Minha Doce Menina.
111 Ameaça.
Já se aproximavam de sua casa quando ele permitiu-se parar de usar sua forma de transporte youkai para a caminhada. Nobuko estava completamente enraivecida e encorajada por sua falsa razão. Yosuke segurava seu braço fortemente, suprimindo todos os seus instintos contra ela.
Passaram pela entrada de sua casa e por todos os youkais sem qualquer tipo de cumprimento. Telepaticamente, Yosuke mandou uma mensagem para Kenichi avisando-o que deveria permanecer em seu quarto até que fosse ordenado o contrário. O youkai e sua esposa entraram na sala de negócios de sua casa e ele praticamente a jogou lá dentro.
Nobuko amparou-se sobre a mesa e olhou para ver o que o youkai fazia. Ele fechou a porta atrás de si e caminhou em direção a sua mesa e Nobuko tremeu um pouco achando que ele a machucaria. Yosuke passou direto e pegou o pergaminho que ela havia lido, o mesmo estava jogado e aberto sobre a mesa.
– Você gosta muito de ler, não é?! – O youkai questionou com o tom de voz alterado.
– O que vai fazer? Vai me obrigar a conhecer os detalhes de sua traição? – Nobuko indagou debochadamente.
Outra vez Yosuke segurou seu ombro e agora seus olhos estavam vermelhos. Ela estava o tirando do sério. Ele apertou seu braço com força e estendeu o pergaminho.
– Termine de ler. – As palavras foram quase rosnadas.
– Solte o meu braço! – Ela se esquivou e pegou a carta. Olhou para as letras arrumadas em palavras carregadas de sentimentos e iniciou a leitura. — Meu querido Yosuke, Como todas as vezes que inicio algo a você...
– Daí não. – Ele a interrompeu. – Da onde você parou de ler.
Nobuko engoliu a seco naquele momento. A voz e expressão de Yosuke eram assustadoras. Ela voltou o olhar para o papel e fez como ele ordenou.
Prometa que virá me ver em uma das minhas tardes, só para que possamos desfrutar dela juntos e também para que possamos conversar. Eu tenho precisado disso ultimamente. Alguém para conversar.
Com toda essa agitação em torno de Natsumi eu mal consigo respirar. É muito difícil ter alguém que depende de você para tudo, inclusive para se alimentar. Ah! Esse é um fato muito estranho também! Às vezes é difícil acreditar que alguém depende do meu seio para sobreviver.
Já se passaram algumas semanas desde o seu nascimento e agora me sinto quase completamente recuperada, embora minha mãe e sua leal companheira não me deixem fazer nada. Você me conhece e sabe o quanto eu odeio ficar presa a um só lugar.
Agora sem falar de mim, gostaria de saber como você está e como estão Kenichi e bem, Nobuko. Espero que tudo se acerte para vocês e que sejam muito felizes. Sei que não deveria perguntar também, mas... Bom, acho que já chega.
Estamos com saudades e venha nos ver logo. Precisamos de você.
Com carinho,
Akiyo.
As mãos de Nobuko começaram a tremer e ela não conseguia tirar os olhos daquelas palavras. Sua respiração falhou e ela sentiu todo o sangue de seu rosto esvair. Por um momento sua visão ficou turva e ela sentia o peso do mundo cair sobre seus ombros. Sentia o peso do olhar de Yosuke sobre si e também podia sentir o desprezo e o nojo que eram direcionados a ela.
– Durante todo tempo em que esteve fora e que passou aqui, Akiyo jamais tentou me jogar contra você ou mesmo fazer-me esquecê-la. Mesmo quando você veio até mim para dizer que me amava e eu me recusei a aceitar seu pedido até que se decidisse entre Raiden e eu, ela nunca tentou tomar o seu lugar. Nem em minha vida, nem na vida de Kenichi e muito menos em meu coração. Contudo, você continuou armando e fazendo do seu choro um meio de dissuadir Raiden para que ele a odiasse ainda mais do que antes.
– Yosuke...
– Cale-se! – Ele gritou e ela estremeceu outra vez. – Agora você irá ouvir tudo o que tenho a dizer. Quando Akiyo disse que você era uma invejosa tinha razão. Quando Akiyo disse que você era uma falsa tinha razão.
– Eu não sou uma invejosa!
– É. Você nunca aceitou o fato de Raiden amá-la. Nunca aceitou o fato de eu ter sentimos por ela e nunca aceitou o fato de Katsuo tê-la escolhido ao invés de você. – Os olhos de Nobuko se arregalaram. – Acaso pensou que eu não sabia? Pensou que poderia me enganar? Eu sei Nobuko. Você foi apaixonada por ele e ele se apaixonou por Akiyo. Quando estavam prestes a ficar noivos você aceitou o encontro sabendo das artimanhas que ele usava e bebeu o líquido que ele lhe ofereceu sabendo o que havia dentro. Acredita mesmo que poderia me enganar Nobuko?! – Yosuke gritou a ultima frase.
A humana desatou a chorar e não havia mais nada que pudesse fazer.
– Como se não bastasse o fato de ter vivido com Raiden durante todo esse tempo, como se não bastasse o fato de ter tentando piorar a situação de Akiyo perante Raiden durante o tempo em que viveram juntos, você ainda cria uma traição que não existiu.
Nobuko caiu sentada no chão chorando compulsivamente. Ela sentia no tom de voz de Yosuke o quanto ele a desprezava naquele momento.
– Depois de todos esses anos você continua sendo a mesma inútil e desprezível humana que eu sequer conheço. – Yosuke deu passos lentos em sua direção e ela levantou o olhar para ele. Seu rosto estava coberto por uma máscara fria. – Levante-se do chão e limpe seu rosto. Você tem um pedido de desculpas a fazer.
– Se não estavam se encontrando, o que você fazia com ela?! Akiyo estava com o quimono aberto! Vocês saiam todas as tardes!
– Akiyo sempre saiu todas as tardes e disso você sabe por que saía com ela e as duas têm o mesmo costume. Eu saía todas as tardes para encontrar minhas irmãs. Elas estão com problemas em suas terras. Agora levante do chão.
– Não! Eu não vou pedir desculpas! Akiyo roubou tudo de mim! Nada que eu faça será suficiente! Eu a odeio! Eu a odeio! Você sequer está com ela! Você dorme comigo todas as noite e ainda tenta defendê-la! Quero que ela morra! Quero que Raiden a mate como deveria ter feito há anos atrás!
Yosuke estava quase perdendo o controle.
– Levante do chão e limpe seu rosto, enquanto você ainda pode.
Nobuko chorou mais e sabia que não teria como resistir. A dor em seu peito era enorme e a humilhação que viria a seguir seria ainda pior. O youkai caminhou a sua frente em direção a porta e ela teve de segui-lo.
Desejou que Yosuke tivesse a espancado até a morte. A dor da agressão seria muito mais agradável do que a dor de ouvir suas palavras.
*
Com um enorme sentimento de perda, Natsumi soltou-se da mão de Seiko e correu em direção ao quarto de sua mãe. Ela tinha tanto medo e não sabia por que. Queria certificar-se de que estaria tudo bem com ela, embora algo a avisasse que não estava.
Quando chegou ao corredor, começou a caminhar. Com medo, deu passos lentos em direção a porta do quarto de seu pai e seus batimentos cardíacos apenas aumentaram quando uma youkai saiu do quarto com lençóis manchados nas mãos.
Chegou à porta do dormitório e teve medo de entrar. Viu sua mãe deitada na cama e ela parecia dormir. Tremendo um pouco, caminhou em direção ao leito e ignorou completamente a presença de seu pai no recinto.
Quando estava ao lado da mãe, segurou sua mão e percebeu que a mesma estava fria e sem vida. Os lindos cachos em tom de cobre escuro estavam espalhados pela cama e sua progenitora parecia não dar sinal de vida.
– Mamãe. – Chamou à pequena. – Mamãe, por favor, me responda. – O silêncio de Akiyo fez com que seus olhos vermelhos enchessem de lágrimas. – Mamãe, por favor, fale comigo. – O silêncio continuava a castigar-lhe. – Se a senhora acordar, eu juro, nunca mais fico sem comer. – E mais uma vez nada.
Natsumi apertou sua mão, mexeu em seus cabelos, chamou-a mais algumas vezes e ela não respondeu. Raiden tinha esperança de que sua filha pudesse acordá-la, mas nem ela foi motivo para que a humana voltasse.
Percebendo que ela não iria acordar, Natsumi começou a chorar e cada lágrima de sua pequena filha era um golpe no coração de Raiden.
– Mãe! – Ela gritou e jogou-se ao corpo de Akiyo. – Mamãe!
– Já chega Natsumi. – A voz do pai se fez soar, mas ela não o ouviu.
– Mãe! Mãe! Eu quero a minha mãe! – Raiden aproximou-se dela e pegou-a no colo. A menina chorava compulsivamente e não consegui a acreditar que aquilo havia acontecido.
Ao chegar à porta de seu aposento, Raiden olhou para trás mais uma vez e sentiu uma onda de arrependimento afogar-lhe. Ele não deveria tê-la trazido da casa de Yosuke. Pelo menos lá ela estava viva e parecia feliz.
*
O clima de tensão cercava a todos naquele luxuoso e enorme palácio. De um lado os mais fortes e poderosos Inu Youkais estavam sentados com os olhos em direção a ele e do outro Sesshoumaru olhava a todos com iminente desprezo não somente em sua voz, mas também em seu rosto.
– Temos assuntos gravíssimos a tratar, meu querido filho Sesshoumaru.
O youkai sorriu debochadamente ao ouvir aquelas palavras. Nelas, não havia qualquer sentido ou sentimento.
– Encerremos logo com isto. – Pronunciou-se.
– Direto como sempre. – Disse uma youkai fêmea que estava sentada próxima a sua mãe. – Existem contas que devem ser prestadas Sesshoumaru e você é o responsável por elas.
– Este Sesshoumaru não deve explicações a ninguém.
– Ah... Deve sim. – A youkai o desafiou. – Você uniu-se a uma humana que procriou, gerando um hanyo. Você não odiava aos humanos? Não desprezava híbridos? – O youkai manteve-se em silêncio. – Mesmo seu pai, que se relacionou com Izayoi, relacionou-se primeiramente com sua mãe tendo um filho youkai.
Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha. Como aquela fêmea sabia o nome da mãe de Inuyasha?
– Aonde quer chegar? – Foi direto.
– Em Rin. Em sua adorada e amada fêmea marcada Rin. – O sorriso que sustentava o rosto da youkai desapareceu e agora uma expressão assustadora assumiu o rosto da mulher. – Livre-se dela e do hanyo que ela gera. Caso contrário, você perderá seu reinado e será morto por nós.
– Isto tudo me dá sono... – Disse a mãe de Sesshoumaru. – Se ele herdou do pai manias estranhas, que o deixem assim. Aquela humana e seus filhos não farão mal a nenhum de nós assim como a humana que meu marido tomou não fez.
A Inu youkai ao seu lado se levantou furiosa.
– Humanos não podem se misturar com youkais! – Bateu com força sobre a mesa.
Alguns dos outros youkais que estavam sentados concordaram. Boa parte daqueles acreditava que era uma grande perda de tempo. O conselho se reuniu para decidir se interfeririam ou não e logo a votação seria iniciada.
– Então que terminemos de uma vez. Tenho certeza de que meu filho e eu preferiríamos estar em outro lugar.
– Se meu pai a negou no passado, não há nada que se possa fazer. – Disse Sesshoumaru. – Inu no Taisho foi o ser mais poderoso e mais sábio que já conheci. Certamente ele sabia que você era uma youkai desprezível Mai.
As palavras de Sesshoumaru deixaram-na ainda mais enraivecida e seus olhos ficaram completamente vermelhos.
– Você é um moleque desaforado Sesshoumaru. Da primeira vez deu errado, mas agora meu plano não falhará.
Sesshoumaru ficou em atenção assim como sua mãe e ambos sabiam o que viria a seguir.
– Takemaru foi um idiota que se deixou ser morto e tanto Izayoi quanto aquela maldita criança que deu à luz sobreviveram, mas dessa vez aquela a quem eu designei a tarefa não falhará. Diga adeus a sua esposa e ao filhotinho que sequer verá a luz do mundo Sesshoumaru.
No mesmo Sesshoumaru deu as costas a todos os youkais ali e caminhou em direção a Rin. Sua esposa estava longe de casa e ele não sabia se estava na Aldeia de Inuyasha ou se já havia retornado. Ela certamente estaria em perigo.
*
Rin andava calmamente enquanto a noite já havia caído. Gostava de caminhar por ali e matar a saudade das cachoeiras em que tanto se divertiu quando era criança. De repente, ouviu passos em sua direção e sacou sua espada. Virou-se para trás e deparou-se com Inuyasha e Kagome.
– Ah! – Gritou devido ao susto que levou.
– Rin-chan! Sabe que não pode andar na mata durante a noite. É perigoso e além do mais, está serenando. Isso é ruim para seu estado.
– Keh! Se acontecer alguma coisa a você e ao seu bebê Sesshoumaru com certeza virá atrás de mim e eu não quero vê-lo. – Inuyasha cruzou os braços e fechou os olhos.
– O quê?! – Rin questionou completamente incrédula.
Kagome percebeu por seu tom de voz que ela não sabia do que se tratava, então ponderou suas palavras para lhe dar a notícia.
– Rin-chan você está grávida. – Ela abriu um enorme sorriso e após o choque ter passado ela sorriu da fala de sua amiga.
– Grávida?! Eu estou grávida?! – E gargalhou mediante a realidade de suas palavras.
Pousou a mão sobre sua barriga e sentiu pela segunda vez seu coração inundar-se da felicidade de gerar uma criança. Naquele exato momento, toda e qualquer dúvida que antes estivera em sua mente desapareceu. Ela precisava voltar para casa. Ela precisava voltar para o primeiro fruto de seu amor, Hideaki. Ela precisava voltar para Sesshoumaru, o grande amor de sua vida.
Fale com o autor