youkai se virou para começar a caminhar.

– Sesshoumaru. – A voz dela o interrompeu. – Yoi...

– Não crie coisas em sua mente a respeito de Yoi, Rin. Os motivos de ela estar aqui são somente suas habilidades. – E ele voltou a caminhar, mas desta vez ia em direção a porta do quarto.

Ela sabia que fora precipitada ao dizer todas aquelas coisas a Sesshoumaru. Deveria ter feito uma abordagem diferente, mas ela sempre se deixava levar por seus sentimentos e não escutava a sua razão. Ela suspirou, agora que a besteira estava feita, teria de consertar, mas não iria fazer isto naquele momento. Iria esfriar a cabeça e deixar que ele se acalmasse também.

Deitou-se na cama e tentou pegar no sono. Assim se acalmaria e esqueceria aquela briga. Demorou muito para dormir e quando finalmente conseguiu, acordou rapidamente. Ficou assim por um bom tempo até que decidiu que seria melhor ver se estava tudo bem com seu filho.

Dirigiu-se até lá e parou a porta ao presenciar a cena a sua frente. O hanyo estava nos braços de Sesshoumaru. Ele colocou a cabeça de Hideaki apoiada em seus ombros e uma de suas mãos em suas costas. Ficou assim por bastante tempo, até que novamente ele estava dormindo.

Colocou-o cuidadosamente sobre o berço e esperou por alguns instantes antes dele sair, somente para se certificar de que ele realmente havia dormido. Após passarem-se alguns minutos, o grande youkai saiu do quarto sem olhar para Rin. Ela continuou para ali, sem saber o que fazer.

– Rin-sama, está tudo bem? – Perguntou Makoto ao ver sua senhora de pé àquela hora da madrugada

– Sim Makoto. — Ela pareceu pensar um pouco. – Pode me responder uma coisa?

– Sim. – Disse a empregada youkai.

– Você sabia que Sesshoumaru estava aqui?

– Sim senhora. Ele vem todas as noites ver Hideaki e faz questão de cuidar dele pessoalmente. – A empregada parecia familiarizada com aquela situação e Rin sentiu seu coração falhar.

Ela colocou a mão no peito e o sentiu doer. Falara todas aquelas coisas horríveis a Sesshoumaru e não sabia o que ele fazia por seu filho quando ela não estava acordada. Sentiu-se uma tola, uma idiota. Deveria pedir perdão a Sesshoumaru, imediatamente.

Notas finais
Será que Sesshoumaru aceitará as desculpas?
Beijo e até a próxima.